IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL
DIOCESE ANGLICANA DO RECIFE
EXORTAÇÃO PASTORAL AO CLERO E AO MINISTÉRIO PASTORAL AUXILIAR
Alguns pontos em relação à celebração da Santa Comunhão:
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A Liturgia não é tudo na Igreja, mas o todo
da vida da Igreja passa por ela. É o sacramento, o sinal sensível da vida da
Igreja como evento da graça de Deus. Por isso é como o coração da vida da
comunidade cristã. Tem com o conjunto uma relação, ao mesmo tempo,
centrípeta e centrífuga. Para ela converge a totalidade do quotidiano da
Igreja, como o sangue que se dirige para o coração, e dela o mistério
irradia e flui para todo o organismo. Toda a vida comunitária converge para
ela, enquanto é nela que celebramos o mistério de nossa comunhão diária e
vital (koinonía) em Cristo. E é a Liturgia que irradia no ensino, na ação
evangelizadora, na diaconia sócio-política e no testemunho de vida (martyría).
A Liturgia é a expressão da dimensão poética da ação movida pela fé,
portanto é a mesma coisa em forma de poema comunitário em ato. Por isso deve
ser bonita, a começar da limpeza e organização do espaço, pois é momento
estético. Nela fazemos a memória dos eventos de salvação na história,
sobretudo a vida, morte e ressurreição de Jesus; e nela proclamamos a
profecia do que nossa vida em Cristo deve ser. Liturgia é “memorial”
(passado trazido para o agora) e “profecia” (futuro antecipado no agora): na
experiência mística e vital do culto se fundem a vida de ontem e a vida de
amanhã, história e escatologia...
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Por isso temos de realizá-la da melhor
maneira possível, com dignidade, sensibilidade e reverência. Cada culto deve
ser preparado, ter roteiro próprio, se for preparado em equipe, incluindo
pessoas leigas da congregação, melhor ainda. Para a celebração litúrgica
deve chegar a vida do povo, da Igreja e da sociedade, em forma de ação de
graças, de louvor, de pedido de perdão e de intercessão, assim como de
meditação da Palavra atual de Deus, percebida na vida, pela mediação da
Bíblia. A reverência e o zelo devem manifestar-se já pelo horário de nossa
chegada ao templo, uma hora antes ou, pelo menos, quarenta minutos ou meia
hora; para verificar se tudo está devidamente preparado, tomar providências
urgentes em caso de necessidade, e acolher as pessoas que chegam. Também até
em nosso vestir e calçar. Celebrar a Eucaristia é celebrar o banquete
festivo do Senhor. O povo antigo falava de “roupa ou traje de ver a Deus”,
ou “roupa domingueira”. Nossos irmãos pentecostais nos dão exemplo nisto,
vestem-se com muita dignidade para o culto. Será conveniente vestir-se com
“roupa de baile” de amplos decotes ou com bermuda esportiva, ou com roupa
quase “de praia”? Com prudência e pedagogia pastoral devemos educar nossa
gente a preparar-se adequadamente para estar no espaço litúrgico, perceber
que estamos chegando para o banquete festivo com o Senhor. Ademais, presidir
é estar à frente, como vitrina. Será conveniente, por exemplo, presidir o
culto com cabelos assanhados, roupa de qualquer hora, tênis coloridos, ou
chinelos...? Não se trata de riqueza, sofisticação ou moralismo, mas de
reverência e modéstia. A maneira como nos vestimos e nos portamos no culto é
também elemento importante de nosso diálogo com as demais pessoas da Igreja
e com a sociedade em torno de nós
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Com liberdade espiritual e com criatividade
cultural, é preciso levar em conta a observância das normas litúrgicas da
Igreja: as normas (rubricas) do Livro de Oração Comum têm força de lei
canônica; diáconos, diáconas e pessoas investidas no ministério pastoral
auxiliar não “presidem” a celebração da Eucaristia pela qual, na assembléia
do povo, se produz o Sacramento. Sua função é “ministrar” (distribuir) a
Santa Comunhão no contexto da oração pública, ou em ocasiões privadas
(visitas a enfermos, a pessoas encarceradas, ou a ausentes p.ex)
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Os elementos da Comunhão (pão e vinho
consagrados) não podem ser confeccionados privadamente por algum presbítero,
fora da celebração do culto público da Igreja. Essa prática seria uma
aberração teológica e litúrgica, pois estaria fundada no pensamento de que
alguém individualmente deteria nas mãos o “poder” sagrado de realizar a
Eucaristia, que é um ato eminentemente comunitário, expressão do “ser
comunhão” da Igreja. Os elementos consagrados surgem da celebração
eucarística comunitária inteira, da qual o presbítero ou o bispo é o
“presidente”, não o “celebrante”, pois todo o povo cristão celebra e assim
exerce seu múnus sacerdotal (“sacerdócio comum dos fiéis”). É da assembléia
eucarística que se “reserva” parte do pão e do vinho consagrados para
comunidades menores, para pessoas enfermas, ausentes ou encarceradas
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Como acontece em outras dioceses da Comunhão
Anglicana, inclusive no Brasil, seria muito conveniente que em cada
congregação houvesse um “tabérnaculo” ou sacrário, instalado ao lado do
altar, para guardar convenientemente o “sacramento reservado”, bem como os
santos óleos de enfermos e de batismo/confirmação. É desagradável ver como
em igrejas os elementos consagrados são guardados em armários comuns, em
vasos inadequados, junto com outros objetos ou deixados em meio a esses, ou
até misturados com elementos não consagrados... Temos de ter muito zelo por
essas coisas, e nosso zelo é também educação cristã para o povo, a começar
pelas pessoas que cuidam do altar
6. O ministério de louvor é
importantíssimo. Está ao lado da pregação. Esta, busca levar a
congregação a refletir sobre a Palavra (saber), o canto, por sua vez, deseja
provocar a sentir, experimentar, saborear a Palavra. Cantar vai profundo,
atinge, além da razão, as emoções do coração. Exige particular sensibilidade,
pois a comunidade deve cantar o que crê, suas convicções de fé, de amor e de
esperança, o louvor expressa o estágio de maturidade atual da congregação;
quem dirige o canto tem também de “farejar” os estados emocionais do povo para
dar-lhe resposta adequada mediante a ministração: comunicar alegria em situação
de tristeza, ajudar a concentrar-se em momento de dispersão, sugerir
profundidade ao sentir clima de superficialidade... mas não é suficiente, o
louvor é também pedagogia para ajudar a congregação a ir adiante, começando por
cantar hinos e canções que a provoquem a perceber que a Revelação de Deus é mais
ampla e mais profunda do que aquilo que até agora alcançamos... O ministério do
canto não é apenas expressivo, é também construtivo, por isso é particularmente
função pedagógica na comunidade. E mais: é preciso que o canto esteja
relacionado com o tema bíblico da Liturgia do dia e com a quadra litúrgica
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Ao ministrar a comunhão ao povo, no culto público,
diáconos, diáconas e ministros e ministras pastorais devem seguir ou o
rito da Oração Matutina/Vespertina, ou um dos ritos eucarísticos, até o momento
do Sermão, Credo e Intercessões
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No Ofertório, não devem elevar o pão e o vinho já
consagrados; mesmo que já estejam sobre a Mesa, devem permanecer cobertos.
Quando há o tabernáculo, o correto é só retirar o sacramento reservado mais
tarde, no próprio momento em que se vai iniciar a comunhão, ou seja,
imediatamente antes do Pai-Nosso. O Pai-Nosso é recitado já perto da comunhão, e
nunca logo após a leitura do evangelho, esse é o momento de confessar a fé com a
recitação do Credo. No Ofertório só devem ser elevadas as ofertas em dinheiro
ou de gêneros alimentícios para pessoas pobres, não os elementos já consagrados.
As mãos, no entanto, podem ser elevadas em gesto de oferta. Em seguida convém
lavar as mãos, pois se vai depois tomar o pão para distribuí-lo às pessoas
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A “Grande Oração Eucarística”, que começa com o
Prefácio, só pode ser pronunciada pelo Bispo ou por Presbíteros ou Presbíteras.
(LOC, pg 61). É importante que a congregação percebe a distinção de atribuição
das diversas ordens
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Os diáconos e ministros ou ministras pastorais não
pronunciam as palavras da Ceia que se acham nos evangelhos e na Carta aos
Coríntios, nem, muito menos, fazem a “epiclese” ou invocação do Espírito Santo
sobre as oferendas (LOC, pg. 63), nem tomam nas mãos o pão e o vinho para
elevá-lo à vista do povo. Em lugar das palavras da “consagração”, devem recitar
uma das sentenças contidas no LOC nas pgs. 157 e 158, ou outra equivalente que
se refira à Eucaristia ou ao dom que Jesus faz de Sua vida por nós. Ao recitar
uma das sentenças, aí, sim, podem ter nas mãos os elementos consagrados,
conjuntamente o pão e o vinho, apresentando-os ao povo. Duas sentenças
possíveis são também as seguintes:
“Irmãos e irmãs, quando nos reunimos como família
de Deus, acontece como se deu com os discípulos de Emaús. Jesus se senta à mesa
conosco, reparte o pão e o vinho. Aí nossos olhos se abrem e temos a chance de
reconhecê-Lo em meio a nós e proclamar: Verdadeiramente o Senhor ressuscitou e
se revela no partir do pão”
Outra: “Nós recebemos do Senhor aquilo que tem
sido transmitido, que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, partiu o pão e
compartilhou o cálice de vinho e disse: Eis o sinal da nova aliança garantida
pelo meu sangue. Por isso cada vez que comemos deste pão e bebemos deste cálice,
anunciamos a vitória do Senhor e a nova vida que nos é dada se permanecemos
n’Ele”
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Assim, após o recolhimento e a elevação das ofertas
do povo (“Tudo vem de Ti, Senhor e do que é Teu To damos”), colocam-se sobre a
mesa os elementos consagrados se estiverem no tabernáculo, ou se retira o véu do
cálice e se destampa o cibório, pronuncia-se a sentença a que se refere o item
anterior e convida-se a assembléia para recitar o Pai-Nosso. Não se faz a
“fracção do pão”, mas dá-se início imediatamente à distribuição da Santa
Comunhão e aos ritos finais
12. Para as leituras bíblicas do Antigo Testamento, do Salmo e da Epístola
devem ser
convidadas pessoas leigas, o que dá ensejo a maior participação do
povo na ação
litúrgica.
Recife, 18 de Maio de 2008
Festa da Santíssima Trindade, titular de nossa Catedral
Dom Sebastião Armando, Bispo Diocesano
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