ADVENTO
Na perspectiva Anglicana
O termo "Advento" significa "chegada", anúncio da vinda de uma pessoa ou de um evento importante, como a chegada de um rei numa cidade ou de uma divindade a uma cidade ou a seu templo, e como quadra foi surgindo entre os séculos IV ao VI, como o tempo preparatório à celebração do mistério da Encarnação do Filho de Deus. Seu caráter de "espera expectante" se desenvolve a dois níveis: o fático, como lembrança do nascimento de Jesus, e o escatológico, da vinda em glória do Senhor, ao fim dos tempos.
Daí as exortações, durante os quatro domingos, ao cultivo de atividades evangélicas importantes, como a vigilância, a oração, a esperança e a conversão, chamando a todos os cristãos a preparar os caminhos para o Senhor que vêm.
Formalmente o Advento se estende ao longo das quatro semanas prévias ao Natal, começando no Domingo mais próximo à festa de Santo André, que é no dia 30/11, e marca também o início do Ano Cristão.
Durante vários séculos o Advento teve um forte acento penitencial e preparatório, expresso pela cor litúrgica (roxo/lilás), restrições ao uso de música e flores e alguns dias de jejum e abstinência. Esse caráter era aliviado no terceiro domingo, chamado de "Alegrai-vos" (Gaudete, em latim), pelas primeiras palavras da oração introdutória da Eucaristía desse dia.
Na metade do Advento, há uns dias especialmente consagrados a dar graças a Deus e que desde muito antigo são aproveitados para as Ordenações ao Ministério: são as Têmporas. Também, desde os tempos das reformas litúrgicas do Arcebispo de Cantuária, Thomas Cranmer, o segundo domingo é dedicado a dar graças a Deus pelas Santas Escrituras, pelo qual esse dia é para nós, anglicanos, o Dia da Bíblia.
O conteúdo das leituras evangélicas dominicais nos três anos do Lecionário Dominical segue um mesmo tema específico para cada domingo:
-vigilância na espera de Cristo (1º Domingo);
-exortação à conversão (2º Domingo);
-Testemunho de Jesus por parte de João Batista (3º Domingo);
-e anúncio do nascimento de Jesus (4º Domingo).
É tradição em muitas comunidades, preparar uma "Coroa de Advento", adornada com flores e cinco velas. Cada uma delas é acesa em cada domingo da quadra e a última na festa do Natal, simbolizando assim que Jesus é a luz do mundo que vence as trevas do mal.
Cada uma das quatro velas acesas aos domingos desse tempo está unida a uma personagem bíblica do Antigo e do Novo Testamento, vinculados à figura de Jesus:
o profeta Isaías, o anjo Gabriel, João Batista e a Virgem Maria, a mãe do Senhor.
Fonte: O Pão da Vida, Comentários ao Lecionário Anglicano, Ano A, 2007, pág. 373, 374 - Revdo. Enrique Illarze, liturgista
Na perspectiva Luterana:
Denominamos de Advento o tempo correspondente aos 4 domingos, às 4 semanas antes do Natal. Este tempo pode ser de 22 a 28 dias, dependendo do ano e, conseqüentemente do dia da semana em que cai o 25 de dezembro. Muitas tradições e conteúdos estão relacionados com esse tempo.
Início do Ano Litúrgico: para a Igreja Cristã no Advento inicia-se o novo ano. O primeiro Domingo de Advento é o início do calendário litúrgico da Igreja que organiza e determina as comemorações, as celebrações e os principais conteúdos da vida comunitária dos cristãos; por exemplo: Advento, Natal, Epifania, Paixão, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Trindade, Ação de Graças, Reforma, Eternidade.
Espera e Vigília:
Advento significa "vinda", "chegada". Está relacionado à chegada de Deus ao
mundo. Tempo determinado para a preparação da festa do nascimento de Jesus.
Ao mesmo tempo, esta "espera" recebe os traços litúrgicos e de comportamento
próprios de uma "vigília", a partir do impacto da expectativa das comunidades
cristãs (venha o teu reino) relacionada à nova vinda de Cristo, à chegada do
"novo Céu e a nova terra".
Temos nesta época conteúdos de fé e tradições cristãs que promovem a alegria, causada pelas dádivas de Deus relacionadas ao nascimento de Jesus e pela expectativa de uma ação salvadora plena que ainda vai chegar, neste caso uma antecipação da grande alegria vindoura.
Esperança: advento é um tempo apropriado para fomentar a construção da esperança, uma esperança que transcende os limites das necessidades materiais e imediatas, uma esperança que inclui uma visão de mundo, de tempo e espaço onde é possível a dignidade, a justiça, a paz e o amor, o equilíbrio da vida e da Criação de Deus. Para a construção desta esperança necessário se faz re-elaborar e resistir aos apelos do consumo, próprios desta época em que o comercio e outras ações típicas da sociedade de consumo propõe, subvertendo os conteúdos e as tradições criadas em torno do Natal de Deus no mundo.
Calendário de Advento: Neste quadro da esperança surgiu na Alemanha uma tradição familiar, que visa especialmente motivar as crianças a esperarem e a compreenderem o ritmo do tempo. As mães, avós, pais e avôs preparam, de várias maneiras (veja um modelo na gravura ao lado), uma caixinha para cada dia do tempo de Advento. A tradição é colocar em cada caixinha uma mensagem, ou tarefas comunitárias, ou uma pequena lembrança, com o intuito de ajudar as crianças contarem os dias que faltam para o Natal e coordenar a ansiedade delas ao querer ganhar antes do tempo os presentes. Este calendário e suas tarefas disciplina a espera tornando-a terapêutica e alegre, com conteúdo que conduz com criatividade a expectativa da criança até ao dia do Natal.
Arrependimento e Limpeza: Já o profeta João Batista chamava o povo para o arrependimento e ao batismo: "Arrependam-se dos seus pecados porque o Reino do céu está perto! ... e João os batizava no rio Jordão" (Mateus 3.2 e 6). Não se sabe determinar quando iniciou, mas até hoje em certas regiões na época do advento as pessoas e famílias fazem uma limpeza interior e externa: avaliam a sua vida e constroem esperanças novas para o futuro e limpam também os seus armários, a casa inteira, os jardins, pintam as casas... etc.
Infelizmente esta tradição está comprometida, cada vez menos pessoas têm armários para limparem, casas para pintarem, jardins para cuidarem e poucas encontram tempo ou dão importância para o ritual de arrependimento.

Coroa de Advento:
A coroa de advento é feita com ramos verdes, geralmente envolvida por uma fita vermelha e nela 4 velas são afixadas. Ela simboliza e comunica que naquela Igreja, casa, escritório ou qualquer espaço em que ela esteja vivem pessoas que se preparam com alegria para celebrar a vinda de Deus ao mundo, o Natal.
O círculo da coroa: simboliza a nova aliança de Deus com a humanidade. Esta nova aliança é celebrada no sacramento da Santa Ceia. Ao círculo da coroa pode ser relacionado também a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus naquela semana em que foi crucificado - a nova aliança foi feita pelo Jesus negado e rejeitado, com humildade e doação.
Os ramos verdes, os ramos mesmo cortados permanecem verdes por semanas: comunicam a esperança, uma esperança que leva a perseverança, uma entrega total da vida a Deus.
A fita vermelha: a cor vermelha na tradição litúrgica está ligada à cor do fogo e do sangue. Simboliza a cor da vida, do amor e ao mesmo tempo do derramamento do sangue, sacrifício. A nova aliança de Deus com a humanidade foi feita com amor, doação, sacrifício e trouxe a vida plena e eterna.
As 4 velas: uma vela para cada domingo que antecede ao dia 25 de dezembro. Alguns registros históricos contam que a coroa de advento surgiu em uma instituição que abrigava crianças pobres. Inicialmente ela continha entre 22 a 28 velas, uma para cada dia do tempo de advento. Devido aos custos diminuiu-se o número de velas.
As velas da coroa são acesas (a cada domingo mais uma), para iluminar a vigília do advento, a preparação para vinda da luz ao mundo. Simboliza que Jesus Cristo é a luz do mundo. Comunica a alegria da vida que procede de Deus, aquela que vai além dos limites que a vida no mundo impõe.
Advento é tempo de voltar-nos para o Deus que nos ama e que está bem perto de nós. É tempo da fé nas coisas novas, no novo céu e nova terra onde habita a justiça e a paz. É tempo de limpeza e arrependimento, de opção por uma vida saudável em que sobra espaço para a solidariedade, a verdade, a paz e a comunhão. É tempo da construção da esperança e da vida comunitária que rompem os nossos limites e entendimento. É tempo de alegria, de festejar o amor de Deus por nós.
* Guilherme Lieven é pastor na Paróquia ABCD
http://www.luteranos.com.br/3021/artigos/nota03.html