Santos de Julho:

11 de julho – Bento de Núrsia, Abade de Montecassino, 540

11 de julho – Bento de Núrsia, Abade de Montecassino, 540

 

 

"Algo aconteceu no quinto século que modificou a vida de um jovem, Bento de Núrsia, na Úmbria (Itália). Já contava com 20 anos quando decidiu dirigir-se a Subíaco para viver como eremita e dedicar-se à oração. Sua reputação de Santidade fez com que fosse convidado a dirigir pequenas comunidades monásticas, mas sua rigidez e disciplina provocou rejeições.

Em 529, aos 49 anos de idade, mudou-se para Monte Cassino, onde estabeleceu uma grande família monástica e foi ali que redigiu sua famosa regra, que resumia e melhorava experiências anteriores, na procura de Deus, nas práticas da oração, e na luta espiritual.

Sua influência no Anglicanismo e no livro de Oração Comum é inegável, e espiritualidade anglicana muitas vezes passa a ser traduzida como espiritualidade beneditina tantas são as pontes de contato.

Desde o envio da parte de Gregório Magno de 40 monges beneditinos para Inglaterra em 596 para unificar o cristianismo lá existente sob a liderança de Agostinho que veio a se tornar o primeiro Arcebispo da Cantuária até o presente são inumeráveis as contribuição da família beneditina ao anglicanismo.

Essa mesma inquietação do jovem Bento é que inspirou um grupo de cristãos aqui no Brasil, desde 22 de junho de 1998, dentro da tradição anglicana, integrado por leigos e ministros ordenados, por meio de sua oblação pessoal e voluntária a comprometerem-se a seguir nas devidas proporções a Regra de São Bento e os próprios Estatutos, sob a guia de seu Prior e em comunhão fraterna com os demais a procurar tornar realidade em suas vidas o lema básico dos beneditinos do mundo inteiro: ORAÇÃO E TRABALHO.” Fonte:www.trindade.org.

Em São Paulo, há um grupo de beneditinos, a Congregação dos Oblatos Anglicanos de São Bento, na Paróquia Anglicana de Santa Cruz.

São Bento de Núrsia                 (cont)

 

(480 - 547)   Monge e teólogo italiano nascido em Núrsia, na Itália central, perto de Spoleto, Itália, fundador da Ordem Beneditina (531) e considerado o patriarca do monasticismo, cujos ensinamentos foram básicos para a fundação das ordens monásticas ocidentais no início da Idade Média. Descendente de uma família aristocrática, foi enviado a Roma para fazer estudos clássicos, mas onde formou o pensamento de que só se escapa do demônio com a reclusão e exercícios religiosos e se tornou eremita. Seguiu para Enfide, uma pequena comunidade de estudantes a cerca de 50 km de Roma, passando a morar em uma gruta, perto de Subíaco, nos montes Abruzzi, hoje chamada Dsacro Speco. Com o tempo sua aura de santidade começou a atrair outros seguidores e discípulos que queriam estudar com ele. Convidado pelos monges de Vicóvaro aceitou ser seu Abade, porém impôs regras severas. Um monge chamado Florentius tentou minar o trabalho e o acusou de subversão. Depois de sofrer um atentado contra a sua vida, fugiu da região de Subíaco para construir um mosteiro em Monte Cassino (529-531), onde redigiu suas célebres normas hoje conhecidas como As Regras de São Benedito, que seria o guia de todas as comunidades monásticas posteriores. No mosteiro ele reuniu vários discípulos, congregando-os em 12 prédios com 12 membros cada um, com ele próprio como superior geral, fundando, assim, a ordem dos beneditinos, e que se transformou em um centro para aprendizado e espiritualidade. Morreu em 21 de março (547), quando orava no altar. Seu corpo, bem como o da Santa Escolástica, parecem que foram desenterrados durante o assalto a Monte Cassino na Segunda Guerra Mundial. Mas tem uma tradição que diz que foram trasladados para Fleury na França (703). O Papa São Gregório Magno (590-604) escreveu a sua vida e foi proclamado padroeiro da Europa (1964) pelo papa Paulo VI (1963-1978) e é comemorado no dia 11 de Julho. Seu mosteiro de Monte Cassino tornou-se símbolo histórico de resistência, pois foi destruído e reconstruído várias vezes por terremotos e guerras, sendo sua última reconstrução ocorrida após um bombardeio durante a segunda guerra mundial. http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/BentoNur.html

Figura  do site www.cademeusanto.com.br/

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Para obter uma cõpia das Regras de São Bento, solicitar pelo email  zozayah@yahoo.com.br

 

 

17 de julho -  WILLIAM WHITE

             

BISPO DA  PENSILVÂNIA (17 JULHO 1836)       Antes da revolução americana, não havia nenhum bispo nas colônias (em parte porque o governo britânico era relutante em dar autonomia às colônias, e em parte porque muitos dos colonos também eram contrários à presença de um bispo inglês. Após a revolução, o estabelecimento de um episcopado americano tornou-se imperativo. Samuel Seabury foi o primeiro americano a ser consagrado, em 1784 (em 14 de novembro) e em 1787 William White e Samuel Provoost foram eleitos bispos da Pensilvânia e de New York respectivamente. William White nasceu em Filadélfia em 1747 e  em 1770 na Inglaterra, foi ordenado ao diaconato e posteriormente ao presbiterado. Foi Assistente e depois, Reitor da Igreja de Cristo  e de São Pedro na Filadélfia. William White foi um grande colaborador da Constituição da Igreja Protestante  Episcopal nos Estados Unidos da América. Por sua sugestão, o sistema do governo da Igreja foi estabelecido mais ou mais menos como nós o temos hoje. (A exemplo, só um bispo só pode ordenar um diácono ou um presbítero, e somente os bispos (normalmente pelo menos três) podem consagrar um bispo;  Quando um bispo morre ou se aposenta, um novo bispo é eleito através de uma convenção em sua diocese, composta de clérigos e delegados leigos por votos em separado, vencendo a maioria em cada uma das alas, havendo ainda a necessidade de uma confirmação posterior, etc etc; os negócios a nível nacional são conduzidos pelo presidente geral da Convenção, que se encontra a cada três anos, etc etc).  William White foi o bispo presidente da PECUSA em sua primeira Convenção em 1789, e outra vez de 1795 até sua morte em 17 julho 1836.      Por James Kiefer, livre tradução e interpretação do Revdo. JBS, jul2006

 

 

22 DE JULHO - MARIA MADALENA NÃO ERA PROSTITUTA

(TEXTO PARA PENSAR SOBRE O ASSUNTO)



(Publicado no Jornal de Opinião, 6 a 12/05/2002)

Frei Jacir de Freitas Faria

Quem era, de fato, Maria Madalena? A ligação errônea das passagens evangélicas que falam dela levou a identificá-la com a pecadora (prostituta?) que ungiu os pés de Jesus (Lc 7,36-50). E esse erro, infelizmente, virou verdade de fé. O inconsciente coletivo guardou na memória a figura de Maria Madalena como mito de pecadora redimida. Fato considerado normal nas sociedades patriarcais antigas. A mulher era identificada com o sexo e ocasião de pecado por excelência. Daí não ser nenhuma novidade a pecadora de Lucas ser prostituta e a prostituta ser Maria Madalena. Lc 8,2 cita nominalmente Maria Madalena e diz que dela “haviam saído sete demônios”. Ter demônios, segundo o pensamento judaico, é o mesmo que ser acometido de uma doença grave. No cristianismo, o demônio foi associado ao pecado. No caso da mulher, o pecado era sempre o sexual. Nesse sentido, a confusão parece lógica. Mas não o é, se levarmos em consideração o valor da liderança exercida por Maria Madalena entre os primeiros cristãos, bem como a predileção de Jesus por ela. Entre os discípulos judeus, considerar Maria Madalena como prostituta significava também subestimar o valor da mulher enquanto liderança. Os padres da Igreja seguiram essa linha de pensamento.

Num fragmento apócrifo encontramos os nomes das nove mulheres que vão ao sepulcro, na manhã de domingo. Salomé é chamada de a sedutora. Uma mulher é chamada de a pecadora, da qual Jesus tinha dito: “Teus pecados te são perdoados”. De Maria Madalena não se diz nada, o que nos mostra que Maria Madalena não é vista como prostituta pelas primeiras comunidades.

Maria Madalena, tida como prostituta está ligada a Maria, mãe de Jesus e virgem pura por excelência. “No plano dos arquétipos, a figura mítica da meretriz penitente é estritamente conexa com aquela da Virgem mãe, e constitui em certo sentido a outra vertente do mesmo mecanismo psicológico. Virgindade e maternidade, antes de serem duas opções possíveis entre as inumeráveis escolhas essenciais, são símbolos arquetípicos que, absolutizados e referidos às mulheres como modelos de comportamento concreto, refletem uma visão da realidade exclusivamente machista. Acabam sendo funcionais ao perpetuarem imóveis este modelo de realidade. Nesta perspectiva, a mulher não-virgem-não-mãe constitui o arquétipo feminino negativo por excelência: a Prostituta ou, em todo caso, a Tentadora. Além disso, tanto a Virgem Maria Toda Pura, quanto a Pecadora Penitente Toda Impura, apesar de opostas, são definidas exclusivamente com base no sexo e na feminilidade percebida como uma realidade ‘oposta’ (...). Enquanto Maria de Nazaré é a Mãe assexuada, Maria de Mágdala se torna a mulher, a Outra. Num contexto religioso totalmente machista, a Outra deve ficar num estado de inferioridade, portanto ‘dominável’, por definição e por princípio” [1].

Tanto Maria Madalena como Maria, a mãe de Jesus, são personagens que marcaram o cristianismo. A diferença está em descobrir que nos apócrifos Maria Madalena não era a prostituta e Maria, a mãe, não deixou de ser mulher para ser a mãe do Salvador.

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[1] Cf. Lilia Sebaatiani, Maria Madalena de personagem do evangelho a pecadora redimida, Petrópolis: Vozes, 1995.

http://www.bibliaeapocrifos.uaivip.com.br/madalenanaoprostituta.htm

 

 

 

 

 

 

24 de julho - Thomas Haemerken [latinizado Malleolus] ou

 Tomás de Kempis (1379 - 1471)

 

 

Agostiniano germânico nascido na localidade alemã de Kempten, na Diocese de Cologna, próximo a Düsseldorf, na Renânia, autor do livro devocional De imitatione Christi (Imitação de Cristo), tido como a mais importante obra da literatura cristã, depois da Bíblia. Filho de um artesão e de uma professora, John e Gertrudes Haemerken, seguiu seu irmão mais velho John Haemerken, e foi estudar em Deventer (1392), na Holanda, centro religioso e sede da Irmandade da Vida Comum, comunidade dedicada ao cuidado e educação dos pobres. Estudou sob a orientação de Florentius Radewyns, agostiniano e fundador da Congregação de Windesheim. Depois de completar as Humanidades em Deventer (1399), por recomendação de seu superior, Florêncio Radewyn, procurou admissão entre os Cônegos Regulares de Windesheim no Monte S. Agnes, perto de Zwolle, mosteiro do qual seu irmão John era o prior. Ingressou no mosteiro de Agnietenberg, no qual permaneceria por mais de setenta anos e recebeu o hábito de noviço (1406). Ordenou-se (1413), passando a dedicar sua vida à cópia de manuscritos e ao ensino de noviços. Seu primeiro mandato como subprior foi interrompido pelo exílio da comunidade de Agnetenberg (1429-1432), porém foi eleito como subprior novamente (1448). Escreveu numerosos textos teológicos e espirituais, tendo como expoente a De imitatione Christi, obra cuja autoria é ainda controvertida. Esse livro escrito em estilo simples, enfatizava a vida espiritual, afirmava a comunhão como prática para fortalecer a fé e encorajava uma vida pautada no exemplo de Cristo. Para muitos críticos de literatura seus textos são provavelmente a melhor representação da devotio moderna, um movimento religioso criado por Gerhard Groote ou Gerardus Magnus, fundador da Irmandade da Vida Comum. Séculos após sua morte, ocorrida em Agnietenberg, Países Baixos, uma esplêndida edição do Opera Omnia foi publicada por Herder sob a apta editoração do Dr. Pohl, em 17 volumes (1902-1922). Suas obras têm sido repetidamente republicadas ao longo dos tempos, como Imitação de Cristo (1441), Opera Omnia (1607), Chronicon Montis Sanctae Agnetis (Antuérpia, 1621), Orações e Meditações da Vida de Cristo e Encarnação e Vida de Nosso Senhor (Londres, 1904, 1907), Crônica dos Cônegos Regulares do Monte S. Agnes (Londres, 1906), Sermões aos Noviços Regulares (Londres, 1907).

 

Foi um dos membros originais da escola de misticismo Windesheim, que lançou o movimento conhecido como a “Nova Devoção.

 

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Para obter uma cõpia da obra Imitação de Cristo,  solicitar pelo email  zozayah@yahoo.com.br

 

 

 

 

25 de julho - São Tiago apóstolo, o Maior (~ 5 a. C. - 44)

 

 

 

Apóstolo de Jesus Cristo nascido em Betsaida da Galiléia, escolhido para ser um dos Doze, e nas várias listas dos Apóstolos dadas no Novo Testamento é sempre citado entre os quatro primeiros junto com Pedro, André e seu irmão mais novo João. Aportuguesado para Santiago, significando a junção dos termos São + Tiago, também é conhecido como o Apóstolo Ambicioso. Também pescador e filho de Zebedeu e de Salomé, estava com o irmão nas margens do lago Genesaré, quando Jesus os chamou. Testemunhou a ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37), a transfiguração (Mc 9,2-13) e a agonia de Jesus no horto do Getsêmani (Mc 14,32). De acordo com Isidoro de Sevilha, em De vita et obitu Sanctorum (71, Vida e morte dos Santos), após a ascensão de Jesus, teria evangelizado a Espanha, tornando-se seu primeiro evangelizador e depois seu patrono. Para revigorar esta tradição, no século IX o bispo Teodomiro, da cidade de Iria, afirmou ter reencontrado as relíquias do apóstolo e desde aquela época, a cidade que depois mudaria o nome para Santiago de Compostela, tornou-se importante meta de peregrinações, especialmente durante a Idade Média. Conta-se também que após a morte de Jesus, permaneceu em Jerusalém com Pedro. Foi preso juntamente com Pedro, e decapitado por ordem do rei Herodes Agripa (At 12,2), depois da execução de Estêvão (35), diácono grego e exaltado pregador cristão e personagem de grande importância na história de Paulo de Tarso. Foi, portanto, o primeiro mártir entre os apóstolos de Cristo, o primeiro a dar a vida pela Fé. Sua festa votiva é em 25 de julho.

Fonte:http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/SaoTiago.html; Fig.do site http://www.cademeusanto.com.br/

 

29 de julho – Marta e Maria de Betânia

Maria, irmã de Marta ou Maria de Betânia, a única referência sinóptica acha-se em Lucas 10:38-42 - e pelo que aí se lê parece que Marta era a dona da casa numa certa povoação. A sua irmã, Maria, tendo segundo parece, a sua parte nas hospitaleiras preparações, ficava assentada aos pés do Jesus Cristo a ouvir-lhe os ensinamentos deixando Marta sobrecarregada com o trabalho. Marta queixa-se, então, e Jesus lhe responde ternamente. É o quarto evangelho que nos diz viverem estas mulheres em Betânia, relacionando Lázaro com elas, e nos mostra que esses três membros da casa eram estimados amigos de Jesus. As partes desempenhadas por Marta e Maria, no facto da morte e ressurreição de Lázaro (João 11:1-46), estão em notável concordância com o que delas afirma Lucas no Cap. 10.

Maria de Betânia, irmã de Marta, que ungiu com óleo os pés de Jesus 6 dias antes da Páscoa de 33 d.C.. (João 12:3) João também atribui a esta Maria o acto narrado por Mateus (Cap. 26) e Marcos (Cap. 14). Ele, segundo alguns autores, procura descrever o acto como um impulso de gratidão pela volta de Lázaro a sua casa. (João 11:2 a 12:1,2)

(1) Betânia ou Bethânia era originalmente uma aldeia em Israel antiga, localizada próximo de Jerusalém. É mencionada diversas vezes (doze, mais exactamente) na Bíblia, como tendo sido visitada por Jesus Cristo. Deu origem a nomes de diversas localidades em todo o mundo, de acordo com as variantes em cada idioma, por exemplo, Bethany [1] em inglês. Originou igualmente o nome feminino Betânia, pois era onde morava a irmã de Lázaro, Maria de Betânia.

(2)Lázaro é uma personagem bíblica descrita no Evangelho segundo João como um amigo de Jesus teria ressuscitado, irmão de Marta e de Maria. Seu nome provavelmente do grego corresponde ao hebraico Eleazar (אלעזר), e significa literalmente "Deus ajudou".

De arcodo com tradição católica, o Lázaro ressuscitado teria se dirigido à Provença depois da morte de Jesus em companhia de suas irmãs e de outras pessoas. Ele também teria sido o primeiro bispo de Marselha. Na Idade Média tornou-se o padroeiro dos leprosos pela associação errada feita com seu homônimo narrado na parábola mencionada Lucas - na parábola do Lázaro e do Rico.                  Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/

 

 

30 de julho - William Wilberforce (1759–1833)

“Deus pôs diante de mim dois grandes objetivos: a abolição da escravatura e a reforma dos costumes”.

"Todos vós sois um em Cristo Jesus"

No século 18, a Inglaterra detinha o monopólio do comércio de escravos negros. Os meios de transporte eram os mais cruéis imagináveis. Boa parte da população inglesa tirava proveito desse comércio, e o povo, de maneira geral, aceitava a escravidão. Havia aqueles que enriqueciam e, por isso, defendiam com veemência o escravagismo. Mas Deus graciosamente ergueu uma geração de políticos cristãos para lutar contra o que William Carey chamou de "maldito comércio de escravos".

Preciosa graça

É surpreendente que nenhum grande reformador da história ocidental seja tão pouco conhecido como William Wilberforce. Ele nasceu numa família nobre da Inglaterra, na cidade portuária de Hull, em Yorkshire, em 24 de agosto de 1759. Naquela época, como hoje, a aristocracia vivia em meio a contradições: nela se encontravam alguns dos grandes benfeitores da nação e alguns de seus maiores corruptores. Wilberforce era fruto dessas ambigüidades.

Após estudar em uma escola em Pocklington, foi aceito em 1776 no St. John's College, na Universidade de Cambridge, onde decidiu dedicar-se à carreira política, tendo sido eleito representante de seu povoado aos 21 anos de idade. Além de repartir o dinheiro que possuía, mandou fazer um grande churrasco para todo o vilarejo, o que lhe valeu um bom número de votantes. Aos 24 anos, já era um político famoso por sua eloqüência e acabou por ser eleito representante de Yorkshire, o maior e mais importante condado da Inglaterra, chegando a Londres cheio de popularidade.

Em 1784, ainda aos 24 anos de idade, partiu para uma viagem a Nice, na França, que traria grande transformação em seu caráter. Levou consigo a mãe, Elizabeth, a irmã Sally, uma amiga dela e Isaac Milner, seu antigo professor primário, e que veio a se tornar presidente do Queen's College, na Universidade de Cambridge. Na bagagem de Milner, Wilberforce viu uma cópia do livro de Philip Doddridge - mais conhecido por ter escrito o famoso hino "Oh! Happy Day" [Oh! Dia Feliz!] -, The Rise and Progress of Religion in the Soul [O começo e o progresso da religião na alma]. Ele perguntou para seu amigo o que era aquilo e recebeu a resposta: "Um dos melhores livros já escritos". Os dois concordaram em lê-lo juntos na jornada.

A leitura desse livro e das Escrituras, acompanhada de conversas com Milner, levaram o jovem político à conversão. Ele declarou em seu diário, em fins de outubro daquele ano:

Assim que me compenetrei com seriedade, a profunda culpa e tenebrosa ingratidão de minha vida pregressa vieram sobre mim com toda sua força, condenei-me por ter perdido tempo precioso, oportunidades e talentos [...]. Não foi tanto o temor da punição que me afetou, mas um senso de minha grande pecaminosidade por ter negligenciado por tanto tempo as misericórdias indescritíveis de meu Deus e Senhor. Eu me encho de tristeza. Duvido que algum ser humano tenha sofrido tanto quanto eu sofri naqueles meses.

Wilberforce começou um programa que durou toda sua vida, de separar os domingos e um intervalo a cada manhã para se dedicar à oração e às leituras espirituais.

Uma longa e dura luta

Já de volta a Londres, a vida de Wilberforce tomou novos rumos. Ele considerou suas opções, inclusive o ministério cristão, mas foi convencido por John Newton que Deus o queria permanecendo na política, em vez de entrar para o ministério. "Espera e crê que o Senhor te levantou para o bem da nação", escreveu Newton.

Depois de muito pensar e orar, Wilberforce concluiu que Newton estava certo. Deus o chamara para defender a liberdade dos oprimidos como parlamentar. "Minha caminhada é de vida pública. Meu negócio está no mundo, e é necessário que eu me misture nas assembléias dos homens ou deixe o cargo que a Providência parece ter-me imposto", escreveu em seu diário, em 1788.

Outro que o influenciou fortemente foi JohnWesley. Newton e Wesley tinham, além de uma fé vibrante no evangelho, uma forte convicção de que não havia maior pecado pesando sobre as costas do Império Britânico do que o terrível e abominável tráfico de escravos, que Wesley batizara de "execrável vileza".

Bruce Shelley diz que os ingleses entraram nesse comércio em 1562, quando Sir John Hawkins pegou uma carga de escravos em Serra Leoa e a vendeu em São Domingos. Então, depois que a monarquia foi restaurada em 1660, o rei Carlos II deu uma concessão especial para uma companhia que levava 3 mil escravos por ano para as Índias Orientais. A partir daí, o comércio cresceu e atingiu enormes proporções. Em 1770, os navios ingleses transportavam mais da metade dos cem mil escravos vindos da África Oriental. Muitos ingleses consideravam o tráfico de escravos inseparavelmente ligado ao comércio e à segurança nacional da Grã-Bretanha.

John Wesley escreveu sua última carta a Wilberforce, em 24 de fevereiro de 1791, seis dias antes de morrer, encorajando-o a executar o plano da abolição da escravatura. Um parágrafo dessa carta diz o seguinte: "Oh! Não vos desanimeis de fazer o bem. Ide avante, em nome de Deus, e na força do seu poder, até que desapareça a escravidão americana, a mais vil que o sol já iluminou".

Foi por conta dessas influências que Wilberforce decidiu dedicar toda a força de sua juventude e todo o talento que tinha a um único objetivo que consumiria toda sua vida: a abolição do tráfico negreiro. Algum tempo depois, num domingo, 28 de outubro de 1787, ele escreveu em seu diário as palavras que se tornaram famosas: "O Deus todo-poderoso tem colocado sobre mim dois grandes objetivos: a supressão do comércio escravocrata e a reforma dos costumes.

Uma fonte de estímulo nessa luta foi sua participação ativa no chamado Grupo de Clapham (Clapham Sect), constituído de pessoas ricas cujas residências ficavam em Clapham, um elegante bairro localizado a 8 quilômetros de Londres, que apoiava muitos líderes leigos na busca de uma reforma social, liderados por um humilde ministro anglicano, John Venn. Como destacam Clouse, Pierard & Yamauchi, o Grupo de Clapham foi, de longe, a mais importante expressão anglicana na esfera da ação social. Esse grupo de leigos geralmente se reunia para estudar a Bíblia, orar e dialogar na biblioteca oval de Henry Thornton, um rico banqueiro que todo ano doava grande parte de seus rendimentos para a filantropia.

Outros que participavam do grupo eram: Charles Grant, presidente da Companhia das Índias Orientais; James Stephens, cujo filho, chefe do Departamento Colonial, auxiliou bastante os missionários nas colônias; John Shore, Lorde Teignmouth, governador-geral da Índia e primeiro presidente da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira; Zachary Macauley, editor do Observador Cristão; Thomas Clarkson, famoso líder abolicionista; a educadora Hannah More, além de outros líderes evangélicos. Dentre várias atividades, eles ajudaram a fundar a colônia de Serra Leoa, onde escravos libertos poderiam viver livres.

Clouse, Pierard & Yamauchi dizem:

Este grupo uniu-se numa intimidade e solidariedade incríveis, quase como uma grande família. Eles se visitavam e moravam um na casa do outro, tanto em Clapham, como na própria Londres e no campo. Ficaram conhecidos como 'os Santos' por causa de seu fervor religioso e desejo de estabelecer a retidão no país. Vários comentaristas observaram que eles planejavam e trabalhavam com um comitê que estava sempre reunido em 'conselhos de gabinete' em suas residências pata discutir o que precisava ser consertado e estratégias que poderiam usar para alcançar seus objetivos.

Neste grupo, discutiam os erros e as injustiças de seu país, e as batalhas que teriam de travar para estabelecer a justiça.

Os membros do Grupo de Clapham demonstraram a diferença que um grupo de cristãos pode fazer. Eles elaboraram 12 marcas que nortearam seu esforço pela reforma social na Inglaterra do século 19:

1. Estabeleça objetivos claros e específicos.
2. Pesquise cuidadosamente para produzir uma proposta realista e irrefutável.
3. Construa uma comunidade comprometida que apóie uns aos outros. A batalha não pode ser vencida sozinha.
4. Não aceite retiradas como uma derrota final.
5. Comprometa-se a lutar de forma contínua, mesmo que a luta demore décadas.
6. Mantenha o foco nas questões; não permita que os ataques malignos de oponentes o distraiam ou provoquem resposta similar.
7. Demonstre empatia com a posição do oponente, de forma que diálogo significativo aconteça.
8. Aceite ganhos parciais quando tudo o que é desejado não puder ser obtido de uma só vez.
9. Cultive e apóie suas bases populares quando outros, que estiverem no poder, se opuserem a seus projetos.
10. Transcenda à mentalidade simplista e direcione-se às questões maiores, principalmente as que envolvem questões éticas!
11. Trabalhe através de canais reconhecidos, sem lançar mão de táticas sujas ou violentas.
12. Prossiga com senso de missão e convicção de que Deus o guiará providencialmente se estiver verdadeiramente a seu serviço.

Em 1797, Wilberforce publicou um livro intitulado Practical View of Real Christianity [Panorama prático do cristianismo verdadeiro], amplamente lido e ainda publicado, que evidenciava o interesse evangélico na redenção como a única força regeneradora, na justificação pela graça por meio da fé e na leitura da Escritura em dependência ao Espírito Santo, ou seja, numa piedade prática que redundasse em serviço relevante para a sociedade. Nessa obra, ele disse sobre o cristianismo verdadeiro:

Eu compreendo que a marca prática e essencial dos verdadeiros cristãos é a seguinte: que os pecadores arrependidos, confiando na promessa de serem aceitos [por Deus], mediante o Redentor, têm renunciado e abjurado todos os outros senhores, e têm de maneira integral se devotado a Deus. Agora, seu propósito determinado é se dedicar integralmente ao justo serviço do legítimo Soberano. Eles não mais pertencem a si mesmos: todas as faculdades físicas e mentais, sua herança, sua essência, sua autoridade, seu tempo, sua influência, tudo o que desconsideram como sendo seus [...] devem ser consagrados em honra a Deus e empregados a seu serviço.

E sobre o poder e o direito:

Eu devo confessar [...] que minhas próprias [e sólidas] esperanças pelo bem-estar do meu país não depende de seus navios e exércitos, nem da sabedoria de seus governantes, ou ainda do espírito de seu povo, mas sim da [capacidade de] persuasão de todos aqueles que amam e obedecem ao evangelho de Cristo.

No tempo de Deus

Wilberforce e seus amigos do Grupo de Clapham também ajudaram a fundar escolas cristãs para os pobres, a reformar as prisões, a combater a pornografia, a realizar missões cristãs no estrangeiro e a batalhar pela liberdade religiosa. Mas Wilberforce acabou por se tornar mais conhecido por seu compromisso incansável pela abolição de escravidão e do comércio de escravos.

Sua luta começou por volta de 1787 - ele já era parlamentar desde 1780. Haviam pedido a Wilberforce que propusesse a abolição do comércio de escravos, embora quase todos os ingleses achassem a escravidão necessária, ainda que desagradável, e que a ruína econômica certamente viria ao acabar com a escravidão. Apenas uns poucos achavam o comércio de escravos errado. A pesquisa de Wilberforce o pressionou até conclusões dolorosamente claras. "Tão enorme, tão terrível, tão irremediável aparentou a maldade desse comércio que minha mente ficou inteiramente decidida em favor da abolição", disse ele à Casa dos Comuns. "Sejam quais forem as conseqüências, deste momento em diante estou resolvido que não descansarei até efetuar sua abolição." Wilberforce falou primeiramente sobre o comércio de escravos na Casa de Câmara dos Comuns em 1788, num discurso de três horas e meia, que concluiu dizendo: "Senhor, quando nós pensamos na eternidade e em suas futuras conseqüências sobre toda conduta humana, se existe esta vida, o que esta fará a qualquer homem que contradisser as ordens de sua consciência e os princípios da justiça e da lei de Deus!". Sua luta custou-lhe dezoito anos de trabalho incansável.

Os feitos de Wilberforce foram realizados em meio a tremendos desafios. Ele era um homem de constituição fraca e com uma fé desprezada. Quanto à tarefa, enquanto a prática da escravatura era quase universalmente aceita, o comércio de escravos era tão importante para a economia do Império Britânico quanto é a indústria de armamentos para os Estados Unidos hoje. Quanto à sua oposição, incluía poderosos interesses mercantis e coloniais e personalidades como o famoso Almirante Horacio Nelson e a maior parte da família real. E quanto à sua perseverança, Wilberforce continuou incansavelmente, anos a fio, antes de alcançar seu alvo. Sempre desprezado, ele foi duas vezes assaltado e surrado. Certa vez, um amigo lhe escreveu, dizendo-lhe que, do jeito que as coisas andavam, "eu espero ouvir dizer que foste carbonizado por algum dono de fazenda das Índias Ocidentais, feito churrasco por mercadores africanos e comido por capitães da Guiné, mas não desanime - eu escreverei o seu epitáfio!"

O comércio de escravos foi finalmente abolido em 25 de março de 1806. Quando a lei foi aprovada, todo o Parlamento se pôs de pé e aplaudiu Wilberforce por vários minutos, enquanto ele, já desgastado pelos anos, chorava com o rosto entre as mãos.

Ele continuou a campanha contra a escravidão em todos os territórios britânicos, e o voto crucial da famosa Lei de Emancipação chegou quatro dias antes de sua morte, em 29 de julho de 1833.

Por conta da decisão parlamentar, poderosa como era e não querendo ser lesada em seus interesses, a Grã-Bretanha declarou ao mundo que nem ela nem ninguém mais poderia traficar escravos. Além disso, tornou-se a guardiã dos mares. Logo, Portugal e Bélgica, as duas nações rivais, tiveram também de parar com o tráfico, por força do poderio naval inglês.

Um ano depois da morte de Wilberforce, em julho de 1834, 800 mil escravos, principalmente na Índia Ocidental britânica, foram libertos. Em pouco tempo, a maior parte dos países ocidentais aboliria a escravidão em definitivo.


Obras consultadas e sugeridas para aprofundamento do assunto:

CLOUSE, Robert; PIERARD, Richard; YAMAUCHI, Edwin. Dois reinos: a igreja e a cultura interagindo ao longo dos séculos. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, p. 413-20.
GUINNESS, Os. O chamado. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 35-43. KERR NETO, Guilherme. O inglês que acabou com o tráfico negreiro.
Ultimato, n.º 245, mar./1997, p. 28.
NOIL, Mark. Momentos decisivos na história do cristianismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 256-81.
SHAW, Mark. Lições de mestre: 10 insights para a edificação da igreja local. São Paulo: Mundo Cristão, 2004, p. 203-24.
SHELLEY, Bruce L. História do cristianismo ao alcance de todos. São Paulo: Shedd, 2004, p. 407-16.
WESTPHAL, Euler. A ética social na teologia de John Wesley. Vox Scripturae, 7/2, dez./1997, p. 83-97

Fonte: http://www.renas.org.br

 

 

31 de julho - José de Arimatéia

José de Arimatéia (ou Arimateia) era assim conhecido por ser de Arimatéia, cidade da Judéia. Homem rico, era membro do Sinédrio(1), o Colégio dos mais altos magistrados do povo judeu. Também conhecido como Sanhedrin, formava a suprema magistratura judaica.

Era o dono do sepulcro(2) em que Jesus Cristo, seu amigo, foi embalsamado, numa esplanada a cerca de 30 metros do local da crucifixão.

Atribui-se também a José o lençol de linho em que Jesus foi envolvido, conhecido como Santo Sudário(3).

Juntamente com Nicodemos(4), providenciou a retirada do corpo de Cristo da cruz após requisição feita a Pôncio Pilatos(5).

José de Arimatéia, de acordo com alguns pesquisadores, teria ficado de posse do cálice da Santa Ceia, levando-o para a Europa. Este cálice ficou conhecido como o Santo Graal(6), tão mencionado nas lendas Arturianas.

(1)   Sinédrio,  era o "Grande Conselho "dos notáveis de Israel, estabelecido depois do exílio para o governo da comunidade judia. Era integrado por 71 membros anciãos, sacerdotes e escribas - e presidido pelo sumo sacerdote. Era a autoridade suprema dos problemas religiosos , assim como em alguns assuntos de ordem civil. Roma limitou seus poderes. Para a pena de morte necessitava de confirmação do representante de Roma.

(2)   Um Sepulcro é uma câmara mortuária. Nas práticas antigas do povo Hebreu, ele era esculpido em rocha de uma encosta

(3) Santo Sudário

 

O Sudário de Turim ou Santo Sudário é uma pano de linho que apresenta a imagem de um homem com traumatismos vários, consistentes com crucificação. Actualmente, o sudário encontra-se exposto na Catedral de São João Baptista em Turim. Os Católicos Romanos acreditam que a imagem é a de Jesus Cristo e que o sudário é a sua mortalha e portanto uma relíquia cristã de valor incalculável. Os mais cépticos classificam a peça como um embuste. Seja qual for a explicação, o Santo Sudário tem vindo a estimular a discussão entre historiadores, crentes, cientistas e académicos.

(4) Nicodemos era, segundo o livro O JULGAMENTO DE PÔNCIO PILATOS (EDMUNDO LELLIS FILHO), um membro do sinédrio, Tribunal dos Judeus, o qual era amigo de José de Arimatéia e simpatizante de Jesus.

 Principal dos Fariseus, muito respeitado e honrado pelo povo judeu, aprendeu a lei nas melhores escolas, e tinha bastante cultura judáica cravada em sua vida, que anos de estudos lhe concederam, ninguém ousava dissuadi-lo ou questionar suas afirmações, Nicodemos era um homem letrado no que diz respeito a lei de Moisés e os ensinos farisáicos, porém um dia encontru-se com Jesus, viu seu manifesto suas obras, e não teve como não ir até ele mesmo que fosse para saber realmente quem ele era, e tudo que aprendera Jesus Cristo, lançou por terra, provando que a sabedoria humana não é nada sem Deus

(5) Pôncio Pilatos, também conhecido como Pilatos (em latim, Pontius Pilatus). Foi Procurador da província romana da Judéia entre os anos 26 e 36; período durante o qual Jesus foi condenado à morte de cruz.

(6). Santo Graal (ou Sangreal) é uma expressão medieval que designa normalmente o cálice usado por Jesus Cristo na Última Ceia. Ele está presente nas lendas arturianas, sendo o objetivo da busca dos cavaleiros da Távola Redonda, único objeto com capacidade para devolver a paz ao reino de Artur. No entanto, em outra interpretação, ele designa a descendência de Jesus (o sangraal ou sangue real), segundo a lenda, ligada à dinastia Merovíngia.

Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/