Caríssimos irmãos e irmãs em Cristo,

 

-Paz e Bem, neste maravilhoso 29 de setembro, quinto dia do Novenário

dedicado a São Francisco de Assis, dentro das celebrações dos 800 anos

do carisma franciscano.

 

-Calorosas saudações a todos os fiéis aqui presentes,

            Ao Celebrante, Frei Afonso Schomaker, OFM,

            Ao Grupo de Animação, Joaquim e Diego,

Aos Convidados: OFS da Piedade, Paróquias NS de Brotas e NS da Vitória, Carmelo da Bahia, Comunidade da Igreja da Graça, Pastoral da Saúde, Irmandade de NS do Rosário dos Pretos às Portas do Carmo.

 

Quis a Providência conceder-me a Graça de mais uma vez estar convosco, e desta vez, pelo décimo ano de minha participação em tão importante evento e celebrando os 800 anos do carisma franciscano, ou seja, reviver o sonho de PAZ E BEM de Francisco e Clara no chão da América Latina e do Caribe. 

 

 

Nascido no Inverno de 1181-82, de Pedro Bernardone, e da Sra. Giovanna, São Francisco veio ao mundo num pequeno curral improvisado junto  à casa paterna, embora fosse filho de um rico comerciante, como se fosse um sinal de predestinação. Durante a sua juventude levou uma vida de comodidades, de suntuosidades, segurança e prestígio. Aos 18 anos resolveu combater contra os perugianos, resultando em sua captura  e prisão por um ano.

 

Durante uma longa convalescença e crise espiritual entre 1205 e 1209, resolve abandonar as armas, a riqueza, o prestígio e ingressar na milícia de Cristo, pelo caminho da renúncia.

 

De diversas formas a história nos revela o chamado  de São Francisco à Conversão: Uma delas é que ao ouvir o Evangelho em 24 de fevereiro de 1208, dia de São Matias, Apóstolo, o texto sagrado registrado nos Sinóticos falou diretamente ao seu coração: "Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!  Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão". Imediatamente São Francisco entendeu e tomou a mensagem para sí, dizendo: É  isto que eu quero, é isto que eu procuro, é isto que eu desejo fazer do íntimo do meu coração. Descalça os pés, depõe o bastão das mãos, prepara uma túnica bem rudimentar e passa a viver para o seu próximo, embora também passe a sofrer o sarcasmo dos seus compatriotas: Não mais evita o leproso, mas cuida-lhe das feridas e prega a Paz e o Bem.

Nasce a Ordem Franciscana, o Papa Inocêncio III aprova a Regra da ordem, dá-se em 1212 a fundação das Clarissas; as Missões em terras distantes em 1213-14, a indulgência da porciúncula em 1216; a partida de São Francisco ao oriente; os primeiros grandes Capítulos e em poucos anos os franciscanos chegam a milhares. Sempre pautados na Regra de Vida que tem nos seu primeiro Capítulo os ensinamentos do sagrado Evangelho:

" CAP. I. QUE OS FRADES DEVEM VIVER SEM PRÓPRIO E EM CASTIDADE E OBEDIÊNCIA

1 A regra e vida destes frades é esta, a saber, viver em obediência, em castidade e sem próprio, e seguir a doutrina e os vestígios de nosso Senhor Jesus Cristo, que diz:
2 "Se queres ser perfeito, vai e vende tudo (cfr. Lc 18,22) que tens, e dá aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me" (Mt 19,21).

3 E: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo e tome a sua cruz e me siga" (Mt 16,24).
4 Do mesmo modo: "Se alguém quer vir a mim e não odeia pai e mãe e mulher e filhos e irmãos e irmãs, e também sua própria vida, não pode ser meu discípulo" (Lc 14, 26).
5 E: "Todo aquele que deixar pai ou mãe, irmãos ou irmãs, esposa ou filhos, casas ou campos por causa de mim, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna" (Mt 19,29; Mc 10,29; Lc 18,29)".

Conta-se que certo dia, o  bem aventurado Francisco regressava à igreja de Santa Maria da Porciúncula, deparou com Frei Tiago, o Simples, acompanhado de um leproso coberto de chagas, que naquele dia viera à igreja. 0 Santo pai tinha lhe recomendado, com muito interesse, esse leproso, juntamente com os outros que estavam mais roídos da lepra. Naquele tempo os frades serviam nas leprosarias. Frei Tiago fazia de enfermeiro dos mais chagados; e de bom ânimo lhes tocava nas feridas, mudava os pensos e os tratava.

O bem aventurado Francisco disse a Frei Tiago, em tom repreensivo: "Não deves agir dessa maneira com os nossos irmãos cristãos, porque não é bom, nem para ti, nem para eles". "Irmãos cristãos" era o nome que ele dava aos leprosos. Admoestou o irmão, não obstante a alegria de ver a ajudá los e a servi los: primeiro, porque não queria que saísse do hospital com os mais chagados; depois, porque o irmão era muito simples e costumava levar, com freqüência, alguns leprosos para a igreja de Santa Maria; enfim, porque os homens geralmente evitavam, horrorizados, estes infelizes cobertos de chagas.

Apenas pronunciou estas palavras, logo se sentiu arrependido e confessou sua culpa a Frei Pedro Cattani, ministro geral, na ocasião. Sobretudo porque pensou que a repreensão dada a Frei Tiago desgostara o leproso. Sentiu se, pois, obrigado a dar uma satisfação a Deus e ao doente.

Volta se para Frei Pedro e diz: "Peço te que me aproves e, sobretudo, não me recuses, a penitência que quero fazer'. Frei Pedro respondeu: 'Irmão, como queiras". Sentia Frei Pedro para com o santo tal veneração, temor e submissão, que jamais ousava modificar em nada o que lhe ordenasse, embora nesta circunstância, como em muitas outras, ficasse preocupado interior e exteriormente. Diz lhe o bem aventurado Francisco: "A minha penitência vai ser esta: comer no mesmo prato, com o meu irmão cristão". Quando o bem aventurado Francisco e os irmãos se assentaram à mesa com o leproso, foi colocada uma escudela entre os dois. Ora Francisco, ora   o leproso todo chagas e úlceras; os dedos de que se servia para comer estavam contorcidos e escorrendo sangue que caía na escudela sempre que lá os metia. À vista disto, Frei Pedro e os irmãos sentiam grande tristeza, mas nada se atreviam a dizer, por respeito para com o Santo Pai.

Isto, meus queridos e queridas irmãs, porque tornou-se realmente um soldado de Cristo, passando  a ser revestido com a armadura de Deus conforme Efésios 6:10-18:

 

"Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder.
Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio.
Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares.
Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever.
Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, (A tua Lei é a própria Verdade-Sl 119:142), o corpo vestido com a couraça da justiça, (Buscai oReino de Deus ...Mat 6:33) e os  pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.( Como são belos sobre as montanhas os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem,  que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: Teu Deus reina! Is 52:7). Sobretudo,  embraçai o escudo da fé com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. ,(A fé é o firme firmamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem Heb 11:1). Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.( Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Heb 4:12).

Este é o segredo do carisma franciscano que nos foi e será sempre transmitido até quando Nosso Senhor Jesus Cristo regressar em poder e grande Glória e que nós, franciscanos deveremos utilizar diuturnamente como nossa regra de fé e prática: Sermos os anunciadores da Paz, desejando e promovendo para o nosso próximo, sempre o Bem através da forma universal, que motivou S. Francisco a viver o Evangelho em profundidade, segundo Coríntios 13, que não é um Dom em si mas a conjugação de várias atitudes do nosso dia-a-dia:

Atitudes de:

 "PACIÊNCIA, pois só o amor é capaz de entender

BONDADE –  é o amor ativo

GENEROSIDADE – não se arde em ciúmes, não é egoísta e sim altruísta

HUMILDADE – não se ufana, evita satisfação própria

DELICADEZA – não é inconveniente,

ENTREGA – não procura seu próprio interesse

TOLERÂNCIA – não se exaspera. Intolerância e preconceito sempre são 

                           encontrados em pessoas   que se julgam virtuosas.

INOCÊNCIA – as pessoas que mais nos influenciam são as que acreditam em

                           nós. Sem empatia, sem respeito, as pessoas se retraem.

SINCERIDADE – não a sinceridade que humilha o outro e sim a que constrói um

                          melhor relacionamento entre as pessoas.

Lembremo-nos sempre que:

O tempo não transforma o homem.

O poder da vontade não transforma o homem.

O Amor transforma".

 

Que Deus nos Abençoe.

SSA 29 09 08

(Esboço da homilia proferida no dia 29 de outubro de 2008 no 5º dia da Novena de S. Francisco de Assis na Igreja de São Francisco - Largo de S. Francisco - Centro Histórico - Salvador - Bahia).