Santos de Junho:

Dia 1º - Primeiro Culto da IEAB  no Brasil, 1890

"...A igreja voltada especialmente para os brasileiros começou intencionalmente em 1890. Foi nesse ano que dois missionários americanos, Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris, organizaram a missão em Porto Alegre. O primeiro culto foi realizado na tarde do dia 1.º de junho de 1890, Domingo da Trindade, em Porto Alegre, na Rua Voluntários da Pátria, n.º 387, numa ampla casa alugada, que ficou conhecida como Casa da Missão. Na época, a cidade tinha aproximadamente 60 mil habitantes. No ano seguinte, chegaram os missionários William Cabell Brown, John Gaw Meem e a professora Mary Packard. Esses cinco missionários podem ser considerados como os verdadeiros fundadores da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) em solo brasileiro. Em seguida, estabeleceram missões em Santa Rita do Rio dos Sinos (hoje Nova Santa Rita), Rio Grande e Pelotas. Essas três cidades e a capital do Estado logo se transformaram em importantes pontos estratégicos e centros irradiadores da expansão e do desenvolvimento da nascente igreja.

Desde o início, os missionários contaram com a imprescindível participação de muitos brasileiros. Entre esses intrépidos pioneiros e destemidos arautos do evangelho estão Vicente Brande, o primeiro a acolher os missionários em Porto Alegre; Américo Vespúcio Cabral, grande pregador e por isso conhecido como o "João Crisóstomo brasileiro"; Antônio machado Fraga, que ajudou a fundar a então Capela de Redentor em Pelotas, hoje catedral diocesana, e depois ele mesmo fundou o trabalho em São Leopoldo e Montenegro; Boaventura de Souza Oliveira, que se juntou aos missionários ainda em São Paulo para vir ao sul com a família; Júlio de Almeida Coelho, que trabalhou a maior parte de seu ministério em Jaguarão e São Gabriel; Antônio José Lopes Guimarães, fundador da igreja em Bagé; e Carl Henry Clement Sergel, um ex-bancário inglês que ajudou William Cabell Brown a estabelecer a igreja no Rio de Janeiro e que construiu as igrejas de Santa Maria e Santa do Livramento. Esses pioneiros clérigos nacionais ajudaram também a implantar a igreja em Viamão (1895), Jaguarão (1898), Santa Maria (1900), Bagé (1903), São Leopoldo (1904), São Gabriel (1906), Rio de Janeiro (1908) e em muitas outras cidades e zonas rurais no Rio Grande do Sul, onde se concentra a maior parte. Muitos outros vieram depois e implantaram igrejas e capelas em vários lugares do território nacional, principalmente no nordeste, onde hoje a igreja cresce tanto quanto crescia no início de sua história.

Em 1899, a IEAB teve seu primeiro bispo na pessoa do missionário Lucien Lee Kinsolving. Agora, o tríplice ministério da Igreja (bispos, presbíteros e diáconos) estava completo. Em 1907, a novel missão brasileira se transformou em distrito missionário, vinculado a Convenção Geral da Igreja Episcopal dos Estados Unidos. Em 1925, a Igreja Episcopal teve o seu segundo bispo na pessoa de William Mathew Merrick Thomas, um missionário que havia chegado ao Brasil em 1904. Primeiro como bispo sufragâneo e depois como bispo diocesano, Thomas consolidou o trabalho desbravado por Kinsolving. Mas o primeiro bispo brasileiro só veio em 1940, com a sagração de Athalício Theodoro Pithan como bispo sufragâneo, quando a Igreja Episcopal completou 50 anos de atividades no Brasil.

A Igreja crescia e as distâncias entre as comunidades locais aumentavam, dificultando o atendimento das paróquias e missões espalhadas por todo o país. Era preciso reorganizar o distrito missionário. Um memorial do clero do Rio de Janeiro deu início ao processo que resultou na divisão do distrito em três dioceses. Isso foi em 1950. A nova divisão era formada por três regiões eclesiásticas: Diocese Meridional, com sede em Porto Alegre (RS); Diocese Sul-Ocidental, com sede me Santa Maria (RS); e Diocese Central (hoje denominada Diocese Anglicana do Rio de Janeiro), com sede na ex-capital federal. Mais tarde, quatro novas dioceses foram criadas: Diocese Sul-Central (atual Diocese Anglicana de São Paulo) em 1969, Diocese Setentrional (atual Diocese Anglicana do Recife) em 1976, Diocese Missionária de Brasília (atual Diocese Anglicana de Brasília) em 1985 e Diocese Anglicana de Pelotas em 1988. Em 1965, veio a autonomia administrativa, quando a Igreja brasileira se transformou na 19.ª Província da Comunhão Anglicana e elegeu o seu primeiro bispo primaz na pessoa do bispo Egmont Machado Krischke. O processo de emancipação da IEAB, até então dependente da igreja americana, se completou com a independência financeira adquirida em 1982.

Hoje, a IEAB tem templos, missões e instituições educacionais e assistenciais em mais de 150 diferentes localidades do país, concentrando-se a maior parte no Rio Grande do Sul. Ao longo de sua já centenária história, a Igreja do Brasil acumulou uma relação de 103 mil membros batizados e 45 mil confirmados. (Para conhecer mais a história da igreja, veja o livro Notas para uma história da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, do rev. Oswaldo Kickhöfel, Livraria Anglicana, Porto Alegre, 1995.)"  Fonte: IEAB/DASP

 

2 a 8 - Setenário dos Pioneiros da IEAB:

    James Watson Morris

    Lucien Lee Kinsolving (1º Bispo residente da IEAB)

    William Cabell Brown

    John Gaw Meem3

    Américo Vespúcio Cabral

    Antonio Fraga

    Vicente Brande

Obs. Os dados biográficos dos pioneiros da IEAB podem ser encontrados no livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do REv. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988.

 

1º de Junho: Justino, Mártir de Roma, 167

 

Justino Mártir: Defensor da Igreja

Foto Wikipedia, A enciclopédia livre


Rick Walde

A conversão de Justino e seus escritos
Em um
programa anterior eu falei sobre as perseguições que os cristãos experimentaram na igreja primitiva. {1} Uma das características mais marcantes dos cristãos perseguidos era o valor que eles tinham na hora da execução. De fato, nós sabemos por um adulto convertido do segundo século que este valor foi um fator de fazê-lo se abrir para o Evangelho. Este convertido foi um filósofo chamado Justino que você conhece bem como Justino, mártir. Justino foi um dos apologistas ou defensores mais antigos da Igreja. O historiador Robert Grant diz que Justino "foi o apologista mais importante do segundo século". {2} Ao vermos o trabalho de Justino, ao decorrer deste estudo, veremos as semelhanças entre as acusações feitas contra os cristãos em sua época e na nossa. Talvez nós aprenderemos algo deste cristão do segundo século.

A vida de Justino

Crê-se que Justino nasceu depois de 100 d.C. Seu lugar de nascimento foi em Flavia Neapolis, na Síria-Palestina, ou Samaria. {3} A educação infantil de Justino incluía retórica, poesia e história. Como jovem adulto mostrou interesse por filosofia e estudou primeiramente estoicismo e platonismo. {4} Justino buscava a Deus que "é a meta da filosofia de Platão" dizia.{5}

Justino foi introduzido na fé diretamente por um velho homem que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e então lhe falou sobre Jesus. Ele falou a Justino sobre os profetas que vieram antes dos filósofos, ele disse, e que falou "como confiável testemunha da verdade".{6} Eles profetizaram a vinda de Cristo e suas profecias se cumpriram em Jesus. Justino disse depois que "meu espírito foi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e para aqueles que são amigos de Cristo, tomaram conta de mim; enquanto ponderava nestas palavras, descobri que a sua era a única filosofia segura e útil...é meu desejo que todos tivessem os mesmos sentimentos que eu e nunca desprezassem as palavras do Salvador." {7} Justino buscou cristãos que lhe ensinaram história e doutrina cristã e então "se consagrou totalmente a expansão e defesa da religião cristã." {8}

Justino continuou usando a capa que o identificava como filósofo e ensinou estudantes em Éfeso e depois em Roma. James Kiefer nota que "ele entrava em debates com não-cristãos de todas as variedades, pagãos, judeus e hereges." {9}

A convicção de Justino da verdade de Cristo era tão completa que ele teve morte de mártir por volta de 165 d.C. Eusébio, o historiador da Igreja antiga, disse que ele foi denunciado por cínico Crescêncio com quem ele entrou num debate brevemente antes de sua morte.{10} Justino foi decapitado junto com seis de seus alunos.

O historiador Philip Schaff resume o caráter de Justino e seu minsitério dessa forma:

Ele havia adquirido cultura clássica e filosófica considerável antes de sua conversão e então a fez ficar subordinada a defesa da fé. Ele não era um homem de gênio e precisão lógica, mas tinha talento respeitável, ampla leitura e memória enorme...tinha a coragem de um confessor em vida e de um mártir na morte. É impossível de não admirar sua intrépida devoção a causa da verdade e a defesa dos irmãos perseguidos. {11}

Os escritos de Justino

Vários livros são atribuídos a Justino, mas só três são aceitos como genuínos. São os que se chamam agora de Primeira Apologia, Segunda Apologia e o Diálogo com Trifão, o Judeu. Sua Primeira Apologia é dirigida ao Imperador Antonino Pio que reinou de 138-161 d.C., seus filhos Lucius e Marco Aurélio, todo o senado romano e "a todos os romanos". {12} A Segunda Apologia é dirigida ao senado romano, ainda que já havia sido endereçada pela Primeira. Os dois foram escritos para contestar a perseguição.

Justino e a filosofia grega

O entendimento do cristianismo de Justino foi filtrado pela filosofia que ele aprendeu. O platonismo de sua época tinha grande força teísta e seu alto tônus moral parecia comprovar o cristianismo. Justino (e outros) ligaram o Logos da filosofia com o Logos de João capítulo 1.O historiador Philip Schaff descreve o pensamento desta maneira:

O Logos é a razão pré-existente, absoluta, pessoal e Cristo é a encarnação dele, o Logos encarnado. Qualquer coisa racional é cristã e qualquer coisa cristã é racional. Os Logos dotaram a todos os homens da razão e liberdade que não estavam perdidos desde a queda. Ele espalhou sementes da verdade antes de sua encarnação, não só entre os judeus, mas também entre os gregos e bárbaros, sobretudo entre os filósofos e poetas que são os profetas pagãos. Os que viveram razoavelmente e virtuosamente em obediência a esta luz preparatória foram de fato cristãos, ainda que não no nome; ao contrário, os que viveram irracionalmente eram inimigos de Cristo. Sócrates foi um cristão assim como Abraão, ainda que ele não o conheceu. {13}

Além desses ensinos, Justino (e outros) criam que os ensinos de Moisés foram passados aos egípcios e destes aos gregos. {14} Deus simplemente não era conhecido por meio da razão abstrata; ele foi conhecido por Sua fala aos profetas que por sua vez o fez conhecido aos outros. {15}

Se a idéia de Justino sobre Cristo e o Logos parece estranha, devemos ter em mente que nós, também, interpretamos o cristianismo segundo as interpretações dos filósofos de nossos dias. Não somos leitores totalmente imparciais da Escritura.

Por exemplo, nos tempos modernos a ciência tem se considerado a suprema fonte da verdade. Isto alimentou o desenvolvimento da apologética evidencial. Este é um método que dá ênfase a fatos históricos e naturais como evidências para a fé. Mas os estudiosos tem sugerido que os fatos não são valores livres de "verdades" do pensamento moderno. Outros cristãos que objetam ao que eles consideram serem parecidos com pensamentos racionalistas de  filósofos existencialistas que se preocupám mais pela condição humana. Em outras áreas, também, nós revelamos os ideias do modernismo em nossas vidas cristãs. Quantos livros "como...." estão nas estantes cristãs? Há uma tendência a ter uma atitude tipo "faça isto e tal e tal acontecerá" na sua vida pessoal e espiritual. A técnica apropriada é uma noção muito moderna.

Assim, nós não devemos ser rígidos com Justino Mártir. Ele foi um homem de sua época que melhor explicou e defendeu as crenças cristãs usando o pensamento com que estava familiarizado. Ao fazer isso, deu importante força para o desenvolvimento da teologia e apologética da Igreja antiga.

A apologética de Justino

O tratamento injusto aos cristãos

Em suas duas Apologias, a primeira meta de Justino foi defender os cristãos em lugar do cristianismo em si. {16} Os cristãos estavam sendo tratados injustamente; a ambição de Justino foi conseguir um tratamento justo para eles. A perseguição havia chegado ao ponto de os cristãos serem julgados só por terem o nome de cristãos. Seus hábitos no culto eram estranhos, sua negação em participar dos cultos cívicos e ao culto ao imperador, e suas crenças estranhas eram bastante para prejudicá-los. Assim, para alguns imperadores e governadores, só o fato de ter o nome cristão era o bastante para levá-lo a juízo.

Cristãos e ateísmo

Parte do problema era uma má interpretação da crença cristã. Por não renderem culto aos deuses gregos e romanos, os cristãos eram chamados ateus. Justino perguntou como eles podiam ser ateus já que eles rendiam culto "ao Deus verdadeiro". Os cristãos rendem culto ao Pai, Filho e Espírito Santo, ele disse, e "lhes dão homenagens com razão e verdade". Justino também apontou a inconsistência dos governantes romanos. Alguns de seus próprios filósofos ensinaram que não havia nenhum deus, mas eles não os perseguiram só por terem o nome de filósofos. E pior, alguns poetas denunciaram Júpiter mas foram honrados por líderes governamentais.  {17}

Cristãos e cidadania

Outra acusação contra os cristãos era que eles eram inimigos do estado. Sua falta de participação em rituais pagãos que eram parte da vida pública cotidiana durante essa época e sua pregação sobre pertencer a outro reino os levou a acusações de que não eram bons cidadãos. Justino respondeu que eles não estavam buscando um reino terreno, que ameaçasse Roma. Se estivessem, eles não morreriam serenamente, mas se esconderiam até esperar que tal reino viesse na Terra. Além disso, ele insistiu que "nós, mais do que todos os homens, somos de verdade seus auxiliadores e aliados para criar a paz", porque os cristãos pensavam que estariam diante de Deus um dia e dariam conta de suas vidas. {18} "Só adoramos a Deus", ele disse, "mas em outras coisas nós os obedeceremos alegremente e o reconheceremos como reis e governantes dos homens"  {19} Como exemplo específico de serem bons cidadãos, Justino citou que os cristãos são fiéis em pagar os impostos porque Jesus disse que assim o deviam fazer (Mt. 22:20-21). O argumento geral de Justino era que por viverem uma vida correta, algo pregado pela filosofia grega, os cristãos eram por conseguinte bons cidadãos.

A situação hoje

Este tipo de situação lhe parece familiar? Hoje, ter o nome de fundamentalista e ser ligado a um cristão bem conhecido como Jerry Falwell ou Pat Robertson é o bastante para ser acusado de mal-inspirado, intolerante e mente fechada e certamente nocivo a sociedade. {20} Se nós cristãos guardarmos nossa crença em segredo, mas em público, aceitarmos idéias seculares, seremos aceitos. A isto devemos responder como Justino fez, não ficando vermelhos ou dando nomes mas afirmarmos nossa crença e mostrar que nós - e o cristianismo em si - realmente não somos nocivos a sociedade, mas de fato somos bons para ela. Isto poderia ser persuasivo a alguns, mas certamente não a todos, talvez não na maioria. Mas por esclarecer o que nós cremos e por que nós cremos, fortaleceremos nossa igreja e isto é importante se, como creio, cristãos são enfraquecidos mais por serem chamdos de cristãos do que por ataques a doutrina.

Cristianismo como moral

Além de serem chamados inimigos do estado e ateus, a igreja antiga era acusada de se envolver com imoralidade. Por exemplo, dizia-se que eles realizavam orgias e canibalismo em seus cultos. Em suas apologias, Justino defendeu os cristãos como seres transformados de alta moral.

Em primeiro lugar, disse Justino, os cristãos demonstravam sua honestidade por não mentir quando em julgamento. Por serem pessoas da verdade, eles confessariam sua fé até a morte. Ele amavam a verdade mais que a vida. Os cristãos foram pacientes em tempos de perseguição e mostravam amor inclusive a seus inimigos.

Esta atitude de viver segundo a verdade era um exemplo de mudança provocado nas vidas das pessoas seguindo sua conversão. Um escritor diz que esta mudança chegou a ser conhecida como "a triunfal canção dos apologistas".{21} Justino disse:

Nós quem uma vez revelávamos impureza, agora somos limpos pela pureza; nós que antes nos dedicávamos às artes da mágica agora nos consagramos ao bom e digno Deus; nós que antes amávamos as riquezas e posses mais que tudo agora distribuímos todos os nossos bens a comunidade e compartilhamos com cada pessoa necessitada; nós que antes matávamos e nos odiávamos e não compartilharíamos nosso lugar com pessoas de outra tribo devido a seus [diferentes] costumes, agora, depois da vinda de Cristo, vivemos juntos com eles e oramos para nossos inimigos e tentamos convencer aqueles que nos odeiam injustamente....{22}

Justino também deu ênfase a casta conduta dos cristãos, em resposta a acusações de conduta imoral durante o culto. Para mostrar como isso não era verdade, ele contou a história de um homem que foi perguntado por um cirurgião que o queria fazê-lo de eunuco para provar que os cristãos não praticam promiscuidade. O pedido foi negado, porque o homem escolheu ficar solteiro e seguir seus companheiros cristãos. {23}

Uma das táticas apologéticas de Justino era contrastar o que os cristãos eram falsamente acusados e castigados, com que os romanos faziam com impunidade. Por exemplo, os cristãos eram acusados de matar crianças em seus cultos e comê-las depois. Justino lembrava que os adoradores de Saturno se entregavam a matar e beber sangue e outros pagãos que jogavam sangue de homens e animais em seus ídolos. Os cristãos eram acusados de imoralidade sexual, mas eram seus críticos, Justino dizia, quem imitavam "Júpiter e os outros deuses na sodomia e relações pecadoras com mulheres."{24}

Hoje, cristãos que se opõe ao aborto são ditos que odeiam mulheres. Aqueles que crêem que a homossexualidade é errada são chamados de intolerantes. Quando nós tentamos aprensentar nosso caso como Justino fez pode ser difícil achar um ouvinte. Isto não quer dizer que nós devemos esclarecer nossas crenças ou mostrar que os críticos é que são os praticantes das coisas que nos acusam {25}O que nós precisamos lembrar é que um esclareciemento dos ensinos cristãos não é o bastante. Não foi assim no tempo de Justino. Veja os meios que ele listou que uma pessoa vem a Cristo. Ele disse que muitos "mudaram de uma vida de violência e tirania, porque ou eles foram conquistados pelo exemplo de vida de seus vizinhos ou pela estranha paciência que eles viram em seus amigos sendo acusados injustamente, ou  por ver sua honestidade nos negócios." {26} A alta moral dos cristãos, ainda que muito difamada, era um poderoso testemunho e apologético para a fé.

O caso de Justino para Cristo
Como parte de sua defesa dos cristãos ante o imperador e o senado, Justino também defendeu que o cristianismo era verdade. Isto foi importante porque a razão e a busca da verdade eram muito valorizadas pela intelectualidade romana. Já que uma das acusações contra os cristãos era que eles tinham crenças supersticiosas, tinha que ser mostrado que suas crenças eram racionais. Vejamos o caso central de Justino para a verdade do cristianismo, a saber, que a vinda de Cristo - o Logos de Deus - foi predita pelo Espírito Santo por milhares de anos antes.

Logos eterno

Antes eu falei de como Cristo era identificado como o Logos - a razão do Universo - de que os filósofos falavam. Falar dele nestes termos conquistaria as classes cultas de sua época. Como um historiador disse: "sempre que [o Logos] era mencionado, a atenção de todos era conquistada". {27} Era  importante mostrar a racionalidade da fé, e o Logos era o locus da razão nas altas escolas de filosofia grega.  Para citar Philip Schaff de novo, "o cristianismo é a alta razão" para Justino. "O Logos é a razão pré-existente, absoluta, pessoal e Cristo é a encarnação dele, o Logos encarnado. Qualquer coisa racional é cristã e qualquer coisa cristã é racional." {28} Isso garantiu a racionalidade do cristianismo, identificando a Jesus como o Logos indicando Sua antigüidade, que era importante para a mentalidade grega em estabelecer uma crença. Devo notar aqui que esta ênfase na razão não deve nos fazer pensar que a fé não significava nada para Justino. Ele se refere muitas vezes a fé em suas apologias. Ele fala de nós sendo transformados "por fé através do sangue e da morte de Cristo". {29} Ele  inclusive se refere a Abraão que "foi justificado e abençoado por Deus devido a sua fé nele." {30} No entanto, o assunto de conhecimento é central aqui porque Justino deu mais peso em crer nos ensinos de Cristo que crer no próprio Cristo.

Profecias cumpridas

Mas por que esta interpretação sobre Jesus deve ser acreditada? A razão era que Ele foi o cumprimento das profecias feitas há milhares de anos antes que se demonstrasse que Ele não era apenas um homem que podia fazer mágica, mas era o Filho de Deus. "Nós fomos testemunhas oculares dos eventos ocorridos e tem passado da mesma maneira em que eles foram preditos [sic] ," ele disse. Justino resumiu as profecias do Antigo Testamento sobre Cristo desta maneira:

Nos livros dos profetas, de fato, nós encontramos a Jesus nosso Cristo predito como vindo a nós  nascido de uma virgem e pregando a humanidade, curando cada enfermidade e doença, ressucitando mortos, sendo odiado, irreconhecido e crucificado, ressucitando, ascendendo ao Céu e se chamando e realmente sendo o Filho de Deus. E que Ele enviaria certas pessoas a cada nação para fazer conhecido estas coisas e que os gentios acreditariam [antes que os judeus] nele. Ele foi predito, em verdade, antes que Ele realmente aparecesse, primeito cinco mil anos antes,  depois quatro mil anos, então três mil, então dois mil, então mil e finalmente oitocentos. Por isso, novos profetas vieram anos depois. {32}

Não só foi o cumprimento da profecia notável em si mesmo, mas também foi significante que tais profecias foram feitas muito antes dos filósofos gregos, pois, diferente de hoje, a antigüidade era importante para a mentalidade grega em estabelecer uma crença.

Conclusão

Para aqueles que precisam reforçar sua teologia e apologética, Justino, Mártir proporciona um exemplo daqueles que tomaram sua fé muito à sério na igreja antiga e quem procurou ser uma boca para o Senhor e defensor de Sua pessoa. Schaff diz que "[os escritos de Justino] atestam sua honestidade e seriedade, seu entusiástico amor para o cristianismo e sua audácia em sua defesa contra os ataques de pecados e perversões dentro dele{33} Enquanto pode nos parecer que o cristianismo era só filosofia para Justino, o historiador Jaroslav Pelikan diz que a fé de Justino se alimentou mais pelo que a igreja confessava do que por sua prórpria especulação filosófica. "Ele estava, acima de tudo, pronto para dar sua própria vida para Cristo; e seu martírio fala mais alto, como doutrinamente, faz sua apologética."  {34}

Notas

Rick Wade, Perseguição na Igreja Antiga, Probe Ministries, Set. 1999. Este artículo está disponível originalmente em  http://www.probe.org/docs/persecution.html.
Robert M. Grant, Greek Apologists of the Second Century  (Filadelfia: Westminster Press, 1988), 50.
Justin Martyr, First Apology, in Writings of Saint Justin Martyr, trans. Thomas B. Falls, The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 33.
James E. Kiefer,  "Justin Martyr, Philosopher, Apologist, and Martyr,"(http://justus.anglican.org/resources/bio/175.html).
Justin Martyr, Dialogue With Trypho, in Writings of Saint Justin Martyr, trans. Thomas B. Falls,
 The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 151.
Ibid., 159.
Ibid., 160.
Philip Schaff, Ante-Nicene Christianity: A.D. 100-325, vol. II in History of the Christian Church
 (Grand Rapids: Eerdmans, 1910), 714.
Kiefer, "Justin Martyr".
The Catholic Encyclopedia, s.v. "St. Justin Martyr."(http://www.newadvent.org/cathen/08580c.htm). See also Justin's own prediction of his betrayal in The Second Apology, in Writings of Saint Justin Martyr, trans. Thomas B. Falls, The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 122-23.
Schaff, 715.
Justin, Primeira Apologia, 33.
Schaff, 723.
The New Encyclopedia Britannica, 15th ed., Macropaedia, s.v. "Platonism and Neoplatonism," by A. Hilary Armstrong.
See also Justin, First Apology, 81.
Enciclopedia católica.
La Robert Grant crê que o martírio de Policarpo em Roma levou Justino a escrever para o imperador.
Grant, Greek Apologists of the Second Century, 53.
Justin, Primeira Apologia, 37-39.
Ibid., 43-44.
Ibid., 52.
O leitor talvez gostaria de ver meu artigo  Not a Threat: The Contributions of Christianity to Western  Society em nosso Web site http://www.probe.org/docs/threat.html.
Thomas B. Falls, en Justin, First Apology, 47, nota 2.
Justin, Primeira Apologia, 47.
Ibid., 65.
Ibid., 133.
Este tipo de discussão pode ser geralmente difícil devido ao relativismo moral de nossos dias. Um bom livro para ler que mostra que os americanos não são tão relativistas quanto pensam é de William D. Watkins, The New Absolutes  (Minneapolis: Bethany House, 1996). Para um resumo das idéias de Watkins, veja meu artigo O Novo Absoluto em
http://www.probe.org/docs/new-abso.html.
Justin, Primera Apologia, 50.
Reinhold Seeberg, citado en J.L. Neve, UNA Historia de Christian Pensamiento, vol. 1 (Filadelfia: El Muhlenberg Press, 1946), 46.
Schaff, 723.
Justin, Diálogo, 166.
Ibid., 183.
Justin, Primera Apologia, 66.
Ibid., 68.
Schaff, 719.
Pelikan, 143.

© 2000 Probe Ministries International.
Tradução: Emerson de Oliveira



Sobre o Autor
Rick Wade é graduado pelo Instituto Bíblico de Moody, com B.A. em comunicações (rádio) em 1986. Ele foi graduado cum laude em 1990 pela Escola Evangélica de Divindade com um M.A. em Pensamento Cristão (teologia/filosofia de religião) onde seus estudos culminaram em uma tese na apologética de  Carl F. H. Henry. Rick e sua família moram em Rowlett, Texas. Pode ser encontrado em 
rwade@probe.org.

  

02 de Junho: JAMES WATSOM MORRIS

 O Seminário de Virginia nos Estados Unidos foi sempre um foco irradiador do espírito missionário da Igreja Episcopal americana. Desde 1830 surgiram missionários enviados em nome de Cristo e sua Igreja para o Japão, China, Ásia e África.
Dentro do próprio Seminário, entre os próprios estudantes havia un núcleo da Aliança Missionária de Seminários, do qual era presidente o estudante James Watsom Morris. Nas imediações do Seminário, residia uma família onde parava uma filha do Rev. Simonton, pioneiro da Igreja Presbiteriana no Brasil. Através dessa moça, que conhecia o Brasil, os estudantes vieram a saber muita coisa sobre nossa Pátria e ficaram entusiasmados. Morris, que pretendia ser missionário no Oriente, mudou de idéia, optando pelo Brasil. Aproximando-se o tempo de sua ordenação, foi a Nova York decidir com a direção da Igreja sua vinda ao Brasil. A Sociedade Missionária, porém, só enviaria dois, a exemplo do que fez Jesus com a missão dos 70 (Lucas 10).
Enquanto Morris lá se angustiava pelo impasse da falta de um companheiro, por divina providência, este aparece na pessoa de seu colega Lucien Lee Kinsolving, que do Seminário telegrafara para a chefia da Igreja, dizendo: “Enviai-me com Morris. Kinsolving”.

Depois de fracassadas as tentativas de Martyn em 1805, de Cooper em 1853 e de Holden em 1859, vê-se Morris realmente ser o pioneiro da Igreja no Brasil. Desde o início ele manteve sua decisão, enfrentando dificuldades, mas sempre disposto a ir até o fim e fazer triunfar o seu ideal, como de fato aconteceu.
Finalmente, Morris e Kinsolving foram ordenados ao diaconato em 29 de junho_de 1889 na Capela do Seminário. Por terem de partir em missão, por concessão especial, foram elevados ao presbiterado em 4 de agosto de 1889. No dia 31 desse mês, embarcaram para o Brasil no vapor Aliança, aqui chegando em 26 de setembro. Seguiram direto para São Paulo e dali para Cruzeiro, pequena cidade do interior paulista. Durante seis meses permaneceram em Cruzeiro estudando português com o Rev. Benedito Ferraz, da Igreja Presbiteriana.

Durante a estadia deles alí deu-se a proclamação da República do Brasil, pela qual a Igreja Romana deixaria de ser Igreja Oficial do Brasil, pelo menos no papel. Em 12 de abril de 1890, os missionários partiram para o Rio Grande do Sul, acompanhados do casal Boaventura Souza de Oliveira e sua esposa Inês, presbiterianos. Traziam também do educacionista e filológo Rev. Eduardo Carlos Pereira uma carta de apresentação ao Sr. Vicente Brande, da Igreja Presbiteriana de São Paulo, professor que mantinha uma escola mista nas imediações da hoje Beneficência Portuguesa em Porto Alegre.

Chegaram a Porto Alegre a 21 de abril de 1890, dia de Tiradentes. Bem recebidos e acolhidos pelo professor Brande, pediram-lhe que descobrisse uma casa para alugar, onde se estabelecesse a Missão. Um dia depois já estava alugada a casa de propriedade de um fazendeiro de Santa Rita do Rio dos Sinos, Coronel Zeferino Fraga, situada à rua Voluntários da Patria 387, mais ou menos onde hoje fica a casa comercial Fracalanza.

No dia 1º de junho de 1890, domingo da Trindade, na Casa da Missão, como passou a denominar-se a sala adaptada para servir de capela, os missionários celebraram, às 15 horas e 30 minutos, o primeiro ofício religioso da Igreja Episcopal que estavam trazendo ao Brasil. Foi pregador o Rev. Morris e Kinsolving dirigiu a parte litúrgica.

A partir de então todos os domingos lá estava a Casa da Missão cheia de gente assistindo aos ofícios. A partir desse ponto, focaremos mais o currículo de Morris; e depois faremos o de Kinsolvimg.

Em 3 de fevereiro de 1891, foi inaugurada_na Casa da Missão, a Escola Americana, um colégio de instrução primária, à qual mais tarde foi incorporada a Escola Mista do Sr. Brande. Foi o Rev. Morris, na companhia de Boaventura de Oliveira, que visitaram pela primeira vez a fazenda dos Fraga em Santa Rita e estabeleceram ali uma missão da Igreja, a Igreja do Calvário, inaugurada em 15 de março de 1896.

Havia em Rio Grande uma congregação presbiteriana fundada pelo missionário de origem holandesa, Rev. Emanuel Van Orden, e dirigida na época pelo Rev. Manoel Antonio Menezes, presbiteriano. A referida congregação manifestou desejo de se transferir para a Igreja Episcopal. Depois do acordo entre as partes,  foram então recebê-la em nome da Igreja Episcopal o Rev. Morris e o Sr. Vicente Brande. Fez a entrega o Rev. Menezes, que deve ter regressado a São Paulo.

O Rev. Menezes era um literato. O hino 83 de nosso hinário é de sua autoria. Em outubro de 1891 chegaram ao Brasil mais os missionários Brown e Meem e a profa. Mary Packard.

A esta altura, já haviam ingressado na Igreja dois moços entusiasmados, Américo Vespúcio Cabral e Antonio Machado Fraga, que com Boaventura e Brande colaboraram com os missionários. Morris foi sempre o líder à testa da missão. Sempre dinâmico e zeloso, inteiramente dedicado ao trabalho. Nos primeiros tempos ficou ele encarregado da Casa da Missão e da Missão em Santa Rita, auxiliado por Boaventura de Oliveira. Ao passo que o Rev. Brown, auxiliado por Cabral, atendia a Missão da rua Riachuelo. O Rev. Kinsolving e Brande atendiam a Missão em Rio Grande. O Rev. Meem e Fraga estavam organizando a Missão em Pelotas. Os 4 auxiliares leigos foram promovidos a catequistas, Cabral, Brande, Fraga e Boaventura

A sugestão de criar urna Comissão Permanente foi também de Morris. Ela foi formada em 1895, para servir como Autoridade Eclesiástica na ausência do Bispo. Seus componentes eram os Reverendos Morris, Kinsolving, Brown e Meen, e os Senhores Major Sarmento, de Santa Rita, Ângelo Catalan, de Rio Grande e Alípio dos Santos, de Pelotas. Foi de Morris tambem a sugestão de se criar um jornal, e em janeiro de 1893 surgiu o Estandarte Cristão, cujos redatores eram os Reverendos Morris e Brown.

No 2º Concilio, naquele tempo chamado Convocação, Morris sugeriu um nome para a Igreja, o qual foi aceito: Igreja Episcopal Brasileira.

Essa convocação se reuniu na Capela da Trindade, em abril de 1895.

Em dezembro de 1899, o Rev. Morris e sua família, acompanhados do Bispo Kinsolving, chegaram a Santa Maria. Nos dias seguintes fizeram algumas conferências no Salão Nobre da Prefeitura, cedido pelo Prefeito Coronel Francisco de Abreu Vale Machado, cuja família depois filiou-se à Igreja.

O Bispo regressou a Porto Alegre deixando o Rev. Morris encarregado de abrir uma Missão da Igreja em Santa Maria. Foi então, alugada uma sala na rua do Comércio, hoje Dr. Bozano 54, onde fica a casa comercial “Irmãos Ugalde”. Essa sala foi inaugurada como Capela no domingo 11 de fevereiro de 1900 pelo Rev. Morris com a presença do Bispo Kinsolving que de Porto Alegre veio especialmente para esse ato.

No domingo 4 de março, iniciou-se regularmente a Escola Dominical já com a presença de 20 alunos. O trabalho cresceu atraindo famílias tradicionais da cidade como os Vale Machado, os Appel, os Niederauer, os Rolin e outras.

Em março de 1902, por motivo de doença_da família, o Rev. Morris segue para os Estados Unidos. Só regressando em 1920 para assumir a reitoria de nosso Seminário em Porto Alegre. Durante os anos em que esteve em_Santa Maria, o Rev. Morris, auxiliado por alguns candidatos às Sagradas Ordens, tais como Carlos Sergel e .Julio Coelho, que com ele estudavam por algum !enpo ali, estabeleceu pontos de pregação no bairro Itararé, nos distritos de Camobi e Pinhal e nos municípios de Julio de Castilhos e Restinga Seca. Em 1929, Morris se aposenta e volta novamente para os Estados Unidos.

Em 31 de março de 1954, falece o Rev. Dr. James Watson Morris em Richmond, capital do Estado de Virgínia, Estados Unidos. Seus restos mortais repousam no Cemitério do Seminário do Virgínia de onde um dia havia partido cheio de esperança e fé para o Brasil.

Morris nos deixou um legado edificante através de seu fervor missionário, de suas realizações e_de sua fé inquebrável. Foi ele um homem de visão e de caráter impoluto, inteiramente voltado ao serviço de Deus através de Sua Igreja. Nestes dias, em que a religião é tão superficial na vida das pessoas, quando a virtude e o bem são relegados a uma escala inferior, onde as forças do mal se alastram infrenes, como é confortador mirarmo-nos no vulto varonil, nobre e santo de James Watson Morris, Deus o guarde na sua glória.

Obs. Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988

 

3 de junho - LUCIEN LEE KINSOLVING (1º Bispo residente da Igreja Episcopal do Brasil)

Nasceu em 14 de maio de 1826 no Estado de Virginia, Estados Unidos. Descendente dos Kinsolving e dos Lee, entre cujos antepassados dois assinaram a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Estudou no Colégio Episcopal de Virginia ingressando depois na Universidade. Em 1886 matriculou-se no Seminário Teológico de Virginia revelando-se como grande orador sacro. Consideravam-no um prodígio da eloqüência. Levado pelo fervor missionário, depois de ordenado com Morris, partiram ambos para o Brasil. Depois de seis meses estudando português em São Paulo, com Morria, partiu para Porto Alegre chegando a 21 de abril de 1890. Na inauguração da “Casa da Missão” em 12 de junho de 1890, ele fez a parte litúrgica e Morris pregou. Em 7 de junho de 1891 voltou aos Estados Unidos para unir-se em santo matrimônio com Alice Brown, natural do Estado de Nova Jersey. Dona Alice teve papel destacado na Igreja Brasileira ao lado de seu esposo, principalmente na organização da Sociedade Auxiliadora, baluarte poderoso da Igreja por  todo o mundo. A Federação Nacional da SAE, foi criada também por ela, na 7ª Convocação reunida em Santa Maria em outubro de 1905. Sua diretoria, porém, foi eleita depois na Trindade, em  Porto Alegre.O jovem par de regresso dos Estados Unidos_passou a residir em Rio Grande_e Kinsolving assumiu a direção da paróquia do Salvador, então, a maior de nossas congregações em virtude do acréscimo do grupo Presbiteriano do rev. Menezes. Por isso foi ali organizada a primeira Junta Paroquial composta pelos Senhores Antonio Gazineu, Ángelo Catalani e Jacinto  Santana. Como a nova missão no Brasil estava sob a supervisão do Bispo de Virginia e atendendo apelo que daqui se fazia, o Bispo Dom Peterkin resolveu visitar o Brasil. Pela primeira vez na história da Igreja no Brasil, chega ao porto da cidade do Rio Grande em 23 de agosto de 1893, um Bispo Episcopal em visita oficial. Na Missão do Salvador deu-se então a primeira confirmação no Brasil. Trinta pessoas se confirmaram e houve a primeira ordenação ao Diaconato na pessoa do catequista Vicente Brande, auxiliar do pároco. Ainda no mês de agosto, o Bispo visitou a Missão do Redentor, em Pelotas, cujo pároco Rev. Dr. Meem apresentou-lhe 26 pessoas para serem confirmadas e foi ordenado ao Diaconato o catequista Antonio Machado de Fraga, auxiliar do pároco.Em 12 de setembro, o Bispo, já em Porto Alegre, visitou a Missão da Trindade na rua Riachuelo, cujo pároco, Rev. Dr. Brown, apresentou-lhe 22 pessoas para confirmação e ordenou ao Diaconato o catequista Américo Vespúcio Cabral, auxiliar do Dr. Brown na Missão.Em seguida o Bispo visitou a “Casa da Missão” à rua Voluntários da Pátria, a cargo do Rev. Dr. Morris que lhe apresentou 14 pessoas para confirmação. Foram então a Santa Rita do Rio dos Sinos, cuja Missão estava a cargo do Rev. Morris, e o Bispo confirmou 44 pessoas e ordenou ao Diaconato o catequista Boaventura do Oliveira, auxiliar do Rev. Morris. De volta, o Bispo com o Rev. Kinsolving  foran a São Jose do Norte, cuja Missão estava a cargo também do Rev. Kinsolving, e confirmaram 6 pessoas.Ao todo foram confirmadas 128 pessoas e ordenados 4 moços ao Diaconato. A visita do Bispo infelizmente foi muito prejudicada pela revolução Federalista que na época ensanguentava o nosso Estado. Em maio de 1897, a convite da Igreja Americana, o Bispo Sterling, Anglicano com sede em Buenos Aires, visitou a Igreja no Brasil confirmando 156 pessoas e elevando ao Presbiterado os Diáconos Brande, Cabral e Fraga. No concilio de 1907, reunido na capela do Bom Pastor, foi feito um pedido à  Igreja-Mãe solicitando o Status de Distrito Missionário para a Igreja no Brasil, até então considerada apenas como uma Missão. Só em 1908 a Convenção Geral da Igreja-Mãe concedeu o referido Status. 

Bispo KINSOLVING

Sentia-se d necessidade de um guia espiritual e administrativo, afinal a Igreja era Episcopal. Em uma convocação especial reunida na Capela do Bom Pastor em maio de 1898, com a presença de 4 clérigos e 4 leigos, representando todos as congregações, foi eleito Lucien Lee Kinsolving como Bispo para a Igreja no Brasil. Remetido o resultado a Igreja-Mãe, a Câmara dos Bispos através de eleição ratificou a escolha feita em Porto Alegre. E, no dia 6 de janeiro de 1899 -Epifania - na Igreja de São Bartolomeu em Nova York, foi solenemente sagrado Lucien Lee Kinsolving primeiro Bispo da Igreja Episcopal do Brasil. Voltando ele para o Brasil, no dia 13 de agosto de 1899 administrou pela primeira vez o rito da confirmação na Igreja do Salvador em Rio Grande. Nessa ocasião passou a direçao da paróquia a seu substituto Rev. Dr. Brown.
O episcopado de Kinsolving foi muito benéfico para a Igreja no Brasil. Houve um crescimento geral, abriram-se novas missões, construiram novos templos, criaran-se instituições paroquiais. Kinsolving foi um verdadeiro apóstolo e pastor de almas. Estatura robusta, simpático, de palavra fácil e fluente, era um perfeito gentleman, fino na apresentação e no trato nas solenidades de escol, como também usava bombacha e bota e convivia como igual com os homens do campo ou da lavoura. Seguia o exemplo de São Paulo (I Cor. 9:19-23) fazia-se tudo para com todos.
O Governador do Rio Grande, Dr. Borges de Medeiros, apreciava muito suas visitas e lhe dava passe livre nas Estradas de Ferro do Estado. Foi sempre amigo de seu clero a ponto de declarar-lhes em uma reunião:- “Trago-vos a todos dentro do meu coração. E não só, mas também os vossos ministérios, as vossas famílias, os vossos problemas, tudo pesa_aqui,” pondo a mão sobre o coração. Em 1910, por ocasião da famosa Conferência de Lambeth em Londres, que reúne todos os Bispos da Comunhão Anglicana, Kinsolving compareceu e foi convidado a pregar na Catedral de São Paulo, um dos maiores templos religiosos do mundo. Em outubro de 1926 seguiu para os Estados Unidos em férias, não voltando mais ao Brasil. Foi aposentado em 1928 por motivo de saúde depois de 29 anos de profícuo e abençoado episcopado.
A 18 de dezembro de 1929 faleceu. No dizer do poeta John Miltom: “Deus deu-lhe o beijo individual da imortalidade”.
O povo Episcopal do Brasil reconhecido e agradecido ao seu grande líder, mandou erigir uma herma de bronze em sua homenagem na frente da Igreja do Salvador em Rio Grande, Igreja que ele construiu.

Obs. Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988

  

4 de junho - WILLIAM CABELL BROWN
A notícia de que a Igreja no Brasil estava sendo bem aceita e apresentando progressos despertou o desejo de outros virem ajudar Morris e Kinsolving. Entre os que estavam terminando o curso no Seminário de Virginia, dois se decidiram pelo Brasil: William Cabell Brown e John Gaw Meem. Já ordenados ao diaconato e também ao Presbiterado, embarcaram chegando ao Brasil em 20 de outubro de 1891. Acompanhava-os, também, a Prof Miss Mary Packard, filha do Reitor do Seminário de Virgínia. Brown, antes de partir, contraiu matrimônio com Ida Dorsey. Além do curso no Seminário, Brown fez também curso de Direito na Universidade de Virgínia. Logo após ter chegado ao Brasil foi nomeado Pároco da Igreja do Salvador em Rio Grande. Em 1893 Brown e Morris criaram o Estandarte Cristão. Desde o começo da Igreja no Brasil usavam-se na liturgia apenas porções do Livro de Oração Comum traduzidas e adaptadas. Quando o Rev. Ricardo Holden, em 1859, tentou introduzir a Igreja Episcopal no Brasil, tendo estado no Pará e depois em Salvador na Bahia, traduziu o L.0.C. para o português, porém, não resistindo às perseguições, transferiu-se para Portugal.
Anos depois o Bispo Kinsolving em uma viagem à Europa, encontrou por acaso, num “sebo” em Lisboa, os 2 volumes únicos existentes do L.0.C. em português, comprando-os, e hoje se encontram no Arquivo da Igreja em Porto Alegre.
Voltando à  necessidade de um Livro de oração para uso do povo, foi nomeada uma comissão composta do Rev. Brown e Rev. Cabral para traduzir do original americano um L.0.C. em português. Assim, em 1898, surge o primeiro L.0.C. para uso da Igreja Episcopal no Brasil, impresso nos Estados Unidos.
Em 15 de junho de 1903 foi solenemente inaugurado em Rio Grande o nosso Seminário Teológico, tendo anexo ao mesmo um curso preparatório. O Rev. Dr. Brown foi escolhido como Reitor. Antes do Seminário os candidatos eram preparados pelos missionários. Em setembro de l906 o Rev. Brown foi transferido para o Rio de Janeiro e ali realizou o primeiro culto da Igreja Episcopal, no templo da Igreja Anglicana, em 31 de março de 1908. Em fevereiro de 1909 ele instala a Capela do Redentor, em sala adaptada na rua Haddock Lobo. Até então, as duas conhecidas traduções da Biblia, Figueredo e Almeida, foram feitas do Latim. A Sociedade Bíblica, porém, resolveu fazer uma nova tradução fundamentada nos originais grego e hebraico, a chamada Versão Brasileira. Formada una comissão ecumênica, da qual fazia parte, entre outros, o grande Rui Barbosa. O Rev. Dr. Brown, exímio hebraísta e helenista, foi escolhido presidente da referida Comissão. A cultura e o conhecimento lingüístico do Rev. Dr. Brown era tal que despertou admiração no próprio Rui Barbosa.
Foi figura proeminente na Igreja Episcopal, entre os vultos conhecidos como sábios .e santos.
Em julho de 1914, num Concílio realizado na Trindade em Porto Alegre, Brown despediu-se dos brasileiros para aceitar o
oficio de Bispo Coadjutor da Diocese de Virgínia, Estados Unidos. Anteriormente havia recusado duas eleições ao
Episcopado, uma para  Porto Rico e outra para Cuba, n
a América Central. Faleceu em Londres, em 1927.

Obs. Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988

 

5 de junho - JOHN GAW MEEM

Nasceu em 2 de agosto de 1864, em Lousiana, filho de John Gaw Meem e de Nancy Meem. Em 1884 completou o curso da Academia Militar de Virginia, atingindo o posto de Capitão, sendo nomeado professor assistente na mesma Academia. Continuando seus estudos formou-se em Engenharia Civil. Descobrindo sua vocação religiosa, matriculou-se no Seminário de Virginia em 1889, onde foi considerado aluno exemplar. Atendendo ao apelo missionário de Morris e Kinsolving para trabalhar no Brasil, apresentou-se como voluntário. Já conhecia algo sobre o Brasil, pois seu pai foi um dos engenheiros construtores da estrada de ferro Rio - São Paulo. Em companhia de William Brown, foi ordenado em diácono na Capela do Seminário em 28 de junho de 1891, e a 2 de agosto do mesmo ano foram elevados ao presbiterado. Em setembro de 1891, em companhia_de Brown e esposa, partiram para o Brasil. Com eles veio também a diaconisa Mary Packard.  Chegando ao Brasil, foi encarregado de abrir uma Missão da Igreja na cidade de Pelotas, auxiliado pelo catequista Fraga. E o fez em outubro de 1892. Enquanto ocupavam uma sala como Capela, ele confeccionou uma planta e supervisionou a construção em 1909 do bonito templo de nossa Igreja do Redentor, no Centro da cidade de Pelotas, RS. O Rev. Dr. Meem contraiu núpcias em Pelotas com a brasileira Srta. Elza Krischke, neta do cônsul americano em Rio Grande. Em Pelotas, o Rev. Dr. Meem foi também prof. da Escola de Agronomia. Residindo em Pelotas, foi professor e Reitor do Seminário em Rio Grande, de 1906 a 1909. Tal foi o crescimento da única Igreja não Romana na cidade que já em janeiro de 1896 hospedou o 3º Concílio ou Convocação. Em 1912 o Rev. Meem passou a direção da Paróquia do Redentor ao Rev. José Severo da Silva, depois de haver servido ali durante 20 anos. Com a eleição do Rev. Dr. Brown para Bispo da Diocese de Virginia, o Rev. Dr. Meem assume a direção da Paróquia do Redentor, no Rio de Janeiro. O terreno da atual paróquia no Rio foi adquirido por ele. Foi ele o primeiro na Igreja no Brasil a desfraldar a Bandeira Nacional no santuário da Igreja. Após melindrosa cirurgia, faleceu em 20 de novembro de 1921 no hospital dos Estrangeiros, no Rio. Seus restos mortais repousam no cemitério São Francisco Xavier da mesma cidade.

Revendo dados biográficos dos quatro missionários considerados fundadores da Igreja Episcopal no Brasil, comove-nos pensar que aqueles moços deixaram Pátria, famílias, comodidade em que viviam, para virem enfrentar um povo estranho, língua estranha, costumes estranhos, sendo hostilizados, caluniados e até apedrejados por aqueles que não compreendiam a sua missão. Foi necessária muita fibra, muita fé e a certeza de que Deus estava com eles, e por isso, não fracassaram. Resta-nos agradecer a Deus e nos fazermos dignos do legado que eles nos deixaram.

Obs. Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988

  

6 de junho - AMÉRICO VESPUCIO CABRAL

Nasceu na Vila Santa Isabel, município de Arroio Grande, a 27 de maio de 1870. Filho do Prof: João Francisco de Freitas Cabral e da Dona Floriana da Costa Cabral. Em 1871 mudaram-se para Porto Alegre. Cursou o Colégio São Pedro. Em 1887 foi obrigado a abandonar os estudos para trabalhar no comércio. Aos 17 anos de idade era um entusiasta dos ideais republicanos, usando seus dotes tribunícios nos comícios. Conhecendo sua capacidade como orador, um amigo da família o convidou para, como companheiro de seu filho, fazerem o Curso de Direito na Bahia, com as despesas pagas. Nessa altura, porém, já havia falecido seu pai que antes confiara a ele o cuidado de sua mãe e de uma irmã menor. Diante disso ele não aceitou o convite.

Em 1890, Cabral com um amigo passaram, num domingo, pela “Casa da Missão”, na rua Voluntários da Pátria. Ouvindo o cântico de um hino resolveram entrar. Era um oficio religioso dirigido pelos missionários Morris e Kinsolving. Sairam impressionados com o que viram e ouviram. No domingo seguinte lá estava de novo Cabral assistindo ao oficio. Daquele dia em diante, convidava os amigos dizendo: “Venham ouvir o que e belo e bom”. Abraçou definitivamente o Evangelho pela Igreja Episcopal, tornando-se catequista. Em 1893 foi ordenado ao diaconato pelo Bispo Peterkin que visitava a Igreja no Brasil. Dizia ele que na solenidade cantaram o hino 136 do antigo “Salmos e Hinos” e nas palavras: “Vai! Publica a todo o mundo: em Jesus há salvação!” Kinsolving lhe dirigiu um olhar cheio de entusiasmo. E esse olhar se lhe tornou inesquecível. O novo diácono foi trabalhar com o Rev. Dr. Brown. Em 1894 casou com a Srta. Guilhermina Fraga. Em l895 Cabral abriu uma Missão da Igreja em Viamão. Em 1897 foi elevado ao presbiterado pelo Bispo Anglicano das Malvinas, Revmo. Sterling. Em 1898 assumiu a reitoria da Igreja da Trindade, ainda funcionando no salão próximo à hoje Catedral da Santísima Trindade, na rua dos Andradas. Lecionou por algum tempo no Colégio Júlio de Castilhos e num colégio alemão, hoje colégio Farroupilha. Nesse tempo iniciou Missões que se tornaram mais tarde a Missão do Nordeste. Em 1919 transmitiu a reitoria da Trindade ao Rev. George Krischke, da qual ele foi pároco 20 anos. Depois de algumas viagens para o Brasil e até pelo estrangeiro, fixou residência em Viamão consagrando-se à Igreja local e a Missão Nordeste (São Francisco de Paula, Santo Antonio da Patrulha e Praria Grande,SC). A maior parte de suas viagens era feita a cavalo, dormindo_em barracas ou galpões. Desde 1935 era vereador na Câmara de Viamão.  Com o Rev. Dr. Brown fez a primeira tradução do L.O.C. para a Igreja no Brasil. Cabral manejava mais ou menos bem o inglês e conhecia o grego, língua que aprendera com os missionários, particularmente com o Rev. Brown. Achando-se adoentado, dia 17 de outubro de 1937, era um domingo tarde, pediu que lesse a Coleta, a Epístola e o Evangelho do dia, convidando a todos para uma oração silenciosa. Depois da qual disse:”Amanhã Jesus me dará uma bênção”, e entrou em agonia falecendo na manhã seguinte. O prefeito de Viamão decretou três dias de luto. Viamão lhe homenageou dando seu nome à Avenida de entrada na cidade. Seus restos mortais repousam no cemitério de Viamão. Na Catedral da SS. Trindade, a Igreja o homenageou com uma placa com a sua efígie junto ao púlpito que tanto honrou. Cabral era abstêmio e de caráter impoluto. Estatura agigantada, passos firmes e resolutos, olhar penetrante, gestos decididos, voz forte, com palavra fácil e persuasiva, era um perfeito varão de Deus e cidadão integro.

O Bispo Kinsolving, certa ocasião declarou: “Cabral era o pregador mais eloqüente que jamais ouvi em qualquer língua”.

Obs. Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988

 

7 de junho - ANTÔNIO MACHADO DE FRAGA

Da família dos Fragas de Santa Rita do Rio dos Sinos, converteu-se na “Casa da Missão” e fez parte da primeira turma dos quatro catequistas e candidatos ao ministério: Brande, Cabral, Boaventura e Fraga. Como catequista foi auxiliar do Rev. Dr. Meem no estabelecimento da Igreja em Pelotas, lá chegando com essa finalidade em 15 de setembro de 1892. Já a 9 de outubro, realizavam, em sala alugada, o primeiro ofício público da Igreja naquela cidade. A primeiro de setembro de 1893 na mesma Capela foi confirmado e depois ordenado ao diaconato pelo Revmo. Peterkin. Em 1895 foi transferido para Santa Rita, ficando encarregado do trabalho ali. Em 13 de maio de 1897, na Capela do Bom Pastor, hoje Catedral da SS, Trindade, foi elevado ao presbiterado pelo Revmo. Sterling. Foi o fundador do trabalho em Montenegro onde pastoreou a Igreja ali até 1920. Fundou também o trabalho em São Leopoldo. De 1921. a 1934 voltou novamente a dirigir a Paróquia do Calvário em Santa Rita do Rio dos Sinos. Aposentou-se em 1934 e faleceu a 23 de setembro do mesmo ano. A Prefeitura de Canoas, a cujo município pertence Santa Rita, deu o seu nome à rua onde fica a Paróquia do Calvário, da qual ele fora fundador, e que foi o primeiro templo de nossa Igreja construído no Brasil.

Obs. Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988

 

8 de junho - VICENTE BRANDE

De origem presbiteriana, vindo de São Paulo. Era diretor e professor de uma escola mista das imediações da hoje Beneficência Portuguesa, na Av. Independência.  Em 21 de abril de 1890 ele recebia amavelmente os missionários Reverendo Morris, Kinsolvíng, o Sr. Boaventura e esposa Dona Inês. Eles traziam uma carta de apresentação do Revdo. Eduardo Carlos Pereira, da Igreja Presbiteriana em São Paulo. Os missionários pediram ao Sr. Brande que descobrisse uma casa para alugar. Dois dias depois ele informava a existência de um prédio para ser alugado na rua Voluntários da Pátria nº 387, mais ou menos onde fica hoje a casa comercial Fracalanza, A casa era de propriedade do Sr, Zeferino Fraga, fazendeiro em Santa Rita do Rio dos Sinos, Nela eles adaptaram uma sala que passou a ser a ‘Casa da Missão”.  Foi  ali o berço da Igreja Episcopal do Brasil. Algum tempo depois, em 3 de fevereiro de 1891, os missionários fundaram uma escola na “Casa da Missão” com o nome de Escola Americana. À qual aglutinaram a escola do Prof. Brande e os três passaram a lecionar na mesma. O Prof Brande resolve apresentar-se como candidato às Sagradas Ordens. Foi ele então apresentado como catequista no trabalho da Igreja. Em 9 de agosto de 1891 o Rev. Morris e o Sr. Brande foram a Rio Grande receber a congregação presbiteriana que se transferiu para a Igreja Episcopal. A referida congregação foi fundada em 1876 pelo missionário Presbiteriano Emanuel Van Orden. Em 28 de agosto de 1893 na Paróquia do Salvador em Rio Grande, pelo Bispo Peterkin, e ordenado ao diaconato o Sr. Vicente Brande com 33 anos de idade.  Foi a primeira ordenação da Igreja Episcopal do Brasil. Na época o meio de transporte era o navio e para nós o acesso era o porto de Rio Grande. Em Porto Alegre, o Rev. Brande foi o fundador da Igreja do Redentor, na rua Jose do Patrocínio, da qual foi muito anos pároco. Em 1898, na visita do bispo Sterling, foram elevados ao presbiterado Brande, Cabral e Fraga, O Rev. Brande também foi o fundador da Igreja em Jaguarão, em 1898.  Era poeta meio repentista. Cuidava da saúde das almas de seus paroquianos e também da saúde do corpo, pois manipulava medicamentos de plantas medicinais e ofertava aos enfermos que a ele recorriam. Brande foi uma das primíias da Igreja Episcopal do Brasil. Faleceu em 1940, em Porto Alegre.

Obs. Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988

 

12 de junho: São BARNABÉ, Apóstolo (transferido do dia 11/06)

 

 BARNABÉ, Filho da profecia, especialmente da profecia que tem a forma de exortação ou consolação.

Sobrenome de José, levita de Chipre, convertido ao Cristianismo, possuidor de um campo que vendeu e pôs o seu preço aos pés dos apóstolos, em Jerusalém, Atos 4. 36, 37. Quando os cristãos de Jerusalém receavam a vinda de Paulo, recentemente convertido ao Cristianismo, Barnabé falou em seu favor, removendo as apreensões que havia contra ele, 9. 27. Quando chegou ao conhecimento dos crentes de Jerusalém que o Evangelho havia sido proclamado com grande êxito aos gregos e aos judeus em Antioquia da Síria, a Igreja enviou a Barnabé para ajudar o trabalho ali, 11. 19-24. De Antioquia foi para Tarso, de onde levou Paulo, 11. 22-26. Mais tarde, os dois foram enviados a levar socorros aos irmãos em Jerusalém que estavam sofrendo fome, 27-30. Voltando com João Marcos a Antioquia, 12. 25, foram enviados pela Igreja aos gentios, 13. 2; visitaram Chipre e dali seguiram para Perge, Antioquia, Icônio, Listra e Derbe. Em Listra, onde residia um homem leso dos pés, coxo desde o ventre de sua mãe, foi este curado, pelo que o povo da cidade, levantando a sua voz, dizia em língua licaônica: “Estes são deuses que baixaram a nós em figura de homens. E chamavam a Barnabé Júpiter, e a Paulo, Mercúrio”, At 13. 3 até cap 14. 28. Havendo voltado à Síria, foram eles, Paulo e Barnabé, enviados pela Igreja de Antioquia a Jerusalém. Ambos falaram no concílio que se reuniu ali discutindo a questão referente à circuncisão dos gentios convertidos, At 15. 1, 2. 12. Terminados os trabalhos, foram eles portadores dos decretos para as igrejas da Síria e da Ásia Menor, 22-31. O trabalho continuou em Antioquia, e Paulo propôs uma segunda viagem missionária. Barnabé desejou levar consigo seu parente João Marcos, Cl 4. 10. Paulo recusou a companhia de João Marcos por causa de não querer acompanhá-lo na primeira viagem. Depois de tal desavença, os dois evangelistas separaram-se, tomando diferentes caminhos. Barnabé e Marcos foram para Chipre, e Paulo partiu para a Ásia Menor, 36. 41. Esta divergência não alterou a sua mútua amizade. Paulo, em suas epístolas, refere-se a Barnabé em termos muito cordiais, 1 Co 9. 6; Gl 2. 1, 9, 13; Cl 4. 10, bem como a João Marcos, 2 Tm 4. 11.

Fonte: Dicionário da Bíblia, John D. Davis

 

14 de junho: São Basílio Magno – Bispo de Cesaréia, 379

São Basílio (329 - 379) - Padre da Igreja, teólogo e escritor cristão do século IV.

A família e a formação

Basílio nasceu em Cesaréia, capital da Capadócia, Ásia Menor no seio de uma família profundamente cristã. Estudou em Constantinopla e Atenas. Entre seus nove irmãos figuraram: São Gregório de Nissa, Santa Macrina a jovem e São Pedro de Sevaste. Seu pai era São Basílio o velho, e sua mãe, Santa Emélia. Como seus colegas de estudo teve o futuro imperador apóstata, Juliano, e São Gregório Nazianzeno, também capadócio e seu amigo inseparável, que escreveu sobre os dois: "conhecíamos apenas duas ruas na cidade: a que conduzia à Igreja e a que nos levava à escola".

A etapa do monaquismo

Terminando seus estudos, Basílio retornou à Cesarea, sendo batizado e se determinando a seguir a pobreza evangélica. Visitou os e estudou nos mosteiros do Egito, Palestina Síria e Mesopotâmia. Em seguida morou em uma estalagem na região do Ponto, perto do rio Íris, entregando-se a uma vida solitária de oração e estudo, e formando o primeiro mosteiro da Ásia Menor.

As controvérsias teológicas

A heresia ariana naquela época estava no ápice, sendo que os ortodoxos eram perseguidos pelos hereges. Basílio foi ordenado diácono e sacerdote na Cesaréa em 363, mas se retirou para o Ponto para evitar conflitos com o arcebisto Eusébio. Em 365 seu amigo Gregório Nazianzo retirou Basílio de seu retiro, e em 370, quando o arcebispo Eusébio morreu, deixando vaga a sede arcebispal, Basílio foi eleito para ocupá-la. Com a morte de Santo Anastácio, pouco depois, Basílio passou a ser o último defensor da ortodoxia no oriente, morrendo em 1o de Janeiro de 379, aos 49 anos.

Dedicou as suas maiores energias a defender a doutrina católica sobre a consustancialidade do Verbo, definida solenemente no Concilio de Nicéa (325). Por este motivo sofreu muitos ataques dirigidos pelos arianos e palas autoridades imperiais, que queria, impor a doutrina de Arío. Com São Gregório Nazianzo e São Gregorio de Nissa contribuiu de maneira decisiva na tarefa de precisão conceptual dos termos com os quais a Igreja viria a expor o dogma trinitário, preparando, desta maneira, o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), que enunciou de forma definitiva a doutrina sobre a Santíssima Trindade.

A sua produção literária compreende trabalhos dogmáticos, ascéticos, pedagógicos e litúrgicos. A ele se deve a fixação definitiva de uma das mais conhecidas liturgias orientais, que comporta, precisamente, o seu nome. Junto com São Gregório Nazianzo, escreveu duas Regras (Vida de São Bento e Parta Pastoral) que tiveram um influxo decisivo na vida monástica do Oriente cristão.

Foto: www.catolicismo.com.br; Texto: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

18 de junho - Bernard Mizeki - Catequista e Mártir no Zimbabwe,  1861 a 1896 

Anglicano do  Zimbabwe. Quando tinha aproximadamente doze anos, Bernard Mizeki saiu de Moçambique para Capetown, África do Sul, onde permaneceu por dez anos como trabalhador.  Matriculou-se em uma escola noturna Anglicana para pretos. Era abstêmico quanto ao uso do álcool. Aprendeu o Inglês, o Alemão, o Francês e oito línguas africanas. Isto o conduziu a trabalhar  como tradutor da Bíblia para as línguas indígenas.     Converteu-se em seguida ao cristianismo.  Mizeki foi preparado para o batismo  em 1886 por membros da sociedade de São João Evangelista. Foi Catequista no Zimbabwe, onde fundou uma Missão, tendo como rotina os Ofícios diários, o estudo de línguas, e a conhecer os moradores da aldeia. Abriu uma escola na localidade denominada Nhowe que teve bastante prosperidade entre 1891 e 1896, com um número bastante expressivo de convertidos.  Desentendimentos com os líderes religiosos politeístas locais motivados pela derrubada de árvores no bosque sagrado e durante uma rebelião civil em 1896 foi advertido a fugir pois os cristãos naquela região estavam sendo considerados como   agentes do imperialismo europeu. Consciente de suas responsabilidades e convicções cristãs, resolveu não fugir da comunidade. Em 18 de junho foi assassinado a golpes de lança.  Sua esposa e uma outra pessoa ao saírem do local onde o corpo foi encontrado para tomarem outras providências, ao retornarem não mais encontraram-no. O lugar de sua morte tornou-se um local de peregrinação de pessoas de muitas partes da África do Sul a cada 18 de junho.  A Oração de Bernardo Mizeki foi incorporada no LOC da África do Sul:     Ó Deus Todo-poderoso, cuja  glória é comemorada na vida de Bernardo Mizeki, nós te agradecemos por tê-lo como Teu ministro entre os povos da África do Sul como missionário, catequista e mártir. Com o exemplo desta coragem destemida mesmo diante da morte, pode Tua igreja ser chamada à fé renovada em Ti, Grande  Pastor de todos os povos. Amém.   

Fonte: Frederick Quinn, livre tradução e interpretação do Revdo. JBS/IEAB/TSSF/BAHIA/BRASIL

 

22 de junho: Santo Albano, 1º Mártir da Grã-Bretanha, 304 (ou 305)

+ Inglaterra, 304. Destacado habitante de Verulamium (hoje Santo Albano), escondeu em sua casa um sacerdote durante a perseguição de Diocleciano. Convertido, ficou tão tocado pela doutrina católica, que trocou de vestes com o sacerdote, sendo preso em seu lugar. Negando-se a oferecer incenso aos ídolos, foi açoitado, cruelmente torturado, e finalmente teve a cabeça decepada.  Fonte:www.catolicismo.com.br

 

Transcrevemos abaixo, parte da História eclesiástica das gentes dos anglos, Livro I, do Venerável Beda (673/­735), numa tradução da Profa. Assunção Medeiros e Revisão do Prof. Dr. Ricardo da Costa  (Ufes), que muito bem nos informa sobre a vida de Santo Albano:

VI - O reino de Diocleciano e como ele perseguiu os cristãos

No Ano da Encarnação de Nosso Senhor de 286, Diocleciano, trigésimo terceiro desde  Augusto e escolhido imperador pelo exército, reinou vinte anos, e tornou Maximiano, chamado de Herculius, seu colega no império. Em seu tempo, certo Carausius, de muito baixa origem, mas um soldado habilidoso e capaz, tendo sido indicado para guardar os litorais, naquele tempo infestados pelos francos e saxões, agiu mais para o prejuízo que para a vantagem do estado. Pelo fato de não ter devolvido aos seus donos a pilhagem recuperada dos ladrões, mantendo-a toda para si, suspeitou-se que fora por negligência intencional que deixara o inimigo infestar as fronteiras. Sabendo, portanto, que uma ordem havia sido enviada por Maximiano para que fosse executado, ele tomou para si os mantos imperiais e a posse da Bretanha, e depois de ter com galhardia mantido sua posse pelo espaço de sete anos, foi finalmente executado através da traição de um associado seu, Alectus. O usurpador, tendo desta forma tomado a ilha de Carausius, manteve a posse dela por três anos, e foi então exterminado por Asclepiodotus, capitão da guarda pretoriana, que feito isso, ao fim de dez anos, restaurou a Bretanha ao Império Romano.

Entrementes, Diocleciano no Oriente e Maximiano Herculius no Ocidente ordenaram que as igrejas fossem destruídas e que os cristãos fossem assassinados. Esta perseguição era a décima desde o reinado de Nero, e foi mais duradoura e sangrenta que todas as que a precederam, pois deu-se ininterruptamente por um período de dez anos, com a queima de igrejas, a marginalização de pessoas inocentes e o abate dos mártires. Após certo tempo, ela alcançou também a Bretanha, e muitas pessoas, com a constância dos mártires, morreram por professar sua fé.

VII - A paixão de Santo Albano e seus companheiros, que naquele tempo derramaram seu sangue por Nosso Senhor [305 d. C.]

Naquele tempo sofreu santo Albano, de quem o padre Fortunato, em seu “Louvor às Virgens”, onde menciona os abençoados mártires que chegaram ao Senhor de todas as partes do mundo, diz: “Na ilha da Bretanha nasceu o santificado Albano. Este Albano, sendo ainda pagão, no tempo em que as crueldades de príncipes malvados assolavam os cristãos, ofereceu hospitalidade em sua casa a um certo homem do clero, que fugia de seus perseguidores. Ele observou que este homem estava em estado de prece contínua, em vigília noite e dia. Então, repentinamente, a Graça Divina brilhou sobre ele, que pôs-se a imitar o exemplo de fé e pia atitude que havia sido posta à sua frente.

Assim, sendo gradualmente instruído pelas salutares admoestações deste padre, ele lançou longe a escuridão da idolatria e tornou-se cristão, com toda a sinceridade de seu coração. Estando o já mencionado padre hospedado por alguns dias com ele, chegou aos ouvidos do malvado príncipe que este santo confessor de Cristo, cuja hora do martírio ainda não havia chegado, estava escondido na casa de Albano. E foi então que ele enviou alguns soldados para fazer uma severa busca. Quando chegaram à casa do mártir, santo Albano imediatamente se apresentou aos soldados, ao invés do seu convidado e mestre, no hábito ou comprido casaco que aquele usava, e foi levado amarrado perante o juiz.

Aconteceu que este juiz, na hora em que Albano foi trazido à sua frente, estava em pé em frente ao altar, oferecendo sacrifício aos demônios. Quando viu Albano, enraivecendo-se muito pelo fato de que ele havia daquela forma, de vontade própria, colocado a si mesmo nas mãos dos soldados e incorrido em tamanho perigo no lugar do seu convidado, ele comandou que este fosse arrastado até as imagens dos demônios, diante das quais ele estava, dizendo, “Por teres escolhido esconder uma pessoa rebelde e sacrílega ao invés de entregá-lo aos soldados, para que seu desprezo pelos deuses encontrasse o castigo merecido por tal blasfêmia, tu sofrerás toda a punição reservada a ele se não abandonares a crença da tua religião.”

Mas santo Albano, tendo-se voluntariamente declarado um cristão aos perseguidores da fé, não estava sequer amedrontado pelas ameaças do príncipe, pelo contrário, vestindo a armadura da guerra espiritual, publicamente declarou que não obedeceria aquela ordem. Então disse o juiz, “De que família ou raça tu és?” Respondeu Albano: “- No que isto concerne a ti, de onde fui gerado? Se você deseja saber a verdade de minha religião, que seja dado a conhecer a você que eu sou agora um cristão, e preso pelas obrigações cristãs.” “­ Eu pergunto o seu nome,” disse o juiz, “diga-o imediatamente.” Ele replicou: “- Eu sou chamado de Albano por meus pais, e venero e adoro o verdadeiro Deus vivo, que criou todas as coisas.” Então o juiz, inflamado por sua ira, disse: “- Se você deseja usufruir da felicidade da vida eterna, não hesite em oferecer sacrifício aos grandes deuses.” Albano retrucou: “- De nada adiantam estes sacrifícios que você oferece aos demônios; eles não podem atender os pedidos e desejos daqueles que enviam as suas súplicas. Pelo contrário, aquele que oferecer sacrifício a estas imagens receberá as infinitas dores do inferno como recompensa.”

Ao ouvir estas palavras, e irado ao extremo, o juiz ordenou que este santo confessor de Deus fosse chicoteado pelos algozes, acreditando que pelas tiras do chicote poderia abalar a constância daquele coração, sobre o qual palavras não prevaleceram. Este, sendo muito cruelmente torturado, suportou a tortura pacientemente, ou mesmo alegremente, por Nosso Senhor. Quando o juiz percebeu que ele não seria conquistado por torturas ou afastado do exercício da religião cristã, ordenou que fosse morto. Sendo levado até sua execução, ele chegou a um rio, que corria entre a muralha da cidade e a arena onde seria executado com uma correnteza bastante forte.

Neste lugar ele viu uma multidão de pessoas de ambos os sexos e de diversas idades e condições sociais, que indubitavelmente estavam ali congregadas por instinto divino para assistir o abençoado confessor e mártir, e tinham de tal forma tomado a ponte sobre o rio que ele não podia passar para o outro lado naquela noite. Em suma, quase todos tinham saído, de forma que o juiz permaneceu na cidade sem acompanhantes. Santo Albano, portanto, tomado por um ardente e devoto desejo de chegar rapidamente ao martírio, aproximou-se do riacho, e ao levantar seus olhos para o céu, o canal imediatamente secou, e ele percebeu que a água havia partido e feito um caminho para que ele passasse. Entre os outros, o executor que devia causar sua morte observou isto e, movido por inspiração divina, correu ao encontro dele no seu local de execução e, lançando longe a espada que já carregava desembainhada, caiu a seus pés, rogando sofrer com o mártir que ele havia recebido ordem de executar, ou, se possível, no lugar deste.

Enquanto este, de perseguidor se tornava companheiro de fé, e os outros algozes hesitavam tomar a espada que estava caída no chão, o reverendo confessor, acompanhado pela multidão, subiu uma colina, a aproximadamente 500 passos do lugar e adornada, ou melhor, vestida com todos os tipos de flores, tendo seus lados nem perpendiculares, nem em forma de penhasco, mas possuidores de uma suave inclinação que terminava em uma muito bela planície, merecedora pela sua bela aparência de ser o cenário dos sofrimentos de um mártir. No topo desta colina, santo Albano orou para que Deus lhe desse água, e imediatamente uma fonte viva brotou diante de seus pés, com seu curso confinado, para que todos os homens percebessem que o rio também havia secado em consequência da presença do mártir. Nem era provável que o mártir, que não havia deixado que permanecesse água no rio, quisesse alguma no topo da colina, a não ser que achasse tal coisa apropriada à ocasião.

O rio, tendo executado seu sagrado serviço, retornou ao seu curso natural, deixando um testemunho de sua obediência. Neste lugar, portanto, a cabeça do tão corajoso mártir foi cortada, e ali ele recebeu a coroa da vida, que Deus prometeu àqueles que O amam. Mas aquele que deu o golpe maldoso não foi permitido regozijar a morte do falecido, pois seus olhos caíram ao chão junto com a cabeça do abençoado mártir.

Naquele mesmo instante o soldado que através da admoestação divina recusou dar o golpe mortal no santo confessor foi decapitado. Está claro que apesar de não ter sido regenerado pelo batismo ele foi limpo belo banho em seu próprio sangue, e tornou-se merecedor de entrar no reino dos céus. Então o juiz, assombrado com a nova de tantos milagres do céu, ordenou que cessasse imediatamente a perseguição, começando a honrar a morte dos santos, através da qual ele antes achara que estes pudessem ser afastados da fé cristã. O abençoado Albano sofreu a morte no vigésimo segundo dia de junho, próximo à cidade de Verulano, hoje chamada pelas gentes dos anglos de Verlamacestir, ou Varlingacestir, onde depois, quando foram restaurados os tempos de paz cristã, uma igreja de maravilhoso artesanato e apropriada ao seu martírio foi erigida. Neste lugar não cessa até hoje a cura de pessoas doentes, e a freqüente sucessão de maravilhas.

Ao mesmo tempo sofreram Aarão e Júlio, cidadãos de Chester, e muitos outros de ambos os sexos em diversas localidades, que, após terem suportado tormentos vários, e terem seus membros arrancados de uma maneira nunca antes vista, entregaram suas almas para o alto, para gozar na cidade celeste a recompensa dos sofrimentos pelos quais tinham passado.

Fonte:www.ricardocosta.com/textos/beda.htm

 

24 de junho – Natividade de São João Batista

     A relevância do papel de São João Batista reside no fato de ter sido o "precursor" de Cristo, a voz que clamava no deserto e anunciava a chegada do Messias, insistindo para que os judeus se preparassem, pela penitência, para essa vinda.  

    Já no Antigo Testamento encontramos passagens que se referem a João Batista. Ele é anunciado por Malaquias e principalmente por Isaías. Os outros profetas são um prenúncio do Batista e é com ele que a missão profética atingiu sua plenitude. Ele é assim, um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.

     Segundo o Evangelho de Lucas, João, mais tarde chamado o Batista, nasceu numa cidade do reino de Judá, filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, parenta próxima de Maria, mãe de Jesus. Lucas narra as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento do menino. Isabel, estéril e já idosa, viu sua vontade de ter filhos satisfeita, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que a esposa lhe daria um filho, que devia se chamar João. Depois disso, Maria foi visitar Isabel. "Ora quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre ! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite ?'" (Lc 1:41-43). Todas essas circunstâncias realçam o papel que se atribui a João Batista como precursor de Cristo.  

    Ao atingir a maturidade, o Batista se encaminhou para o deserto e, nesse ambiente, preparou-se, através da oração e da penitência - que significa mudança de atitude, para cumprir sua missão. Através de uma vida extremamente coerente, não cessava jamais de chamar os homens à conversão, advertindo: " Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo". João Batista passou a ser conhecido como profeta. Alertava o povo para a proximidade da vinda do Messias e praticava um ritual de purificação corporal por meio de imersão dos fiéis na água, para simbolizar uma mudança interior de vida.  

    A vaidade, o orgulho, ou até mesmo, a soberba, jamais estiveram presentes em São João Batista e podemos comprová-lo pelos relatos evangélicos. Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou o Cristo" (Jo 3, 28) e " não sou digno de desatar a correia de sua sandália". (Jo 1,27). Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava em direção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". (Jo 1,29).  

    João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?" (Mt 3:14). Mais tarde, João foi preso e degolado por Herodes Antipas, por denunciar a vida imoral do governante. Marcos relata, em seu evangelho (6:14-29), a execução: Salomé, filha de Herodíades, mulher de Herodes, pediu a este, por ordem da mãe, a cabeça do profeta, que lhe foi servida numa bandeja. O corpo de João foi, segundo Marcos, enterrado por seus discípulos.

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

 

 

29 de junho - São Pedro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 São Pedro por El Greco
São Pedro por El Greco

São Pedro (segundo a tradição teria morrido em 67 d.C.) foi um dos doze Apóstolos de Jesus Cristo, como está escrito no Novo Testamento e, mais especificamente, nos quatro Evangelhos. O seu nome original não era Pedro, mas sim Simão. Nos livros dos "Actos dos Apóstolos" e na "Segunda Epístola de Pedro", aparece ainda uma variante grega do seu nome original: Simeão. Cristo apelidou-o de Petros - Pedro, nome grego, masculino, derivado da palavra "petra", que significa "Pedra" ou "rocha". O Apóstolo São Paulo designava-o pelo nome de Cephas, Kephas, Kepha ou Cefas que em aramaico significa o mesmo - note-se, aliás, que, provavelmente, Cristo falava principalmente aramaico, logo terá sido essa a designação dada a Simão (e não a versão grega que ficou para a posteridade).

Pedro tem uma importância central na teologia católico-romana. É considerado o príncipe dos apóstolos e o fundador, junto com São Paulo, da Igreja de Roma (a Santa Sé), sendo-lhe reconhecido ainda o título de primeiro Papa (um tanto anacronicamente, posto que a designação Papa só começaria a ser usada alguns séculos mais tarde – Pedro foi apenas bispo de Roma); essa circunstância é invocada pela Igreja Católica para que o Papa detenha uma posição de supremacia sobre toda a Igreja Católica. Para as outras denominações cristãs, Pedro também recebe uma grande importância, por causa de suas epístolas canônicas, porém não recebe o mesmo tipo de tratamento da Igreja Católica.

Dados biográficos

Antes de se tornar um dos doze discípulos de Cristo, Simão Pedro era pescador. Teria nascido em Betsaida e morava em Cafarnaum. Segundo o relato no Evangelho de São Lucas 5:1-11, Pedro terá conhecido Jesus quando este lhe pediu que utilizasse uma das suas barcas, de forma a poder pregar a uma multidão de gente que o queria ouvir. Pedro, que estava a lavar redes com São Tiago e João, seus sócios, concedeu-lhe o lugar na barca que foi afastada um pouco da margem. No final da pregação, Jesus disse a Simão Pedro que fosse pescar de novo com as redes em águas mais profundas. Pedro diz-lhe que tentara em vão pescar durante toda a noite e nada conseguira mas, em atenção ao seu pedido, fá-lo-ia. O resultado foi uma pescaria de tal monta que as redes iam rebentando, sendo necessária a ajuda da barca dos seus dois sócios, que também quase se afundava puxando os peixes. Numa atitude de humildade e espanto Pedro prostra-se perante Jesus e diz para que se afaste dele, já que é um pecador. Jesus encoraja-o, então, a segui-lo, dizendo que o tornará "pescador de homens".

De acordo com os Evangelhos, Simão foi o primeiro dos discípulos a professar a fé de que Jesus era o filho de Deus. É esse acontecimento que leva Jesus a chamá-lo de Pedro - a pedra basilar da nova crença. Encontramos o relato do evento no Evangelho de São Mateus 16:13-23: Jesus terá perguntado aos seus discípulos (depois de se informar do que sobre ele corria entre o povo): "E vós, quem pensais que sou eu?"; ao que Pedro respondeu "És o Cristo, Filho de Deus vivo". Jesus ter-lhe-á dito, então: "Simão, filho de Jonas, és um homem abençoado! Pois isso não te foi revelado por nenhum homem, mas pelo meu Pai, que está no céu. Por isso te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e o poder da morte não poderá mais vencê-la. Dar-te-ei as chaves do Reino do Céu, e o que ligares na terra será ligado no céu, e o que desligares na terra será desligado no céu". É por esta razão que São Pedro é, geralmente representado com chaves na mão e a tradição apresenta-o como porteiro do Paraíso.

Os evangelhos referem-no muitas vezes (mais que a qualquer outro dos discípulos). Conta-se no Evangelho de São Mateus 26:30-35 que Jesus, no Monte das Oliveiras, antes de ser preso, nessa noite, revelou que os seus discípulos seriam dispersados, abandonando-o. Pedro assegura que nunca o abandonaria. Jesus declara-lhe: "Garanto-te que esta noite, antes que o galo cante, me negarás três vezes". Pedro insiste na sua fidelidade. Mais tarde, segundo o mesmo Evangelho, 26:69-75, Pedro, que observava de longe o julgamento de Jesus no átrio do sumo sacerdote Caifás, ao ser apontado como um dos seguidores de Cristo por várias pessoas, nega Cristo por três vezes, tal como fora predito. Quando o galo canta, Pedro lembra-se do que lhe fora profetizado por Jesus e chora de arrependimento.

No capítulo 21 do Evangelho de São João, é relatado que Cristo, ressuscitado, depois de perguntar repetidas vezes a Pedro se este o ama, lhe diz: "Cuida da minhas ovelhas. Em verdade te digo: quando eras mais novo, cingias o cinto e ias para onde querias. Quando fores mais velho, estenderás as mãos e será outro a cingir-te o cinto, levando-te para onde não queres.", o que indica que terá sido martirizado pela crucificação. Clemente de Roma, cerca de 95 d. C., refere que terá morrido durante o reinado de Nero. A tradição conta que, sendo o primeiro bispo de Roma, e de acordo com a personalidade vacilante que já aparece nos evangelhos, Pedro, ao decidir fugir de Roma, onde os cristãos eram perseguidos e executados na arena, encontra Jesus Cristo (na forma de uma criança, segundo o romance de Henryk Sienkiewicz, "Quo Vadis?"). Ao perguntar a Jesus "onde vais, Senhor?" ("Quo Vadis, Domine?"), este responde-lhe que vai para Roma, para ser martirizado com as suas ovelhas que foram abandonadas. Pedro, arrependido, volta para Roma e entrega-se às autoridades que o crucificam. Diz a tradição que exigiu que fosse crucificado de pernas para o ar, já que não se considerava digno de morrer da mesma forma que Cristo.              Henryk Sienkiewicz

 

Os seus textos

O Novo testamento inclui duas epístolas (cartas) cuja autoria é atribuída a Pedro: A "Primeira epístola de São Pedro e a Segunda epístola de São Pedro. Alguns acadêmicos duvidam que Pedro tivesse conhecimentos de grego tão aprofundados que lhe permitissem escrever as cartas com aquele estilo e qualidade linguística (o que, em termos de pura fé, seria perfeitamente normal já que durante o Pentecostes, como é referido nos "Atos dos Apóstolos", o Espírito Santo teria dado aos apóstolos a faculdade de "falar línguas"). Entretanto há quem opine que terão sido escritas por um secretário ("amanuensis"), enquanto outros dizem que terá sido um seu discípulo, após a sua morte.

São Pedro, segundo o catolicismo

Na tradição tardia, católica, Pedro é referido como o primeiro bispo de Antioquia e, mais tarde, bispo de Roma. A religião católica defende a primazia do Papa - ou seja, do Bispo de Roma, como sumo pontífice da Igreja Católica, de acordo com a interpretação das palavras de Jesus que referem Pedro como sendo a pedra sobre a qual construiria a sua Igreja. Ou seja: Pedro - e, por extensão, o bispo de Roma - seria o primeiro líder espiritual da Igreja. Os bispos de Roma que o sucedessem seriam os papas seguintes. Foi seguido por São Lino (67-76 d. C.).

 

29 de junho - Paulo de Tarso - São Paulo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Paulo
Paulo

Paulo de Tarso (nome original - Saulo) ou São Paulo, o apóstolo, (cerca de 3 – c. 66) é considerado por muitos cristãos como o mais importante discípulo de Jesus e, depois de Jesus, a figura mais importante no desenvolvimento do Cristianismo nascente. Paulo de Tarso é um apóstolo diferente dos demais. Primeiro porque ao contrário dos outros, Paulo não conheceu Jesus pessoalmente. Por outro lado, Paulo era um homem culto, frequentou uma escola em Jerusalém, tinha feito uma carreira no Templo (era Fariseu), onde foi sacerdote. Destaca-se dos outros apóstolos pela sua cultura. A maioria dos outros apóstolos eram pescadores, analfabetos.

A língua materna de Paulo era o grego. É provável que também dominasse o aramaico.

Educado em duas culturas (grega e judaica), Paulo fez muito pela difusão do Cristianismo entre os gentios e é considerado uma das principais fontes da doutrina da Igreja. As suas Epístolas formam uma secção fundamental do Novo Testamento. Alguns afirmam que ele foi quem verdadeiramente transformou o cristianismo numa nova religião, e não mais uma seita do Judaísmo.

Foi a mas destacada figura cristã a favorecer a abolição da necessidade da circuncisão e dos estritos hábitos alimentares tradicionais judaicos. Esta opção teve a princípio a oposição de outros líderes cristãos, mas, em conseqüência desta revolução, a adoção do cristianismo pelos povos gentios tornou-se mais viável, ao passo que os Judeus mais conservadores, muitos deles vivendo na Europa, permaneceram fiéis à sua tradição, que não tem um móbil missionário.

Biografia

Infância

Paulo nasceu em Tarso, na Cilícia, que atualmente pertence à Turquia, numa família judaica da Diáspora (na altura já havia uma diáspora de judeus que viviam espalhados pelo mundo, sobretudo na Pérsia, mas também em torno do Mediterrâneo, em Alexandria e no norte de África, na Turquia, Grécia e outras partes do Império Romano, incluindo a atual Espanha). Nasceu numa data desconhecida mas "sem dúvida antes do ano 10 da nossa era" (Étienne Trocme). Seu pai, em circunstâncias que se desconhece adquiriu a cidadania romana mantendo a fé judaica, educou-o na tradição judaica. Como era tradicional nas famílias judaicas na diáspora, a criança recebeu dois nomes: um bíblico (Saulo) e o outro romano (Paulo). Como ele próprio diz, foi circuncidado ao oitavo dia e mantém-se sempre na lei mosaica. Diz-se mesmo um Fariseu.

A sua formação primária foi feita numa escola de cultura grega, como atestam as suas cartas. Mas ele afirma também que recebeu também o ensino por parte de rabinos.

Jerusalém

Em determinada altura Paulo deverá ter ido viver para Jerusalém. Os Atos dos apóstolos afirmam que ele foi aluno do rabino Gamaliel em Jerusalém. Não há dúvida de que passou uma parte importante da juventude em Jerusalém.

Foi em Jerusalém que Paulo participou no apedrejamento daquele que ficaria conhecido como Santo Estêvão, um líder do grupo mais radical dos seguidores de Jesus, que é formado por Gregos. Este é o chamado grupo dos helenistas. Paulo foi um perseguidor destes helenistas, núcleo de cristãos de cultura grega que procuravam difundir a nova fé entre os judeus de cultura grega em Jerusalém.

O argumento de Paulo na sua perseguição aos helenistas era a defesa da "tradição dos pais" e da lei mosaica, que ele via como ameaçada pelos helenistas. Alguns autores chegam mesmo a colocar a hipótese de Paulo ter sido um zelote, dado o seu fervor religioso. Também o fato de sua vida ter sido colocada em perigo após ter tomado partido pelos cristãos leva Étienne Trocmé a dizer que isso "corresponde bem ao pouco que sabemos sobre a organização do partido zelote".

Em determinado momento, Paulo de Tarso sai do mundo judaico e vai para Atenas pregar, os relatos contam que na sua estadia na Acrópolis, ele consegue converter apenas Dionisio Ariopaseta, desistindo então e indo para Corinto.

Missão de Damasco

Saulo este fervoroso defensor da tradição judaica (e por isso talvez mesmo um zelote) foi enviado a Damasco para fazer face à agitação dos helenistas, que contestavam o Templo e anunciavam a sua destruição (Atos).

Será durante esta missão a Damasco que Saulo vai tomar o partido da seita que perseguia anteriormente. A esta mudança de partido ele faz corresponder uma mudança de nome. Abandona o Saulo e pretende agora fazer-se conhecer como Paulo.

Aspecto físico

Não temos qualquer relato confiável do aspecto físico de Paulo. Os únicos relatos que possuímos são dos finais do século II e não são mais do que a projeção dos ideais estéticos a uma figura lendária.

Pelo contrário temos vários indícios de que Paulo tinha problemas de saúde, padecendo de uma doença crônica e dolorosa, da qual ignoramos a natureza, mas que lhe terá sido um obstáculo à sua atividade normal. Por volta dos anos 58-60 ele descrevia-se a si próprio como um velho (Filemon). Em uma missão que Deus preparou para Impactá-lo.

Epístolas escritas por Paulo

Paulo escreveu várias epístolas para as comunidades que visitara, pregando e ensinando as máximas cristãs. As cartas relacionadas a seguir (conhecidas como Corpus Paulinum) são aquelas que tradicionalmente são atribuídas a Paulo:

  • Romanos
  • I Coríntios
  • II Coríntios
  • Gálatas
  • Efésios
  • Filipenses
  • Colossenses
  • I Tessalonicenses
  • II Tessalonicenses
  • I Timóteo
  • II Timóteo
  • Tito
  • Filémon
  • Hebreus, anônima, mas tradicionalmente atribuída a Paulo.