Semana Santa

Quinta-Feira Santa

Nos primeiros séculos do cristianismo realizavam-se, pela manhã os ritos da reconciliação dos penitentes públicos e sua reintegração ao seio da comunidade, a fim de permitir-lhes participar da Santa Eucaristia do dia da Páscoa, marcando assim que seu tempo de exclusão tinha terminado e que eles eram agora membros plenos e aceitos da Santa Igreja. Este costume começou a cair em desuso no final do séc. IV e desaparece totalmente da Igreja por volta do séc. VI. Em seu lugar, e desde o séc. VIII, outros ritos irão tomando seu lugar.

O mais importante deles é o da Benção dos Santos Óleos, a serem utilizados pela Igreja, ao longo do ano para diferentes rituais:

Batismo, Bênção da Saúde, e em algumas partes também para Confirmações e Ordenações ao Santo Ministério.

Pela manhã temos uma liturgia especial, que é aproveitada em algumas Igrejas, entre elas algumas da Comunhão Anglicana, para reunir os clérigos em torno de seu bispo diocesano, reforçar o sentido da unidade eclesial, abençoar e repartir os óleos a serem usados nas comunidades da diocese durante o ano e permitir que os clérigos renovem seus compromissos de fidelidade a seus ministérios, que são os de Cristo: levar a boa nova aos pobres, proclamar a remissão aos presos e a recuperação da visão aos cegos, devolver a liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor (Lc 4.18), comprometendo-se a deixar-se guiar pela liderança espiritual e pastoral do bispo, conforme assumido no momento da ordenação presbiteral. Algumas dioceses no Brasil realizam essa cerimônia.

À tarde, nas comunidades paroquiais, o folheto dos Ritos Especiais da IEAB, já citado anteriormente, e que é um material auxiliar e complementar ao LOC, propõe que se celebre a lembrança do amor de Deus por todos nós, realizado através da vida e do sacrifício de Cristo e expressado através da instituição da Santa Eucaristia, do gesto de perdão e amor ensinado por Jesus, assim como de humildade e de vocação de serviço, que Ele passou nessa noite para todos os cristãos. Para isso recomenda-se que durante a Santa Eucaristia se veja a possibilidade de realizar o rito do Lava-pés. Esse rito, que nasceu dentro da liturgia ambrosiana (de Milão), se realizava originariamente na vigília pascal e tinha por objetivo ensinar humildade aos neobatizados.

Em algumas comunidades, ao fim do culto, efetua-se a remoção dos paramentos do altar.

A cor a utilizar nos cultos da Quinta-Feira Santa é o branco.

 

 

Fonte: O Pão da Vida, Comentários ao Lecionário Anglicano, Ano A, 2007, pág. 377, 378 - Revdo. Enrique Illarze, liturgista