07 de dezembro - Ambrósio, Bispo de Milão, 397
Santo Ambrósio, mosaico
na igreja de St. Ambrogio - Milão
Ambrósio de Milão (340-397), conhecido como Santo
Ambrósio, foi bispo de Milão, e é considerado um dos
Doutores da Igreja. Foi ele quem ministrou o baptismo a
Agostinho de Hipona.
Ambrósio era, na verdade,
gaulês descendente de
gregos como se pode inferir de seu nome e do de seu irmão,
Urânio Sátiro. Nasceu em Tréveros, onde seu pai exercia alta função na administração
do [Império Romano]]. Depois de residir em
Roma
por muito tempo, onde se encontrava entre as mais ricas e nobres
famílias, seu pai foi posto por
Constantino à frente da prefeitura da Gália.
Seu pai teria falecido logo após seu nascimento. Sua mãe,
então, retornou a Roma com os três filhos: Marcelina, Sátiro e
Ambrósio. Em Roma, recebeu a formação dos nobres romanos,
estudando gramática, literatura grega e romana, retórica e
direito. Não lhe faltaram ainda a frequência ao circo e ao
teatro. Ao lado dessa formação, recebeu, também, educação
religiosa, destinada aos catecúmenos, ministrada pelo sacerdote
Simpliciano, futuro sucessor de Ambrósio na sede de Milão. A
influência deste sacerdote sobre Ambrósio foi tão marcante que
santo Agostinho o chamava de "pai do bispo Ambrósio, segundo a
graça".
Terminados os estudos, partiu para
Sírmio, onde iniciou, com seu irmão; a carreira de advogado
do tribunal da prefeitura. Sexto Petrônio Probo, prefeito do
pretório, o nomeou, em
370,
membro de seu conselho, e depois de alguns anos, consularis,
isto é, governador da província da Emília e
Ligúria, com sede em Milão. Na época, Milão era a segunda
cidade da
Itália, encruzilhada dos caminhos para a Gália e
Constantinopla.
Com a morte do bispo Auxêncio, ariano, acirrou-se a disputa
pela vaga entre arianos e católicos. Para assegurar a ordem na
eleição, Ambrósio compareceu, pessoalmente, na qualidade de
prefeito da polícia. Tinha, então, 40 anos. Agiu com tamanha
eficácia, controlou os ânimos das facções com tanta moderação
que os partidos opostos se uniram para elegê-lo bispo.
Reconhecendo na unanimidade a vontade de Deus, Ambrósio aceitou
o cargo, não depois de muitas tentativas de recusa. É ainda
catecúmeno. Preparam-se as cerimônias do batismo. Na semana
seguinte, recebeu as ordens e foi consagrado bispo a
7 de dezembro de
374.
Como bispo, evitou prudentemente as controvérsias dogmáticas.
Sob orientação ainda de seu antigo preceptor, Simpliciano,
mergulhou nos estudos das Sagradas Escrituras. Lia assiduamente
os autores antigos e contemporâneos, especialmente os gregos.
Procurou reformar, interiormente, o clero. Para isso escreveu,
sob o modelo da obra homônima de
Cícero, o Sobre o ofício dos ministros. Em pouco tempo,
capacitou-se para a pregação a tal ponto que o próprio
Agostinho se admirava de sua interpretação alegórica das
Escrituras. Suas exposições sobre o valor da
virgindade provocaram um movimento religioso em toda a
Itália. Renunciou a seus bens em favor da Igreja e dos pobres,
levando vida ascética exemplar. Ele mesmo preparava os
catecúmenos para o batismo, iniciava-os nas celebrações pascais,
na compreensão dos ritos. Consagrava-se dia e noite aos deveres
de seu ministério.
Segundo o depoimento de Santo Agostinho: "Assim que cheguei a
Milão, encontrei o bispo Ambrósio, conhecido no mundo inteiro
como um dos melhores, e teu fiel servidor. Suas palavras
ministravam constantemente ao povo a substância do teu trigo, a
alegria do teu óleo e a embriaguez sóbria do teu vinho. (...)
Comecei a estimá-lo, a princípio, não como mestre da verdade
(...), mas como homem bondoso para comigo. Acompanhava
assiduamente suas conversas com o povo, não com a intenção que
deveria ter, mas para averiguar se sua eloquência merecia a fama
de que gozava, se era superior ou inferior à sua reputação. Suas
palavras me prendiam a atenção. (...) Eu me encantava com a
suavidade de seu modo de discursar; era mais profundo, embora
menos jocoso e agradável do que o de Fausto quanto à forma". É
especialmente a Ambrósio que Agostinho deve sua conversão e foi
dele que recebeu o batismo.
Ambrósio e o Imperador Teodósio
Pela Páscoa de
381,
o imperador transfere sua residência de
Tréveros para Milão. A partir de então, desenvolve sempre
mais estreita colaboração com Ambrósio. Por outro lado, seu
campo de atividade se alarga cada vez mais, desdobrando-se pelo
zelo por sua diocese, em numerosos contatos com bispos da
Itália, fundando novas dioceses, ordenando novos bispos.
Sua autoridade moral é ilibada e reconhecida pelos inimigos.
Por isso, seu desempenho nos relacionamentos políticos é cheio
de êxito. Em todos os problemas, acaba sempre vencendo, impondo
sua opinião. É assim no caso de sua vitória contra a imperatriz
Justina e seu filho
Valentiniano que queriam uma igreja para os cristãos
arianos. Quando o imperador Teodósio ordena o
massacre de Tessalônica, Ambrósio é o único que, numa
conduta corajosa, fez frente recriminando a crueldade do
imperador. Quando este, mesmo advertido por carta de Ambrósio,
quis entrar na igreja acompanhado de sua corte, Ambrósio o
impediu com autoridade e valentia: "Não ousaria, em sua
presença, oferecer o sacrifício divino". Como o imperador
recalcitrasse e invocasse o exemplo de
Davi,
Ambrósio o recriminava publicamente e lhe perguntava se aquela
boca que ordenara tão cruel massacre era digna de receber a
hóstia sagrada. Convidava-o a imitar Davi não só no pecado, mas,
também, na penitência, pois "o pecado só nos é tirado pelas
lágrimas e pela penitência". Na luta contra o paganismo, venceu
o prefeito
Símaco de Roma e o próprio senado romano que pleiteavam a
reintrodução da estátua da deusa Vitória, na sala do senado.
Após a eleição do bispo de
Pavia,
Ambrósio retornou para Milão muito enfermo (fevereiro
de 397).
O que Ambrósio representava para a Itália, na época, pode ser
compreendido na frase do general Sitilicão: "A morte de tão
grande homem seria a ruína da Itália", quando soube da grave
enfermidade do bispo de Milão. Na sexta-feira santa,
4 de abril de
397,
entra em agonia e morre na manhã do sábado santo, sendo
sepultado junto aos mártires Gervásio e Potásio, cujos corpos
tinham sido descobertos em 396.
Antes de morrer, indicou Simpliciano como seu sucessor no
episcopado de Milão: "É velho, mas é bom", teria dito.
Obras
- Sermões diversos.
- Comentário aos 4 livros dos Reis
- Tradução de Sobre a guerra judaica de
Flávio Josefo.
- Hexameron: uma obra em seis livros, celebrando a beleza
da criação. Inspirada na obra de S. Basílio traz, inclusive,
o mesmo título. Sua exegese é alegórica, em de- pendência
direta da escola de Alexandria, especialmente de
Orígenes. Sente-se ainda as influências das idéias
estóicas.
- Exposição do evangelho segundo Lucas (composta em
390):
sua obra mais longa.
- Cantos litúrgico utilizando o "metro ambrosiano" (oito
estrofes de 4 linhas)
- Obras dogmáticas: o imperador
Graciano, ainda jovem, pediu a Ambrósio que o
esclarecesse sobre a fé cristã. Seu tio Valentiniano era
ariano. Queria ser esclarecido especialmente sobre o dogma
da divindade do Verbo. Ambrósio responde-lhe por um tratado Sobre a fé para Graciano Augusto, em cinco livros. Em
381,
escreveu um tratado sobre a Encarnação do Senhor, dirigido
contra os arianos. No mesmo ano, enquanto se realizava o
Concílio de Constantinopla, escreveu novamente a
Graciano um tratado Sobre o Espírito Santo.
Inspirando-se na teologia grega, afirma a identidade da
essência do Espírito Santo com o Pai e o Filho. Assim, embora
não sendo teólogo, contribuiu para a teologia trinitária. Sua
terminologia prepara as formas definitivas para Agostinho. Na
cristologia, é o primeiro, no ocidente, que se opõe a
Apolinário de Laodicéia. Sua terminologia sobre as duas
naturezas perfeitas, unidas na pessoa divina de Cristo foram
assumidas pelos
Concílios de Éfeso (431)
e de
Calcedônia (451).
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14 de dezembro - São João da
Cruz, Monge, 1591

Conheçamos mais um dos
baluartes da gloriosa Ordem Carmelita Descalça: seu fundador,
São João da Cruz. Ele nasceu em 1542, talvez no dia 24 de
junho, em Fontiveros, província de Ávila, na Espanha. Seus
pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo
pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por
ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado
por seus pais e tornou-se tecelão de seda. Em 1548, a família
muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina del
Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola
destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se
empregado do diretor do Hospital de Medina del Campo. Entre 1559
a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem
dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando
recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo.
Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o
permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e
estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos
teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira
Missa.
Infelizmente, ficou muito
desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os
conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem
dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a
severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em
setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala
sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também
aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade
aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de
novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia,
inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do
deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e
difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de
Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua
poesia espiritual. "Padecer e depois morrer" era o lema do autor
da "Noite Escura da alma", da "Subida do monte Carmelo", do
"Cântico Espiritual" e da "Chama de amor viva".
A doutrina de João da Cruz é
plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra
é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de
filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si
mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e,
por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se
ordena”. “Não há trabalho melhor nem mais necessário que o
amor”, disse o Santo. “Fomos feitos para o amor”. “O único
instrumento do qual Deus se serve é o amor”. “Assim como o Pai e
o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união
da alma com Deus”.
O amor leva às alturas da
contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única
ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência
do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da
experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três
coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem
enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o
cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e
desprezado.
Faleceu no convento de Ubeda, aos
quarenta e nove anos, à meia-noite do dia 14 de dezembro de
1591, após três meses de sofrimentos atrozes. Seu corpo foi
trasladado para Segovia em maio de 1593. A primeira edição de
suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de
1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado em 27 de
dezembro de 1726 e
declarado
Doutor da Igreja em 1926 por Pio XI . Em 1952 foi proclamado
"Patrono dos Poetas Espanhóis".
Talvez a mais bela e completa
descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita
por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza:
"Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco
moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua
conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o
ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e
atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco.
Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia
com doce severidade, exortando com amor paternal.." Santa Teresa
de Jesus o considerava "uma das almas mais puras que Deus tem em
sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da
sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de
Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua
vida uma grande penitência". Poucos homens falaram dos sublimes
mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da
Cruz. Santa Teresinha conheceu João da Cruz quando ainda vivia
nos Buissonnets. Ela, em seus escritos, refere-se ao Santo
Fundador cento e seis vezes, direta ou indiretamente, e confessa
a forte influência que dele recebeu: "Ah, que luzes hauri nas
obras de Nosso Pai São João da Cruz !... Com a idade de 17 a 18
anos, não tinha outro alimento espiritual... " (MA 83r).
SÃO JOÃO DA CRUZ ,
O ROUXINOL DO CARMELO
a) CRONOLOGIA
1542: Nasce en Fontiveros (Ávila),
talvez no dia 24 de junho, filho do casal Gonzalo de Yepes e
Catalina Alvarez.
1548: Vai residir em
Arévalo.
1551: Muda com a família para Medina
del Campo.
1559-63: Cursa humanidades com os Jesuítas
de Medina.
1563: Veste o hábito carmelitano,
recebendo o nome de Fr. Juan de San Matias, em Medina del Campo.
1564-68: Professa os votos e estuda em
Salamanca na Universidade e no Colégio de San Andrés.
1567: Ordena-se sacerdote e celebra
sua Primeira Missa em Medina.
1567: Em setembro se encontra com a
Santa Madre Teresa, que lhe fala sobre o projeto da Reforma da
Ordem, também entre os religiosos.
1568.28.11: Em Duruelo começa a Reforma com o
Pe. Antonio de Jesús Heredia.
1568-71: Mestre dos noviços em Duruelo,
Mancera e Pastrana.
1569: Abre-se o convento de Pastrana e
o Santo vai para lá, a fim de suavizar a excessiva dureza de
sua vida.
1570: A comunidade de Duruelo se
transfere para Mancera
1571: Abril. Nomeado Reitor do Colégio
de Alcalá.
1572-77: Confessor e Vigário na Encarnação,
em Ávila.
1577: Na noite de 3 para 4 de dezembro é
levado para o cárcere de Toledo, onde ficará até 15 de agosto de
1578.
Outubro. Prior de Calvano (Jaén).
1579.
Reitor do colégio de Baeza.
1581: Março. No Capítulo de Alcalá é
nomeado terceiro Definidor, Provincial e Prior de Granada.
1583: Maio. Reeleito Prior de Granada.
1585: Maio.
Em Lisboa foi eleito segundo Definidor e em
outubro o nomeiam Vigário Provincial de Andaluzia.
1586: Faz a fundação dos padres em
Córdoba, Manchuela e Caravaca.
1587: No Capítulo de Valladolid o
nomeiam pela terceira vez Prior de Granada.
1588: Junho. No Primeiro
Capítulo Geral celebrado em Madrid é nomeado Primeiro Definidor
Geral, Prior de Segóvia e Terceiro Conselheiro de consulta.
1591: Junho.
Assiste ao Capítulo Geral em Madri e terminam
todos os seus cargos.
1591.14.12: Morre em Ubeda (Jaén), à
meia-noite, aos 49 anos.
1593: Maio. Seu corpo é
trasladado para Segóvia.
1618: Primeira edição de suas obras em
Alcalá.
1675.25.1: Beatificado por Clemente X.
1726.27.12: Canonizado por Bento XIII.
1926.24.8: Declarado Doutor Místico da Igreja
por Pio Xl.
1952.21.3: Proclamado patrono dos poetas
espanhóis.
B) RETRATO DO SANTO
Parece que não se conserva nenhum retrato
pessoal, feito a pincel, nenhum desenho.
Mas se conservam maravilhosas
descrições de muitos que conviveram com ele e apresentaram
depoimentos para o seu processo de beatificação.
Certamente a mais bela e completa
descrição foi-nos deixada pelo Pe. Eliseu dos Mártires, que
conviveu com o santo no Colégio de Baeza.
Ele nos diz:
"Tinha estatura média, dono de
rosto sério e venerável, um pouco moreno e de boa fisionomia;
bom no trato e de boa conversação, agradável, homem muito
espiritual que trazia muito proveito para os que o ouviam e com
ele se comunicavam. E isto o fez tão de modo tão especial e
singular, que todos que o procuravam, homens e mulheres, saiam
espiritualizados, piedosos e cheios de virtudes.”
Viveu intensamente a oração como
trato com Deus. Todas as questões que lhe eram apresentadas
sobre estas questões eram respondidas com alta sabedoria,
deixando àqueles que o consultavam muitos satisfeitos.
Foi amigo da vida em recolhimento
e do pouco falar. Seu riso não era muito freqüente. Era uma
pessoa compenetrada.
Quando Superior, o que foi muitas
vezes, quando precisava repreender, o fazia com doce severidade,
exortando com amor paternal, movido por admirável serenidade e
seriedade.
C) PINCELADAS DE SANTA TERESA
-
O padre Frei João da Cruz é
uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso
Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celeste.
-
Ainda criança, tornou-se
grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem
dele, porque toda sua vida foi de grande penitência. Muito
me animou a virtude e o espírito que o Senhor lhe deu. Tem
uma vida farta em oração e um bom entendimento das coisas de
Deus.
-
Todos têm Frei João da Cruz
como santo .
-
"Os ossos daquele pequeno
corpo farão milagres.
D) SUAS OBRAS
Poucos falaram dos mistérios
sublimes de Deus na alma e da alma em Deus como este angelical
Carmelita de Fontiveros.
Sua prosa e sua poesia são
divinas e, como muito bem disse
Menéndez y Pelayo, "não se podem avaliar com
critérios literários, porque o espírito de Deus embelezou-lhe
tudo”.
I.-OBRAS MAIORES:
1. Subida ao Monte Carmelo: É sua obra
fundamental. É quase uma única obra com a Noite Escura, começada
no Calvário de Jaén, em 1578, e depois continuada em Baeza e
Granada.
2. Noite Escura da alma:
A) Livro primeiro, Noite passiva do sentido;
consta de 14 cap.
B) Libro segundo: Noite passiva do espírito,
consta de 25 cap.
3. Cântico Espiritual.
É a mais bela
obra do santo. 30 estrofes foram escritas no cárcere. Trata da
união com Deus. Consta de 40 estrofes e se divide em três
partes.
4. Chama Viva de Amor.
Escrita em Granada entre 1585 e 1587, em quinze dias. É o livro
mais ardente de todos.
Consta de quatro canções com seis versos cada
uma.
II. OBRAS MENORES:
1. Avisos: Conselhos que
dava às monjas de Beas, quando era seu Confessor.
2. Cautelas: Escreveu-as para as mesmas
monjas.
3.Quatro conselhos a um religioso.
4. Cartas: Conservam-se
apenas 32 cartas. Devido ao processo que abriram contra ele,
muitas cartas foram destruídas.
5. Poesias: As principais
são as que aparecem nos grandes tratados: Noite Escura, Cântico
Espiritual e Chama.
É sem dúvida o que melhor se
escreveu em espanhol.
6. DITOS DE LUZ E AMOR:
Frases de
direção para suas carmelitas, que o Santo escrevia
ocasionalmente.
A obra sanjuanista – escreveu um
ilustre teresianista – se divide em duas partes: “A ensinar os
métodos para se conseguir o vazio dos sentidos e as potências da
alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se
ordenam os dois primeiros tratados de profunda doutrina
espiritual e forte consistência: A Subida e a Noite.
Ninguém cantou melhor os amores
divinos que o rouxinol do Carmelo. Algumas poesias imediatamente
inflamam a alma no mesmo amor em que Deus se abrasa. Sobre seu
inspirado lirismo, sobrevoa seu profundo sentido místico.
E) Sua espiritualidade
Impossível sintetizar o
maravilhoso magistério vivo e ensinado pelo Doutor Místico em
tão breves linhas. O Doutor é a máxima figura mística do
Carmelo. À vida ele une a doutrina e a ciência. A santa vida e a
ciência sagrada ou a teologia mística são uma só realidade, como
o provam suas magníficas obras. Pio XI, que lhe deu o título de
Doutor Místico da Igreja, batizou suas obras como “Código e
escola da alma fiel que se propõe a empreender uma vida mais
perfeita”. Aqui seguem algumas observações sobre sua rica
espiritualidade:
O Santo, em seus escritos, tem
sempre presente o fim da vida espiritual, ou seja, Deus, levar
as almas a Deus. E subjetivamente uni-las a ele por amor, quer
dizer, deseja levar a transformação perfeita em Deus por amor o
quanto é possível nesta vida seguindo-se a Jesus Cristo.
Em sua admirável obra recorda a
seus leitores freqüentemente o cume daquele montanha e deseja
que todos a subam. Ela é a sublime perfeição à qual os
encaminha com suas palavras e exemplos convincentes.
Seu raciocínio demonstra que esta
subida é necessária porque é um meio indispensável para se
despojar de todas as outras coisas, obstáculos para a suprema
transformação da alma em Deus.
João da Cruz era um profundo
conhecedor do coração humano. Por isso, “como o amor de Deus e o
amor da criatura são opostos, é preciso ir limpando a alma do
amor das criaturas para que a graça a invista e encha de amor
divino”.
E tanto maior será este
investimento e plenitude, quanto maior for o vazio da criatura
que acha na alma: “Olvido do que é criado, memória do criador,
atenção ao interior, e estás amando o Amado”.
Ao ensino os métodos para conseguir este vazio
nos sentidos e potências da alma mediante engenhosas
purificações ativas e passivas se ordenam os tratados “Subida ao
Monte Carmelo” e “Noite Escura da Alma”, ambos de profunda
doutrina espiritual e de forte liame lógico
No Cântico Espiritual e na Chama
Viva do Amor, entre metáforas e comparações esplêndidas, tomadas
da natureza, vai-se descortinando pouco a pouco as excelências
do amor divino nas almas desde os graus inferiores aos mais
altos do esposamento e matrimônio espiritual.
Em síntese, pode-se dizer que a
grande originalidade do magistério espiritual sanjuanista e o
segredo de sua vitalidade encontra-se precisamente na íntima
relação entre abnegação e união na vida sobrenatural e, para
usar sua terminologia clássica, entre o nada o tudo, que se
fundem um no outro.
São João da Cruz, o Doutor
Místico, influenciou grandemente a espiritualidade cristã.
Alimentou, quando vivo, através de sua direção espiritual e
depois de falecido com seus escritos imortais.
Especialmente depois que foi
declarado Doutor da Igreja Universal em 1926, suas obras são
lidas e citadas por todos os autores espirituais.
Inclusive nossos irmãos da Igreja
Anglicana, da Comunidade de Taizé e da Igreja Ortodoxa confessam
sua predileção pelo carmelita de Fontiveros.
Literatos, poetas, cientistas e até não-crentes
ficam admirados ante a profundidade e a beleza que brotam dos
escritos sanjuanistas.
Sua mensagem
-
que descubramos o tesouro da
cruz.
-
que a oração e o silêncio nos
levem a descobrir a Deus.
-
que sejamos dóceis às
inspirações do alto.
-
que saibamos perdoar a todos
que nos ofendem.
http://br.geocities.com/monjascarmelitas/joao.html
21 de dezembro -
São Tomé, Apóstolo

Cristo e São Tomé,
escultura de Andrea del Verrocchio na fachada sul da
igreja Or San Michele, em Florença.
Figura do Site
HIEROS:
Um dos doze
apóstolos de Jesus e israelita de nascimento, que ausente
no momento em que o Cristo reapareceu aos discípulos,
exigiu destes provas materiais da ressurreição do Mestre e, por
isso, Jesus ressurgiu e pediu-lhe que tocasse suas
chagas. Carpinteiro de origem e freqüentemente citado em
passagens do Novo Testamento, nos quatro evangelhos. O
Evangelho de São João dá-lhe grande destaque. Em João 11,16,
cita que ele incitou os discípulos a seguir Jesus e a morrer com
ele na Judéia dizendo então aos discípulos: Vamos também nós,
para morrermos com ele! Foi ele que perguntou a Jesus,
durante a Última Ceia, sobre o caminho que conduz ao Pai:
Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o
caminho? Diz-lhe Jesus: Eu sou o Caminho, a Verdade e a
Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim (João 14,5-6).
Temperamento audacioso e cheio de generosidade, percorreu as
etapas da fé e professou que Jesus era realmente Deus e Senhor.
Ausente na primeira aparição duvidou dos colegas que Jesus tinha
voltado. Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo,
dentro de casa, e o ascetista estava com eles. Jesus veio,
estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: A
paz esteja convosco!. E lhe disse depois: Põe teu dedo
aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e
não sejas incrédulo, mas crê! O apóstolo incrédulo respondeu
Meu Senhor e meu Deus! (João 20,26-28), tornando-se o
primeiro dos apóstolos a se dirigir a Jesus nestes termos.
Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro e João,
havia pronunciado a palavra Deus dirigindo-se a Jesus. Também
chamado Dídimo ou Gêmeo (seu nome, tanto em
aramaico Te'oma como em grego Didymos significa
gêmeo) era o terceiro apóstolo em idade depois de Pedro, mas
ao contrário deste não era casado, assim como Bartolomeu,
André, Simão, Judas e o próprio Jesus.
Segundo as escrituras foi em resposta a ele que Jesus introduziu
o mistério trinitário: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida.
Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vocês me conhecem,
conhecerão também meu Pai...". Segundo o bispo Eusébio
de Cesaréia, do século IV, depois da morte de Jesus, o
discípulo evangelizou a Pártia e, pela a tradição cristã
posterior, estendeu seu apostolado à Pérsia e à Índia, onde é
reconhecido como fundador da Igreja dos Cristãos
Sírios Malabares ou Igreja dos Cristãos de São Tomé.
Consta que foi martirizado e morto (53) pelo rei de Milapura, na
cidade indiana de Madras, onde ficam o monte São Tomé e a
catedral de mesmo nome, supostamente local de seu sepultamento.
Historiadores acreditam que o apóstolo foi morto a flechadas,
quando orava. Sucumbiu como líder e mártir, como o crente fiel
que Jesus lhe pediu. Suas relíquias seriam venerados na Síria e,
depois, levadas para o Ocidente e preservadas em Ortona, na
Itália. É festejado pelos católicos em 3 de julho.
http://orbita.starmedia.com/~hyeros/
26 de dezembro -
Santo Estevão
Origem: Wikipédia, a enciclopédia
livre.
Santo Estêvão é o primeiro
mártir do Cristianismo, sendo
considerado santo por todas as
denominações cristãs: Igreja
Católica, Igrejas Ortodoxas e a
Comunhão Anglicana. É celebrado a 26
de Dezembro no Ocidente e a 27 de
Dezembro no Oriente.
Segundo os Actos dos Apóstolos,
Estêvão foi um dos sete primeiros
diáconos da igreja nascente, logo
após a morte de Jesus, pregando os
ensinamentos de Cristo e convertendo
tanto judeus como gentios. Segundo
Étienne Trocmé, Estevão pertencia a
um grupo de cristãos que pregavam
uma mensagem mais radical, um grupo
que ficou conhecido como os
helenistas, já que os seus membros
tinham nomes gregos e eram educados
na cultura grega e que separou do
grupo dos doze apóstolos. Também
eram conhecidos como o grupo dos 7.
Foi detido pelas autoridades
judaicas, levado diante do Sinédrio
(a suprema assembléia de Jerusalém),
onde foi condenado por blasfémia,
sendo sentenciado a ser apedrejado
(Atos 8). Entre os presentes na
execução, estaria Paulo de Tarso, o
futuro São Paulo, ainda durante os
seus dias de perseguidor de
cristãos.
O
seu nome vem do grego Στέφανος (Stephanós),
o qual se traduz para aramaico como
Kelil, significando coroa
- e Santo Estêvão é, de resto,
representado com a coroa de martírio
da cristandade, recordando assim o
facto de se tratar do primeiro
cristão a morrer pela sua fé - o
protomártir.
Durante os primeiros século do
cristianismo, o túmulo de Estêvão
achou-se perdido, até que em 415
(talvez pela crescente pressão dos
peregrinos que se deslocavam à Terra
Santa), um certo padre, de nome
Luciano, terá dito ter tido uma
revelação onírica de onde se
encontrava a tomba do mártir,
algures na povoação de Caphar
Gamala, a alguns quilômetros a Norte
de Jerusalém.
Gregório de Tours afirmou mais tarde
que foi por intercessão de Santo
Estêvão, que um oratório a ele
dedicado, na cidade de Metz, onde se
guardavam relíquias do santo, foi o
único local da cidade que escapou ao
incêndio que os Hunos lhe deitaram,
no dia de Páscoa de 451.
29
de dezembro - Thomas Becket - Arcebispo de
Cantuária e Mártir, 1170
a) São Thomas Becket (c.
1115 –
29 de Dezembro de
1170), foi
Arcebispo de Cantuária de
1162 a
1170. Por se tratar de um jovem com
educação, entrou para o serviço de
Teobaldo, arcebispo de Cantuária, que lhe
recompensou o seu trabalho com o arquidiaconado
de
Cantuária. Em
1155 Becket foi escolhido por
Henrique II de Inglaterra para conselheiro
real, uma posição que manteve durante sete anos,
como íntimo e leal servidor do rei.
Henrique recompensou Becket fazendo-o
arcebispo de Cantuária, após a morte de Teobaldo.
O carácter de Becket modificou-se imediatamente,
passou a viver uma vida de simplicidade e
pobreza e, apesar de ter ajudado Henrique a
diminuir o poder dos bispos, passou a defender
ativamente os direitos da
Igreja. Seguiram-se violentas questões com
Henrique e um longo período de exílio. Depois de
se reconciliarem, entraram em conflito
novamente, até que Henrique perguntou se não
haveria ninguém capaz de o livrar «daquele padre
turbulento».
Quatro
cavaleiros ouviram-no e mataram Becket nos
degraus do altar de Cantuária. Becket foi
canonizado em
1173 e a catedral tornou-se num local de
peregrinação; essas peregrinações estariam na
origem dos
Contos da Cantuária, coletânea de
contos em forma
lírica recolhidos e passados a escrito por
Geoffrey Chaucer.
Fonte: Wilkpedia,
aenciclopédia livre
b)
Nasceu em 21
dezembro de 1118 em Londres, Inglaterra.

Educado no Prior
de Merton em Boaris, Bolonha e Auxerre. Especialista na lei
civil e canônica. Soldado e oficial. Indicado Arquidiácono de
Canterbury. Amigo do Rei Henry II que o indicou como Chanceler
da Inglaterra. Ordenado em 2 de junho de 1162. Indicado
Arcebispo de Canterbury pelo Rei, ele o advertiu :
“ Se está pensando que terá um obediente pupilo está enganado e
seu amor virará ódio”.
Assim ele, para
surpresa de Henry II, se opôs aos desmandos do Rei e sua
interferência nos assuntos eclesiásticos. Foi exilado varias
vezes e finalmente assassinado a mando do Rei.
Canonizado em 21
de fevereiro de 1173 pelo Papa Alexandre III.
Padroeiro do
clero, do Colégio Exeter em Oxford, de Postmouth, Inglaterra
Tendo que enfrentar o Rei varias vezes no final ele exclamou:
“ Eu morrerei em nome de Jesus e em defesa da Igreja”.
Ele foi morto por pessoas a mando do Rei Henry II, pela espada e
machado no dia 29 de dezembro de 1170, dentro da Catedral de
Canterbury, Inglaterra.
Perto do altar onde sentava, ele foi martirizado e deu sua alma
a Deus.
Toda a cristandade ficou estupefata. Henry foi forçado a uma
penitencia pública pelo assassinato de Thomas, inclusive com a
construção do monastério de Withamem Somerset, descrito na vida
de São Hugo de Lincoln.
Muitos milagres se sucederam imediatamente após a sua morte.
Nos próximos 10 anos cerca de 703 milagres foram creditados a
ele.
Ele foi universalmente aclamado santo muito antes de sua
canonização.
O solene traslado de suas relíquias para um novo santuário
aconteceu em 7 de julho de 1220. A cerimônia foi a mais
magnificente vista pelo povo e vieram pessoas de toda a Europa
para assisti-la.
O santuário-tumba de São Thomas Becket tem esplendor sem
paralelo na Inglaterra, talvez o mais rico do mundo. Durante o
reinado de Henry VIII foi colocado nele varias e lindas pedras
preciosas com ouro, prata e fio de ouro, jóias, broches imagens
de anjos, anéis, doze ao todo com ouro em fundo de prata,
cravejado de brilhantes.
De um lado, uma pedra com um anjo em ouro apontando para cima
oferecido pelo Rei de França.
Na arte
litúrgica da Igreja ele é representado :
1) como um arcebispo
segurando uma espada invertida; ou
2) como um arcebispo ante
seus assassinos ; ou
3) sendo morto na
Catedral.
www.bomsaber.com
c) 29 de dezembro -
São Tomás Becket, Bispo e Mártir
(+ Cantuária, 1170)
Depois de ter desempenhado com brilho a função de chanceler do
Reino da
Inglaterra, foi indicado pelo rei Henrique III para arcebispo de
Cantuária e
primaz da Inglaterra. Como até então era leigo, foi ordenado
sacerdote e
dois dias depois sagrado bispo. Logo se tornaram inevitáveis os
conflitos
entre aquele rei absolutista, que queria reduzir a Igreja a mero
departamento do Estado inglês, e o prelado zeloso dos direitos
de Deus e das
prerrogativas de sua Igreja. Em conseqüência dos choques cada
vez mais
violentos, São Tomás precisou fugir para a França, onde esteve
exilado por
seis anos. Mais tarde retornou a sua diocese, mas recomeçaram os
conflitos e
o Santo acabou assassinado brutalmente por partidários do rei,
dentro de sua
própria catedral.
Fonte: Lepanto
31 de dezembro -
John Wycliff - Precursor da Reforma, 1384
Professor
de Oxford, Reformador e 1° tradutor da Bíblia para o inglês

Biografia:
Nascido de sangue
saxônico, perto da Vila de Wycliff, em Yorkshire, John
Wycliff tornou-se o principal porta voz dos patriotas
ingleses, através do período de emancipação política do
seu país. Sua escalada a um lugar de erudita eminência
foi rápida. Brilhando em Oxford, ele foi nomeado capelão
do rei em 1366, enquanto recebia o seu doutorado, em
1374. Contudo, bem depressa voltou suas armas
intelectuais contra Roma, conforme Schaff declara:
Em sermões,
folhetos e escritos mais extensos, Wycliff apresentou a
Escritura e o senso comum como testemunhas. Sua pregação
era tão cortante como a "Espada de Damocles". Ele nunca
hesitava em usar a ironia e a invectiva, nas quais era
mestre; a objetividade e a pertinência de seus apelos
traziam tudo facilmente à compreensão da mente popular.
Em sua
condenação do abuso doutrinário, Wycliff condenava a
complacência dos últimos reformadores contra os prelados
imorais, excesso de posses territoriais, extorsão
religiosa, e heresias tais como o purgatório, a
transubstanciação, o sacerdócio e a confissão auricular.
Poucos eram poupados da "Espada de Damocles". Ele
acusava o papa de ser o Anticristo, o orgulhoso
sacerdote universal de Roma e o mais amaldiçoado dos
tosquiadores e caçadores níqueis. Como os frades de seu
tempo eram conhecidos pelo seu apego "à boa comida e às
mulheres" Wycliff depreciava os seus mosteiros,
chamando-os de covis de ladrões, ninhos de serpentes,
casas de habitação de demônios vivos, etc.
Numa linguagem
que iria rivalizar com a de Lutero, ele escreveu que os
padres:
Roubam o sustento
dos pobres, os quais não podem se opor à opressão;
cobram mais alto por um tostão furado do que pelo sangue
precioso de Cristo; rezam apenas para se mostrar e
coletam taxas por qualquer serviço religioso que
oficiam; vivem na luxúria, cavalgando gordos cavalos
forrados de prata e ouro; são roubadores... raposas
maliciosas... lobos vorazes... glutões... demônios...
chimpanzés.
Como nenhum
país pode crescer além da moral de suas mulheres, uma
narrativa da época demonstra as baixas marcas no
barômetro de todas as mulheres importantes em matéria de
pureza (como no caso de Alexandria):
Naqueles dias
havia um grande rumor e clamor entre o povo de que,
sempre que havia uma competição, ali acontecia uma
grande afluência de mulheres da mais alta vaidade e
beleza, porém não as melhores do reino; algumas em
número de quarenta ou cinqüenta, como se fizessem parte
dos torneios, vestidas de roupagens masculinas diversas
e maravilhosas, com túnicas ostentando as cores do
partido, usando pequenos bonés atados às suas cabeças,
cintos bordados de ouro e prata e adagas em bolsinhas
penduradas ao corpo, com palavreado grosseiro, que o
rumor popular escutava em toda parte; e desse modo, elas
nem só deixavam de temer a Deus como não ligavam para a
voz do povo.
Entende-se que
esse declínio moral assegurava à Inglaterra, pelo menos,
uma queda em seu horizonte. O Dr. Green resume:
Era um tempo de
vergonha e sofrimento, como a Inglaterra jamais havia
conhecido. Suas conquistas foram perdidas, suas
fronteiras insultadas, suas frotas aniquiladas, seu
comércio varrido do mar enquanto interiormente ela se
exauria por causa de longas e custosas guerras, bem como
pela corrupção e pestilência.
Embora a
pátria de Wycliff precisasse de arrependimento, seus
detratores religiosos de dura cerviz lhe apresentavam
tremenda oposição. À medida em que se intensificavam
suas cáusticas denúncias, assim também a ameaça de
violência física. Para contrabalançar este perigo o
Senhor levantou-lhe um poderoso protetor na pessoa de
John de Gaunt, Duque de Lancaster (filho predileto de
Eduardo e irmão mais novo do melhor conhecido, embora
pouco lembrado, Príncipe Negro).
Quanto mais
Wycliff laborava, mais convencido ficava de que sua
amada Inglaterra precisava de algo mais do que seus
sermões e folhetos. Precisava de uma Bíblia! Neste
escrito intitulado "The Wycket" (A Posição) ele exclama
com emoção:
Se a Palavra
de Deus é a vida do mundo e cada palavra de Deus é a
vida da alma humana, como pode qualquer Anticristo, para
o horror divino, tirá-la de nós, que somos cristãos, e
desse modo levar o povo a morrer de inanição, na heresia
e na blasfêmia das leis dos homens, que corrompem e
assassinam a alma?
Por causa
dessa necessidade, Wycliff dedicou o resto de sua vida a
completar a primeira tradução da Bíblia inteira para a
língua inglesa. Conhecendo bem o Grego e o Hebraico,
primeiro ele embasou a sua obra em manuscritos latinos.
Embora a erudição moderna goste de frisar a confiança de
Wycliff na leitura da Vulgata, uma revisão posterior da
obra por John Purvey, que trouxe de volta a tradução de
acordo com Jerônimo, traz a evidência de que Wycliff
teve acesso aos manuscritos latinos. O abandono
posterior de Purvey de Roma acrescenta uma luz a este
assunto.
Apesar da
consistência latina, a nova Bíblia representava a
primeira em existência para o povo de língua inglesa.
Como a imprensa
ainda não fora inventada, o manuscrito teve de ser
copiado à mão, exigindo um exorbitante custo diário.
(Foram precisos quase dez meses de trabalho árduo de um
copista experiente). A taxa da mão de obra, de uma hora
apenas, com essa obra custava o mesmo que um
carregamento inteiro de feno).
Enquanto isso,
McClure nos conta que o preço de compra se aproximava de
"quatro marcos e quarenta pences", o qual eqüivalia ao
salário total anual de um clérigo.
A chegada da
imprensa cumpriu a estranha profecia:
"Esperemos que o
baixo custo da Bíblia jamais ocasione o baixo apreço
pela mesma".
(Os crentes dos
dias atuais, infelizmente, podem constatar o cumprimento
desta profecia).
Foxe nos
informa:
Tão escasso era o
suprimento de Bíblias, nesses tempos, que apenas uns
poucos entre aqueles que suspiravam pelo seu ensino
podiam ter a esperança de possuir o volume sacro. Mas
essa escassez decorria parcialmente da firmeza daqueles,
cujo interesse fora despertado pela Bíblia. Se apenas
uma simples cópia era possuída na vizinhança, esses
denodados trabalhadores e artesãos seriam encontrados
juntos, após um exaustivo dia de trabalho, lendo em
turnos e escutando as palavras da vida; e tão doce era o
frescor dos seus espíritos, que algumas vezes o romper
da manhã os surpreendia com a chamada para um novo dia
de trabalho, sem que tivessem pensado em dormir.
McClure cita
um poema contemporâneo, que descreve esse espírito de
gloriosa libertação:
Mas para
compensar todo o dano, o Livro Sagrado,
em poeirento
esconderijo guardado tanto tempo,
agora assume o
falar de nossa língua nativa.
E o que dirige
o arado, ou maneja o bordão,
com espírito
de compreensão,
pode agora
olhar sobre o seu registro
e ouvir sua
canção e examinar suas leis
– mais
querendo saber do que errar
qual a fé que
tem mantido.
E o céu pôde
suportar calmamente
o
transcendente favor!
Mais nobre do
que o rei terreno
sempre
concedido para igualar e abençoar
sob o peso da
desgraça mortal.
Uma porção da
Bíblia de Wycliff de João 17:1-3 diz:
"Jesus falou
assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é
chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o
teu Filho te glorifique a ti; assim como lhe deste poder
sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos
quantos lhe deste. E a vida eterna é esta: que te
conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus
Cristo, a quem enviaste". Claro que a reação católica
foi de tremendo pânico! Enquanto um padre se lamentava:
"Agora a jóia do clero se tornou um brinquedo do
laicato", Henry Knighton elaborava:
Este mestre
John Wycliff traduziu o Evangelho do Latim para o
Inglês, o qual Cristo havia confiado ao clero e aos
doutores da Igreja, para que o ministrassem ao laicato e
aos menos afortunados, conforme a declaração dos tempos
e necessidades dos homens. Assim, por esse meio, o
evangelho se tornou vulgar e mais aberto ao laicato...
do que costumava ser para os mais letrados do clero e os
de melhor compreensão! E o que antes era dádiva
principal do clero e doutores da igreja, agora se torna
para sempre comum ao laicato.
Como seria o
caso de Martinho Lutero, Wycliff foi providencialmente
poupado do martírio na estaca, sofrendo um ataque,
enquanto oficiava na igreja, com a idade de sessenta e
quatro anos, em 1384. Seus inimigos ficaram extasiados,
com o prelado Walsingham "elogiando":
Na festa da
Paixão de S. Tomás de Canterbury, John Wycliff – esse
órgão do diabo, inimigo da igreja, esse autor da
confusão entre o povo comum, esse ídolo de hereges, essa
imagem dos hipócritas, esse restaurador do cisma, esse
armazenador de mentiras, esse poço de lisonja – sendo
abatido pelo terrível julgamento de Deus, foi atacado de
paralisia e continuou a viver nessa condição até o dia
de S. Silvestre, quando entregou o seu malicioso
espírito nas regiões das trevas.
Contudo,
embora a história tinha esquecido o nome de Walsingham,
o nome de Chaucer tem sobrevivido, talvez em razão do
seu memorial a Wycliff:
Ele foi um
grande homem da religião;
Ele foi uma
personalidade
que chamou a
atenção de uma cidade.
Mais rico ele
foi de sagrado pensamento e realização.
Era também um
homem letrado, um funcionário
que o
evangelho de Cristo verdadeiramente quis pregar.
Este nobre
exemplo às suas ovelhas ele deu
de primeiro
praticar para depois ensinar.
Um pastor
melhor não existe em parte alguma.
Ele não
gostava de pompa nem de reverência,
nem jamais
lisonjeou qualquer consciência,
mas pregou a
Cristo e seus doze apóstolos.
Ele ensinou,
mas primeiro ele mesmo praticou.
Como um
interessante aparte, a influência de Wycliff pode ter
sido um fator na última renúncia de Chaucer das obras de
sua vida – "The Canterbury Tales, Troilus and Criseyde",
e "The Book of the Duchess" - como " vaidades do mundo"
tendo expressado a preocupação de que "eu devo ser um
daqueles do tempo da condenação, que serão salvos."
A ira dos
nicolaítas explodiu em 1410, com o seguinte decreto
sendo levado ao Parlamento:
Nosso soberano
senhor, o Rei... pelo consentimento dos estados e de
outros homens discretos... reunidos no Parlamento, tem
concedido, estabelecido e ordenado que nenhum dentro
do... reino, ou de quaisquer outros domínios sujeitos a
Sua Majestade Real, presumirá pregar aberta ou
secretamente, sem primeiro procurar e obter a licença do
diocesano local, sempre excetuando os curas em suas
próprias igrejas, pessoas que até agora têm sido tão
privilegiadas, e outras permitidas pela lei canônica; e
que, a partir de agora, ninguém, quer aberta ou
secretamente, deve pregar, manter, ensinar ou instruir
ou produzir ou escrever qualquer livro contrário à fé
católica ou à determinação da Santa Igreja, nem
permitirá qualquer (Lolardo) seita organizar reuniões
(ajuntamentos desorganizados para adoração) em parte
alguma, ou de qualquer maneira conservar ou manter
escolas com as suas malignas doutrinas e opiniões; e
também que, daqui para a frente, ninguém, de modo algum,
favoreça qualquer pessoa que pregue dessa maneira,
informe ou excite o povo... E se qualquer pessoa dentro
do reino e domínio for condenada por sentença diante do
diocesano local, ou dos seus comissários, por essas
mencionadas pregações malignas, doutrinas, opiniões,
escolas e instrução herética e errônea, ou se qualquer
uma delas, se recusar devidamente a abjurar a mesma...
então o xerife do condado... e o prefeito e os xerifes
ou xerife, ou o prefeito e os oficiais da cidade,
cidadezinha ou condados agregados... mais próximos do
dito diocesano e seus comissários... receber, após terem
sido proclamadas essas sentenças, essas pessoas... isso
poderá levá-las a serem queimadas diante do povo em
local de destaque, a fim de que esse castigo possa
desencadear o medo nas mentes dos demais, para que
nenhumas doutrinas malignas e heréticas e opiniões
errôneas contra a fé católica a lei cristã é a
determinação da Santa Igreja) nem os seus autores e
favorecedores sejam mantidas... ou de qualquer forma
toleradas.
No ano de
1415, o Concílio de Constança determinou que os livros e
ossos de Wycliff fossem queimados e suas cinzas atiradas
no rio Severn (que desaguava em sua cidade). Thomas
Fuller observa:
Desse modo, este
pequeno arroio levou suas cinzas até Avon, de Avon até
Severn, de Severn até os estreitos mares e destes até o
mar aberto. E assim, as cinzas de Wycliff são o emblema
de suas doutrinas, que agora estão dispersas pelo mundo
inteiro.
Por causa
desses editos, muitos Lolardos piedosos não tiveram a
mesma sorte do seu afortunado pai. Os registros dos
perseguidores locais nos contam de grupos se reunindo,
aqui e ali, para ler "num grande livro de heresias, a
noite inteira, certos capítulos dos evangelistas em
inglês".
Foxe
acrescenta:
Os Lolardos eram
levados a locais ermos e não freqüentados para se
encontrar, muitas vezes sob as sombras da noite, a fim
de adorar a Deus. Vizinho era ordenado a espiar vizinho;
maridos e esposas; pais e filhos; irmãos e irmãs eram
duramente forçados a dar testemunho um contra o outro. A
prisão dos Lolardos também ecoou com o ranger das
correntes; o cadafalso e estaca mais uma vez calmavam
por sua vítimas.
Para aumentar
a culpa dos cristãos indiferentes de hoje, uma das
acusações comuns feitas contra aqueles crentes piedosos
era, não apenas o fato de possuírem a Bíblia de Wycliff,
mas também a sua habilidade de "repetir a mesma de cor".
Entre as
muitas vítimas estavam: John Badby, alfaiate, (1410).
Dois comerciantes de Londres: Richard Turming e John
Claydon, em Smithfield, (1415). William Taylor, (1423).
William White, (1428). Richard Hoveden, (1430). Thomas
Bagley, (1431) e Richard Wyche, (1440).
Joan Broughton
foi a primeira mulher queimada na estaca, na Inglaterra,
perecendo em Smithfield com a filha, Lady Young, ao seu
lado.
A história da
verdadeira Bíblia Inglesa é bem diferente da história da
New International Version e de outras falsificações
construídas com a preferência pelos Códices Alfa e B. É
uma história banhada em sangue.
Foxe
prossegue:
Um certo
Christopher Shoemaker, que foi queimado vivo em Newbury,
foi acusado de ter ido à casa de John Say e "ler para
ele, em um livro, as palavras que Cristo falou aos seus
discípulos..." Em 1519, sete mártires forma jogados ao
fogo em Coventry, por terem ensinado a seus filhos e
empregados a "Oração do Senhor" e os "Dez Mandamentos"
em Inglês... Jenkins Butler acusou o seu próprio irmão
de ler para ele um certo livro da Escritura e de tê-lo
persuadido a dar ouvidos ao mesmo. John Barret,
joalheiro de Londres, foi preso por ter recitado para
sua esposa e criada a epístola de São Tiago ... Thomas
Phillip e Lawrence Taylor foram presos porque leram a
Epístola aos Romanos e o primeiro capítulo de São Lucas,
em inglês.
Em estranho
cumprimento da analogia de Fuller, as cinzas de Wycliff
nem haviam chegado ainda à Bohêmia (atual Checoslováquia)
quando o piedoso inglês foi homenageado postumamente com
o título de "O Quinto Evangelista".
Exatamente
treze anos antes que o cadáver do reformador fosse
profanado, John Hus (1372-1415) foi reconhecido como o
apologista da "heresia Wyclifiana", na universidade de
Praga. A difusão da doutrina de Wycliff por Hus resultou
em que a Bohêmia recebesse a herança de "Berço da
Reforma". Schaff escreve sobre Hus:
É fato bem
conhecido que era a causa de Wycliff que ele estava
representando e as visões wyclifianas que ele estava
defendendo, e os escritos de Wycliff eram abertamente
expostos aos olhos dos membros das faculdades da
Universidade. Ele não fazia segredo de que seguia
Wycliff e de que desejava morrer pelas visões que
Wycliff ensinava. Quando escreveu a Richard Wiche, ele
se confessou grato porque: "sob o poder de Jesus Cristo"
a Bohêmia havia recebido tanto bem da abençoada terra da
Inglaterra.
Durante o
Concílio de Constança, quando Hus foi traído e condenado
à morte, a sentença oficial também provou ter sido uma
centelha inglesa que acendeu as chamas da Reforma
Européia:
O Sagrado
Concílio, tendo somente Deus diante dos seus olhos,
condena John Hus por ter sido e ainda ser um verdadeiro,
real e declarado herege, discípulo, não de Cristo, mas
de John Wycliff.
A influência
do primeiro tradutor da Bíblia pode ser rastreada,
indiretamente, ao reformador florentino Savanarola
(1452-1498). Colocado aos pés de Lutero e ao lado de
Wycliff e Hus, no Monumento da Reforma, em Worms, o
dominicano convertido foi alcançado primeiramente
através do ministério dos irmãos da Bohêmia.
A preocupação
de Wycliff na Escritura pode ser vista no desdém de
Savanarola pelos seus contemporâneos ignorantes,
escrevendo:
Os teólogos do
nosso tempo têm manchado todas as coisas com o seu
piche, através de suas incomparáveis disputas. Eles não
conhecem o mínimo de Bíblia, sim, eles nem sequer sabem
os nomes dos seus livros.
A coragem de
Wycliff pode ser vista nos sermões de Savanarola
descritos por Schaff como "os raios de um coruscante e
estrondoso trovão".
Denunciando os
abusos costumeiros do Catolicismo ele escreveu:
Começa em Roma,
onde o clero zomba de Cristo e dos santos; sim, eles são
piores do que os turcos e mouros. Fazem o tráfico de
sacramentos. Vendem benefícios para quem paga mais. Os
sacerdotes de Roma não têm cortesãs, namorados, cavalos
e cachorros? Não têm palácios cheios de tapeçarias, de
sedas, de perfumes e parasitas? Esta parece ser a igreja
de Deus?
Dois anos
antes de incitar a multidão a levar Savanarola até a
estaca, o perverso Alexandre VI deu ao seu corretor de
apostas um "chapéu vermelho" (ofício de cardeal) pelo
que este foi zombado pelo reformador, declarando sua
preferência por uma coroa de púrpura "tinta de sangue".
Com tanta
influência brotando de um solitário tradutor inglês
durante a época do primitivo manuscrito, a invenção do
tipo móvel de Gutenberg veio destinada a "arrebentar as
portas" e com o primeiro livro completo impresso, a
Bíblia de Gutenberg, em 1456 (uma Vulgata Latina que
levou seis meses para ser impressa), a proverbial
"caligrafia" foi pendurada na parede. Enquanto Martinho
Lutero chamava a arte de imprimir "o último e melhor
presente da Providência" (54), o católico Howland
Phillips, num sermão pregado no "Saint Paul Cross", em
Londres, no ano de 1535, observou ameaçadoramente:
"vamos destruir a imprensa para que a imprensa não nos
destrua".
A paranóia de
Roma com o ressurgimento da Palavra de Deus também se
manifestou contra
o estudo do Grego
e do Hebraico (vigorando desde a queda de Constantinopla
em 1458, o que forçou uma retirada ocidental dos
manuscritos dos eruditos gregos). A Universidade Conrad
Hersbach de Colônia admoestou:
Eles
descobriram uma língua chamada grego, contra a qual
devemos ter o cuidado de nos guardar. Ela é a mãe das
heresias. Nas mãos de muitas pessoas tenho visto um
livro que chamam de Novo Testamento. É um livro cheio de
espinhos e veneno. Quanto ao hebraico, meus irmãos, é
certo que aqueles que o aprendem, mais cedo ou mais
tarde irão se tornar judeus.
Dr. William P.
Grady, erudito bíblico americano, traçando um perfil maravilhoso do
grande reformador John Wycliff, em seu livro "Final Authority".
CRONOLÓGICO
DA VIDA DE John
Wycliff
1328
Nasce na Inglaterra
1374
Torna-se reitor da Universidade de Lutterworth, Inglaterra
1378
Começa a atacar a autoridade papal, afirmando que Cristo e a Bíblia
são as autoridades únicas sobre os cristãos
1379
Lança os livros O poder do papa (afirma que o ofício
papal foi inventado por homens e que o papa não seguia
preceitos cristãos, sendo portanto um Anticristo) e Apostasia
(condena a doutrina católica da transubstanciação da hóstia)
1380
Lança a obra Eucaristia (condena doutrinas anti-bíblicas
da Igreja Católica e ensinamentos de Tomás de Aquino)
1380
Termina a tradução do Novo Testamento para o inglês
1382
Refugia-se em Lutterworth (Inglaterra) após condenar o dogma do
purgatório, o uso de relíquias, as romarias, a venda de Indulgências
e o dogma da infalibilidade papal
1384
Completa a tradução da Bíblia para o inglês
1384
Morre em Lutterworth, Inglaterra
1384
Vários de seus seguidores são queimados vivos pela Inquisição
Católica, pois realizavam à mão cópias da Bíblia traduzida
para o inglês
1401
Os lolardos (assim chamados os seguidores de Wycliff que faziam
as cópias da Bíblia traduzidas para o inglês) são queimados
vivos pela Inquisição
1415
O Concílio de Constança, o mesmo que condenou Huss, condena 45
teses de Wycliff e o considera um herege
1428
A Igreja Católica ordena que os ossos do "herege
Wycliff" fossem desenterrados da sepultura, queimados e,
suas cinzas, lançadas no rio Swift
http://paginas.terra.com.br/educacao/histigreja/perswycliffmain.htm