Salmos Litúrgicos
Livro II

Décimo Terceiro Dia: Oração Vespertina

69 Salvum me fac

SALVA-ME, ó Deus, * pois as águas ameaçam encobrir-me.

2 Afundei-me num lamaçal, onde não se pode firmar o pé; * e entrei na profundeza das águas e a corrente me submerge.

3 Estou cansado de clamar; está ressequida minha garganta; * desfalecem meus olhos de esperar por Deus.

4 São muitos os que me aborrecem sem causa; * por isso, tive de restituir o que não extorquira.

5 O Deus, tu conheces minha insipiência; * e meus pecados não te são ocultos.

6 Não sejam, por minha causa, confundidos os que em ti esperam, 6 SENHOR das Celestes hostes; * não sejam, por meu respeito, afrontados os que te buscam.

7 Pois tenho por teu amor suportado insultos; * desonra cobre meu rosto.

8 Tornei-me estranho a meus irmãos; * sim, alheio para os filhos de minha mãe.

9 Porquanto o zelo de tua casa me consumiu; * e a afronta dos que a ti blasfemam sobre mim caiu.

10 Quando chorei e castiguei com jejum a minha alma, * isto se me tornou em insultos.

11 Quando do cilicio fiz a minha vestimenta, * fui para eles um provérbio.

12 Falam contra mim os que estão sentados à porta; * sou objeto da cantiga dos ébrios.

13 Eu, porém, SENHOR, dirijo a ti minha súplica, em tempo favorável; * responde-me, á Deus, segundo a tua grande misericórdia, com a verdade da tua salvação.

14 Livra-me do lamaçal e que não me afunde; * seja eu salvo dos que me odeiam e da profundeza das águas.

15Não me arrebate a correnteza, nem me trague o abismo; * não se cerre a cova sobre mim.

16 Ouve-me, SENHOR, pois infinita é a tua misericórdia; * olha para mim segundo a grandeza de tua piedade.

17 Não escondas a tua face do teu servo, porque estou angustiado; * oh! responde-me depressa!

18 Acerca-te de minha alma e redime-a; * resgata-a por causa de meus inimigos.

19 Tu conheces minha desonra, minha vergonha, meu opróbrio; * meus adversários estão todos diante de mim.

20 Insultos me quebrantaram o coração e estou enfraquecido; * procurei por compaixão e não encontrei, por consoladores, e a ninguém achei.

21 Deram-me fel por mantimento; * e na minha sede me deram a beber vinagre.

22 Seja a mesa diante deles um laço; * e quando seguros, uma armadilha.

23 Escureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, * e tremam seus lombos.

24 Conheçam eles a tua indignação, * e sejam presas da tua ira.

25 Fique desolada a sua habitação, * e vazias as suas tendas.

26 Pois perseguem ao que tu feriste, * e falam sobre a dor do que castigaste.

27 Ajunta-lhes maldade sobre maldade, * e não entrem na tua salvação.

28 Não sejam contados no livro da vida, * nem escritos com os justos.

29 Estou aflito e amargurado; * ponha-me a tua salvação, ó Deus, num retiro alto.

30 Louve eu o Nome de Deus com um cântico; * e exalte-o com ação de graças.

31 Isto será mais agradável ao SENHOR, * do que os sacrifícios e holocaustos.

32 Os aflitos verão isto e se alegrarão; * quanto a vós, que buscais a Deus, reviva o vosso coração!

33 Porquanto o SENHOR ouve os necessitados; * e não despreza os prisioneiros que são seus.

34 Louvem-no os céus e a terra, * os mares e quanto neles se move.

35 Pois Deus salvará a Sião e edificará as cidades de Judá * para que ali habitem e as possuam.

36 Também a descendência de seus servos as herdará; * e os que amam o seu Nome habitarão nelas.

296    Salmo 69

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