02 de dezembro -  CHANNING MOORE WILLIAMS - MISSIONÁRIO NA CHINA E NO JAPÃO (2 DEZEMBRO 1910)

 Williams nasceu em Richmond, Virgínia, em 1829, e foi ordenado em 1855. A igreja Episcopal enviou-o à China como sacerdote em 1857. Em 1859 foi enviado a Nagasaki, Japão, e em 1866 era o Bispo consagrado da China e do Japão. Em 1868 o Japão abriu-se mara missóes mais a Oeste, motivo para concentrar seus esforços no Japão. Em 1874 (ou 1877) um bispo  (Samuel Isaac Joseph Schereschewski, ver 15 de outubro) foi consagrado para China e Williams foi a Tokyo (chamado então Edo ou Yedo), onde fundou o que é agora a Universidade de São Paulo. Em 1878 ajudou unir esforços da Missão na formação da Nippon Sei Ko Kai, a Santa Igreja Católica no Japão. Em 1889 sua saúde começou a falhar, e pediu para ser assessorado. Em 1893 um sucessor foi apontado, e Williams continuou vivendo em Kyoto e ajudando abrir novos pontos da missão. Retornou à América em 1908 e morreu em 2 de dezembro de 1910.

Por James Kiefer, livre tradução do Revdo. Josafá, 04/11/2006

 

05 de dezembro - Clemente de Alexandria, Presbítero, 210

a)  Tito Flávio Clemente, nome de Clemente de Alexandria (150 - 215), escritor grego, teólogo e mitógrafo cristão nascido em Atenas, pesquisador das lendas menos compatíveis com os valores cristãos, defensor da rebelião contra a opressão, que levou ao conceito de guerra justa, considerado o fundador da escola de teologia de Alexandria.

Combateu também o racismo, que via como base moral da escravidão. De pais pagãos, convertido ao cristianismo por seu mestre patrístico Panteno (século II), abraçou a nova fé e sucedeu-lhe como líder espiritual da comunidade cristã de Alexandria, onde permaneceu durante vinte anos, tornando-se um dos mais inteligentes e ilustrados dos padres primitivos. Entre suas obras de ética, teologia e comentários bíblicos destaca-se a trilogia formada por Exortação, Pedagogo e Miscelâneas. Do período de formação da patrística e pré-nissênico com nomes da escola cristã de Alexandria, combateu os hereges gnósticos.

Embora ele tenha sido instruído profundamente na filosofia neoplatônica, decidiu voltar-se ao cristianismo. Estabeleceu o programa educativo da escola catequética alexandrina, que séculos mais tarde serviria de base ao trivium e ao quadrivium, grupos de disciplinas que constituíam as artes liberais na Idade Média. Defendeu a teoria da causa justa para a rebelião contra o governante que escravizasse seu povo. Em O Discurso escreveu sobre a salvação dos ricos e sobre temas como o bem-estar, a felicidade e a caridade cristã. Durante a perseguição aos cristãos (201) pelo imperador romano Sétimo Severo transferiu seu cargo na escola catequética ao discípulo Orígenes e refugiou-se na Palestina, junto a Alexandre, bispo de Jerusalém, lá permanecendo até sua morte.

Como se vê, Clemente de Alexandria teve um papel importantíssimo na história da interpretação biblica entre os judeus e os cristãos no período patrístico.

Em Alexandria a religião judaica e a filosofia grega se encontraram e se influenciaram mutuamente criando a escola que influenciou a interpretação bíblica. Esta escola influenciada pela filosofia platônica, encontrou um método natural de harmonizar religião e filosofia na interpretação alegórica da Bíblia. Clemente de Alexandria foi o primeiro a aplicar o método alegórico na interpretação do Antigo Testamento. A interpretação bíblica alégorica acreditava que era mais madura do que o interpretação no sentido literal.

Datam do período helenístico as primeiras aproximações do budismo com o mundo ocidental. Mercadores indianos que viviam em Alexandria propagaram sua fé budista pela região. Clemente de Alexandria foi o primeiro autor ocidental a citar em suas obras o nome de Buda.

Inspirados em Orígenes e na Escola de Alexandria, muitos escritores cristãos desenvolveram suas obras: Júlio Africano, Amônio, Dionísio de Alexandria, o Grande, Gregório, o Taumaturgo, Firmiliano, bispo de Cesareia, na Capadócia, Teognostos, Pedro de Alexandria, Pânfilo e Hesíquio.Held

Obras: Exortação aos gentios, O Pedagogo, Seleções (Stromata).

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

b)  São Clemente de Alexandria († 215)

Seu nome é Tito Flávio Clemente, nasceu em Atenas por volta de 150. Viajou pela Itália, Síria, Palestina e fixou-se em Alexandria. Durante a perseguição de Setímio Severo (203), deixou o Egito, indo para a Ásia Menor, onde morreu em 215. Seu grande trabalho foi tentar a aliança do pensamento grego com a fé cristã. Dizia: “Como a lei formou os hebreus, a filosofia formou os gregos para Cristo”

http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/padres_da_igreja/os_santos_padres.htm#São Clemente de Alexandria

 

04 de dezembro - João Damasceno, Presbítero

 

Nasceu no ano de 675 em Damasco (Arábia). Foi Monge, viveu em Jerusalém. São João Damasceno é considerado como o mais representativo dos teólogos. Seu pai ocupava um posto importante na Corte de Damasco: coletor de impostos. Ainda jovem, substituiu a seu pai nesse cargo: teria, sem dúvida, um futuro brilhante. Mas, a exemplo de tantos santos preferiu o "opróbrio de Cristo às riquezas da Arábia, uma vida maus tratos aos prazeres do pecado". A tudo renunciou e retirou-se como monge, em Sabas, Jerusalém. A santidade de sua vida, humildade, caridade já eram conhecidas de tal forma, que já o veneravam como a um santo, mesmo antes de sua morte. Ele é o ultimo dos santos padres gregos. Último doutor da Igreja, antes do cisma do oriente. São João Damasceno tem sido comparado com são Tomás de Aquino pela realização de uma das maiores sínteses teológicas da Igreja Oriental, introduzindo o método racional na análise e sistematização do dogma. Mas este trabalho não teve continuadores. Tomás é simplesmente o representante de um imenso esforço coletivo de séculos: a indagação dialética de toda a teologia,a partir do século XII. São João foi, na realidade, um eremita que depois de tornou sacerdote, fundando outros mosteiros e lutando contra as heresias. Morreu em Jerusalém no ano de 753, aos 78 anos de idade.

http://www.asj.org.br/santos

 

07 de dezembro - Ambrósio, Bispo de Milão, 397

 
Santo Ambrósio, mosáico na igreja de St. Ambrogio em Milão
Santo Ambrósio, mosaico na igreja de St. Ambrogio  - Milão

Ambrósio de Milão (340-397), conhecido como Santo Ambrósio, foi bispo de Milão, e é considerado um dos Doutores da Igreja. Foi ele quem ministrou o baptismo a Agostinho de Hipona.

Ambrósio era, na verdade, gaulês descendente de gregos como se pode inferir de seu nome e do de seu irmão, Urânio Sátiro. Nasceu em Tréveros, onde seu pai exercia alta função na administração do [Império Romano]]. Depois de residir em Roma por muito tempo, onde se encontrava entre as mais ricas e nobres famílias, seu pai foi posto por Constantino à frente da prefeitura da Gália.

Seu pai teria falecido logo após seu nascimento. Sua mãe, então, retornou a Roma com os três filhos: Marcelina, Sátiro e Ambrósio. Em Roma, recebeu a formação dos nobres romanos, estudando gramática, literatura grega e romana, retórica e direito. Não lhe faltaram ainda a frequência ao circo e ao teatro. Ao lado dessa formação, recebeu, também, educação religiosa, destinada aos catecúmenos, ministrada pelo sacerdote Simpliciano, futuro sucessor de Ambrósio na sede de Milão. A influência deste sacerdote sobre Ambrósio foi tão marcante que santo Agostinho o chamava de "pai do bispo Ambrósio, segundo a graça".

Terminados os estudos, partiu para Sírmio, onde iniciou, com seu irmão; a carreira de advogado do tribunal da prefeitura. Sexto Petrônio Probo, prefeito do pretório, o nomeou, em 370, membro de seu conselho, e depois de alguns anos, consularis, isto é, governador da província da Emília e Ligúria, com sede em Milão. Na época, Milão era a segunda cidade da Itália, encruzilhada dos caminhos para a Gália e Constantinopla.

Com a morte do bispo Auxêncio, ariano, acirrou-se a disputa pela vaga entre arianos e católicos. Para assegurar a ordem na eleição, Ambrósio compareceu, pessoalmente, na qualidade de prefeito da polícia. Tinha, então, 40 anos. Agiu com tamanha eficácia, controlou os ânimos das facções com tanta moderação que os partidos opostos se uniram para elegê-lo bispo. Reconhecendo na unanimidade a vontade de Deus, Ambrósio aceitou o cargo, não depois de muitas tentativas de recusa. É ainda catecúmeno. Preparam-se as cerimônias do batismo. Na semana seguinte, recebeu as ordens e foi consagrado bispo a 7 de dezembro de 374.

Como bispo, evitou prudentemente as controvérsias dogmáticas. Sob orientação ainda de seu antigo preceptor, Simpliciano, mergulhou nos estudos das Sagradas Escrituras. Lia assiduamente os autores antigos e contemporâneos, especialmente os gregos. Procurou reformar, interiormente, o clero. Para isso escreveu, sob o modelo da obra homônima de Cícero, o Sobre o ofício dos ministros. Em pouco tempo, capacitou-se para a pregação a tal ponto que o próprio Agostinho se admirava de sua interpretação alegórica das Escrituras. Suas exposições sobre o valor da virgindade provocaram um movimento religioso em toda a Itália. Renunciou a seus bens em favor da Igreja e dos pobres, levando vida ascética exemplar. Ele mesmo preparava os catecúmenos para o batismo, iniciava-os nas celebrações pascais, na compreensão dos ritos. Consagrava-se dia e noite aos deveres de seu ministério.

Segundo o depoimento de Santo Agostinho: "Assim que cheguei a Milão, encontrei o bispo Ambrósio, conhecido no mundo inteiro como um dos melhores, e teu fiel servidor. Suas palavras ministravam constantemente ao povo a substância do teu trigo, a alegria do teu óleo e a embriaguez sóbria do teu vinho. (...) Comecei a estimá-lo, a princípio, não como mestre da verdade (...), mas como homem bondoso para comigo. Acompanhava assiduamente suas conversas com o povo, não com a intenção que deveria ter, mas para averiguar se sua eloquência merecia a fama de que gozava, se era superior ou inferior à sua reputação. Suas palavras me prendiam a atenção. (...) Eu me encantava com a suavidade de seu modo de discursar; era mais profundo, embora menos jocoso e agradável do que o de Fausto quanto à forma". É especialmente a Ambrósio que Agostinho deve sua conversão e foi dele que recebeu o batismo.

 

Ambrósio e o Imperador Teodósio

Pela Páscoa de 381, o imperador transfere sua residência de Tréveros para Milão. A partir de então, desenvolve sempre mais estreita colaboração com Ambrósio. Por outro lado, seu campo de atividade se alarga cada vez mais, desdobrando-se pelo zelo por sua diocese, em numerosos contatos com bispos da Itália, fundando novas dioceses, ordenando novos bispos.

Sua autoridade moral é ilibada e reconhecida pelos inimigos. Por isso, seu desempenho nos relacionamentos políticos é cheio de êxito. Em todos os problemas, acaba sempre vencendo, impondo sua opinião. É assim no caso de sua vitória contra a imperatriz Justina e seu filho Valentiniano que queriam uma igreja para os cristãos arianos. Quando o imperador Teodósio ordena o massacre de Tessalônica, Ambrósio é o único que, numa conduta corajosa, fez frente recriminando a crueldade do imperador. Quando este, mesmo advertido por carta de Ambrósio, quis entrar na igreja acompanhado de sua corte, Ambrósio o impediu com autoridade e valentia: "Não ousaria, em sua presença, oferecer o sacrifício divino". Como o imperador recalcitrasse e invocasse o exemplo de Davi, Ambrósio o recriminava publicamente e lhe perguntava se aquela boca que ordenara tão cruel massacre era digna de receber a hóstia sagrada. Convidava-o a imitar Davi não só no pecado, mas, também, na penitência, pois "o pecado só nos é tirado pelas lágrimas e pela penitência". Na luta contra o paganismo, venceu o prefeito Símaco de Roma e o próprio senado romano que pleiteavam a reintrodução da estátua da deusa Vitória, na sala do senado.

Após a eleição do bispo de Pavia, Ambrósio retornou para Milão muito enfermo (fevereiro de 397). O que Ambrósio representava para a Itália, na época, pode ser compreendido na frase do general Sitilicão: "A morte de tão grande homem seria a ruína da Itália", quando soube da grave enfermidade do bispo de Milão. Na sexta-feira santa, 4 de abril de 397, entra em agonia e morre na manhã do sábado santo, sendo sepultado junto aos mártires Gervásio e Potásio, cujos corpos tinham sido descobertos em 396. Antes de morrer, indicou Simpliciano como seu sucessor no episcopado de Milão: "É velho, mas é bom", teria dito.

Obras

  • Sermões diversos.
  • Comentário aos 4 livros dos Reis
  • Tradução de Sobre a guerra judaica de Flávio Josefo.
  • Hexameron: uma obra em seis livros, celebrando a beleza da criação. Inspirada na obra de S. Basílio traz, inclusive, o mesmo título. Sua exegese é alegórica, em de- pendência direta da escola de Alexandria, especialmente de Orígenes. Sente-se ainda as influências das idéias estóicas.
  • Exposição do evangelho segundo Lucas (composta em 390): sua obra mais longa.
  • Cantos litúrgico utilizando o "metro ambrosiano" (oito estrofes de 4 linhas)
  • Obras dogmáticas: o imperador Graciano, ainda jovem, pediu a Ambrósio que o esclarecesse sobre a fé cristã. Seu tio Valentiniano era ariano. Queria ser esclarecido especialmente sobre o dogma da divindade do Verbo. Ambrósio responde-lhe por um tratado Sobre a fé para Graciano Augusto, em cinco livros. Em 381, escreveu um tratado sobre a Encarnação do Senhor, dirigido contra os arianos. No mesmo ano, enquanto se realizava o Concílio de Constantinopla, escreveu novamente a Graciano um tratado Sobre o Espírito Santo.

Inspirando-se na teologia grega, afirma a identidade da essência do Espírito Santo com o Pai e o Filho. Assim, embora não sendo teólogo, contribuiu para a teologia trinitária. Sua terminologia prepara as formas definitivas para Agostinho. Na cristologia, é o primeiro, no ocidente, que se opõe a Apolinário de Laodicéia. Sua terminologia sobre as duas naturezas perfeitas, unidas na pessoa divina de Cristo foram assumidas pelos Concílios de Éfeso (431) e de Calcedônia (451).

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

14 de dezembro - São João da Cruz, Monge, 1591

 

Conheçamos mais um dos baluartes da gloriosa Ordem Carmelita Descalça: seu fundador, São João da Cruz. Ele nasceu em 1542, talvez no dia 24 de junho,  em Fontiveros, província de  Ávila,  na Espanha. Seus pais se chamavam Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez. Gonzalo pertencia a uma família de posses da cidade de Toledo. Por ter-se casado com uma jovem de classe “inferior” foi deserdado por seus pais e tornou-se tecelão de seda.  Em 1548, a família muda-se para Arévalo. Em 1551 transfere-se para Medina del Campo, onde o futuro reformador do Carmelo estuda numa escola destinada a crianças pobres. Por suas aptidões, torna-se empregado do diretor do Hospital de Medina del Campo. Entre 1559 a 1563 estuda Humanidades com os Jesuítas. Ingressou na Ordem dos Carmelitas aos vinte e um anos de idade, em 1563, quando recebe o nome de Frei João de São Matias, em Medina del Campo. Pensa em tornar-se irmão leigo, mas seus superiores não o permitiram. Entre 1564 e 1568 faz sua profissão religiosa e estuda em Salamanca. Tendo concluído com êxito seus estudos teológicos, em 1567 ordena-se sacerdote e celebra sua Primeira Missa.                                                                                               
Infelizmente, ficou muito desiludido pelo relaxamento da vida monástica em que viviam os conventos carmelitas. Decepcionado, tenta passar para a Ordem dos Cartuxos, ordem muito austera, na qual poderia viver a severidade de vida religiosa à que se sentia chamado. Em setembro de 1567 encontra-se com Santa Teresa, que lhe fala sobre o projeto de estender a Reforma da Ordem Carmelita também aos padres. O jovem de apenas vinte e cinco anos de idade aceitou o desafio. Trocou o nome para João da Cruz. No dia 28 de novembro de 1568, juntamente com Frei Antônio de Jesús Heredia, inicia a Reforma. O desejo de voltar à mística religiosidade do deserto custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações. Em 1577 foi preso por oito meses no cárcere de Toledo. Nessas trevas exteriores acendeu-se-lhe a chama de sua poesia espiritual. "Padecer e depois morrer" era o lema do autor da "Noite Escura da alma", da "Subida do monte Carmelo", do "Cântico Espiritual" e da "Chama de amor viva".

A doutrina de João da Cruz é plenamente fiel à antiga tradição: o objetivo do homem na terra é alcançar “Perfeição da Caridade e elevar-se à dignidade de filho de Deus pelo amor”; a contemplação não é um fim em si mesma, mas deve conduzir ao amor e à união com Deus pelo amor e, por último, deve levar à experiência dessa união à qual tudo se ordena”. “Não há trabalho melhor nem mais necessário que o amor”, disse o Santo. “Fomos feitos para o amor”. “O único instrumento do qual Deus se serve é o amor”. “Assim como o Pai e o Filho estão unidos pelo amor, assim o amor é o laço da união da alma com Deus”.

O amor leva às alturas da contemplação, mas como o amor é produto da fé, que é a única ponte que pode salvar o abismo que separa a nossa inteligência do infinito de Deus, a fé ardente e vívida é o princípio da experiência mística. João da Cruz costuma pedir a Deus três coisas: que não deixasse passar um só dia de sua vida sem enviar-lhe sofrimentos, que não o deixasse morrer ocupando o cargo de superior e que lhe permitisse morrer humilhado e desprezado.

Faleceu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, à meia-noite do dia 14 de dezembro de 1591, após três meses de sofrimentos atrozes.  Seu corpo foi trasladado para Segovia em maio de 1593. A primeira edição de suas obras deu-se em Alcalá, em 1618. No dia 25 de janeiro de 1675 foi beatificado por Clemente X. Foi canonizado em 27 de dezembro de 1726 e declarado Doutor da Igreja em 1926 por Pio XI . Em 1952 foi proclamado "Patrono dos Poetas Espanhóis".  

Talvez a mais bela e completa descrição física e espiritual do Santo Fundador tenha sido feita por Frei Eliseu dos Mártires que com ele conviveu em Baeza: "Homem de estatura mediana, de rosto sério e venerável. Um pouco moreno e de boa fisionomia. Seu trato era muito agradável e sua conversa bastante espiritual era muito proveitosa para os que o ouviam. Todos os que o procuravam saíam espiritualizados e atraídos à virtude. Foi amigo do recolhimento e falava pouco. Quando repreendia como superior, que o foi muitas vezes, agia com doce severidade, exortando com amor paternal.." Santa Teresa de Jesus o considerava "uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celestial. Mesmo pequeno ele é grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque tem sido sua vida uma grande penitência". Poucos homens falaram dos sublimes mistérios de Deus na alma e da alma em Deus como São João da Cruz. Santa Teresinha conheceu João da Cruz quando ainda vivia nos Buissonnets. Ela, em seus escritos, refere-se ao Santo Fundador cento e seis vezes, direta ou indiretamente, e confessa a forte influência que dele recebeu: "Ah, que luzes hauri nas obras de Nosso Pai São João da Cruz !... Com a idade de 17 a 18 anos, não tinha outro alimento espiritual... " (MA 83r).

SÃO JOÃO DA CRUZ ,  O ROUXINOL DO CARMELO

a) CRONOLOGIA

1542:          Nasce en Fontiveros (Ávila), talvez no dia  24 de junho, filho do casal  Gonzalo de Yepes e Catalina Alvarez.

1548:          Vai residir em  Arévalo.

1551:          Muda com a família para  Medina del Campo.

1559-63:      Cursa humanidades com os Jesuítas  de Medina.

1563:          Veste o  hábito carmelitano, recebendo o nome de Fr. Juan de San Matias, em Medina del Campo.

1564-68:      Professa os votos e  estuda em Salamanca na Universidade e no  Colégio de San Andrés.

1567:          Ordena-se sacerdote  e celebra sua  Primeira Missa em Medina.

1567:          Em setembro se encontra com a Santa Madre Teresa, que lhe fala sobre o projeto da Reforma da Ordem, também entre os religiosos.

1568.28.11:  Em  Duruelo começa a  Reforma com o Pe.  Antonio de Jesús Heredia.

1568-71:      Mestre dos noviços  em Duruelo, Mancera e Pastrana.

1569:          Abre-se o  convento de Pastrana e o  Santo vai para lá, a fim de suavizar a excessiva dureza de sua vida.

1570:          A comunidade de Duruelo se transfere para Mancera

1571:          Abril.  Nomeado Reitor do Colégio de Alcalá.

1572-77:      Confessor e Vigário na Encarnação, em Ávila.

1577:          Na noite de 3 para 4 de dezembro é levado para o cárcere de Toledo, onde ficará até 15 de agosto de 1578.

                  Outubro. Prior de Calvano (Jaén).

1579.           Reitor do colégio de Baeza.

1581:          Março. No Capítulo de Alcalá é nomeado terceiro  Definidor, Provincial e Prior de Granada.

1583:          Maio. Reeleito Prior de Granada.

1585:          Maio. Em Lisboa foi  eleito segundo Definidor e em  outubro o nomeiam Vigário Provincial de Andaluzia.

1586:          Faz  a fundação dos padres em Córdoba, Manchuela  e  Caravaca.

1587:          No  Capítulo de Valladolid o nomeiam pela terceira vez  Prior de Granada.

1588:          Junho. No Primeiro Capítulo Geral celebrado em  Madrid é nomeado Primeiro Definidor Geral, Prior de Segóvia e Terceiro Conselheiro de consulta.

1591:          Junho. Assiste ao Capítulo Geral em Madri e terminam todos os seus cargos.

1591.14.12:  Morre  em Ubeda (Jaén), à meia-noite, aos  49 anos.

1593:          Maio.  Seu corpo é trasladado para Segóvia.

1618:          Primeira edição  de suas obras em Alcalá.

1675.25.1:    Beatificado por Clemente X.

1726.27.12:  Canonizado por Bento XIII.

1926.24.8:    Declarado Doutor Místico da Igreja por Pio Xl.

1952.21.3:    Proclamado patrono dos  poetas espanhóis.

 

B) RETRATO DO SANTO

Parece que não  se conserva nenhum  retrato  pessoal,  feito a pincel, nenhum desenho.

Mas se conservam maravilhosas descrições de muitos que conviveram com ele e apresentaram depoimentos para o seu processo de beatificação.

Certamente a mais bela e completa descrição foi-nos deixada pelo Pe. Eliseu dos Mártires, que conviveu com o santo no Colégio de Baeza. Ele nos diz:

"Tinha estatura média, dono de rosto sério e venerável, um pouco moreno e de boa fisionomia; bom no trato e de boa conversação, agradável, homem muito espiritual que trazia muito proveito para os que o ouviam e com ele se comunicavam. E isto o fez tão de modo tão especial e singular, que todos que o procuravam, homens e mulheres, saiam espiritualizados, piedosos e cheios de virtudes.”

Viveu intensamente  a oração como trato com Deus. Todas as questões que lhe eram apresentadas sobre estas questões eram respondidas com alta sabedoria, deixando àqueles que o consultavam muitos satisfeitos. 

Foi amigo da vida em recolhimento e do pouco falar. Seu riso não era muito freqüente. Era uma pessoa compenetrada.

Quando Superior, o que foi muitas vezes, quando precisava repreender, o fazia com doce severidade, exortando com amor paternal, movido por admirável serenidade e seriedade.

 

C) PINCELADAS DE SANTA TERESA

  • O padre Frei João da Cruz é uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja. Nosso Senhor lhe infundiu grandes riquezas da sabedoria celeste. 
  • Ainda criança, tornou-se grande aos olhos de Deus. Não há frade que não fale bem dele, porque toda sua  vida foi de grande penitência. Muito me animou a virtude e o espírito que o Senhor lhe deu. Tem uma vida farta em oração e um bom entendimento das coisas de Deus.
  • Todos têm Frei João da Cruz como santo . 
  • "Os ossos daquele pequeno corpo farão milagres. 

D) SUAS OBRAS

Poucos falaram dos mistérios sublimes de Deus na alma e da alma em Deus como este angelical Carmelita de Fontiveros.

Sua prosa e sua poesia são divinas e, como muito bem disse Menéndez y Pelayo, "não se podem avaliar com critérios literários, porque o espírito de Deus embelezou-lhe tudo”.

I.-OBRAS MAIORES:

1. Subida ao Monte Carmelo: É  sua obra fundamental. É quase uma única obra com a Noite Escura, começada no Calvário de Jaén, em 1578, e depois continuada em Baeza e Granada.

2. Noite Escura da  alma:

A) Livro primeiro,  Noite passiva do sentido; consta de 14 cap.

B) Libro segundo: Noite passiva do espírito, consta de 25 cap.

3. Cântico Espiritual. É a mais bela obra do santo. 30 estrofes foram escritas no cárcere. Trata da união com Deus. Consta de 40 estrofes e se divide em três partes.

4. Chama Viva de Amor. Escrita em Granada entre  1585 e 1587, em quinze dias. É o livro mais ardente de todos. Consta de quatro canções com seis versos cada uma.

II. OBRAS MENORES:

1. Avisos: Conselhos que dava às  monjas de Beas, quando era seu Confessor.

2. Cautelas: Escreveu-as  para as mesmas monjas.

3.Quatro conselhos  a um religioso.

4. Cartas: Conservam-se apenas  32 cartas. Devido ao processo que abriram contra ele, muitas cartas foram destruídas.

5. Poesias: As principais são as que aparecem nos grandes tratados: Noite Escura, Cântico Espiritual e Chama.

É sem dúvida o que melhor se escreveu em espanhol.

 6. DITOS DE LUZ E AMOR: Frases de direção para suas carmelitas, que o Santo escrevia ocasionalmente.

A obra sanjuanista – escreveu um ilustre teresianista – se divide em duas partes: “A ensinar os métodos para se conseguir o vazio dos sentidos e as potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os dois primeiros tratados de profunda doutrina espiritual e forte  consistência:  A Subida e a Noite.

Ninguém cantou melhor os amores divinos que o rouxinol do Carmelo. Algumas poesias imediatamente inflamam a alma no mesmo amor em que Deus se abrasa. Sobre seu inspirado lirismo, sobrevoa seu profundo sentido místico.

E) Sua espiritualidade

Impossível sintetizar o maravilhoso magistério vivo e ensinado pelo Doutor Místico em tão breves linhas. O Doutor é a máxima figura mística do Carmelo. À vida ele une a doutrina e a ciência. A santa vida e a ciência sagrada ou a teologia mística são uma só realidade, como o provam suas magníficas obras. Pio XI, que lhe deu o título de Doutor Místico da Igreja, batizou suas obras como “Código e escola da alma fiel que se propõe a empreender uma vida mais perfeita”.  Aqui seguem algumas observações sobre sua rica espiritualidade:

O Santo, em seus escritos, tem sempre presente o fim da vida espiritual, ou seja, Deus, levar as almas a Deus. E subjetivamente uni-las a ele por amor, quer dizer, deseja levar a transformação perfeita em Deus por amor o quanto é possível nesta vida seguindo-se a Jesus Cristo.

Em sua admirável obra recorda a seus leitores freqüentemente o cume daquele montanha e deseja que todos a subam. Ela é  a sublime perfeição à qual os encaminha com suas palavras e exemplos convincentes.

Seu raciocínio demonstra que esta subida é necessária porque é um meio indispensável para se despojar de todas as outras coisas, obstáculos para a suprema transformação da alma em Deus.

João da Cruz era um profundo conhecedor do coração humano. Por isso, “como o amor de Deus e o amor da criatura são opostos, é preciso ir limpando a alma do amor das criaturas para que a graça a invista e encha de amor divino”.

E tanto maior será este investimento e plenitude, quanto maior for o vazio da criatura que acha na alma: “Olvido do que é criado, memória do criador, atenção ao interior, e estás amando o Amado”.

Ao ensino os métodos para conseguir este vazio nos sentidos e potências da alma mediante engenhosas purificações ativas e passivas se ordenam os tratados “Subida ao Monte Carmelo” e “Noite Escura da Alma”, ambos de profunda doutrina espiritual e de forte liame lógico

No Cântico Espiritual e na Chama Viva do Amor, entre metáforas e comparações esplêndidas, tomadas da natureza, vai-se descortinando pouco a pouco as excelências do amor divino nas almas desde os graus inferiores aos mais altos do esposamento e matrimônio espiritual.

Em síntese, pode-se dizer que a grande originalidade do magistério espiritual sanjuanista e o segredo de sua vitalidade encontra-se precisamente na íntima relação entre abnegação e união na vida sobrenatural e, para usar sua terminologia clássica, entre o nada o tudo, que se fundem um no outro.

São João da Cruz, o Doutor Místico, influenciou grandemente a espiritualidade cristã. Alimentou, quando vivo, através de sua direção espiritual e depois de falecido com seus escritos imortais.

Especialmente depois que foi declarado Doutor da Igreja Universal em 1926, suas obras são lidas e citadas por todos os autores espirituais.

Inclusive nossos irmãos da Igreja Anglicana, da Comunidade de Taizé e da Igreja Ortodoxa confessam sua predileção pelo carmelita de Fontiveros.

Literatos, poetas, cientistas e até não-crentes ficam admirados ante a profundidade e a beleza que brotam dos escritos sanjuanistas.

Sua mensagem

  • que descubramos o tesouro da cruz.
  • que a oração e o silêncio nos levem a descobrir a Deus. 
  • que sejamos dóceis às inspirações do alto. 
  • que saibamos perdoar a todos que nos ofendem.

http://br.geocities.com/monjascarmelitas/joao.html

 

 

21 de dezembro - São Tomé, Apóstolo

Cristo e São Tomé, escultura de Andrea del Verrocchio na fachada sul da igreja Or San Michele, em Florença.
Figura do Site HIEROS:

Um dos doze apóstolos de Jesus e israelita de nascimento, que ausente no momento em que o Cristo reapareceu aos discípulos, exigiu destes provas materiais da ressurreição do Mestre e, por isso, Jesus ressurgiu e pediu-lhe que tocasse suas chagas. Carpinteiro de origem e freqüentemente citado em passagens do Novo Testamento, nos quatro evangelhos. O Evangelho de São João dá-lhe grande destaque. Em João 11,16, cita que ele incitou os discípulos a seguir Jesus e a morrer com ele na Judéia dizendo então aos discípulos: Vamos também nós, para morrermos com ele! Foi ele que perguntou a Jesus, durante a Última Ceia, sobre o caminho que conduz ao Pai: Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho? Diz-lhe Jesus: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim (João 14,5-6). Temperamento audacioso e cheio de generosidade, percorreu as etapas da fé e professou que Jesus era realmente Deus e Senhor. Ausente na primeira aparição duvidou dos colegas que Jesus tinha voltado. Oito dias depois, achavam-se os discípulos, de novo, dentro de casa, e o ascetista estava com eles. Jesus veio, estando as portas fechadas, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco!. E lhe disse depois: Põe teu dedo aqui e vê minhas mãos! Estende tua mão e põe-na no meu lado e não sejas incrédulo, mas crê! O apóstolo incrédulo respondeu Meu Senhor e meu Deus! (João 20,26-28), tornando-se o primeiro dos apóstolos a se dirigir a Jesus nestes termos. Ninguém até aquele momento, nem mesmo Pedro e João, havia pronunciado a palavra Deus dirigindo-se a Jesus. Também chamado Dídimo ou Gêmeo (seu nome, tanto em aramaico Te'oma como em grego Didymos significa gêmeo) era o terceiro apóstolo em idade depois de Pedro, mas ao contrário deste não era casado, assim como Bartolomeu, André, Simão, Judas e o próprio Jesus. Segundo as escrituras foi em resposta a ele que Jesus introduziu o mistério trinitário: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se vocês me conhecem, conhecerão também meu Pai...". Segundo o bispo Eusébio de Cesaréia, do século IV, depois da morte de Jesus, o discípulo evangelizou a Pártia e, pela a tradição cristã posterior, estendeu seu apostolado à Pérsia e à Índia, onde é reconhecido como fundador da Igreja dos Cristãos Sírios Malabares ou Igreja dos Cristãos de São Tomé. Consta que foi martirizado e morto (53) pelo rei de Milapura, na cidade indiana de Madras, onde ficam o monte São Tomé e a catedral de mesmo nome, supostamente local de seu sepultamento. Historiadores acreditam que o apóstolo foi morto a flechadas, quando orava. Sucumbiu como líder e mártir, como o crente fiel que Jesus lhe pediu. Suas relíquias seriam venerados na Síria e, depois, levadas para o Ocidente e preservadas em Ortona, na Itália. É festejado pelos católicos em 3 de julho.

http://orbita.starmedia.com/~hyeros/

 

26 de dezembro - Santo Estevão

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 
Santo Estêvão, por Hans Memling (c. 1480)

Santo Estêvão é o primeiro mártir do Cristianismo, sendo considerado santo por todas as denominações cristãs: Igreja Católica, Igrejas Ortodoxas e a Comunhão Anglicana. É celebrado a 26 de Dezembro no Ocidente e a 27 de Dezembro no Oriente.

Segundo os Actos dos Apóstolos, Estêvão foi um dos sete primeiros diáconos da igreja nascente, logo após a morte de Jesus, pregando os ensinamentos de Cristo e convertendo tanto judeus como gentios. Segundo Étienne Trocmé, Estevão pertencia a um grupo de cristãos que pregavam uma mensagem mais radical, um grupo que ficou conhecido como os helenistas, já que os seus membros tinham nomes gregos e eram educados na cultura grega e que separou do grupo dos doze apóstolos. Também eram conhecidos como o grupo dos 7. Foi detido pelas autoridades judaicas, levado diante do Sinédrio (a suprema assembléia de Jerusalém), onde foi condenado por blasfémia, sendo sentenciado a ser apedrejado (Atos 8). Entre os presentes na execução, estaria Paulo de Tarso, o futuro São Paulo, ainda durante os seus dias de perseguidor de cristãos.

O seu nome vem do grego Στέφανος (Stephanós), o qual se traduz para aramaico como Kelil, significando coroa - e Santo Estêvão é, de resto, representado com a coroa de martírio da cristandade, recordando assim o facto de se tratar do primeiro cristão a morrer pela sua fé - o protomártir.

Durante os primeiros século do cristianismo, o túmulo de Estêvão achou-se perdido, até que em 415 (talvez pela crescente pressão dos peregrinos que se deslocavam à Terra Santa), um certo padre, de nome Luciano, terá dito ter tido uma revelação onírica de onde se encontrava a tomba do mártir, algures na povoação de Caphar Gamala, a alguns quilômetros a Norte de Jerusalém.

Gregório de Tours afirmou mais tarde que foi por intercessão de Santo Estêvão, que um oratório a ele dedicado, na cidade de Metz, onde se guardavam relíquias do santo, foi o único local da cidade que escapou ao incêndio que os Hunos lhe deitaram, no dia de Páscoa de 451.

 

 

29 de dezembro - Thomas Becket - Arcebispo de Cantuária e Mártir, 1170

Becket in a window in Canterbury Cathedral

a) São Thomas Becket (c. 1115 – 29 de Dezembro de 1170), foi Arcebispo de Cantuária de 1162 a 1170. Por se tratar de um jovem com educação, entrou para o serviço de Teobaldo, arcebispo de Cantuária, que lhe recompensou o seu trabalho com o arquidiaconado de Cantuária. Em 1155 Becket foi escolhido por Henrique II de Inglaterra para conselheiro real, uma posição que manteve durante sete anos, como íntimo e leal servidor do rei.

Henrique recompensou Becket fazendo-o arcebispo de Cantuária, após a morte de Teobaldo. O carácter de Becket modificou-se imediatamente, passou a viver uma vida de simplicidade e pobreza e, apesar de ter ajudado Henrique a diminuir o poder dos bispos, passou a defender ativamente os direitos da Igreja. Seguiram-se violentas questões com Henrique e um longo período de exílio. Depois de se reconciliarem, entraram em conflito novamente, até que Henrique perguntou se não haveria ninguém capaz de o livrar «daquele padre turbulento».

Quatro cavaleiros ouviram-no e mataram Becket nos degraus do altar de Cantuária. Becket foi canonizado em 1173 e a catedral tornou-se num local de peregrinação; essas peregrinações estariam na origem dos Contos da Cantuária, coletânea de contos em forma lírica recolhidos e passados a escrito por Geoffrey Chaucer.

Fonte: Wilkpedia, aenciclopédia livre

 

b)         Nasceu em 21 dezembro de 1118 em Londres, Inglaterra.

Educado no Prior de Merton em Boaris, Bolonha e Auxerre. Especialista na lei  civil e canônica. Soldado e oficial. Indicado Arquidiácono de Canterbury. Amigo do Rei Henry II que o indicou como Chanceler da Inglaterra. Ordenado em 2 de junho de 1162. Indicado Arcebispo de Canterbury pelo Rei, ele o advertiu :
“ Se  está pensando que terá um obediente pupilo está enganado e seu amor virará ódio”.

Assim ele, para  surpresa de Henry II,  se opôs aos desmandos do Rei e sua interferência nos assuntos eclesiásticos. Foi exilado varias vezes e finalmente assassinado a mando do Rei.

Canonizado em 21 de fevereiro de 1173  pelo Papa Alexandre III.

 Padroeiro do clero, do Colégio Exeter em Oxford, de Postmouth, Inglaterra 

Tendo que enfrentar o Rei varias vezes no final ele exclamou:
“ Eu morrerei em nome de Jesus e em defesa da Igreja”.

Ele foi morto por pessoas a mando do Rei Henry II, pela espada e machado no dia 29 de dezembro de 1170, dentro da Catedral de Canterbury, Inglaterra.

Perto do altar onde sentava, ele foi martirizado e deu sua alma a Deus.

Toda a cristandade ficou estupefata. Henry foi forçado a uma penitencia pública pelo assassinato de Thomas, inclusive com a construção do monastério de Withamem Somerset, descrito na vida de São Hugo de Lincoln.

Muitos milagres se sucederam imediatamente após a sua morte.

Nos próximos 10 anos cerca de 703 milagres foram creditados a ele.
Ele foi universalmente aclamado santo muito antes de sua canonização.

O solene traslado de suas relíquias para um novo santuário aconteceu em 7 de julho de 1220. A cerimônia foi a mais magnificente vista pelo povo e vieram pessoas de toda a Europa para assisti-la.

O santuário-tumba de São Thomas Becket tem esplendor sem paralelo na Inglaterra, talvez o mais rico do mundo. Durante o reinado de Henry VIII foi colocado nele varias e lindas pedras preciosas com ouro, prata e fio de ouro, jóias, broches imagens de anjos, anéis, doze ao todo com ouro em fundo de prata, cravejado de  brilhantes.
De um lado, uma pedra com um anjo em ouro apontando para cima oferecido pelo  Rei de França.

Na arte litúrgica da Igreja ele é representado :

1) como um arcebispo segurando uma espada invertida; ou 

2) como um arcebispo ante seus assassinos ; ou 

3) sendo morto na Catedral.

www.bomsaber.com

c)  29 de dezembro - São Tomás Becket, Bispo e Mártir (+ Cantuária, 1170)

Depois de ter desempenhado com brilho a função de chanceler do Reino da
Inglaterra, foi indicado pelo rei Henrique III para arcebispo de Cantuária e
primaz da Inglaterra. Como até então era leigo, foi ordenado sacerdote e
dois dias depois sagrado bispo. Logo se tornaram inevitáveis os conflitos
entre aquele rei absolutista, que queria reduzir a Igreja a mero
departamento do Estado inglês, e o prelado zeloso dos direitos de Deus e das
prerrogativas de sua Igreja. Em conseqüência dos choques cada vez mais
violentos, São Tomás precisou fugir para a França, onde esteve exilado por
seis anos. Mais tarde retornou a sua diocese, mas recomeçaram os conflitos e
o Santo acabou assassinado brutalmente por partidários do rei, dentro de sua
própria catedral.

Fonte: Lepanto

 

 

31 de dezembro - John Wycliff - Precursor da Reforma, 1384

Professor de Oxford, Reformador e 1° tradutor da Bíblia para o inglês

 

Biografia:
Nascido de sangue saxônico, perto da Vila de Wycliff, em Yorkshire, John Wycliff tornou-se o principal porta voz dos patriotas ingleses, através do período de emancipação política do seu país. Sua escalada a um lugar de erudita eminência foi rápida. Brilhando em Oxford, ele foi nomeado capelão do rei em 1366, enquanto recebia o seu doutorado, em 1374. Contudo, bem depressa voltou suas armas intelectuais contra Roma, conforme Schaff declara: 

Em sermões, folhetos e escritos mais extensos, Wycliff apresentou a Escritura e o senso comum como testemunhas. Sua pregação era tão cortante como a "Espada de Damocles". Ele nunca hesitava em usar a ironia e a invectiva, nas quais era mestre; a objetividade e a pertinência de seus apelos traziam tudo facilmente à compreensão da mente popular. 

Em sua condenação do abuso doutrinário, Wycliff condenava a complacência dos últimos reformadores contra os prelados imorais, excesso de posses territoriais, extorsão religiosa, e heresias tais como o purgatório, a transubstanciação, o sacerdócio e a confissão auricular. Poucos eram poupados da "Espada de Damocles". Ele acusava o papa de ser o Anticristo, o orgulhoso sacerdote universal de Roma e o mais amaldiçoado dos tosquiadores e caçadores níqueis. Como os frades de seu tempo eram conhecidos pelo seu apego "à boa comida e às mulheres" Wycliff depreciava os seus mosteiros, chamando-os de covis de ladrões, ninhos de serpentes, casas de habitação de demônios vivos, etc. 

Numa linguagem que iria rivalizar com a de Lutero, ele escreveu que os padres:
Roubam o sustento dos pobres, os quais não podem se opor à opressão; cobram mais alto por um tostão furado do que pelo sangue precioso de Cristo; rezam apenas para se mostrar e coletam taxas por qualquer serviço religioso que oficiam; vivem na luxúria, cavalgando gordos cavalos forrados de prata e ouro; são roubadores... raposas maliciosas... lobos vorazes... glutões... demônios... chimpanzés. 

Como nenhum país pode crescer além da moral de suas mulheres, uma narrativa da época demonstra as baixas marcas no barômetro de todas as mulheres importantes em matéria de pureza (como no caso de Alexandria): 
Naqueles dias havia um grande rumor e clamor entre o povo de que, sempre que havia uma competição, ali acontecia uma grande afluência de mulheres da mais alta vaidade e beleza, porém não as melhores do reino; algumas em número de quarenta ou cinqüenta, como se fizessem parte dos torneios, vestidas de roupagens masculinas diversas e maravilhosas, com túnicas ostentando as cores do partido, usando pequenos bonés atados às suas cabeças, cintos bordados de ouro e prata e adagas em bolsinhas penduradas ao corpo, com palavreado grosseiro, que o rumor popular escutava em toda parte; e desse modo, elas nem só deixavam de temer a Deus como não ligavam para a voz do povo.

Entende-se que esse declínio moral assegurava à Inglaterra, pelo menos, uma queda em seu horizonte. O Dr. Green resume: 
Era um tempo de vergonha e sofrimento, como a Inglaterra jamais havia conhecido. Suas conquistas foram perdidas, suas fronteiras insultadas, suas frotas aniquiladas, seu comércio varrido do mar enquanto interiormente ela se exauria por causa de longas e custosas guerras, bem como pela corrupção e pestilência.

Embora a pátria de Wycliff precisasse de arrependimento, seus detratores religiosos de dura cerviz lhe apresentavam tremenda oposição. À medida em que se intensificavam suas cáusticas denúncias, assim também a ameaça de violência física. Para contrabalançar este perigo o Senhor levantou-lhe um poderoso protetor na pessoa de John de Gaunt, Duque de Lancaster (filho predileto de Eduardo e irmão mais novo do melhor conhecido, embora pouco lembrado, Príncipe Negro). 

Quanto mais Wycliff laborava, mais convencido ficava de que sua amada Inglaterra precisava de algo mais do que seus sermões e folhetos. Precisava de uma Bíblia! Neste escrito intitulado "The Wycket" (A Posição) ele exclama com emoção: 

Se a Palavra de Deus é a vida do mundo e cada palavra de Deus é a vida da alma humana, como pode qualquer Anticristo, para o horror divino, tirá-la de nós, que somos cristãos, e desse modo levar o povo a morrer de inanição, na heresia e na blasfêmia das leis dos homens, que corrompem e assassinam a alma?

Por causa dessa necessidade, Wycliff dedicou o resto de sua vida a completar a primeira tradução da Bíblia inteira para a língua inglesa. Conhecendo bem o Grego e o Hebraico, primeiro ele embasou a sua obra em manuscritos latinos. Embora a erudição moderna goste de frisar a confiança de Wycliff na leitura da Vulgata, uma revisão posterior da obra por John Purvey, que trouxe de volta a tradução de acordo com Jerônimo, traz a evidência de que Wycliff teve acesso aos manuscritos latinos. O abandono posterior de Purvey de Roma acrescenta uma luz a este assunto. 

Apesar da consistência latina, a nova Bíblia representava a primeira em existência para o povo de língua inglesa. 
Como a imprensa ainda não fora inventada, o manuscrito teve de ser copiado à mão, exigindo um exorbitante custo diário. (Foram precisos quase dez meses de trabalho árduo de um copista experiente). A taxa da mão de obra, de uma hora apenas, com essa obra custava o mesmo que um carregamento inteiro de feno). 
Enquanto isso, McClure nos conta que o preço de compra se aproximava de "quatro marcos e quarenta pences", o qual eqüivalia ao salário total anual de um clérigo. 

A chegada da imprensa cumpriu a estranha profecia: 
"Esperemos que o baixo custo da Bíblia jamais ocasione o baixo apreço pela mesma". 
(Os crentes dos dias atuais, infelizmente, podem constatar o cumprimento desta profecia). 

Foxe nos informa: 
Tão escasso era o suprimento de Bíblias, nesses tempos, que apenas uns poucos entre aqueles que suspiravam pelo seu ensino podiam ter a esperança de possuir o volume sacro. Mas essa escassez decorria parcialmente da firmeza daqueles, cujo interesse fora despertado pela Bíblia. Se apenas uma simples cópia era possuída na vizinhança, esses denodados trabalhadores e artesãos seriam encontrados juntos, após um exaustivo dia de trabalho, lendo em turnos e escutando as palavras da vida; e tão doce era o frescor dos seus espíritos, que algumas vezes o romper da manhã os surpreendia com a chamada para um novo dia de trabalho, sem que tivessem pensado em dormir. 

McClure cita um poema contemporâneo, que descreve esse espírito de gloriosa libertação: 

Mas para compensar todo o dano, o Livro Sagrado,
em poeirento esconderijo guardado tanto tempo, 
agora assume o falar de nossa língua nativa. 
E o que dirige o arado, ou maneja o bordão, 
com espírito de compreensão, 
pode agora olhar sobre o seu registro 
e ouvir sua canção e examinar suas leis
– mais querendo saber do que errar
qual a fé que tem mantido. 
E o céu pôde suportar calmamente
o transcendente favor! 
Mais nobre do que o rei terreno 
sempre concedido para igualar e abençoar 
sob o peso da desgraça mortal. 

Uma porção da Bíblia de Wycliff de João 17:1-3 diz: 
"Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti; assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste". Claro que a reação católica foi de tremendo pânico! Enquanto um padre se lamentava: "Agora a jóia do clero se tornou um brinquedo do laicato", Henry Knighton elaborava: 

Este mestre John Wycliff traduziu o Evangelho do Latim para o Inglês, o qual Cristo havia confiado ao clero e aos doutores da Igreja, para que o ministrassem ao laicato e aos menos afortunados, conforme a declaração dos tempos e necessidades dos homens. Assim, por esse meio, o evangelho se tornou vulgar e mais aberto ao laicato... do que costumava ser para os mais letrados do clero e os de melhor compreensão! E o que antes era dádiva principal do clero e doutores da igreja, agora se torna para sempre comum ao laicato. 

Como seria o caso de Martinho Lutero, Wycliff foi providencialmente poupado do martírio na estaca, sofrendo um ataque, enquanto oficiava na igreja, com a idade de sessenta e quatro anos, em 1384. Seus inimigos ficaram extasiados, com o prelado Walsingham "elogiando": 

Na festa da Paixão de S. Tomás de Canterbury, John Wycliff – esse órgão do diabo, inimigo da igreja, esse autor da confusão entre o povo comum, esse ídolo de hereges, essa imagem dos hipócritas, esse restaurador do cisma, esse armazenador de mentiras, esse poço de lisonja – sendo abatido pelo terrível julgamento de Deus, foi atacado de paralisia e continuou a viver nessa condição até o dia de S. Silvestre, quando entregou o seu malicioso espírito nas regiões das trevas. 

Contudo, embora a história tinha esquecido o nome de Walsingham, o nome de Chaucer tem sobrevivido, talvez em razão do seu memorial a Wycliff: 

Ele foi um grande homem da religião; 
Ele foi uma personalidade 
que chamou a atenção de uma cidade. 
Mais rico ele foi de sagrado pensamento e realização.
Era também um homem letrado, um funcionário 
que o evangelho de Cristo verdadeiramente quis pregar. 
Este nobre exemplo às suas ovelhas ele deu
de primeiro praticar para depois ensinar.
Um pastor melhor não existe em parte alguma. 
Ele não gostava de pompa nem de reverência, 
nem jamais lisonjeou qualquer consciência, 
mas pregou a Cristo e seus doze apóstolos. 
Ele ensinou, mas primeiro ele mesmo praticou.

Como um interessante aparte, a influência de Wycliff pode ter sido um fator na última renúncia de Chaucer das obras de sua vida – "The Canterbury Tales, Troilus and Criseyde", e "The Book of the Duchess" - como " vaidades do mundo" tendo expressado a preocupação de que "eu devo ser um daqueles do tempo da condenação, que serão salvos." 

A ira dos nicolaítas explodiu em 1410, com o seguinte decreto sendo levado ao Parlamento: 
Nosso soberano senhor, o Rei... pelo consentimento dos estados e de outros homens discretos... reunidos no Parlamento, tem concedido, estabelecido e ordenado que nenhum dentro do... reino, ou de quaisquer outros domínios sujeitos a Sua Majestade Real, presumirá pregar aberta ou secretamente, sem primeiro procurar e obter a licença do diocesano local, sempre excetuando os curas em suas próprias igrejas, pessoas que até agora têm sido tão privilegiadas, e outras permitidas pela lei canônica; e que, a partir de agora, ninguém, quer aberta ou secretamente, deve pregar, manter, ensinar ou instruir ou produzir ou escrever qualquer livro contrário à fé católica ou à determinação da Santa Igreja, nem permitirá qualquer (Lolardo) seita organizar reuniões (ajuntamentos desorganizados para adoração) em parte alguma, ou de qualquer maneira conservar ou manter escolas com as suas malignas doutrinas e opiniões; e também que, daqui para a frente, ninguém, de modo algum, favoreça qualquer pessoa que pregue dessa maneira, informe ou excite o povo... E se qualquer pessoa dentro do reino e domínio for condenada por sentença diante do diocesano local, ou dos seus comissários, por essas mencionadas pregações malignas, doutrinas, opiniões, escolas e instrução herética e errônea, ou se qualquer uma delas, se recusar devidamente a abjurar a mesma... então o xerife do condado... e o prefeito e os xerifes ou xerife, ou o prefeito e os oficiais da cidade, cidadezinha ou condados agregados... mais próximos do dito diocesano e seus comissários... receber, após terem sido proclamadas essas sentenças, essas pessoas... isso poderá levá-las a serem queimadas diante do povo em local de destaque, a fim de que esse castigo possa desencadear o medo nas mentes dos demais, para que nenhumas doutrinas malignas e heréticas e opiniões errôneas contra a fé católica a lei cristã é a determinação da Santa Igreja) nem os seus autores e favorecedores sejam mantidas... ou de qualquer forma toleradas. 

No ano de 1415, o Concílio de Constança determinou que os livros e ossos de Wycliff fossem queimados e suas cinzas atiradas no rio Severn (que desaguava em sua cidade). Thomas Fuller observa:
Desse modo, este pequeno arroio levou suas cinzas até Avon, de Avon até Severn, de Severn até os estreitos mares e destes até o mar aberto. E assim, as cinzas de Wycliff são o emblema de suas doutrinas, que agora estão dispersas pelo mundo inteiro. 

Por causa desses editos, muitos Lolardos piedosos não tiveram a mesma sorte do seu afortunado pai. Os registros dos perseguidores locais nos contam de grupos se reunindo, aqui e ali, para ler "num grande livro de heresias, a noite inteira, certos capítulos dos evangelistas em inglês".

Foxe acrescenta:
Os Lolardos eram levados a locais ermos e não freqüentados para se encontrar, muitas vezes sob as sombras da noite, a fim de adorar a Deus. Vizinho era ordenado a espiar vizinho; maridos e esposas; pais e filhos; irmãos e irmãs eram duramente forçados a dar testemunho um contra o outro. A prisão dos Lolardos também ecoou com o ranger das correntes; o cadafalso e estaca mais uma vez calmavam por sua vítimas. 

Para aumentar a culpa dos cristãos indiferentes de hoje, uma das acusações comuns feitas contra aqueles crentes piedosos era, não apenas o fato de possuírem a Bíblia de Wycliff, mas também a sua habilidade de "repetir a mesma de cor".

Entre as muitas vítimas estavam: John Badby, alfaiate, (1410). Dois comerciantes de Londres: Richard Turming e John Claydon, em Smithfield, (1415). William Taylor, (1423). William White, (1428). Richard Hoveden, (1430). Thomas Bagley, (1431) e Richard Wyche, (1440). 
Joan Broughton foi a primeira mulher queimada na estaca, na Inglaterra, perecendo em Smithfield com a filha, Lady Young, ao seu lado.

A história da verdadeira Bíblia Inglesa é bem diferente da história da New International Version e de outras falsificações construídas com a preferência pelos Códices Alfa e B. É uma história banhada em sangue.

Foxe prossegue:
Um certo Christopher Shoemaker, que foi queimado vivo em Newbury, foi acusado de ter ido à casa de John Say e "ler para ele, em um livro, as palavras que Cristo falou aos seus discípulos..." Em 1519, sete mártires forma jogados ao fogo em Coventry, por terem ensinado a seus filhos e empregados a "Oração do Senhor" e os "Dez Mandamentos" em Inglês... Jenkins Butler acusou o seu próprio irmão de ler para ele um certo livro da Escritura e de tê-lo persuadido a dar ouvidos ao mesmo. John Barret, joalheiro de Londres, foi preso por ter recitado para sua esposa e criada a epístola de São Tiago ... Thomas Phillip e Lawrence Taylor foram presos porque leram a Epístola aos Romanos e o primeiro capítulo de São Lucas, em inglês.

Em estranho cumprimento da analogia de Fuller, as cinzas de Wycliff nem haviam chegado ainda à Bohêmia (atual Checoslováquia) quando o piedoso inglês foi homenageado postumamente com o título de "O Quinto Evangelista".

Exatamente treze anos antes que o cadáver do reformador fosse profanado, John Hus (1372-1415) foi reconhecido como o apologista da "heresia Wyclifiana", na universidade de Praga. A difusão da doutrina de Wycliff por Hus resultou em que a Bohêmia recebesse a herança de "Berço da Reforma". Schaff escreve sobre Hus:

É fato bem conhecido que era a causa de Wycliff que ele estava representando e as visões wyclifianas que ele estava defendendo, e os escritos de Wycliff eram abertamente expostos aos olhos dos membros das faculdades da Universidade. Ele não fazia segredo de que seguia Wycliff e de que desejava morrer pelas visões que Wycliff ensinava. Quando escreveu a Richard Wiche, ele se confessou grato porque: "sob o poder de Jesus Cristo" a Bohêmia havia recebido tanto bem da abençoada terra da Inglaterra. 

Durante o Concílio de Constança, quando Hus foi traído e condenado à morte, a sentença oficial também provou ter sido uma centelha inglesa que acendeu as chamas da Reforma Européia:
O Sagrado Concílio, tendo somente Deus diante dos seus olhos, condena John Hus por ter sido e ainda ser um verdadeiro, real e declarado herege, discípulo, não de Cristo, mas de John Wycliff. 

A influência do primeiro tradutor da Bíblia pode ser rastreada, indiretamente, ao reformador florentino Savanarola (1452-1498). Colocado aos pés de Lutero e ao lado de Wycliff e Hus, no Monumento da Reforma, em Worms, o dominicano convertido foi alcançado primeiramente através do ministério dos irmãos da Bohêmia.

A preocupação de Wycliff na Escritura pode ser vista no desdém de Savanarola pelos seus contemporâneos ignorantes, escrevendo:
Os teólogos do nosso tempo têm manchado todas as coisas com o seu piche, através de suas incomparáveis disputas. Eles não conhecem o mínimo de Bíblia, sim, eles nem sequer sabem os nomes dos seus livros. 

A coragem de Wycliff pode ser vista nos sermões de Savanarola descritos por Schaff como "os raios de um coruscante e estrondoso trovão". 

Denunciando os abusos costumeiros do Catolicismo ele escreveu:
Começa em Roma, onde o clero zomba de Cristo e dos santos; sim, eles são piores do que os turcos e mouros. Fazem o tráfico de sacramentos. Vendem benefícios para quem paga mais. Os sacerdotes de Roma não têm cortesãs, namorados, cavalos e cachorros? Não têm palácios cheios de tapeçarias, de sedas, de perfumes e parasitas? Esta parece ser a igreja de Deus? 

Dois anos antes de incitar a multidão a levar Savanarola até a estaca, o perverso Alexandre VI deu ao seu corretor de apostas um "chapéu vermelho" (ofício de cardeal) pelo que este foi zombado pelo reformador, declarando sua preferência por uma coroa de púrpura "tinta de sangue". 

Com tanta influência brotando de um solitário tradutor inglês durante a época do primitivo manuscrito, a invenção do tipo móvel de Gutenberg veio destinada a "arrebentar as portas" e com o primeiro livro completo impresso, a Bíblia de Gutenberg, em 1456 (uma Vulgata Latina que levou seis meses para ser impressa), a proverbial "caligrafia" foi pendurada na parede. Enquanto Martinho Lutero chamava a arte de imprimir "o último e melhor presente da Providência" (54), o católico Howland Phillips, num sermão pregado no "Saint Paul Cross", em Londres, no ano de 1535, observou ameaçadoramente: "vamos destruir a imprensa para que a imprensa não nos destrua".

A paranóia de Roma com o ressurgimento da Palavra de Deus também se manifestou contra 
o estudo do Grego e do Hebraico (vigorando desde a queda de Constantinopla em 1458, o que forçou uma retirada ocidental dos manuscritos dos eruditos gregos). A Universidade Conrad Hersbach de Colônia admoestou: 

Eles descobriram uma língua chamada grego, contra a qual devemos ter o cuidado de nos guardar. Ela é a mãe das heresias. Nas mãos de muitas pessoas tenho visto um livro que chamam de Novo Testamento. É um livro cheio de espinhos e veneno. Quanto ao hebraico, meus irmãos, é certo que aqueles que o aprendem, mais cedo ou mais tarde irão se tornar judeus. 

Dr. William P. Grady, erudito bíblico americano, traçando um perfil maravilhoso do grande reformador John Wycliff, em seu livro "Final Authority".

 

CRONOLÓGICO DA VIDA DE  John Wycliff

1328    Nasce na Inglaterra

1374    Torna-se reitor da Universidade de Lutterworth, Inglaterra

1378    Começa a atacar a autoridade papal, afirmando que Cristo e a Bíblia são as autoridades únicas sobre os cristãos

1379    Lança os livros O poder do papa (afirma que o ofício papal foi inventado por homens e que o papa não seguia preceitos cristãos, sendo portanto um Anticristo) e Apostasia (condena a doutrina católica da transubstanciação da hóstia)

1380     Lança a obra Eucaristia (condena doutrinas anti-bíblicas da Igreja Católica e ensinamentos de Tomás de Aquino)       

1380    Termina a tradução do Novo Testamento para o inglês

1382    Refugia-se em Lutterworth (Inglaterra) após condenar o dogma do purgatório, o uso de relíquias, as romarias, a venda de Indulgências e o dogma da infalibilidade papal

1384    Completa a tradução da Bíblia para o inglês    

1384    Morre em Lutterworth, Inglaterra  

1384    Vários de seus seguidores são queimados vivos pela Inquisição Católica, pois realizavam à mão cópias da Bíblia traduzida para o inglês

1401    Os lolardos (assim chamados os seguidores de Wycliff que faziam as cópias da Bíblia traduzidas para o inglês) são queimados vivos pela Inquisição

1415    O Concílio de Constança, o mesmo que condenou Huss, condena 45 teses de Wycliff e o considera um herege

1428    A Igreja Católica ordena que os ossos do "herege Wycliff" fossem desenterrados da sepultura, queimados e, suas cinzas, lançadas no rio Swift

http://paginas.terra.com.br/educacao/histigreja/perswycliffmain.htm