Santos de Julho:
11 de julho – Bento de Núrsia, Abade de Montecassino, 540

"Algo
aconteceu no quinto século que modificou a vida de um jovem, Bento de Núrsia,
na Úmbria (Itália). Já contava com 20 anos quando decidiu dirigir-se a Subíaco para viver
como eremita e dedicar-se à oração. Sua reputação de Santidade fez com que
fosse convidado a dirigir pequenas comunidades monásticas, mas sua rigidez e
disciplina provocou rejeições.
Em 529, aos 49 anos de idade,
mudou-se para Monte Cassino, onde estabeleceu uma grande família monástica e
foi ali que redigiu sua famosa regra, que resumia e melhorava experiências
anteriores, na procura de Deus, nas práticas da oração, e na luta espiritual.
Sua influência no Anglicanismo e no
livro de Oração Comum é inegável, e espiritualidade anglicana muitas vezes
passa a ser traduzida como espiritualidade beneditina tantas são as pontes de
contato.
Desde o envio da parte de Gregório
Magno de 40 monges beneditinos para Inglaterra em 596 para unificar o
cristianismo lá existente sob a liderança de Agostinho que veio a se tornar o
primeiro Arcebispo da Cantuária até o presente são
inumeráveis as contribuição da família beneditina ao anglicanismo.
Essa mesma inquietação do jovem
Bento é que inspirou um grupo de cristãos aqui no Brasil, desde 22 de junho de
1998, dentro da tradição anglicana, integrado por leigos e ministros ordenados,
por meio de sua oblação pessoal e voluntária a comprometerem-se a seguir nas
devidas proporções a Regra de São Bento e os próprios Estatutos, sob a guia de
seu Prior e em comunhão fraterna com os demais a procurar tornar realidade em
suas vidas o lema básico dos beneditinos do mundo inteiro: ORAÇÃO E TRABALHO.” Fonte:www.trindade.org.
São Bento de Núrsia (cont)
(480 - 547) Monge e teólogo italiano nascido em
Núrsia, na Itália central, perto de Spoleto, Itália, fundador da Ordem
Beneditina (531) e considerado o patriarca do monasticismo, cujos
ensinamentos foram básicos para a fundação das ordens monásticas ocidentais no
início da Idade Média. Descendente de uma família aristocrática, foi enviado a Roma para fazer estudos clássicos, mas onde
formou o pensamento de que só se escapa do demônio com a reclusão e exercícios
religiosos e se tornou eremita. Seguiu para Enfide, uma pequena comunidade de
estudantes a cerca de
Figura do site www.cademeusanto.com.br/
Atenção!
Para obter uma cõpia das
Regras de São Bento, solicitar pelo email zozayah@yahoo.com.br

BISPO DA PENSILVÂNIA (17 JULHO 1836) Antes da revolução americana, não havia
nenhum bispo nas colônias (em parte porque o governo britânico era relutante em
dar autonomia às colônias, e em parte porque muitos dos colonos também eram
contrários à presença de um bispo inglês. Após a revolução, o estabelecimento
de um episcopado americano tornou-se imperativo. Samuel Seabury foi o primeiro
americano a ser consagrado, em 1784 (em 14 de novembro) e em 1787 William White
e Samuel Provoost foram eleitos bispos da Pensilvânia e de New York
respectivamente. William White nasceu em Filadélfia em 1747 e em 1770 na Inglaterra, foi ordenado ao
diaconato e posteriormente ao presbiterado. Foi Assistente e depois, Reitor da
Igreja de Cristo e de São Pedro na Filadélfia.
William White foi um grande colaborador da Constituição da Igreja Protestante Episcopal nos Estados Unidos da América. Por sua
sugestão, o sistema do governo da Igreja foi estabelecido mais ou mais menos como
nós o temos hoje. (A exemplo, só um bispo só pode ordenar um diácono ou um presbítero,
e somente os bispos (normalmente pelo menos três) podem consagrar um bispo; Quando um bispo morre ou se aposenta, um novo
bispo é eleito através de uma convenção em sua diocese, composta de clérigos e
delegados leigos por votos em separado, vencendo a maioria em cada uma das
alas, havendo ainda a necessidade de uma confirmação posterior, etc etc; os
negócios a nível nacional são conduzidos pelo presidente geral da Convenção,
que se encontra a cada três anos, etc etc).
William White foi o bispo presidente da PECUSA em sua primeira Convenção
em 1789, e outra vez de 1795 até sua morte em 17 julho 1836.
Por James Kiefer, livre tradução e interpretação do Revdo. JBS, jul2006
22 DE JULHO - MARIA
MADALENA NÃO ERA PROSTITUTA
(TEXTO PARA PENSAR SOBRE O ASSUNTO)
(Publicado no
Jornal de Opinião,
Frei Jacir de Freitas Faria
Quem era, de fato, Maria
Madalena? A ligação errônea das passagens evangélicas que falam dela levou a
identificá-la com a pecadora (prostituta?) que ungiu os pés de Jesus (Lc
7,36-50). E esse erro, infelizmente, virou verdade de fé. O inconsciente
coletivo guardou na memória a figura de Maria Madalena como mito de pecadora
redimida. Fato considerado normal nas sociedades patriarcais antigas. A mulher
era identificada com o sexo e ocasião de pecado por excelência. Daí não ser
nenhuma novidade a pecadora de Lucas ser prostituta e a prostituta ser Maria
Madalena. Lc 8,2 cita nominalmente Maria Madalena e diz que dela “haviam saído
sete demônios”. Ter demônios, segundo o pensamento judaico, é o mesmo que ser
acometido de uma doença grave. No cristianismo, o demônio foi associado ao
pecado. No caso da mulher, o pecado era sempre o sexual. Nesse sentido, a
confusão parece lógica. Mas não o é, se levarmos em consideração o valor da
liderança exercida por Maria Madalena entre os primeiros cristãos, bem como a
predileção de Jesus por ela. Entre os discípulos judeus, considerar Maria
Madalena como prostituta significava também subestimar o valor da mulher
enquanto liderança. Os padres da Igreja seguiram essa linha de pensamento.
Num fragmento apócrifo encontramos os nomes das nove mulheres que vão ao
sepulcro, na manhã de domingo. Salomé é chamada de a sedutora. Uma mulher é
chamada de a pecadora, da qual Jesus tinha dito: “Teus pecados te são
perdoados”. De Maria Madalena não se diz nada, o que nos mostra que Maria
Madalena não é vista como prostituta pelas primeiras comunidades.
Maria Madalena, tida como prostituta está ligada a Maria, mãe de Jesus e virgem
pura por excelência. “No plano dos arquétipos, a figura mítica da meretriz
penitente é estritamente conexa com aquela da Virgem mãe, e constitui em certo
sentido a outra vertente do mesmo mecanismo psicológico. Virgindade e
maternidade, antes de serem duas opções possíveis entre as inumeráveis escolhas
essenciais, são símbolos arquetípicos que, absolutizados e referidos às
mulheres como modelos de comportamento concreto, refletem uma visão da
realidade exclusivamente machista. Acabam sendo funcionais ao perpetuarem
imóveis este modelo de realidade. Nesta perspectiva, a mulher não-virgem-não-mãe
constitui o arquétipo feminino negativo por excelência: a Prostituta ou, em
todo caso, a Tentadora. Além disso, tanto a Virgem Maria Toda Pura, quanto a
Pecadora Penitente Toda Impura, apesar de opostas, são definidas exclusivamente
com base no sexo e na feminilidade percebida como uma realidade ‘oposta’ (...).
Enquanto Maria de Nazaré é a Mãe assexuada, Maria de Mágdala se torna a mulher,
a Outra. Num contexto religioso totalmente machista, a Outra deve ficar num
estado de inferioridade, portanto ‘dominável’, por definição e por princípio” [1].
Tanto Maria Madalena como Maria, a mãe de Jesus, são personagens que marcaram o
cristianismo. A diferença está em descobrir que nos apócrifos
Maria Madalena não era a prostituta e Maria, a mãe, não deixou de ser
mulher para ser a mãe do Salvador.
--------------------------------------------------------------
[1] Cf. Lilia Sebaatiani, Maria
Madalena de personagem do evangelho a pecadora redimida, Petrópolis: Vozes,
1995.
http://www.bibliaeapocrifos.uaivip.com.br/madalenanaoprostituta.htm
24 de julho - Thomas Haemerken
[latinizado Malleolus]
ou
Tomás de Kempis (1379 - 1471)

Agostiniano
germânico nascido na localidade alemã de Kempten, na Diocese de Cologna,
próximo a Düsseldorf, na Renânia, autor do livro devocional De
imitatione Christi (Imitação de Cristo), tido como a mais importante
obra da literatura cristã, depois da Bíblia. Filho de um
artesão e de uma professora, John e Gertrudes Haemerken, seguiu seu
irmão mais velho John Haemerken,
e foi estudar em Deventer (1392), na Holanda, centro religioso e sede da Irmandade
da Vida Comum, comunidade dedicada ao cuidado e educação dos pobres. Estudou
sob a orientação de Florentius Radewyns,
agostiniano e fundador da Congregação de Windesheim. Depois de completar
as Humanidades em Deventer (1399), por recomendação de seu superior, Florêncio Radewyn, procurou admissão
entre os Cônegos Regulares de Windesheim no Monte S. Agnes, perto de Zwolle,
mosteiro do qual seu irmão John era o prior. Ingressou no mosteiro de
Agnietenberg, no qual permaneceria por mais de setenta anos e recebeu o hábito
de noviço (1406). Ordenou-se (1413), passando a dedicar sua vida à cópia de
manuscritos e ao ensino de noviços. Seu primeiro mandato como subprior foi
interrompido pelo exílio da comunidade de Agnetenberg (1429-1432), porém foi
eleito como subprior novamente (1448). Escreveu numerosos textos teológicos e
espirituais, tendo como expoente a De
imitatione Christi, obra cuja autoria é ainda controvertida. Esse livro
escrito em estilo simples, enfatizava a vida espiritual, afirmava a comunhão
como prática para fortalecer a fé e encorajava uma vida pautada no exemplo de Cristo. Para muitos críticos de
literatura seus textos são provavelmente a melhor
representação da devotio moderna, um movimento religioso criado
por Gerhard Groote ou Gerardus Magnus, fundador da Irmandade
da Vida Comum. Séculos após sua morte, ocorrida em Agnietenberg, Países
Baixos, uma esplêndida edição do Opera Omnia foi publicada por Herder sob a apta editoração do Dr. Pohl, em 17 volumes (1902-1922).
Suas obras têm sido repetidamente republicadas ao longo dos tempos, como
Imitação de Cristo (1441), Opera Omnia (1607), Chronicon Montis
Sanctae Agnetis (Antuérpia, 1621), Orações e Meditações da Vida de
Cristo e Encarnação e Vida de Nosso Senhor (Londres, 1904, 1907), Crônica
dos Cônegos Regulares do Monte S. Agnes (Londres, 1906), Sermões aos
Noviços Regulares (Londres, 1907).
Foi um dos membros originais da escola de misticismo
Windesheim, que lançou o movimento conhecido como a “Nova Devoção.”
Atenção!
Para obter uma cõpia da obra Imitação de Cristo, solicitar pelo
email zozayah@yahoo.com.br
25 de
julho - São
Tiago apóstolo, o Maior (~

Apóstolo de Jesus Cristo
nascido em Betsaida da Galiléia, escolhido para ser um dos Doze, e nas várias
listas dos Apóstolos dadas no Novo Testamento é sempre citado entre os quatro
primeiros junto com Pedro, André e seu irmão mais novo João.
Aportuguesado para Santiago, significando a junção dos termos São +
Tiago, também é conhecido como o Apóstolo Ambicioso. Também pescador
e filho de Zebedeu e de Salomé, estava com o irmão nas margens do
lago Genesaré, quando Jesus os chamou. Testemunhou a ressurreição da filha de Jairo
(Mc 5,37), a transfiguração (Mc 9,2-13) e a agonia de Jesus no horto do
Getsêmani (Mc 14,32). De acordo com Isidoro de Sevilha, em De vita et obitu Sanctorum (71, Vida e
morte dos Santos), após a ascensão de Jesus, teria evangelizado a Espanha,
tornando-se seu primeiro evangelizador e depois seu patrono. Para revigorar
esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro, da cidade de Iria, afirmou
ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, a cidade que
depois mudaria o nome para Santiago de Compostela, tornou-se importante meta de
peregrinações, especialmente durante a Idade Média. Conta-se também que após a
morte de Jesus, permaneceu em Jerusalém com Pedro. Foi preso juntamente
com Pedro, e decapitado por ordem do rei Herodes Agripa (At 12,2), depois da execução de Estêvão (35), diácono grego e
exaltado pregador cristão e personagem de grande importância na história de Paulo
de Tarso. Foi, portanto, o primeiro mártir entre os apóstolos de
Cristo, o primeiro a dar a vida pela Fé. Sua festa votiva é em 25 de julho.
Fonte:http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/SaoTiago.html;
Fig.do site
http://www.cademeusanto.com.br/
Maria, irmã
de Marta ou Maria de Betânia, a única referência sinóptica acha-se em Lucas
10:38-42 - e pelo que aí se lê parece que Marta era a dona da casa numa certa
povoação. A sua irmã, Maria, tendo segundo parece, a sua parte nas
hospitaleiras preparações, ficava assentada aos pés do Jesus Cristo a ouvir-lhe
os ensinamentos deixando Marta sobrecarregada com o trabalho. Marta queixa-se,
então, e Jesus lhe responde ternamente. É o quarto evangelho que nos diz
viverem estas mulheres em Betânia, relacionando Lázaro com elas, e nos mostra
que esses três membros da casa eram estimados amigos de Jesus. As partes
desempenhadas por Marta e Maria, no facto da morte e ressurreição de Lázaro
(João 11:1-46), estão em notável concordância com o que delas afirma Lucas no
Cap. 10.
Maria de
Betânia, irmã de Marta, que ungiu com óleo os pés de Jesus 6 dias antes da
Páscoa de 33 d.C.. (João 12:3) João também atribui a esta Maria o acto narrado
por Mateus (Cap. 26) e Marcos (Cap. 14). Ele, segundo alguns autores, procura
descrever o acto como um impulso de gratidão pela volta de Lázaro a sua casa.
(João 11:2 a 12:1,2)
(1) Betânia ou Bethânia era originalmente uma aldeia em
Israel antiga, localizada próximo de Jerusalém. É mencionada diversas vezes
(doze, mais exactamente) na Bíblia, como tendo sido visitada por Jesus Cristo.
Deu origem a nomes de diversas localidades em todo o mundo, de acordo com as
variantes em cada idioma, por exemplo, Bethany [1]
(2)Lázaro é uma personagem bíblica descrita no Evangelho segundo
João como um amigo de Jesus teria ressuscitado, irmão de Marta e de Maria. Seu
nome provavelmente do grego corresponde ao hebraico Eleazar
(אלעזר), e significa literalmente "Deus
ajudou".
De arcodo com tradição católica, o Lázaro ressuscitado teria se dirigido à
Provença depois da morte de Jesus em companhia de suas irmãs e de outras
pessoas. Ele também teria sido o primeiro bispo de Marselha. Na Idade Média
tornou-se o padroeiro dos leprosos pela associação errada feita com seu
homônimo narrado na parábola mencionada Lucas - na parábola do Lázaro e do
Rico. Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/

“Deus
pôs diante de mim dois grandes objetivos: a abolição da escravatura e a reforma
dos costumes”.
"Todos vós sois um
No século
Preciosa graça
É surpreendente que nenhum grande reformador da história ocidental seja tão
pouco conhecido como William Wilberforce. Ele nasceu numa família nobre da
Inglaterra, na cidade portuária de Hull, em Yorkshire, em 24 de agosto de 1759.
Naquela época, como hoje, a aristocracia vivia em meio a contradições: nela se
encontravam alguns dos grandes benfeitores da nação e alguns de seus maiores
corruptores. Wilberforce era fruto dessas ambigüidades.
Após estudar em uma escola em Pocklington, foi aceito em 1776 no St. John's College, na Universidade de Cambridge, onde decidiu
dedicar-se à carreira política, tendo sido eleito representante de seu povoado
aos 21 anos de idade. Além de repartir o dinheiro que possuía, mandou fazer um
grande churrasco para todo o vilarejo, o que lhe valeu um bom número de
votantes. Aos 24 anos, já era um político famoso por sua eloqüência e acabou
por ser eleito representante de Yorkshire, o maior e mais importante condado da
Inglaterra, chegando a Londres cheio de popularidade.
Em 1784, ainda aos 24 anos de idade, partiu para uma viagem a Nice, na França,
que traria grande transformação em seu caráter. Levou consigo a mãe, Elizabeth,
a irmã Sally, uma amiga dela e Isaac Milner, seu antigo professor primário, e
que veio a se tornar presidente do Queen's College, na
Universidade de Cambridge. Na bagagem de Milner, Wilberforce viu uma cópia do
livro de Philip Doddridge - mais conhecido por ter escrito o famoso hino
"Oh! Happy Day" [Oh! Dia Feliz!] -, The Rise and Progress of Religion
in the Soul [O começo e o progresso da religião na alma]. Ele perguntou para
seu amigo o que era aquilo e recebeu a resposta: "Um dos melhores livros
já escritos". Os dois concordaram em lê-lo juntos na jornada.
A leitura desse livro e das Escrituras, acompanhada de conversas com Milner,
levaram o jovem político à conversão. Ele declarou em seu diário, em fins de
outubro daquele ano:
Assim que me compenetrei com seriedade, a profunda culpa e tenebrosa ingratidão
de minha vida pregressa vieram sobre mim com toda sua força, condenei-me por
ter perdido tempo precioso, oportunidades e talentos [...]. Não foi tanto o temor
da punição que me afetou, mas um senso de minha grande pecaminosidade por ter
negligenciado por tanto tempo as misericórdias indescritíveis de meu Deus e
Senhor. Eu me encho de tristeza. Duvido que algum ser humano tenha sofrido
tanto quanto eu sofri naqueles meses.
Wilberforce começou um programa que durou toda sua vida, de separar os domingos
e um intervalo a cada manhã para se dedicar à oração e às leituras espirituais.
Uma longa e dura luta
Já de volta a Londres, a vida de Wilberforce tomou novos rumos. Ele considerou
suas opções, inclusive o ministério cristão, mas foi convencido por John Newton
que Deus o queria permanecendo na política, em vez de entrar para o ministério.
"Espera e crê que o Senhor te levantou para o bem da nação", escreveu
Newton.
Depois de muito pensar e orar, Wilberforce concluiu que Newton estava certo.
Deus o chamara para defender a liberdade dos oprimidos como parlamentar.
"Minha caminhada é de vida pública. Meu negócio está no mundo, e é
necessário que eu me misture nas assembléias dos homens ou deixe o cargo que a
Providência parece ter-me imposto", escreveu em seu diário, em 1788.
Outro que o influenciou fortemente foi JohnWesley. Newton e Wesley tinham, além
de uma fé vibrante no evangelho, uma forte convicção de que não havia maior
pecado pesando sobre as costas do Império Britânico do que o terrível e
abominável tráfico de escravos, que Wesley batizara de "execrável vileza".
Bruce Shelley diz que os ingleses entraram nesse comércio em 1562, quando Sir
John Hawkins pegou uma carga de escravos
John Wesley escreveu sua última carta a Wilberforce, em 24 de fevereiro de
1791, seis dias antes de morrer, encorajando-o a executar o plano da abolição
da escravatura. Um parágrafo dessa carta diz o seguinte: "Oh! Não vos desanimeis
de fazer o bem. Ide avante, em nome de Deus, e na força do seu poder, até que
desapareça a escravidão americana, a mais vil que o sol já iluminou".
Foi por conta dessas influências que Wilberforce decidiu dedicar toda a força
de sua juventude e todo o talento que tinha a um único objetivo que consumiria
toda sua vida: a abolição do tráfico negreiro. Algum tempo depois, num domingo,
28 de outubro de 1787, ele escreveu em seu diário as palavras que se tornaram
famosas: "O Deus todo-poderoso tem colocado sobre mim dois grandes
objetivos: a supressão do comércio escravocrata e a reforma dos costumes.
Uma fonte de estímulo nessa luta foi sua participação ativa no chamado Grupo de
Clapham (Clapham Sect), constituído de pessoas ricas cujas residências ficavam
em Clapham, um elegante bairro localizado a
Outros que participavam do grupo eram: Charles Grant, presidente da Companhia
das Índias Orientais; James Stephens, cujo filho, chefe do Departamento
Colonial, auxiliou bastante os missionários nas colônias; John Shore, Lorde
Teignmouth, governador-geral da Índia e primeiro presidente da Sociedade
Bíblica Britânica e Estrangeira; Zachary Macauley, editor do Observador
Cristão; Thomas Clarkson, famoso líder abolicionista; a educadora Hannah More,
além de outros líderes evangélicos. Dentre várias atividades, eles ajudaram a
fundar a colônia de Serra Leoa, onde escravos libertos poderiam viver livres.
Clouse, Pierard & Yamauchi dizem:
Este grupo uniu-se numa intimidade e solidariedade incríveis, quase como uma
grande família. Eles se visitavam e moravam um na casa do outro, tanto em
Clapham, como na própria Londres e no campo. Ficaram conhecidos como 'os
Santos' por causa de seu fervor religioso e desejo de estabelecer a retidão no
país. Vários comentaristas observaram que eles planejavam e trabalhavam com um
comitê que estava sempre reunido em 'conselhos de
gabinete' em suas residências pata discutir o que precisava ser consertado e
estratégias que poderiam usar para alcançar seus objetivos.
Neste grupo, discutiam os erros e as injustiças de seu país, e as batalhas que
teriam de travar para estabelecer a justiça.
Os membros do Grupo de Clapham demonstraram a diferença que um grupo de
cristãos pode fazer. Eles elaboraram 12 marcas que nortearam seu esforço pela
reforma social na Inglaterra do século 19:
1. Estabeleça objetivos claros e específicos.
2. Pesquise cuidadosamente para produzir uma proposta realista e irrefutável.
3. Construa uma comunidade comprometida que apóie uns aos outros. A batalha não
pode ser vencida sozinha.
4. Não aceite retiradas como uma derrota final.
5. Comprometa-se a lutar de forma contínua, mesmo que a luta demore décadas.
6. Mantenha o foco nas questões; não permita que os ataques malignos de
oponentes o distraiam ou provoquem resposta similar.
7. Demonstre empatia com a posição do oponente, de forma que diálogo
significativo aconteça.
8. Aceite ganhos parciais quando tudo o que é desejado não puder ser obtido de
uma só vez.
9. Cultive e apóie suas bases populares quando outros, que estiverem no poder,
se opuserem a seus projetos.
10. Transcenda à mentalidade simplista e direcione-se às questões maiores,
principalmente as que envolvem questões éticas!
11. Trabalhe através de canais reconhecidos, sem lançar mão de táticas sujas ou
violentas.
12. Prossiga com senso de missão e convicção de que Deus o guiará
providencialmente se estiver verdadeiramente a seu serviço.
Em 1797, Wilberforce publicou um livro intitulado Practical View of Real
Christianity [Panorama prático do cristianismo verdadeiro], amplamente lido e
ainda publicado, que evidenciava o interesse evangélico na redenção como a
única força regeneradora, na justificação pela graça por meio da fé e na
leitura da Escritura em dependência ao Espírito Santo, ou seja, numa piedade
prática que redundasse em serviço relevante para a sociedade. Nessa obra, ele
disse sobre o cristianismo verdadeiro:
Eu compreendo que a marca prática e essencial dos verdadeiros cristãos é a
seguinte: que os pecadores arrependidos, confiando na promessa de serem aceitos
[por Deus], mediante o Redentor, têm renunciado e abjurado todos os outros
senhores, e têm de maneira integral se devotado a Deus. Agora, seu propósito
determinado é se dedicar integralmente ao justo serviço do legítimo Soberano.
Eles não mais pertencem a si mesmos: todas as faculdades físicas e mentais, sua
herança, sua essência, sua autoridade, seu tempo, sua influência, tudo o que
desconsideram como sendo seus [...] devem ser consagrados em honra a Deus e
empregados a seu serviço.
E sobre o poder e o direito:
Eu devo confessar [...] que minhas próprias [e sólidas] esperanças pelo
bem-estar do meu país não depende de seus navios e exércitos, nem da sabedoria
de seus governantes, ou ainda do espírito de seu povo, mas sim da [capacidade
de] persuasão de todos aqueles que amam e obedecem ao evangelho de Cristo.
No tempo de Deus
Wilberforce e seus amigos do Grupo de Clapham também ajudaram a fundar escolas
cristãs para os pobres, a reformar as prisões, a combater a pornografia, a
realizar missões cristãs no estrangeiro e a batalhar pela liberdade religiosa.
Mas Wilberforce acabou por se tornar mais conhecido por seu compromisso
incansável pela abolição de escravidão e do comércio de escravos.
Sua luta começou por volta de 1787 - ele já era parlamentar desde 1780. Haviam
pedido a Wilberforce que propusesse a abolição do comércio de escravos, embora
quase todos os ingleses achassem a escravidão
necessária, ainda que desagradável, e que a ruína econômica certamente viria ao
acabar com a escravidão. Apenas uns poucos achavam o comércio de escravos
errado. A pesquisa de Wilberforce o pressionou até conclusões dolorosamente
claras. "Tão enorme, tão terrível, tão irremediável aparentou a maldade
desse comércio que minha mente ficou inteiramente decidida em favor da
abolição", disse ele à Casa dos Comuns. "Sejam quais forem as conseqüências, deste momento em diante estou resolvido
que não descansarei até efetuar sua abolição." Wilberforce falou
primeiramente sobre o comércio de escravos na Casa de Câmara dos Comuns em
1788, num discurso de três horas e meia, que concluiu dizendo: "Senhor,
quando nós pensamos na eternidade e em suas futuras conseqüências sobre toda
conduta humana, se existe esta vida, o que esta fará a qualquer homem que
contradisser as ordens de sua consciência e os princípios da justiça e da lei
de Deus!". Sua luta custou-lhe dezoito anos de trabalho incansável.
Os feitos de Wilberforce foram realizados em meio a tremendos desafios. Ele era
um homem de constituição fraca e com uma fé desprezada. Quanto à tarefa,
enquanto a prática da escravatura era quase universalmente aceita, o comércio
de escravos era tão importante para a economia do Império Britânico quanto é a
indústria de armamentos para os Estados Unidos hoje. Quanto à sua oposição,
incluía poderosos interesses mercantis e coloniais e personalidades como o
famoso Almirante Horacio Nelson e a maior parte da família real. E quanto à sua
perseverança, Wilberforce continuou incansavelmente, anos a fio, antes de
alcançar seu alvo. Sempre desprezado, ele foi duas vezes assaltado e surrado.
Certa vez, um amigo lhe escreveu, dizendo-lhe que, do jeito que as coisas
andavam, "eu espero ouvir dizer que foste carbonizado por algum dono de
fazenda das Índias Ocidentais, feito churrasco por mercadores africanos e
comido por capitães da Guiné, mas não desanime - eu escreverei o seu epitáfio!"
O comércio de escravos foi finalmente abolido em 25 de março de 1806. Quando a
lei foi aprovada, todo o Parlamento se pôs de pé e aplaudiu Wilberforce por
vários minutos, enquanto ele, já desgastado pelos anos, chorava com o rosto
entre as mãos.
Ele continuou a campanha contra a escravidão em todos os territórios
britânicos, e o voto crucial da famosa Lei de Emancipação chegou quatro dias
antes de sua morte, em 29 de julho de 1833.
Por conta da decisão parlamentar, poderosa como era e não querendo ser lesada
em seus interesses, a Grã-Bretanha declarou ao mundo que nem ela nem ninguém
mais poderia traficar escravos. Além disso, tornou-se a guardiã dos mares.
Logo, Portugal e Bélgica, as duas nações rivais, tiveram também de parar com o
tráfico, por força do poderio naval inglês.
Um ano depois da morte de Wilberforce, em julho de 1834, 800 mil escravos,
principalmente na Índia Ocidental britânica, foram libertos. Em pouco tempo, a
maior parte dos países ocidentais aboliria a escravidão em definitivo.
Obras consultadas e sugeridas para aprofundamento do assunto:
CLOUSE, Robert; PIERARD, Richard; YAMAUCHI, Edwin. Dois
reinos: a igreja e a cultura interagindo ao longo dos séculos. São Paulo:
Cultura Cristã, 2003, p. 413-20.
GUINNESS, Os. O chamado. São Paulo: Cultura Cristã, 2001,
p. 35-43. KERR NETO, Guilherme. O inglês que acabou com o tráfico negreiro.
Ultimato, n.º 245, mar./1997, p. 28.
NOIL, Mark. Momentos decisivos na história do
cristianismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 256-81.
SHAW, Mark. Lições de mestre: 10 insights para a
edificação da igreja local. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 203-24.
SHELLEY, Bruce L. História do cristianismo ao alcance de
todos. São Paulo: Shedd, 2004, p. 407-16.
WESTPHAL, Euler. A ética social na teologia de John
Wesley. Vox Scripturae, 7/2, dez./1997, p. 83-97
Fonte:
http://www.renas.org.br
José de
Arimatéia (ou Arimateia) era assim conhecido por ser de Arimatéia, cidade da
Judéia. Homem rico, era membro do Sinédrio(1), o Colégio dos mais altos
magistrados do povo judeu. Também conhecido como Sanhedrin, formava a suprema
magistratura judaica.
Era o dono do
sepulcro(2)
Atribui-se
também a José o lençol de linho
Juntamente com
Nicodemos(4), providenciou a retirada do corpo de Cristo da cruz após
requisição feita a Pôncio Pilatos(5).
José de
Arimatéia, de acordo com alguns pesquisadores, teria ficado de posse do cálice
da Santa Ceia, levando-o para a Europa. Este cálice ficou conhecido como o
Santo Graal(6), tão mencionado nas lendas Arturianas.
(1)
Sinédrio,
era o "Grande Conselho "dos notáveis
de Israel, estabelecido depois do exílio para o governo da comunidade judia.
Era integrado por 71 membros anciãos, sacerdotes e escribas - e presidido pelo
sumo sacerdote. Era a autoridade suprema dos problemas religiosos , assim como
em alguns assuntos de ordem civil. Roma limitou seus poderes. Para a pena de
morte necessitava de confirmação do representante de Roma.
(2)
Um Sepulcro
é uma câmara mortuária. Nas práticas antigas do povo Hebreu, ele era esculpido
em rocha de uma encosta

O Sudário de
Turim ou Santo Sudário é uma pano de linho que apresenta a imagem de
um homem com traumatismos vários, consistentes com crucificação. Actualmente, o
sudário encontra-se exposto na Catedral de São João Baptista
(4) Nicodemos era, segundo o livro O JULGAMENTO DE PÔNCIO PILATOS
(EDMUNDO LELLIS FILHO), um membro do sinédrio, Tribunal dos Judeus, o qual era
amigo de José de Arimatéia e simpatizante de Jesus.
Principal dos Fariseus, muito respeitado e
honrado pelo povo judeu, aprendeu a lei nas melhores escolas, e tinha bastante
cultura judáica cravada em sua vida, que anos de estudos lhe concederam,
ninguém ousava dissuadi-lo ou questionar suas afirmações, Nicodemos era um
homem letrado no que diz respeito a lei de Moisés e os ensinos farisáicos,
porém um dia encontru-se com Jesus, viu seu manifesto suas obras, e não teve
como não ir até ele mesmo que fosse para saber realmente quem ele era, e tudo
que aprendera Jesus Cristo, lançou por terra, provando que a sabedoria humana
não é nada sem Deus
(5) Pôncio
Pilatos, também conhecido como Pilatos (em latim, Pontius Pilatus).
Foi Procurador da província romana da Judéia entre os anos 26 e 36; período
durante o qual Jesus foi condenado à morte de cruz.
(6). Santo
Graal (ou Sangreal) é uma expressão medieval que designa normalmente
o cálice usado por Jesus Cristo na Última Ceia. Ele está presente nas lendas
arturianas, sendo o objetivo da busca dos cavaleiros da Távola Redonda, único
objeto com capacidade para devolver a paz ao reino de Artur. No entanto, em
outra interpretação, ele designa a descendência de Jesus (o sangraal ou sangue
real), segundo a lenda, ligada à dinastia Merovíngia.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/