10 de janeiro: William Laud (1573 - 1645)

  Bispo e mártir inglês nascido em Reading, Berkshire, protegido do Duque de Buckingham e personalidade de grande importância na Guerra civil da Inglaterra. Filho do fabricante de tecidos  William Laud Senior e de Lucy Webb, irmã de Sir William Webb, que foi Lord Mayor of London (1591). Foi educado na Reading School, uma escola primária de sua cidade e, depois (1589) foi enviado para Oxford, como um cidadão de St. John. Foi tutorado por Mr.Buckeridge, um oponente zeloso da corrente político-religiosa do Puritanismo, originária do começo do reinado da Rainha Elizabeth I. Os próximos dez ou doze anos foram de intensa atividade acadêmica. Tornou-se estudante da faculdade (1590) e admitiu como um fellow (1593) e tornou-se bacharel em artes (1594). Desgraçadamente, perdeu por morte seu pai (1594) e esteve gravemente enfermo (1596-1597), por causa de uma doença hereditária. Recuperado, tornou-se mestre de artes (1598) e, no mesmo ano, leitor de gramática. Apesar da morte da mãe no final de novembro (1600), em janeiro seguinte ele foi ordenado diácono, e padre quatro meses depois. Atuando como vigário na St. Mary's Church, Oxford e professor da universidade, ganhou uma reputação acadêmica considerável. Foi nomeado (1603) capelão do recém criado Condado de Devon, de Charles Blount, Lord Mountjoy, onde oficializou o controverso matrimônio entre seu nobre patrão e a bela Lady Rich, divorciado do Lord Rich por adultério com o próprio conde. Tornou-se vigário em Stanford, Northamptonshire (1607) e capelão do Bishop Neile de Rochester (1608). Depois de várias cargos em Essex, Rochester,  Kent, Norton e Buckeridge, entre outras cidades, chegou (1621) a abadia de Westminster, onde obteve muita reputação com suas conferências e pregações. Três anos depois que Carlos I, opositor dos puritanos, foi coroado rei (1625), ele tornou-se bispo de Londres (1628) e depois foi nomeado Archbishop of Canterbury (1633). Como Arcebispo de Cantuária empreendeu medidas severas para eliminar a dissidência da Igreja Anglicana e buscou instituir práticas cerimoniais romanizadas, além de ignorar a justificação pela fé, por causa de suas ênfases arminianas, oprimindo violentamente os puritanos e forçando-os a emigrarem para a América. Carlos I, filho de Jaime I da Inglaterra, sonhava em reunir todas as ilhas britânicas num só reino. Como o seu pai, ele acreditava no direito divino dos reis. Profundamente católico e autoritário, uma série de incidentes com os membros do Parlamento levaram a um grave conflito entre os dois. Aconselhado pelo arcebispo de Canterbury, defendeu a idéia de uma Igreja da Inglaterra mais pomposa e cerimoniosa. Os puritanos acusaram o arcebispo de tentar reintroduzir o Catolicismo, que ainda mais mandou prender e torturar os seus opositores. Por exemplo (1637), John Bastwick, Henry Burton e William Prynne tiveram as orelhas cortadas por terem escrito panfletos contra as opiniões de arcebispo, sentença rara para homens deste nível social, o que provocou mais rancor. A política de Carlos I de reinar sem o Parlamento revelou-se desastrosa, particularmente quando estourou a Guerra dos bispos (1639-1640) contra os escoceses, como conseqüência dos escoceses terem reagido de maneira brutal e expulsado os bispos das igrejas da Escócia, no ano anterior. O rei enviou tropas para controlar os rebeldes e, sem sucesso, teve que assinar a pacificação de Berwick e obrigado a aceitar não interferir na religião em Escócia, e também pagar reparações de guerra. Acusado de traição, o bispo de Londres, foi aprisionado e julgado (1644) e, embora sem condenação, foi proscrito e executado (1645) e o Presbiterianismo tornou-se a igreja oficial, com algumas reservas dos Independentes, dirigidos pelo calvinista Oliver Cromwell. A Guerra civil inglesa (1642-1649) foi uma luta entre os partidários do rei Carlos I da Inglaterra e o Parlamento, liderado por Cromwell. que acabou com a derrota e a condenação à morte de Carlos I.
.
Figura copiada de página da BRITANNIA GATEWAYS:
http://www.britannia.com/bios/wmlaud/

 

 

13 de janeiro - Santo Hilário de Poitiers

Ele era um nobre em Poitiers, França onde se tornou um cristão. Ele enveredou-se pela carreira religiosa e logo ficou muito respeitado pela sua santidade e os seus notáveis sermões. Em 350 ele foi indicado Bispo de Poitiers. Hilário recusou-se a atender o Sínodo de Milão, Itália, convocado pelo Imperador Constantius II (350-361) em 355 porque ele condenaria São Athanasius e os outros hereges Arianos. Condenado e banido por isso, ele foi para Phrygia (moderna Turquia). Em 359 DC Hilário argumentou tão brilhantemente contra o Arianismo que o bispo de Seleucia, na Babilônia (perto de Bagdá, moderno Iraque) persuadiu o Imperador a terminar a exílio de Santo Hilário. Hilário voltou a Poitiers no ano seguinte. Em 361 Hilário conseguiu depor o Bispo ariano Saturninus, responsável pelo seu exílio. O Imperador Constantius morreu no ano seguinte, terminando a dominação Ariana. Hilário também discutiu publicamente com Auxentius, um teólogo apologista da teoria Ariana e o derrotou com sua brilhante argumentação e coerência dos seus raciocínios teológicos. São Hilário faleceu em Poitiers em 1 de novembro de 368 e é considerado um dos grandes teólogos de sua era. Seus tratados incluem "De Trinitate" escrito no exílio e "De Sinodis and Opus Historicum ". Ele é chamado de "Doutor da Divindade de Cristo" e foi declarado Doutor da Igreja pelo Papa Pio IX (1846-1878).

ARIANISMO: É a crença, pela primeira vez proposta no 4° século por Arius, de que Cristo não era divino mas uma criatura com uma só natureza, imutável. Assim como Deus só tem uma cabeça o filho não seria Deus. Assim Jesus não seria como o Pai mas seria finito e seria uma criatura com início e fim. O grande problema do arianismo, que não se apontava na época, é que teríamos que adorar a Deus Pai e Deus filho Jesus e assim estariamos adorando dois deuses; completamente contrário aos princípios contidos no Velho Testamento, o do monoteísmo. Mas a longa disputa continuou por anos até que Hilário de Poitiers provou que Athanasius estava redondamente errado e seus raciocínios eram falsos. Após houve uma certa quietude sobre assunto por longo tempo.

Mas em 1713 Samuel Clark publicou sua teoria de que Jesus não era tão divino como Deus Pai e que o Espirito Santo seria um degrau ainda mais baixo de divindade. O grande teólogo Daniel Waterland em uma série de trabalhos de altíssima teologia convenceu aos cristãos da falsidade do arianismo e ainda que era impossível não adotar Deus único e trino, visto que ou 1) Cristo seria reduzido a um mero humano ou 2) teria que se atribuir a Jesus natureza idêntica a do Pai.

Mais tarde vários outros notáveis pensadores e teólogos confirmaram esta teoria e hoje o assunto não é mais nem discutido. Alguns acham que o notável raciocínio de Santo Tomas de Aquino em "Summa Teologiae" deve ter sido inspirado por um ser superior de tão profundo e coerente que são o seus pensamentos.

http://www.cademeusanto.com.br/santo_hilario.htm

 

 

 
 
SANTO HILÁRIO DE POITIERS - (c. 316-367)

"Sobre a Santíssima Trindade"

A união entre o Pai e o Filho

"Eu e o Pai somos um só"1. Como os hereges não podem negar estas palavras, ditas de modo tão absoluto, as corrompem e as falseiam no sentido de sua impiedade, para torná-las condenáveis. Tentam limitá-las a uma simples unanimidade, como se no Pai e no Filho a unidade fosse só de vontade e não de natureza, isto é, como se fossem eles uma só coisa, não pelo que são, mas pelo que querem.

A tal interpretação adaptam, a seu modo, aquele passo dos Atos dos Apóstolos onde se diz: "a multidão dos crentes era um só coração e uma só alma"2. Almas e corações em número plural podem se unificar pela convergência das vontades a um único objeto. Servem-se também os hereges do que está escrito aos coríntios: "quem planta e quem rega são um só"3. Nesses dois haveria unidade moral, porquanto não difere o ministério instituído para a salvação.

Abusam também daquilo que disse o Senhor, quando rogou ao Pai a salvação das nações que creriam em si: "Não só por estes rogo, mas também pelos que hão de crer em mim mediante a sua palavra, a fim de que todos sejam um, assim como tu, Pai, és em mim e eu em ti; que eles também sejam um em nós"4. Ora, como os homens não podem dissolver-se em Deus, nem misturar-se num conglomerado indistinto, sua unidade lhes virá só de uma vontade unânime. Quando os homens fazem o que é do agrado de Deus - argumentam - a harmonia dos espíritos os associa. Logo, concluem, não é a natureza, mas a vontade que os unifica.

Ignora a sabedoria quem a Deus ignora. E como a sabedoria é o Cristo, está fora da sabedoria quem ignora o Cristo ou só o conhece através dessa gente que prefere ver no Senhor de majestade, no Rei dos séculos e Deus unigênito, uma simples criatura, em vez do verdadeiro Filho. E se se obstinam são ainda mais estultos na defesa de sua mentira. Deixando de lado por ora a questão da unidade do Pai e do Filho, podemos perfeitamente refutá-las com as mesmas armas que empregam.

De fato, quando se diz que a alma e o coração dos fiéis eram um, pergunto se isso não acontecia pela fé comum. Sim, pela fé é que o coração e a alma dos fiéis eram uma só coisa. Interrogo agora se essa fé é uma ou múltipla. Uma só, certamente, como aliás já o Apóstolo no-la assegura, pregando ser uma a fé, um o Senhor, um o batismo, uma a esperança e um só Deus. Ora, se pela fé, isto é, pela natureza de uma só fé, todos eram um, como não aceitarás física a unidade dos que são um pela natureza da única fé?

Todos, na verdade, tinham renascido para a inocência, a imortalidade, o conhecimento de Deus, a fé e a esperança. E se essas coisas não podem divergir entre si, pois também a esperança é uma só, e Deus é único, único é o Senhor, e único o banho regenerador, quem poderia dizer que elas são unificadas mais pelo acordo de vontade que por própria natureza? E que, igualmente, só pela vontade são unificados os que renasceram para aqueles bens? Se, porém, foram, antes, regenerados para a natureza de uma mesma vida e eternidade, (pelo que seu coração e sua alma se faziam um só), não podemos aqui falar de mera unidade moral: muitos são um só na regeneração da mesma natureza.

Não estamos falando de nós mesmos, nem arranjamos algumas citações falsificadas, corrompendo o sentido das palavras para iludir os nossos ouvintes. Mantendo a forma da sã doutrina, só acolhemos e prezamos o que é genuíno. O Apóstolo, em verdade, ensina, ao escrever aos gálatas, que a unidade dos fiéis lhes vem da natureza dos sacramentos: "todos os que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo; não há mais nem gentio nem grego, servo nem livre, homem nem mulher: todos sois um só em Cristo Jesus"5. Se, pois, tantos são um só, apesar da grande diversidade de nações, condições e sexo, quem poderá supor que isso lhes vem do mero consenso moral? Não será, antes, da unidade do sacramento, um só batismo, onde todos se revestiram do único Cristo?

Que vem aqui fazer a mera concórdia das vontades, quando eles são um só, precisamente porque se revestiram do Cristo único, mediante a realidade do batismo único?

Quando diz a Escritura serem um só o que planta e o que rega, não é também porque, renascidos eles mesmos de um só batismo, constituem, por sua vez, um ministério único na administração do banho regenerador? Não fazem, porventura, a mesma coisa? Não são um só, em um só? Ora, os que são um só pela mesma coisa, são assim por natureza, não apenas por vontade. Tornaram-se um, e são, ao mesmo tempo, ministros da mesma coisa e do mesmo poder.

Sirvo-me sempre das alegações opostas pelos tolos, para demonstrar sua tolice. E claro: sendo a verdade firme e imutável, tudo o que uma inteligência perversa e insensata arranja para contradizê-la, vindo em sentido oposto, há de aparecer forçosamente falso e estulto.

Procurando enganar-nos os heréticos arianos com o texto que diz: "eu e o Pai somos uma só ", aduziram também outra palavra do Senhor, para levar a que se pensasse (em vez da unidade de natureza e da não diversa divindade) numa simples união de mútuo amor e concórdia de vontades. E este o texto: "para que todos sejam um só; assim como tu, Pai, és em mim e eu em ti, que eles também sejam um em nós". Exclui-se, evidentemente, das promessas evangélicas quem se exclui da fé das mesmas. O crime da inteligência ímpia faz perder a esperança, que é simples. Ora, não ter o conhecimento daquilo que constitui o objeto da fé, merece não castigo, mas prêmio, pois o maior estipêndio da fé é esperarmos o que não conhecemos. A última loucura da impiedade é, ou não crer nas coisas que conhece, ou corromper o conhecimento do que deve crer.

Mas ainda que a impiedade mude o sentido daquelas palavras, nem por isso perdem o verdadeiro significado. O Senhor roga ao Pai para que os que crerem nele sejam um só e, como ele mesmo está no Pai e o Pai nele, também sejam neles um só. Por que vens agora introduzir a simples concórdia, a unidade de alma e coração, fundada exclusivamente na harmonia das vontades? Seria assim, com plena propriedade da expressão, se o Senhor, ao dirigir-se ao Pai, tivesse usado termos como estes: Pai, assim como nós queremos uma só coisa, também eles queiram uma coisa, e sejamos todos um só pela concórdia das vontades...

Terá acaso a própria Palavra ignorado a significação das palavras? Não saberá a Verdade dizer coisas verdadeiras? Falou com astúcia a Sabedoria? Aquele que é a Força terá sido incapaz de dizer o que queria? Ora, ele falou, enunciando os puros e verdadeiros mistérios da fé evangélica. Nem se limitou a falar para só mostrar, mas ensinou à nossa fé nestas palavras: "que todos sejam um só; assim como tu, Pai, és um em mim e eu em ti, que eles também sejam um em nós". O pedido do Cristo é, primeiro, "para que todos sejam um só"; em seguida, mostra o modelo da unidade a seguir, nestas palavras: "assim como tu, Pai, és em mim e eu em ti, que eles sejam também um em nós". Como o Pai está no Filho e o Filho no Pai, assim todos sejam um no Pai e no Filho, segundo o modelo e a forma da sua unidade!

Mas porque só ao Pai e ao Filho compete a unidade por natureza (pois Deus não pode ser de Deus, nem o Unigênito provir do Pai eterno, senão na sua original natureza), assim também, para que se ressalve ao Filho a sua essência de origem e se reconheça à sua divindade a mesma verdade da Fonte de onde ela procede, eis que o Senhor, solícito em dissipar toda dúvida à nossa fé, se apressa a ensinar-nos nas citadas palavras a natureza dessa absoluta unidade. Segue-se, pois: "a fim de que o mundo creia que tu me enviaste". O mundo vai crer na missão do Filho, se todos os que crerem nele forem um no Pai e no Filho.

E como serão, logo acrescenta: "e eu lhes darei a glória que tu me deste". Pergunto então se glória é o mesmo que "vontade". Vontade é inclinação da mente, glória é reflexo ou dignidade da natureza. Logo, o que o Filho deu aos seus fiéis não é vontade, mas glória, aquela que ele recebeu do Pai. Se, com efeito, tivesse dado não glória, mas vontade, já nossa fé não teria prêmio, pois estaria obrigada por uma vontade prefixada e não livre6. A doação da glória constitui o bem indicado nas palavras que se seguem: "para que sejam um como nós o somos". É para que sejam todos um, que a glória por ele recebida do Pai é dada aos crentes. São todos um só na glória concedida, pois não é outra a que ele dá senão a que ele recebe, nem para outro fim é dada senão para que todos sejam um. E, como pela glória dada pelo Filho aos fiéis, todos são um, pergunto como há de ter o Filho uma glória menor do que a do Pai, se aos próprios crentes a glória do Filho eleva à unidade da glória do Pai. Sem o aspecto da esperança humana, a palavra do Senhor será talvez insólita, mas seguramente não é infiel. Pois, embora fosse temerário esperar isso, seria irreligioso deixar de crer no autor tanto da fé quanto da esperança ali contida.

Bem, trataremos melhor deste assunto a seu tempo. Por ora, baste-nos ver que nossa esperança não é vã ou temerária. Concluindo: todos são um pela glória que o Filho recebe do Pai e confere aos fiéis. Afirmo a fé e ao mesmo tempo fico sabendo a causa da unidade. Só falta compreender melhor a razão por que essa glória dada ao cristão é capaz de fundar tal unidade.

Não querendo o Senhor deixar algo incerto, referiu-se a um efeito da sua ação física, quando exclamou: "para que todos sejam um, como nós somos um só. Eu neles e tu em mim para que sejam perfeitos na unidade"7.

Tenho vontade de perguntar agora aos que pretendem existir entre Pai e Filho unidade puramente moral, se hoje o Cristo está em nós na verdade da natureza, ou numa simples concórdia de vontades.

Se, com efeito, o Verbo se fez carne e, se na Ceia do Senhor nós tomamos verdadeiramente esse Verbo-carne, como não há de permanecer ele em nós fisicamente?8 Nascido homem, não assumiu, de modo inseparável, a natureza mesma de nossa carne? E no mistério do seu corpo, dado a nós em comunhão, não o juntou à natureza de sua carne sua divindade eterna? Logo, todos são um só, porque no Cristo está o Pai e em nós o Cristo.

Quem nega que o Pai esteja fisicamente em Cristo, deve primeiro negar que ele mesmo esteja fisicamente em Cristo e o Cristo em si. É porque em Cristo está o Pai, e em nós o Cristo, que nós somos também feitos uma só coisa.

Se é verdade que Cristo assumiu a carne de nosso corpo, e que o homem nascido de Maria é Cristo; se é verdade que nós recebemos em mistério a carne de seu corpo (e por isso mesmo seremos um, pois o Pai está nele e ele em nós), como ousam asseverar uma unidade puramente moral, quando pelo sacramento a propriedade natural (da Carne assumida por Cristo e por nós comida) é mistério da perfeita unidade?

Não se deve falar das coisas de Deus segundo o espírito do homem e do século. Nem numa pregação violenta e imprudente. Da pureza das palavras divinas devemos excluir a perversidade de um entendimento ímpio e estranho. Leiamos simplesmente o que está escrito e entendamos o que lermos: é o modo de exercitar a perfeita fé. Tudo que dissermos da realidade física de Cristo em nós, ou foi dele mesmo que aprendemos, ou então é ímpio e estulto o que afirmamos. Mas ele mesmo diz: "Minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue verdadeiramente bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, fica em mim e eu nele"9. Quanto à verdade da carne e do sangue, não há lugar para dúvida: é verdadeiramente carne e verdadeiramente sangue, como vemos pela própria declaração do Senhor e por nossa fé em suas palavras. Esta carne, uma vez comida, e este sangue, bebido, fazem que sejamos também nós um em Cristo, e o Cristo em nós. Não é isto verdade? Não o será para os que negam ser Jesus Cristo verdadeiro Deus! Ele está, pois, em nós por sua carne e nós nele, e ao mesmo tempo o que nós somos está com ele em Deus.

Jesus mesmo atesta quão realmente estejamos nele pelo mistério da comunhão de sua carne e sangue, dizendo: "o mundo já não me vê; vós, porém, me vereis, pois, eu vivo e vós vivereis; pois eu estou no Pai e vós em mim, e eu em vós"10. Se tencionou referir-se apenas a uma unidade de vontade, por que estabeleceu esta graduação e ordem na consumação da unidade? Não foi senão para que se cresse que ele está em nós pelo mistério dos sacramentos, como está no Pai pela natureza da sua divindade, e nós nele, por sua natureza corporal. Ensina-se, portanto, que pelo nosso Mediador se consuma a unidade perfeita, pois enquanto nós permanecemos nele, ele permanece no Pai, e, sem deixar de permanecer no Pai, permanece também em nós, e assim nós subimos até à unidade do Pai! Ele está no Pai fisicamente, segundo a origem de sua eterna natividade, e nós estamos nele fisicamente, enquanto também está em nós fisicamente.

Quão real seja esta unidade em nós, atesta-o, dizendo: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele"11. Só aquele no qual o Senhor estiver poderá estar nele. Ele somente assume a carne daquele que o receber.

Já tinha o Senhor ensinado antes o mistério desta perfeita unidade, ao dizer: "Assim como me enviou o Pai, que vive, e eu vivo pelo Pai, o que comer a minha carne também viverá por mim"12.

Ele vive, pois, pelo Pai e do mesmo modo como vive pelo Pai nós vivemos por sua carne.

Toda comparação, realmente, se emprega para determinar a forma que se quer dar a entender. Seu fim é fazer-nos atingir uma realidade segundo o modelo proposto.

Esta é, pois, a causa de nossa vida: que, por sua carne, tenhamos o Cristo em nós. Nós somos corporais, mas destinados a viver por ele segundo a mesma condição em que ele vive pelo Pai. Se, portanto, vivemos por ele, fisicamente, segundo a carne, isto é, alcançando a natureza de sua carne mesma, como é que ele não tem fisicamente o Pai, segundo o espírito, se é pelo Pai que ele vive? Vive realmente pelo Pai; sua origem por geração não lhe confere uma natureza diversa, e é pelo Pai que é o que é, nunca se separando por qualquer dessemelhança sobrevinda. Por sua geração tem em si o Pai na força da mesma natureza.

Se quisemos recordar tudo isto foi porque os hereges, afirmando falsamente uma simples unidade moral entre o Pai e o Filho usavam o exemplo de nossa própria unidade com Deus. Para eles, era como se, unidos ao Filho e ao Pai por mero vínculo de obséquio e vontade religiosa, estivéssemos excluídos de qualquer comunhão física pelo sacramento da carne e do sangue. Ora, a verdade é que, pela comunicação da própria honra do Filho e pela existência do próprio Filho em nós por sua carne, e de nós nele, de modo corporal e inseparável, se tem de professar o mistério de uma unidade real e verdadeira. Topo da Página


Notas:
1 Jo 10,30.
2 At 4,32.
3 lCor 3,8
4 Jo 17,20
5 Gl 3,27.
6 Sto. Hilário não quer negar que a fé seja um dom de Deus, o que, aliás, expressamente afirma em outros lugares deste mesmo tratado (como, por ex., 1. VIII, n. 30). Aqui só afirma, sem entrar em maiores distinções, que a fé supõe vontade livre.
7 Jo 17,22.
8 "Fisicamente", isto é, não apenas afetivamente.
9 Jo 6,56.
10 Jo 14,19.
11 .To 6,56.
12 Jo 6,57

 


FONTE:
GOMES, C. Folch; Antologia dos Santos Padres.
Ed. Paulinas, II Edição revista, SP, 1985.
 
 

http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/padres_da_igreja/s_hilario_de_poitiers.htm

 

 

 

 

 

 

 

7 de janeiro - Santo Antônio, o Abade

 SAnAbad.gif (12476 bytes)

Aqui no Brasil conhecido com Santo Antônio Abade ou Santo Antão

Conhecido também como  Santo Antonio, o egípcio.

"Aquele que senta-se em solicitude e quietude escapou de três batalhas: ouvindo, falando e vendo. Mas mesmo assim ele tem uma constante guerra: no seu próprio coração."

"O demônio teme a humildade, o bom trabalho e o jejum. Ele não consegue impedir a minha boca de falar contra ele. A ilusão do demônio logo desvanece especialmente, se o homem se arma como Sinal da Cruz. O demônio treme ao Sinal da Cruz do Nosso Senhor, porque Ele triunfou sobre ele e o desarmou"

Santo Antônio Abade.

 Foi um dos fundadores do monastério e é também chamado de Antônio do Egito. Ele nasceu em Fayum, no Alto Egito perto de Heracleopolis Magna cerca de 251.Ele tinha 20 anos quando seu pais faleceram e ele herdou os bens da família. Em pouco tempo ele deu tudo que possuía ,colocou sua irmã em um convento e iniciou uma vida de eremita –vivia em uma antiga tumba perto de sua vila. Após 15 anos de orações, durante um tempo que sofreu vários assaltos dos demônios e tentações, Antônio foi para uma montanha em Pispir (agora Deir el-Memum) e ficou lá em uma vida solitária por 20 anos. Pessoas que o apoiavam, atiravam comida sobre a parede do forte, mantendo-o vivo mas nunca viam sua face. Vagarosamente outros construíram uma comunidade em cavernas ou cabanas por perto. Eles pediam a Antônio que saísse de sua reclusão para dirigir a suas preces e dar o seus conselhos e lições. Em 305 DC, Antônio emergiu com grande vigor e saúde. Ele ficou com os eremitas por 5 anos, regulamentando o trabalho comunitário, as orações e as penitencias. Então ele foi para um deserto entre o Nilo e o Mar Vermelho, em um local chamada Monte Kalzim. Um monastério, chamado Diem Mar Antonios, foi erigido neste local. Este período de reclusão não era tão restrito quanto os anteriores, pois Antônio foi para Alexandria em 311 confortar os mártires das perseguições que estava acontecendo na época e ele voltou anos mais tarde para argumentar vigorosamente contra a heresia ariana lado a lado de São Athanasius de Alexandria. Antônio não estava sozinho no deserto. Ele tinha companhia e discípulos. Antônio ficou conhecido como um homem bom generoso, corajoso, com bom senso, leal e sem nenhum excesso e ostentação. São Athanasius tem o credito de ter feito a biografia de Antônio que conta os detalhes de suas provações, sofrimentos e milagres. Antônio era amigo de São Paulo de Tebas, chamado de o "eremita" que recebia meio pão por dia dos corvos. Diz a tradição que quando Antônio foi visita-lo, os corvos trouxeram um pão inteiro. O Imperador Constantino, o grande (323-337) era um dos milhares que procuravam Antônio para ensinamentos e inspiração.

Antônio escreveu varias cartas e sermões para jovens eremitas. A vida de Antônio, descrita por São Athanaius também salva muitos dos sermões e discursos de Antônio. Uma regra monástica datada daquela era é creditada como tendo os seus ideais, suas idéias e suas crenças. Antônio morreu em 17 de janeiro de 365 e foi enterrado em um cova não marcada conforme seu pedido, mas em 561 suas relíquias foram descobertas e foi trasladado para Alexandria, Constantinopla.
La Motte, a casa matriz da Ordem dos Hospitaleiros de Santo Antônio, fundada em 1100 , afirma que tem as suas relíquias. Porem, acreditam os estudiosos do assunto, que as relíquias de Santo Antônio foram salvas dos Sarracenos em Constantinopla (agora Istambul, Turquia) em 635 DC.
Relíquias deste santo também são tidas como estando em Siena, na Itália e Burngundy, na França. Ele é o padroeiro de várias ordens e dos Cavaleiros de Santo Antônio e também dos pobres, dos doentes, dos açougueiros e dos animais domésticos. Ele é invocado contra incêndios e pragas. 

Na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado como um monge da Ordem de Santo Antônio .O porco e o sino são associados a ele como resultado da Ordem dos Hospitaleiros de Santo Antônio Parece que os porcos naquela época ganharam o privilegio de andarem nas ruas da cidade.

Membros da Ordem tocavam o sino para pedir almas. Santo Antônio é também mostrado com uma capa em T e um sino, o símbolo do eremita.
Morreu com no dia 17 de janeiro de 356 com 105 anos.

 

23 de janeiro - Philips Brooks, Bispo de Massachussets, 1893

 

Esta é uma foto da famosa estátua do pregador Phillips Brooks, em Boston. Brooks está com uma mão sobre a Bíblia e a outra gesticulando. Atrás dele está o Senhor Jesus.

A estátua foi feita por Augustus Saint Gaden, que após terminar o trabalho leu sobre a vida de Brooks, pediu os evangelhos e se converteu lendo-os!
 
Phillips Brooks (1835 - 1893) foi um grande pregador, homem possuidor de saúde, mente viva e personalidade popular e atraente. Nasceu em Boston, educou-se em Harvard (1855). No mesmo ano recebeu título de doutor pela Universidade de Oxford. Foi ordenado ministro em 1859. Trabalhou exaustivamente como pastor. Tornou a fé evangélica respeitável intelectualmente. Seus sermões eram lidos em toda a América e Grã-Bretanha. Ele dizia: "Nunca oro suplicando cargas mais leves, mas ombros mais fortes”. Pregou Jesus até o fim.
Moral da história: a estátua de Phillips Brooks evangeliza mais do que muitos crentes vivos.

www.xequemategelado.blogspot.com

 

H.A. 047 - Belém, Bendita És

Belém, Bendita és

1. Belém, bendita és entre as cidades de Judá;
   Enquanto assim tu dormes, oh! que bênção Deus te dá!
   Embora obscura, brilha em ti a eterna luz, 
   A luz das esperanças que os mortais a Deus conduz.

2. Em ti já é nascido o Messias Redentor; 
   No Céu os santos anjos cantam glórias, dão louvor.
   Ó vós, estrelas d'alva, a nova anunciai;
   A Deus erguei hosanas, e a nós a paz cantai!

3. Ó, vem, Senhor e Mestre que nasceste em Belém;
   Visita-nos e nasce em nosso coração também.
   A voz dos anjos soa, a paz a proclamar.
   Jesus, agora mesmo vem, sim, vem em nós morar.

Phillips Brooks visitou a Terra Santa em 1865 e foi a Belém, no domingo 24 de dezembro. À tarde ele foi ao lugar onde, segundo a tradição, os anjos apareceram aos pastores. Então, desde as 10 horas da noite de Natal até as 3 da manhã, ele assistiu os serviços religiosos na Igreja da Natividade, em Belém. A música e as imagens impressionaram tanto a ele que uma nova inspiração surgiu em sua mente. Ele não a colocou no papel, contudo, até que alguns anos depois ele escreveu as estrofes para a Escola Dominical.

Brooks foi um poderoso pregador, e seus sermões impressos eram distribuídos por todo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. A Universidade de Oxford conferiu-lhe o grau honorário de Doutor em 1885.

Quando era o pastor da Igreja Episcopal da Filadélfia, ele deu este poema para o organista da igreja, Lewis Henry Redner que pretendia musicar alguma obra de seu pastor. Na noite de Natal, após dormir algumas horas, acordou com esta melodia soando em seus ouvidos. Escreveu rapidamente num papel, ao lado da cama, e harmonizou-a pela manhã, pronta para ser cantada na Escola Dominical de 27 de dezembro de 1868. O hino foi impresso pela primeira vez em 1874.

http://www.musicaeadoracao.com.br/hinos/historias_hinos/ha_047.htm

 

 

 

 

26 de janeiro: Timóteo e Tito
 

Seus nomes estão associados aos primeiros passos da Igreja no mundo.

Paulo tinha predileção por eles, pois o serviram fielmente. A fim de que desempenhassem melhor os seus trabalhos, o Apóstolo lhes escreve três cartas, que hoje figuram no Novo Testamento.

Timóteo era natural de Listra de Licaônia. Seu pai era gentio e sua mâe, Judia. Timóteo foi educado na lei de Moisés e , provavelmente, Paulo o batizou durante sua primeira estada em Listra. A partir de então, timóteo acompanhará a Paulo em suas Viagens apostólicas pelo Oriente. Finalmente, o Apóstolo o chama a Roma, para que o assista em seus últimos momentos, pois já sente a proximidade do martírio. Quando vier, escreve Paulo a Timóteo, "traga a capa que deixei em Troâde, em casa de Carpo". Apóstolo sente o frio da solidão: "todos em abandonaram!", e entrega a Timóteo a missão da pregação e da evangelização.

Timóteo foi bispo de Éfeso, onde provavelmente morreu martirizado em 95 d.C.

Quando a Tito, Paulo o Chamava de meu verdadeiro filho segundo a fé comum. Ignoramos seu nascimento. Pode ter sido antioqueno ou grego. Porém, sabemos com certeza que estava junto ao Apóstolo em sua famosa viagem a Jerusalém. Ali, Paulo se nega a permitir que circuncidem a Tito, com símbolo da liberdade diante da lei de Moisés, já cumprida por Jesus Cristo em favor dos gentios. A tradição reza ter sido Tito o primeiro bispo de Creta.

O Novo Testamento conserva duas cartas de Paulo a Timóteo e uma a Tito, nas quais lhes transmite instruções sobre a evangelização dos judeus e pagãos e sobre como devem fazer para melhor pregar o Evangelho.

http://www.catolicanet.com/

 

 

 

 

 

 

 

http://www.mundocatolico.org.br/Evangelho/evansx260107.htm

 

 

 

 

 

 

27 de janeiro: São João Crisóstomo

 

 

, em grego Ιωάννης ο Χρυσόστομος, (349, Antioquia da Síria, hoje Antakaya, no sul da Turquia - 14 de Setembro de 407) foi um teólogo e escritor cristão, Patriarca de Constantinopla no fim do século IV e início do V. Sua deposição em 404 produziu uma crise entre a Santa Sé e a Sé Patriarcal. Pela sua inflamada retórica, ficou conhecido como Crisóstomo (que em grego significa «boca de ouro»).

"Como verdadeiro pastor, tratava a todos com cordialidade, (...) em particular nutria uma ternura especial pela mulher e dedicava uma atenção particular ao matrimônio e à familia" e "convidava aos fiéis a participar na vida litúrgica, que fez esplêndida e atrativa com criatividade genial". Mas "apesar de sua bondade (...) se viu envolto em freqüentes intrigas políticas, por suas contínuas relações com as autoridades e as instituições civis (...) e foi condenado ao exílio".[1]

É considerado santo pelas Igrejas Ortodoxa e Romana; é, a par de Gregório de Nanzianzo, de Gregório de Nissa e de Basílio de Cesareia, um dos quatro grandes Padres da Igreja Oriental; é ainda um dos Doutores da Igreja Católica.

 

Natural de Antioquia, filho de uma família cristã, estudou, na sua cidade natal sob Libânio, filosofia e retórica. Com a idade de vinte e um anos, depois de estar três anos a colaborar com o bispo Melécio de Antioquia, e de ter recebido o baptismo, foi ordenado leitor. Contra a oposição familiar, viveu alguns anos como ermitão no deserto.

Ao longo deste tempo continuou o estudo das escrituras sagradas e, quando regressou a Antioquia foi ordenado Diácono por Melécio e Sacerdote pelo bispo Flaviano em 386. Acto contínuo, este último encarregou João Crisóstomo das pregações na principal igreja da cidade, cargo que desempenhou até 397. Este período de doze anos, foi o mais fecundo da sua vida e nele proferiu as sua homilias mais conhecidas e que, no século VI, lhe valeriam o qualificativo que passou a fazer parte inseparável do nome com que passou para a posteridade: crisóstomo, isto é, boca de ouro.

Os últimos anos de sua vida foram tumultuosos. Foi eleito bispo de Constantinopla em 397 e Teófilo de Alexandria foi, contra a vontade deste, obrigado a consagrá-lo bispo, coisa que não perdoaria jamais a João. Uma vez bispo, quis começar uma restauração eclesiástica na qual - quiçá por falta de habilidade - a sua boa, e decidida, vontade se deparou com os obstáculos existentes e com os muitos interesses de alguns privilegiados. Pouco a pouco entrou em conflito com parte do clero, e, pouco depois, com a imperatriz Eudoxia.

Nesta situação, Teófilo de Alexandria conseguiu reunir aquele que depois viria a ser chamado o Sínodo da Encina, perto de Calcedônia, onde, com acusações falsas, conseguiu que Crisóstomo fosse deposto e desterrado pelo Imperador. O povo de Constantinopla, em especial os mais desfavorecidos - por quem João tanto havia feito - amotinou-se e João, no dia seguinte ao da sua saída, voltou para a sua sé episcopal.

Contudo, poucos meses depois, a situação voltou a piorar e acabou por ser desterrado para a Armênia em 404, de onde, a pedido próprio - por causa do perigo que podia representar para a sua vida a inveja de seus inimigos face às multidões que a ele acudiam -, foi de novo desterrado para um lugar mais distante, na extremidade oriental do Mar Negro. A caminho deste seu último desterro, morreria no ano de 407. Os seus restos mortais foram levados para Constantinopla em 438, e o Imperador Teodósio II, filho de Eudoxia, pediu publicamente perdão em nome de seus pais.

Desde o dia 1 de maio de 1626 o seu corpo repousa na Basílica de São Pedro e, em 27 de novembro de 2004, o Papa João Paulo II doou parte das suas relíquias ao Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e, desta forma, tanto na Basílica Vaticana como na Igreja de São Jorge no Fanar é agora venerado este grande Padre da Igreja.

 

A obra teológica:A produção teológica de João Crisóstomo é extraordinariamente vasta e é composta fundamentalmente por sermões, ainda que contenha também alguns tratados de importância considerável e um significativo número de cartas.

De entre as suas homilias podem ser realçadas aquelas que versam quer sobre aspectos doutrinais, quer sobre questões polémicas: "Sobre a natureza incompreensível de Deus", "As Catequeses baptismais"; "Homilias contra os judeus", são algumas delas. Relevantes são, ainda, as suas homilias exegéticas, de entre as quais se deve salientar: "Sobre o Evangelho de Mateus" (num total de 90), "Sobre a Carta aos Romanos" (32); "Sobre o Evangelho de João"; "Sobre a Epístola aos Hebreus" (34) e as 55 homilias "Sobre o Livro dos Actos dos Apóstolos", naquele que é o único comentário completo e exaustivo sobre este livro da Bíblia que a antiguidade cristã nos deixou. No que diz respeito aos "tratados", devemos salientar: “Sobre o sacerdócio"; "Sobre a vida monástica"; "Sobre a virgindade". As cartas são cerca de 250 e pertencem, todas elas, ao período do seu desterro.

 

Esboço de um pensamento: João Crisóstomo tem uma importância impar enquanto exegeta na medida em que ele é a norma teológica significativa da Escola de Antioquia. Não recusando as leituras alegóricas e místicas dos textos da Biblia, defendia que as mesmas só deveriam ser normativas quando os próprios autores das mesmas sugerissem, directa ou indirectamente, este significado mais profundo que, não obstante, ele reconhecia como sendo o mais autêntico.

A sua cristologia, com uma clara finalidade ortodoxa que o leva a evitar contendas, orbita sobre as afirmações inequívocas de que Jesus Cristo é simultaneamente verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem numa mesma pessoa. Acredita na, e defende a, presença real de Cristo na Eucaristia. Para João a figura de Maria é, igualmente, de grande importância: ela é a primeira dos que creram em Jesus e, assim, o deutero-modelo da vida cristã (sendo o modelo primeiro, primigénito e generativo o próprio Jesus Cristo). A atenção de João Crisóstomo para com os mais desfavorecidos é uma das suas mais relevantes características, a ponto de ter sido ele a celebrizar a expressão «o pobre é um "Alter Christus"». Para ele, de facto, oferecer atenção e dedicação a um pobre é dar ao próprio Cristo: «Não há diferença alguma em dar ao Senhor e dar ao pobre, pois Ele mesmo disse "quem dá a estes pequenos é a mim que dá."» ("Sobre o Evangelho de Mateus", LXXXVIII, 2-3)

Comentando os Atos dos Apóstolos, São João Crisóstomo propõe "o modelo da Igreja primitiva, como modelo da sociedade, desenvolvendo uma "utopia social", a idéia de uma cidade ideal, tratando de dar uma alma e um rosto cristão à cidade. Em outras palavras, Crisóstomo entendeu que não era suficiente dar esmolas, ajudar aos pobres, caso a caso, mas que era necessário criar uma estrutura, um novo modelo de sociedade (...) baseada na visão do Novo Testamento. Por isso, podemos considerá-lo um dos grandes pais da Doutrina Social da Igreja." [1]

 

As controvérsias com o judaísmo: João Crisóstomo - por causa de um conjunto de homílias que emitiu sobre a necessidade dos cristãos delimitarem o âmbito religioso da sua fé, face a um convívio social intenso com a comunidade judaica, que João via como extremamente benéfica e salutar, mas que a sua posteridade, ignorando este contexto, delas se serviu para o taxar de anti-judeu - ficou também célebre pelas suas posições face àquela que devia ser, em seu entendimento, a correcta relação dos cristãos com as comunidades judaicas. Este seu empenho está bem patente em alguns dos seus sermões. Num deles pode-se ler:

«Não vos deixem surpreender por eu ter chamado os Judeus de desastrosos. Porque eles são mesmo desastrosos e miseráveis. Aqueles que rejeitaram tão ferverosamente e recusaram as muitas boas coisas que o céu lhes colocou nas mãos. Eles conheceram os profetas desde a infância e crucificaram aquele que tinham profetizado. Aqueles que foram chamados a ser filhos desceram à raça de cães.»

«Animais sem entendimento, quando gozam de manjares que enchem e engordam, tornam-se mais difíceis e incontroláveis e não tolerarão uma canga ou rédeas, ou a mão do condutor. E o mesmo com a nação dos Judeus: porque eles se voltaram para o mal extremo, tornaram-se irrequietos e não aceitaram o jugo de Cristo nem serem colhidos pela ceifa dos seus ensinamentos.»

«Tais animais que não pensam são próprios para o abate, porque eles não são próprios para trabalhar. Os Judeus não têm experiência nisso: porque se mostraram inúteis para o trabalho, eles tornaram-se apropriados para serem mortos. Eu sei que muitas pessoas respeitam os Judeus e vêem a sua vida como honorável. Eu exorto-vos por isso a colher esse preconceito depravado pelas raízes. Já disse que a sinagoga não é melhor do que um teatro. Na verdade, a sinagoga não é apenas um bordel e um teatro, mas também um antro de ladrões e abrigo para selvagens. E não apenas para selvagens mas mesmo para selvagens impuros.»

Após a sua morte em 407, os seus oito sermãos acerca dos judeus circularam por toda a Igreja e foram traduzidos, entre outras línguas, para latim, sírio e russo. Fragmentos destes sermões foram incluídos na Liturgia Bizantina para a Semana Santa e só dela removidos já no século XX.

Não se pode, contudo, classificar essas posições como meramente "anti-semitas". Obviamente João Crisóstomo não pode ser encarado como estrito amigo dos judeus - embora tivesse amigos entre as comunidades judaicas -, mas, no outro extremo, não pode ser também classificado como um mero anti-semita, como se um fosse um nazi. Os seus textos devem ser entendidos dentro do universo em que foram inscritos.

A intenção não era a de propor represália políticas ou sociais contra os judeus: o ponto de vista era meramente teológico, baseado no fato de que alguns judeus terem participado na morte de Jesus Cristo de modo pró-ativo. Igualmente, ao acreditar que o cristianismo era a única verdadeira religião - numa posição que, embora maioritária, outros teólogos cristãos, de sempre, foram mitigando ao admitirem que todas as religiões tinham sementes de verdade -, o fato de os judeus praticarem uma religião diversa, apesar de Cristo ter proclamado que tinha vindo até eles para o seu bem - o próprio Cristo era, ele mesmo, afinal, judeu -, tornavam-se, do seu ponto de vista teológico, reprováveis.

 

A Divina Liturgia de São João Crisóstomo: João Crisóstomo escreveu uma liturgia que é uma versão resumida da Liturgia de São Basílio, compondo com esta e com a Liturgia dos Dons Pré-Santificados as formas de celebração eucarística do Rito Bizantino. A Liturgia de S. João Crisóstomo é usada na maior parte do ano litúrgico das igrejas orientais.

Por ocasião do XVI Centenário da sua morte, celebrou-se no Instituto Patrístico "Augustinianum" de Roma, entre 8 e 10 de novembro de 2007, o "Congresso Internacional sobre São João Crisóstomo."

O "X Simpósio Intercristão", promovido pelo Instituto Franciscano de espiritualidade da Pontifícia Universidade Antonianum e pelo Departamento de teologia da Faculdade teológica da Universidade Aristóteles de Tessalônica, na ilha de Tinos, teve como tema "São João Crisóstomo, ponte entre o Oriente e o Ocidente", no XVI centenário da sua morte.

 

 

 

 

Origem: : Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

 

 

28 de Janeiro - Tomás de Aquino

Tomás de Aquino nasceu em 1224 ou 1225 no castelo de Roccaseca, perto da cidade de Aquino, no reino da Sicília (hoje parte da Itália).

Sua família era proprietária de um pequeno feudo e ligada politicamente ao imperador Frederico 2o. Tomás foi encaminhado ainda criança para o monastério de Monte Cassino, com o objetivo de seguir carreira religiosa.

Depois de nove anos, por causa de um conflito entre o imperador e o papa, ele foi tirado do monastério e enviado para a Universidade de Nápoles, onde entrou em contato com a obra de Aristóteles. Pouco depois, decidiu juntar-se à ordem mendicante dos frades dominicanos. Quando seus superiores o enviaram para a Universidade de Paris, os pais do noviço chegaram a seqüestrá-lo no caminho. Apesar de ter ficado um ano proibido de sair da propriedade da família, a vontade de Tomás prevaleceu e ele se mudou para Paris. O resto de sua vida foi bastante simples, se resumindo à atividade acadêmica, com apenas uma interrupção de alguns anos para trabalhar como conselheiro da Cúria Papal, em Roma. Já perto do fim da vida, Tomás voltou à Universidade de Nápoles, para dar aula. Sua passagem pela Universidade de Paris foi marcada por polêmicas com outros pensadores, quase sempre em torno da obra de Aristóteles.

Tomás de Aquino morreu em 1274, na abadia de Fossanova (hoje centro da Itália), onde havia se recolhido ao ficar doente durante nova viagem a Roma. Foi canonizado em 1323 e nomeado "doutor da Igreja" em 1567.

"A sabedoria é a maior perfeição da razão e sua principal função é perceber a ordem nas coisas"

Para pensar

Tomás de Aquino ressaltou o valor da razão humana e de conhecer como ela funciona, a começar pela importância de ordenar para entender. Já pensou nisso ao planejar suas aulas? Tente avaliar o interesse de ligar os conteúdos, mesmo aqueles mais abstratos (como os da Matemática), a experiências concretas anteriores. Isso é sempre possível e recomendável ou há exceções?

"O mestre provoca conhecimento ao fazer operar a razão natural do discípulo"

Fonte: WWW.revistaescola.abril.com.br/edicoes/0183/aberto/mt_74923.shtml

 

 

Oração de Santo Tomás de Aquino

 

Que eu chegue a Ti, Senhor, por um caminho seguro e reto (...) Que eu não deseje agradar nem receie desagradar senão a Ti.

Tudo o que passa torne-se desprezível a meus olhos por tua causa, Senhor e tudo o que te diz respeito me seja caro, mas Tu, meu Deus, mais do que o resto.
Qualquer alegria sem Ti me seja fastidiosa, e nada eu deseje fora de Ti.

Qualquer trabalho, Senhor, feito por Ti me seja agradável e insuportável aquele de que estiveres ausente.
Concede-me a graça de erguer continuamente o coração a Ti e que, quando eu caia, me arrependa.

Torna-me, Senhor meu Deus, obediente, pobre e casto; paciente, sem reclamação; humilde, sem fingimento; alegre, sem dissipação; triste, sem abatimento; reservado, sem rigidez; ativo, sem leviandade; animado pelo temor, sem desânimo; sincero, sem duplicidade; fazendo o bem sem presunção; corrigindo o próximo sem altivez; edificando-o com palavras e exemplos, sem falsidade.

Dá-me, Senhor Deus, um coração vigilante que nenhum pensamento curioso arraste para longe de Ti; um coração nobre que nenhuma afeição indigna debilite; um coração reto que nenhuma intenção equívoca desvie; um coração firme que nenhuma adversidade abale; um coração livre que nenhuma paixão subjugue.

Concede-me, Senhor meu Deus, uma inteligência que te conheça, uma vontade que te busque, uma sabedoria que te encontre, uma vida que te agrade, uma perseverança que te espere com confiança e uma confiança que te possua, enfim. Amém.

 

 

 

Dê-me, Senhor,

Agudeza para entender,

Capacidade para reter,

Método e faculdade para aprender

Sutileza para interpretar

Graça e abundãncia para falar

 

Dê-me, Senhor,

Acerto ao começar,

Direção ao progredir

E perfeição ao concluir.

São Tomás de Aquino.

 

 

background-color: #008000"> Método e faculdade para aprender

Sutileza para interpretar

Graça e abundãncia para falar

 

Dê-me, Senhor,

Acerto ao começar,

Direção ao progredir

E perfeição ao concluir.

São Tomás de Aquino.