Santos de Junho:
Dia 1º - Primeiro Culto da IEAB
no Brasil, 1890
"...A igreja voltada especialmente para os brasileiros começou intencionalmente
em 1890. Foi nesse ano que dois missionários americanos, Lucien Lee Kinsolving e
James Watson Morris, organizaram a missão em Porto Alegre. O primeiro culto foi
realizado na tarde do dia 1.º de junho de 1890, Domingo da Trindade, em Porto
Alegre, na Rua Voluntários da Pátria, n.º 387, numa ampla casa alugada, que
ficou conhecida como Casa da Missão. Na época, a cidade tinha aproximadamente 60
mil habitantes. No ano seguinte, chegaram os missionários William Cabell Brown,
John Gaw Meem e a professora Mary Packard. Esses cinco missionários podem ser
considerados como os verdadeiros fundadores da Igreja Episcopal Anglicana do
Brasil (IEAB) em solo brasileiro. Em seguida, estabeleceram missões em Santa
Rita do Rio dos Sinos (hoje Nova Santa Rita), Rio Grande e Pelotas. Essas três
cidades e a capital do Estado logo se transformaram em importantes pontos
estratégicos e centros irradiadores da expansão e do desenvolvimento da nascente
igreja.
Desde o início, os missionários contaram com a imprescindível participação de
muitos brasileiros. Entre esses intrépidos pioneiros e destemidos arautos do
evangelho estão Vicente Brande, o primeiro a acolher os missionários em Porto
Alegre; Américo Vespúcio Cabral, grande pregador e por isso conhecido como o
"João Crisóstomo brasileiro"; Antônio machado Fraga, que ajudou a fundar a então
Capela de Redentor em Pelotas, hoje catedral diocesana, e depois ele mesmo
fundou o trabalho em São Leopoldo e Montenegro; Boaventura de Souza Oliveira,
que se juntou aos missionários ainda em São Paulo para vir ao sul com a família;
Júlio de Almeida Coelho, que trabalhou a maior parte de seu ministério em
Jaguarão e São Gabriel; Antônio José Lopes Guimarães, fundador da igreja em
Bagé; e Carl Henry Clement Sergel, um ex-bancário inglês que ajudou William
Cabell Brown a estabelecer a igreja no Rio de Janeiro e que construiu as igrejas
de Santa Maria e Santa do Livramento. Esses pioneiros clérigos nacionais
ajudaram também a implantar a igreja em Viamão (1895), Jaguarão (1898), Santa
Maria (1900), Bagé (1903), São Leopoldo (1904), São Gabriel (1906), Rio de
Janeiro (1908) e em muitas outras cidades e zonas rurais no Rio Grande do Sul,
onde se concentra a maior parte. Muitos outros vieram depois e implantaram
igrejas e capelas em vários lugares do território nacional, principalmente no
nordeste, onde hoje a igreja cresce tanto quanto crescia no início de sua
história.
Em 1899, a IEAB teve seu primeiro bispo na pessoa do missionário Lucien Lee
Kinsolving. Agora, o tríplice ministério da Igreja (bispos, presbíteros e
diáconos) estava completo. Em 1907, a novel missão brasileira se transformou em
distrito missionário, vinculado a Convenção Geral da Igreja Episcopal dos
Estados Unidos. Em 1925, a Igreja Episcopal teve o seu segundo bispo na pessoa
de William Mathew Merrick Thomas, um missionário que havia chegado ao Brasil em
1904. Primeiro como bispo sufragâneo e depois como bispo diocesano, Thomas
consolidou o trabalho desbravado por Kinsolving. Mas o primeiro bispo brasileiro
só veio em 1940, com a sagração de Athalício Theodoro Pithan como bispo
sufragâneo, quando a Igreja Episcopal completou 50 anos de atividades no Brasil.
A Igreja crescia e as distâncias entre as comunidades locais aumentavam,
dificultando o atendimento das paróquias e missões espalhadas por todo o país.
Era preciso reorganizar o distrito missionário. Um memorial do clero do Rio de
Janeiro deu início ao processo que resultou na divisão do distrito em três
dioceses. Isso foi em 1950. A nova divisão era formada por três regiões
eclesiásticas: Diocese Meridional, com sede em Porto Alegre (RS); Diocese
Sul-Ocidental, com sede me Santa Maria (RS); e Diocese Central (hoje denominada
Diocese Anglicana do Rio de Janeiro), com sede na ex-capital federal. Mais
tarde, quatro novas dioceses foram criadas: Diocese Sul-Central (atual Diocese
Anglicana de São Paulo) em 1969, Diocese Setentrional (atual Diocese Anglicana
do Recife) em 1976, Diocese Missionária de Brasília (atual Diocese Anglicana de
Brasília) em 1985 e Diocese Anglicana de Pelotas em 1988. Em 1965, veio a
autonomia administrativa, quando a Igreja brasileira se transformou na 19.ª
Província da Comunhão Anglicana e elegeu o seu primeiro bispo primaz na pessoa
do bispo Egmont Machado Krischke. O processo de emancipação da IEAB, até então
dependente da igreja americana, se completou com a independência financeira
adquirida em 1982.
Hoje, a IEAB tem templos, missões e instituições educacionais e assistenciais em
mais de 150 diferentes localidades do país, concentrando-se a maior parte no Rio
Grande do Sul. Ao longo de sua já centenária história, a Igreja do Brasil
acumulou uma relação de 103 mil membros batizados e 45 mil confirmados. (Para
conhecer mais a história da igreja, veja o livro Notas para uma história da
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, do rev. Oswaldo Kickhöfel, Livraria
Anglicana, Porto Alegre, 1995.)" Fonte: IEAB/DASP
2 a 8 - Setenário dos Pioneiros da IEAB:
James Watson Morris
Lucien Lee Kinsolving (1º Bispo
residente da IEAB)
William Cabell Brown
John Gaw Meem3
Américo Vespúcio Cabral
Antonio Fraga
Vicente Brande
Obs. Os dados biográficos dos pioneiros da
IEAB podem ser encontrados no livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA
EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do REv. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo
Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988.
1º de Junho: Justino, Mártir de Roma, 167

Justino Mártir:
Defensor da Igreja
Foto
Wikipedia, A enciclopédia livre
Rick Walde
A conversão de Justino e seus
escritos
Em um
programa anterior
eu falei sobre as perseguições que os cristãos experimentaram na igreja
primitiva.
{1} Uma das
características mais marcantes dos cristãos perseguidos era o valor que eles
tinham na hora da execução. De fato, nós sabemos por um adulto convertido do
segundo século que este valor foi um fator de fazê-lo se abrir para o Evangelho.
Este convertido foi um filósofo chamado Justino que você conhece bem como
Justino, mártir. Justino foi um dos apologistas ou defensores mais antigos da
Igreja. O historiador Robert Grant diz que Justino "foi o apologista mais
importante do segundo século".
{2} Ao vermos o
trabalho de Justino, ao decorrer deste estudo, veremos as semelhanças entre as
acusações feitas contra os cristãos em sua época e na nossa. Talvez nós
aprenderemos algo deste cristão do segundo século.
A vida de Justino
Crê-se que Justino nasceu depois de 100 d.C. Seu lugar de
nascimento foi em Flavia Neapolis, na Síria-Palestina, ou Samaria.
{3} A educação
infantil de Justino incluía retórica, poesia e história. Como jovem adulto
mostrou interesse por filosofia e estudou primeiramente estoicismo e platonismo.
{4} Justino
buscava a Deus que "é a meta da filosofia de Platão" dizia.{5}
Justino foi introduzido na fé diretamente por um velho
homem que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e então lhe
falou sobre Jesus. Ele falou a Justino sobre os profetas que vieram antes dos
filósofos, ele disse, e que falou "como confiável testemunha da verdade".{6}
Eles profetizaram a vinda de Cristo e suas profecias se cumpriram em Jesus.
Justino disse depois que "meu espírito foi imediatamente posto no fogo e uma
afeição pelos profetas e para aqueles que são amigos de Cristo, tomaram conta de
mim; enquanto ponderava nestas palavras, descobri que a sua era a única
filosofia segura e útil...é meu desejo que todos tivessem os mesmos sentimentos
que eu e nunca desprezassem as palavras do Salvador."
{7} Justino buscou
cristãos que lhe ensinaram história e doutrina cristã e então "se consagrou
totalmente a expansão e defesa da religião cristã."
{8}
Justino continuou usando a capa que o identificava como
filósofo e ensinou estudantes em Éfeso e depois em Roma. James Kiefer nota que
"ele entrava em debates com não-cristãos de todas as variedades, pagãos, judeus
e hereges."
{9}
A convicção de Justino da verdade de Cristo era tão
completa que ele teve morte de mártir por volta de 165 d.C. Eusébio, o
historiador da Igreja antiga, disse que ele foi denunciado por cínico Crescêncio
com quem ele entrou num debate brevemente antes de sua morte.{10}
Justino foi decapitado junto com seis de seus
alunos.
O historiador Philip Schaff
resume o caráter de Justino e seu minsitério dessa forma:
Ele havia adquirido cultura clássica e filosófica
considerável antes de sua conversão e então a fez ficar subordinada a defesa da
fé. Ele não era um homem de gênio e precisão lógica, mas tinha talento
respeitável, ampla leitura e memória enorme...tinha a coragem de um confessor em
vida e de um mártir na morte. É impossível de não admirar sua intrépida devoção
a causa da verdade e a defesa dos irmãos perseguidos.
{11}
Os escritos de Justino
Vários livros são atribuídos a Justino, mas só três são
aceitos como genuínos. São os que se chamam agora de Primeira Apologia,
Segunda Apologia e o Diálogo com Trifão, o Judeu. Sua Primeira
Apologia é dirigida ao Imperador Antonino Pio que reinou de 138-161 d.C.,
seus filhos Lucius e Marco Aurélio, todo o senado romano e "a todos os romanos".
{12} A Segunda
Apologia é dirigida ao senado romano, ainda que já havia sido
endereçada pela Primeira. Os dois foram escritos para contestar a
perseguição.
Justino e a filosofia grega
O entendimento do
cristianismo de Justino foi filtrado pela filosofia que ele aprendeu. O
platonismo de sua época tinha grande força teísta e seu alto tônus moral parecia
comprovar o cristianismo. Justino (e outros) ligaram o Logos da filosofia com o
Logos de João capítulo 1.O historiador Philip Schaff descreve o pensamento desta
maneira:
O Logos é a razão pré-existente, absoluta, pessoal e
Cristo é a encarnação dele, o Logos encarnado. Qualquer coisa racional é cristã
e qualquer coisa cristã é racional. Os Logos dotaram a todos os homens da razão
e liberdade que não estavam perdidos desde a queda. Ele espalhou sementes da
verdade antes de sua encarnação, não só entre os judeus, mas também entre os
gregos e bárbaros, sobretudo entre os filósofos e poetas que são os profetas
pagãos. Os que viveram razoavelmente e virtuosamente em obediência a esta luz
preparatória foram de fato cristãos, ainda que não no nome; ao contrário, os que
viveram irracionalmente eram inimigos de Cristo. Sócrates foi um cristão assim
como Abraão, ainda que ele não o conheceu.
{13}
Além desses ensinos, Justino (e outros) criam que os
ensinos de Moisés foram passados aos egípcios e destes aos gregos.
{14} Deus
simplemente não era conhecido por meio da razão abstrata; ele foi conhecido por
Sua fala aos profetas que por sua vez o fez conhecido aos outros.
{15}
Se a idéia de Justino sobre
Cristo e o Logos parece estranha, devemos ter em mente que nós, também,
interpretamos o cristianismo segundo as interpretações dos filósofos de nossos
dias. Não somos leitores totalmente imparciais da Escritura.
Por exemplo, nos tempos
modernos a ciência tem se considerado a suprema fonte da verdade. Isto alimentou
o desenvolvimento da apologética evidencial. Este é um método que dá ênfase a
fatos históricos e naturais como evidências para a fé. Mas os estudiosos tem
sugerido que os fatos não são valores livres de "verdades" do pensamento
moderno. Outros cristãos que objetam ao que eles consideram serem parecidos com
pensamentos racionalistas de filósofos existencialistas que se preocupám mais
pela condição humana. Em outras áreas, também, nós revelamos os ideias do
modernismo em nossas vidas cristãs. Quantos livros "como...." estão nas estantes
cristãs? Há uma tendência a ter uma atitude tipo "faça isto e tal e tal
acontecerá" na sua vida pessoal e espiritual. A técnica apropriada é uma noção
muito moderna.
Assim, nós não devemos ser
rígidos com Justino Mártir. Ele foi um homem de sua época que melhor explicou e
defendeu as crenças cristãs usando o pensamento com que estava familiarizado. Ao
fazer isso, deu importante força para o desenvolvimento da teologia e
apologética da Igreja antiga.
A apologética de Justino
O tratamento injusto aos
cristãos
Em suas duas Apologias, a primeira meta de Justino foi
defender os cristãos em lugar do cristianismo em si.
{16} Os cristãos
estavam sendo tratados injustamente; a ambição de Justino foi conseguir um
tratamento justo para eles. A perseguição havia chegado ao ponto de os cristãos
serem julgados só por terem o nome de cristãos. Seus hábitos no culto
eram estranhos, sua negação em participar dos cultos cívicos e ao culto ao
imperador, e suas crenças estranhas eram bastante para prejudicá-los. Assim,
para alguns imperadores e governadores, só o fato de ter o nome cristão era o
bastante para levá-lo a juízo.
Cristãos e ateísmo
Parte do problema era uma má interpretação da crença
cristã. Por não renderem culto aos deuses gregos e romanos, os cristãos eram
chamados ateus. Justino perguntou como eles podiam ser ateus já que eles rendiam
culto "ao Deus verdadeiro". Os cristãos rendem culto ao Pai, Filho e Espírito
Santo, ele disse, e "lhes dão homenagens com razão e verdade". Justino também
apontou a inconsistência dos governantes romanos. Alguns de seus próprios
filósofos ensinaram que não havia nenhum deus, mas eles não os perseguiram só
por terem o nome de filósofos. E pior, alguns poetas denunciaram Júpiter
mas foram honrados por líderes governamentais.
{17}
Cristãos e cidadania
Outra acusação contra os cristãos era que eles eram
inimigos do estado. Sua falta de participação em rituais pagãos que eram parte
da vida pública cotidiana durante essa época e sua pregação sobre pertencer a
outro reino os levou a acusações de que não eram bons cidadãos. Justino
respondeu que eles não estavam buscando um reino terreno, que ameaçasse Roma. Se
estivessem, eles não morreriam serenamente, mas se esconderiam até esperar que
tal reino viesse na Terra. Além disso, ele insistiu que "nós, mais do que todos
os homens, somos de verdade seus auxiliadores e aliados para criar a paz",
porque os cristãos pensavam que estariam diante de Deus um dia e dariam conta de
suas vidas.
{18} "Só adoramos
a Deus", ele disse, "mas em outras coisas nós os obedeceremos alegremente e o
reconheceremos como reis e governantes dos homens"
{19} Como exemplo
específico de serem bons cidadãos, Justino citou que os cristãos são fiéis em
pagar os impostos porque Jesus disse que assim o deviam fazer (Mt. 22:20-21). O
argumento geral de Justino era que por viverem uma vida correta, algo pregado
pela filosofia grega, os cristãos eram por conseguinte bons cidadãos.
A situação hoje
Este tipo de situação lhe parece familiar? Hoje, ter o
nome de fundamentalista e ser ligado a um cristão bem conhecido como
Jerry Falwell ou Pat Robertson é o bastante para ser acusado de mal-inspirado,
intolerante e mente fechada e certamente nocivo a sociedade.
{20} Se nós
cristãos guardarmos nossa crença em segredo, mas em público, aceitarmos idéias
seculares, seremos aceitos. A isto devemos responder como Justino fez, não
ficando vermelhos ou dando nomes mas afirmarmos nossa crença e mostrar que nós -
e o cristianismo em si - realmente não somos nocivos a sociedade, mas de fato
somos bons para ela. Isto poderia ser persuasivo a alguns, mas certamente não a
todos, talvez não na maioria. Mas por esclarecer o que nós cremos e por que nós
cremos, fortaleceremos nossa igreja e isto é importante se, como creio, cristãos
são enfraquecidos mais por serem chamdos de cristãos do que por ataques a
doutrina.
Cristianismo como moral
Além de serem chamados
inimigos do estado e ateus, a igreja antiga era acusada de se envolver com
imoralidade. Por exemplo, dizia-se que eles realizavam orgias e canibalismo em
seus cultos. Em suas apologias, Justino defendeu os cristãos como seres
transformados de alta moral.
Em primeiro lugar, disse
Justino, os cristãos demonstravam sua honestidade por não mentir quando em
julgamento. Por serem pessoas da verdade, eles confessariam sua fé até a morte.
Ele amavam a verdade mais que a vida. Os cristãos foram pacientes em tempos de
perseguição e mostravam amor inclusive a seus inimigos.
Esta atitude de viver segundo a verdade era um exemplo de
mudança provocado nas vidas das pessoas seguindo sua conversão. Um escritor diz
que esta mudança chegou a ser conhecida como "a triunfal canção dos apologistas".{21}
Justino disse:
Nós quem uma vez revelávamos impureza, agora somos limpos
pela pureza; nós que antes nos dedicávamos às artes da mágica agora nos
consagramos ao bom e digno Deus; nós que antes amávamos as riquezas e posses
mais que tudo agora distribuímos todos os nossos bens a comunidade e
compartilhamos com cada pessoa necessitada; nós que antes matávamos e nos
odiávamos e não compartilharíamos nosso lugar com pessoas de outra tribo devido
a seus [diferentes] costumes, agora, depois da vinda de Cristo, vivemos juntos
com eles e oramos para nossos inimigos e tentamos convencer aqueles que nos
odeiam injustamente....{22}
Justino também deu ênfase a casta conduta dos cristãos, em
resposta a acusações de conduta imoral durante o culto. Para mostrar como isso
não era verdade, ele contou a história de um homem que foi perguntado por um
cirurgião que o queria fazê-lo de eunuco para provar que os cristãos não
praticam promiscuidade. O pedido foi negado, porque o homem escolheu ficar
solteiro e seguir seus companheiros cristãos.
{23}
Uma das táticas apologéticas de Justino era contrastar o
que os cristãos eram falsamente acusados e castigados, com que os romanos faziam
com impunidade. Por exemplo, os cristãos eram acusados de matar crianças em seus
cultos e comê-las depois. Justino lembrava que os adoradores de Saturno se
entregavam a matar e beber sangue e outros pagãos que jogavam sangue de homens e
animais em seus ídolos. Os cristãos eram acusados de imoralidade sexual, mas
eram seus críticos, Justino dizia, quem imitavam "Júpiter e os outros deuses na
sodomia e relações pecadoras com mulheres."{24}
Hoje, cristãos que se opõe ao aborto são ditos que odeiam
mulheres. Aqueles que crêem que a homossexualidade é errada são chamados de
intolerantes. Quando nós tentamos aprensentar nosso caso como Justino fez pode
ser difícil achar um ouvinte. Isto não quer dizer que nós devemos esclarecer
nossas crenças ou mostrar que os críticos é que são os praticantes das coisas
que nos acusam
{25}O que nós
precisamos lembrar é que um esclareciemento dos ensinos cristãos não é o
bastante. Não foi assim no tempo de Justino. Veja os meios que ele listou que
uma pessoa vem a Cristo. Ele disse que muitos "mudaram de uma vida de violência
e tirania, porque ou eles foram conquistados pelo exemplo de vida de seus
vizinhos ou pela estranha paciência que eles viram em seus amigos sendo acusados
injustamente, ou por ver sua honestidade nos negócios."
{26} A alta moral
dos cristãos, ainda que muito difamada, era um poderoso testemunho e apologético
para a fé.
O caso de Justino para Cristo
Como parte de sua defesa dos cristãos ante o imperador e o senado, Justino
também defendeu que o cristianismo era verdade. Isto foi importante porque a
razão e a busca da verdade eram muito valorizadas pela intelectualidade romana.
Já que uma das acusações contra os cristãos era que eles tinham crenças
supersticiosas, tinha que ser mostrado que suas crenças eram racionais. Vejamos
o caso central de Justino para a verdade do cristianismo, a saber, que a vinda
de Cristo - o Logos de Deus - foi predita pelo Espírito Santo por milhares de
anos antes.
Logos eterno
Antes eu falei de como Cristo era identificado como o
Logos - a razão do Universo - de que os filósofos falavam. Falar dele nestes
termos conquistaria as classes cultas de sua época. Como um historiador disse:
"sempre que [o Logos] era mencionado, a atenção de todos era conquistada".
{27} Era
importante mostrar a racionalidade da fé, e o Logos era o locus da razão
nas altas escolas de filosofia grega. Para citar Philip Schaff de novo, "o
cristianismo é a alta razão" para Justino. "O Logos é a razão pré-existente,
absoluta, pessoal e Cristo é a encarnação dele, o Logos encarnado. Qualquer
coisa racional é cristã e qualquer coisa cristã é racional."
{28} Isso garantiu
a racionalidade do cristianismo, identificando a Jesus como o Logos indicando
Sua antigüidade, que era importante para a mentalidade grega em estabelecer uma
crença. Devo notar aqui que esta ênfase na razão não deve nos fazer pensar que a
fé não significava nada para Justino. Ele se refere muitas vezes a fé em suas
apologias. Ele fala de nós sendo transformados "por fé através do sangue e da
morte de Cristo".
{29} Ele
inclusive se refere a Abraão que "foi justificado e abençoado por Deus devido a
sua fé nele."
{30} No entanto, o
assunto de conhecimento é central aqui porque Justino deu mais peso em crer nos
ensinos de Cristo que crer no próprio Cristo.
Profecias cumpridas
Mas por que esta
interpretação sobre Jesus deve ser acreditada? A razão era que Ele foi o
cumprimento das profecias feitas há milhares de anos antes que se demonstrasse
que Ele não era apenas um homem que podia fazer mágica, mas era o Filho de Deus.
"Nós fomos testemunhas oculares dos eventos ocorridos e tem passado da mesma
maneira em que eles foram preditos [sic] ," ele disse. Justino resumiu as
profecias do Antigo Testamento sobre Cristo desta maneira:
Nos livros dos profetas, de fato, nós encontramos a Jesus
nosso Cristo predito como vindo a nós nascido de uma virgem e pregando a
humanidade, curando cada enfermidade e doença, ressucitando mortos, sendo
odiado, irreconhecido e crucificado, ressucitando, ascendendo ao Céu e se
chamando e realmente sendo o Filho de Deus. E que Ele enviaria certas pessoas a
cada nação para fazer conhecido estas coisas e que os gentios acreditariam
[antes que os judeus] nele. Ele foi predito, em verdade, antes que Ele realmente
aparecesse, primeito cinco mil anos antes, depois quatro mil anos, então três
mil, então dois mil, então mil e finalmente oitocentos. Por isso, novos profetas
vieram anos depois.
{32}
Não só foi o cumprimento da
profecia notável em si mesmo, mas também foi significante que tais profecias
foram feitas muito antes dos filósofos gregos, pois, diferente de hoje, a
antigüidade era importante para a mentalidade grega em estabelecer uma crença.
Conclusão
Para aqueles que precisam reforçar sua teologia e
apologética, Justino, Mártir proporciona um exemplo daqueles que tomaram sua fé
muito à sério na igreja antiga e quem procurou ser uma boca para o Senhor e
defensor de Sua pessoa. Schaff diz que "[os escritos de Justino] atestam sua
honestidade e seriedade, seu entusiástico amor para o cristianismo e sua audácia
em sua defesa contra os ataques de pecados e perversões dentro dele{33}
Enquanto pode nos parecer que o cristianismo
era só filosofia para Justino, o historiador Jaroslav Pelikan diz que a fé de
Justino se alimentou mais pelo que a igreja confessava do que por sua prórpria
especulação filosófica. "Ele estava, acima de tudo, pronto para dar sua própria
vida para Cristo; e seu martírio fala mais alto, como doutrinamente, faz sua
apologética."
{34}
Notas
Rick Wade, Perseguição na Igreja Antiga, Probe Ministries,
Set. 1999. Este artículo está disponível originalmente em
http://www.probe.org/docs/persecution.html.
Robert M.
Grant, Greek Apologists of the Second Century (Filadelfia:
Westminster Press, 1988), 50.
Justin Martyr, First Apology, in Writings of Saint Justin Martyr, trans.
Thomas B. Falls, The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.:
1948), 33.
James E. Kiefer, "Justin Martyr, Philosopher, Apologist, and Martyr,"(http://justus.anglican.org/resources/bio/175.html).
Justin Martyr, Dialogue With Trypho, in Writings of Saint Justin Martyr,
trans. Thomas B. Falls,
The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 151.
Ibid., 159.
Ibid., 160.
Philip Schaff, Ante-Nicene Christianity: A.D. 100-325, vol. II in History of the
Christian Church
(Grand Rapids: Eerdmans, 1910), 714.
Kiefer, "Justin Martyr".
The Catholic Encyclopedia, s.v. "St. Justin Martyr."(http://www.newadvent.org/cathen/08580c.htm).
See also Justin's own prediction of his betrayal in The Second Apology,
in Writings of Saint Justin Martyr, trans. Thomas B. Falls, The Fathers
of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 122-23.
Schaff, 715.
Justin, Primeira Apologia, 33.
Schaff, 723.
The New Encyclopedia Britannica, 15th ed., Macropaedia, s.v. "Platonism
and Neoplatonism," by A. Hilary Armstrong.
See also Justin, First Apology,
81.
Enciclopedia católica.
La Robert Grant crê que o martírio de Policarpo em Roma levou Justino a escrever
para o imperador.
Grant,
Greek Apologists of the Second Century, 53.
Justin, Primeira Apologia, 37-39.
Ibid., 43-44.
Ibid., 52.
O leitor talvez gostaria de ver meu artigo Not a Threat: The Contributions
of Christianity to Western Society em nosso Web site http://www.probe.org/docs/threat.html.
Thomas B. Falls, en Justin, First Apology, 47, nota 2.
Justin, Primeira Apologia, 47.
Ibid., 65.
Ibid., 133.
Este tipo de discussão pode ser geralmente difícil devido ao relativismo moral
de nossos dias. Um bom livro para ler que mostra que os americanos não são tão
relativistas quanto pensam é de William D. Watkins, The New Absolutes
(Minneapolis: Bethany House, 1996). Para um resumo das idéias de Watkins, veja
meu artigo O Novo Absoluto em
http://www.probe.org/docs/new-abso.html.
Justin, Primera Apologia, 50.
Reinhold Seeberg, citado en J.L. Neve, UNA Historia de Christian Pensamiento,
vol. 1 (Filadelfia: El Muhlenberg Press, 1946), 46.
Schaff, 723.
Justin, Diálogo, 166.
Ibid., 183.
Justin, Primera Apologia, 66.
Ibid., 68.
Schaff, 719.
Pelikan, 143.
© 2000 Probe Ministries
International.
Tradução: Emerson de Oliveira
Sobre o Autor
Rick Wade é graduado pelo Instituto Bíblico de Moody, com B.A. em
comunicações (rádio) em 1986. Ele foi graduado cum laude em 1990 pela Escola
Evangélica de Divindade com um M.A. em Pensamento Cristão (teologia/filosofia de
religião) onde seus estudos culminaram em uma tese na apologética de Carl F. H.
Henry. Rick e sua família moram em Rowlett, Texas. Pode ser encontrado em
rwade@probe.org.
02 de Junho: JAMES WATSOM MORRIS
O Seminário de
Virginia nos Estados Unidos foi sempre um foco irradiador do espírito
missionário da Igreja Episcopal americana. Desde 1830 surgiram missionários
enviados em nome de Cristo e sua Igreja para o Japão, China, Ásia e África.
Dentro do próprio Seminário, entre os próprios estudantes havia un núcleo da
Aliança Missionária de Seminários, do qual era presidente o estudante James
Watsom Morris. Nas imediações do Seminário, residia uma família onde parava uma
filha do Rev. Simonton, pioneiro da Igreja Presbiteriana no Brasil. Através
dessa moça, que conhecia o Brasil, os estudantes vieram a saber muita coisa
sobre nossa Pátria e ficaram entusiasmados. Morris, que pretendia ser
missionário no Oriente, mudou de idéia, optando pelo Brasil. Aproximando-se o
tempo de sua ordenação, foi a Nova York decidir com a direção da Igreja sua
vinda ao Brasil. A Sociedade Missionária, porém, só enviaria dois, a exemplo do
que fez Jesus com a missão dos 70 (Lucas 10).
Enquanto Morris lá se angustiava pelo impasse da falta de um companheiro, por
divina providência, este aparece na pessoa de seu colega Lucien Lee Kinsolving,
que do Seminário telegrafara para a chefia da Igreja, dizendo: “Enviai-me com
Morris. Kinsolving”.
Depois de fracassadas as tentativas de Martyn em 1805, de Cooper em 1853 e de
Holden em 1859, vê-se Morris realmente ser o pioneiro da Igreja no Brasil. Desde
o início ele manteve sua decisão, enfrentando dificuldades, mas sempre disposto
a ir até o fim e fazer triunfar o seu ideal, como de fato aconteceu.
Finalmente, Morris e Kinsolving foram ordenados ao diaconato em 29 de junho_de
1889 na Capela do Seminário. Por terem de partir em missão, por concessão
especial, foram elevados ao presbiterado em 4 de agosto de 1889. No dia 31 desse
mês, embarcaram para o Brasil no vapor Aliança, aqui chegando em 26 de setembro.
Seguiram direto para São Paulo e dali para Cruzeiro, pequena cidade do interior
paulista. Durante seis meses permaneceram em Cruzeiro estudando português com o
Rev. Benedito Ferraz, da Igreja Presbiteriana.
Durante a estadia
deles alí deu-se a proclamação da República do Brasil, pela qual a Igreja Romana
deixaria de ser Igreja Oficial do Brasil, pelo menos no papel. Em 12 de abril de
1890, os missionários partiram para o Rio Grande do Sul, acompanhados do casal
Boaventura Souza de Oliveira e sua esposa Inês, presbiterianos. Traziam também
do educacionista e filológo Rev. Eduardo Carlos Pereira uma carta de
apresentação ao Sr. Vicente Brande, da Igreja Presbiteriana de São Paulo,
professor que mantinha uma escola mista nas imediações da hoje Beneficência
Portuguesa em Porto Alegre.
Chegaram a Porto
Alegre a 21 de abril de 1890, dia de Tiradentes. Bem recebidos e acolhidos pelo
professor Brande, pediram-lhe que descobrisse uma casa para alugar, onde se
estabelecesse a Missão. Um dia depois já estava alugada a casa de propriedade de
um fazendeiro de Santa Rita do Rio dos Sinos, Coronel Zeferino Fraga, situada à
rua Voluntários da Patria 387, mais ou menos onde hoje fica a casa comercial
Fracalanza.
No dia 1º de junho
de 1890, domingo da Trindade, na Casa da Missão, como passou a denominar-se a
sala adaptada para servir de capela, os missionários celebraram, às 15 horas e
30 minutos, o primeiro ofício religioso da Igreja Episcopal que estavam trazendo
ao Brasil. Foi pregador o Rev. Morris e Kinsolving dirigiu a parte litúrgica.
A partir de então
todos os domingos lá estava a Casa da Missão cheia de gente assistindo aos
ofícios. A partir desse ponto, focaremos mais o currículo de Morris; e depois
faremos o de Kinsolvimg.
Em 3 de fevereiro
de 1891, foi inaugurada_na Casa da Missão, a Escola Americana, um colégio de
instrução primária, à qual mais tarde foi incorporada a Escola Mista do Sr.
Brande. Foi o Rev. Morris, na companhia de Boaventura de Oliveira, que visitaram
pela primeira vez a fazenda dos Fraga em Santa Rita e estabeleceram ali uma
missão da Igreja, a Igreja do Calvário, inaugurada em 15 de março de 1896.
Havia em Rio
Grande uma congregação presbiteriana fundada pelo missionário de origem
holandesa, Rev. Emanuel Van Orden, e dirigida na época pelo Rev. Manoel Antonio
Menezes, presbiteriano. A referida congregação manifestou desejo de se
transferir para a Igreja Episcopal. Depois do acordo entre as partes, foram
então recebê-la em nome da Igreja Episcopal o Rev. Morris e o Sr. Vicente
Brande. Fez a entrega o Rev. Menezes, que deve ter regressado a São Paulo.
O Rev. Menezes era
um literato. O hino 83 de nosso hinário é de sua autoria. Em outubro de 1891
chegaram ao Brasil mais os missionários Brown e Meem e a profa. Mary Packard.
A esta altura, já
haviam ingressado na Igreja dois moços entusiasmados, Américo Vespúcio Cabral e
Antonio Machado Fraga, que com Boaventura e Brande colaboraram com os
missionários. Morris foi sempre o líder à testa da missão. Sempre dinâmico e
zeloso, inteiramente dedicado ao trabalho. Nos primeiros tempos ficou ele
encarregado da Casa da Missão e da Missão em Santa Rita, auxiliado por
Boaventura de Oliveira. Ao passo que o Rev. Brown, auxiliado por Cabral, atendia
a Missão da rua Riachuelo. O Rev. Kinsolving e Brande atendiam a Missão em Rio
Grande. O Rev. Meem e Fraga estavam organizando a Missão em Pelotas. Os 4
auxiliares leigos foram promovidos a catequistas, Cabral, Brande, Fraga e
Boaventura
A sugestão de
criar urna Comissão Permanente foi também de Morris. Ela foi formada em 1895,
para servir como Autoridade Eclesiástica na ausência do Bispo. Seus componentes
eram os Reverendos Morris, Kinsolving, Brown e Meen, e os Senhores Major
Sarmento, de Santa Rita, Ângelo Catalan, de Rio Grande e Alípio dos Santos, de
Pelotas. Foi de Morris tambem a sugestão de se criar um jornal, e em janeiro de
1893 surgiu o Estandarte Cristão, cujos redatores eram os Reverendos Morris e
Brown.
No 2º Concilio,
naquele tempo chamado Convocação, Morris sugeriu um nome para a Igreja, o qual
foi aceito: Igreja Episcopal Brasileira.
Essa convocação se
reuniu na Capela da Trindade, em abril de 1895.
Em dezembro de
1899, o Rev. Morris e sua família, acompanhados do Bispo Kinsolving, chegaram a
Santa Maria. Nos dias seguintes fizeram algumas conferências no Salão Nobre da
Prefeitura, cedido pelo Prefeito Coronel Francisco de Abreu Vale Machado, cuja
família depois filiou-se à Igreja.
O Bispo regressou
a Porto Alegre deixando o Rev. Morris encarregado de abrir uma Missão da Igreja
em Santa Maria. Foi então, alugada uma sala na rua do Comércio, hoje Dr. Bozano
54, onde fica a casa comercial “Irmãos Ugalde”. Essa sala foi inaugurada como
Capela no domingo 11 de fevereiro de 1900 pelo Rev. Morris com a presença do
Bispo Kinsolving que de Porto Alegre veio especialmente para esse ato.
No domingo 4 de
março, iniciou-se regularmente a Escola Dominical já com a presença de 20
alunos. O trabalho cresceu atraindo famílias tradicionais da cidade como os Vale
Machado, os Appel, os Niederauer, os Rolin e outras.
Em março de 1902,
por motivo de doença_da família, o Rev. Morris segue para os Estados Unidos. Só
regressando em 1920 para assumir a reitoria de nosso Seminário em Porto Alegre.
Durante os anos em que esteve em_Santa Maria, o Rev. Morris, auxiliado por
alguns candidatos às Sagradas Ordens, tais como Carlos Sergel e .Julio Coelho,
que com ele estudavam por algum !enpo ali, estabeleceu pontos de pregação no
bairro Itararé, nos distritos de Camobi e Pinhal e nos municípios de Julio de
Castilhos e Restinga Seca. Em 1929, Morris se aposenta e volta novamente para os
Estados Unidos.
Em 31 de março de
1954, falece o Rev. Dr. James Watson Morris em Richmond, capital do Estado de
Virgínia, Estados Unidos. Seus restos mortais repousam no Cemitério do Seminário
do Virgínia de onde um dia havia partido cheio de esperança e fé para o Brasil.
Morris nos deixou
um legado edificante através de seu fervor missionário, de suas realizações e_de
sua fé inquebrável. Foi ele um homem de visão e de caráter impoluto,
inteiramente voltado ao serviço de Deus através de Sua Igreja. Nestes dias, em
que a religião é tão superficial na vida das pessoas, quando a virtude e o bem
são relegados a uma escala inferior, onde as forças do mal se alastram infrenes,
como é confortador mirarmo-nos no vulto varonil, nobre e santo de James Watson
Morris, Deus o guarde na sua glória.
Obs.
Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA
EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo
Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988
3 de junho - LUCIEN LEE
KINSOLVING (1º Bispo residente da Igreja Episcopal do Brasil)
Nasceu em 14 de maio de 1826 no
Estado de Virginia, Estados Unidos. Descendente dos Kinsolving e dos Lee, entre
cujos antepassados dois assinaram a Declaração de Independência dos Estados
Unidos. Estudou no Colégio Episcopal de Virginia ingressando depois na
Universidade. Em 1886 matriculou-se no Seminário Teológico de Virginia
revelando-se como grande orador sacro. Consideravam-no um prodígio da
eloqüência. Levado pelo fervor missionário, depois de ordenado com Morris,
partiram ambos para o Brasil. Depois de seis meses estudando português em São
Paulo, com Morria, partiu para Porto Alegre chegando a 21 de abril de 1890. Na
inauguração da “Casa da Missão” em 12 de junho de 1890, ele fez a parte
litúrgica e Morris pregou. Em 7 de junho de 1891 voltou aos Estados Unidos para
unir-se em santo matrimônio com Alice Brown, natural do Estado de Nova Jersey.
Dona Alice teve papel destacado na Igreja Brasileira ao lado de seu esposo,
principalmente na organização da Sociedade Auxiliadora, baluarte poderoso da
Igreja por todo o mundo. A Federação Nacional da SAE, foi criada também por
ela, na 7ª Convocação reunida em Santa Maria em outubro de 1905. Sua diretoria,
porém, foi eleita depois na Trindade, em Porto Alegre.O jovem par de regresso
dos Estados Unidos_passou a residir em Rio Grande_e Kinsolving assumiu a direção
da paróquia do Salvador, então, a maior de nossas congregações em virtude do
acréscimo do grupo Presbiteriano do rev. Menezes. Por isso foi ali organizada a
primeira Junta Paroquial composta pelos Senhores Antonio Gazineu, Ángelo
Catalani e Jacinto Santana. Como a nova missão no Brasil estava sob a
supervisão do Bispo de Virginia e atendendo apelo que daqui se fazia, o Bispo
Dom Peterkin resolveu visitar o Brasil. Pela primeira vez na história da Igreja
no Brasil, chega ao porto da cidade do Rio Grande em 23 de agosto de 1893, um
Bispo Episcopal em visita oficial. Na Missão do Salvador deu-se então a primeira
confirmação no Brasil. Trinta pessoas se confirmaram e houve a primeira
ordenação ao Diaconato na pessoa do catequista Vicente Brande, auxiliar do
pároco. Ainda no mês de agosto, o Bispo visitou a Missão do Redentor, em
Pelotas, cujo pároco Rev. Dr. Meem apresentou-lhe 26 pessoas para serem
confirmadas e foi ordenado ao Diaconato o catequista Antonio Machado de Fraga,
auxiliar do pároco.Em 12 de setembro, o Bispo, já em Porto Alegre, visitou a
Missão da Trindade na rua Riachuelo, cujo pároco, Rev. Dr. Brown, apresentou-lhe
22 pessoas para confirmação e ordenou ao Diaconato o catequista Américo Vespúcio
Cabral, auxiliar do Dr. Brown na Missão.Em seguida o Bispo visitou a “Casa da
Missão” à rua Voluntários da Pátria, a cargo do Rev. Dr. Morris que lhe
apresentou 14 pessoas para confirmação. Foram então a Santa Rita do Rio dos
Sinos, cuja Missão estava a cargo do Rev. Morris, e o Bispo confirmou 44 pessoas
e ordenou ao Diaconato o catequista Boaventura do Oliveira, auxiliar do Rev.
Morris. De volta, o Bispo com o Rev. Kinsolving foran a São Jose do Norte, cuja
Missão estava a cargo também do Rev. Kinsolving, e confirmaram 6 pessoas.Ao todo
foram confirmadas 128 pessoas e ordenados 4 moços ao Diaconato. A visita do
Bispo infelizmente foi muito prejudicada pela revolução Federalista que na época
ensanguentava o nosso Estado. Em maio de 1897, a convite da Igreja Americana, o
Bispo Sterling, Anglicano com sede em Buenos Aires, visitou a Igreja no Brasil
confirmando 156 pessoas e elevando ao Presbiterado os Diáconos Brande, Cabral e
Fraga. No concilio de 1907, reunido na capela do Bom Pastor, foi feito um pedido
à Igreja-Mãe solicitando o Status de Distrito Missionário para a Igreja no
Brasil, até então considerada apenas como uma Missão. Só em 1908 a Convenção
Geral da Igreja-Mãe concedeu o referido Status.
Bispo KINSOLVING
Sentia-se d necessidade de um
guia espiritual e administrativo, afinal a Igreja era Episcopal. Em uma
convocação especial reunida na Capela do Bom Pastor em maio de 1898, com a
presença de 4 clérigos e 4 leigos, representando todos as congregações, foi
eleito Lucien Lee Kinsolving como Bispo para a Igreja no Brasil. Remetido o
resultado a Igreja-Mãe, a Câmara dos Bispos através de eleição ratificou a
escolha feita em Porto Alegre. E, no dia 6 de janeiro de 1899 -Epifania - na
Igreja de São Bartolomeu em Nova York, foi solenemente sagrado Lucien Lee
Kinsolving primeiro Bispo da Igreja Episcopal do Brasil. Voltando ele para o
Brasil, no dia 13 de agosto de 1899
administrou pela
primeira vez o rito da confirmação na Igreja do Salvador em Rio Grande. Nessa
ocasião passou a direçao da paróquia a seu substituto Rev. Dr. Brown.
O episcopado de Kinsolving foi muito benéfico para a Igreja no Brasil. Houve um
crescimento geral, abriram-se novas missões, construiram novos templos,
criaran-se instituições paroquiais. Kinsolving foi um verdadeiro apóstolo e
pastor de almas. Estatura robusta, simpático, de palavra fácil e fluente, era um
perfeito gentleman, fino na apresentação e no trato nas solenidades de escol,
como também usava bombacha e bota e convivia como igual com os homens do campo
ou da lavoura. Seguia o exemplo de São Paulo (I Cor. 9:19-23) fazia-se tudo para
com todos.
O Governador do Rio Grande, Dr. Borges de Medeiros, apreciava muito suas visitas
e lhe dava passe livre nas Estradas de Ferro do Estado. Foi sempre amigo de seu
clero a ponto de declarar-lhes em uma reunião:- “Trago-vos a todos dentro do meu
coração. E não só, mas também os vossos ministérios, as vossas famílias, os
vossos problemas, tudo pesa_aqui,” pondo a mão sobre o coração. Em 1910, por
ocasião da famosa Conferência de Lambeth em Londres, que reúne todos os Bispos
da Comunhão Anglicana, Kinsolving compareceu e foi convidado a pregar na
Catedral de São Paulo, um dos maiores templos religiosos do mundo. Em outubro de
1926 seguiu para os Estados Unidos em férias, não voltando mais ao Brasil. Foi
aposentado em 1928 por motivo de saúde depois de 29 anos de profícuo e abençoado
episcopado.
A 18 de dezembro de 1929 faleceu. No dizer do poeta John Miltom: “Deus deu-lhe o
beijo individual da imortalidade”.
O povo Episcopal do Brasil reconhecido e agradecido ao seu grande líder, mandou
erigir uma herma de bronze em sua homenagem na frente da Igreja do Salvador em
Rio Grande, Igreja que ele construiu.
Obs. Dados biográficos retirados do livro
DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev.
Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo Depto. de Comunicação da Secretaria Geral
da IEAB, 1988
4 de junho -
WILLIAM CABELL BROWN
A notícia de que a Igreja no Brasil estava sendo bem aceita e apresentando
progressos despertou o desejo de outros virem ajudar Morris e Kinsolving. Entre
os que estavam terminando o curso no Seminário de Virginia, dois se decidiram
pelo Brasil: William Cabell Brown e John Gaw Meem. Já ordenados ao diaconato e
também ao Presbiterado, embarcaram chegando ao Brasil em 20 de outubro de 1891.
Acompanhava-os, também, a Prof Miss Mary Packard, filha do Reitor do Seminário
de Virgínia. Brown, antes de partir, contraiu matrimônio com Ida Dorsey. Além do
curso no Seminário, Brown fez também curso de Direito na Universidade de
Virgínia. Logo após ter chegado ao Brasil foi nomeado Pároco da Igreja do
Salvador em Rio Grande. Em 1893 Brown e Morris criaram o Estandarte Cristão.
Desde o começo da Igreja no Brasil usavam-se na liturgia apenas porções do Livro
de Oração Comum traduzidas e adaptadas. Quando o Rev. Ricardo Holden, em 1859,
tentou introduzir a Igreja Episcopal no Brasil, tendo estado no Pará e depois em
Salvador na Bahia, traduziu o L.0.C. para o português, porém, não resistindo às
perseguições, transferiu-se para Portugal.
Anos depois o Bispo Kinsolving em uma viagem à Europa, encontrou por acaso, num
“sebo” em Lisboa, os 2 volumes únicos existentes do L.0.C. em português,
comprando-os, e hoje se encontram no Arquivo da Igreja em Porto Alegre.
Voltando à necessidade de um Livro de oração para uso do povo, foi nomeada uma
comissão composta do Rev. Brown e Rev. Cabral para traduzir do original
americano um L.0.C. em português. Assim, em 1898, surge o primeiro L.0.C. para
uso da Igreja Episcopal no Brasil, impresso nos Estados Unidos.
Em 15 de junho de 1903 foi solenemente inaugurado em Rio Grande o nosso
Seminário Teológico, tendo anexo ao mesmo um curso preparatório. O Rev. Dr.
Brown foi escolhido como Reitor. Antes do Seminário os candidatos eram
preparados pelos missionários. Em setembro de l906 o Rev. Brown foi transferido
para o Rio de Janeiro e ali realizou o primeiro culto da Igreja Episcopal, no
templo da Igreja Anglicana, em 31 de março de 1908. Em fevereiro de 1909 ele
instala a Capela do Redentor, em sala adaptada na rua Haddock Lobo. Até então,
as duas conhecidas traduções da Biblia, Figueredo e Almeida, foram feitas do
Latim. A Sociedade Bíblica, porém, resolveu fazer uma nova tradução fundamentada
nos originais grego e hebraico, a chamada Versão Brasileira. Formada una
comissão ecumênica, da qual fazia parte, entre outros, o grande Rui Barbosa. O
Rev. Dr. Brown, exímio hebraísta e helenista, foi escolhido presidente da
referida Comissão. A cultura e o conhecimento lingüístico do Rev. Dr. Brown era
tal que despertou admiração no próprio Rui Barbosa.
Foi figura proeminente na Igreja Episcopal, entre os vultos conhecidos como
sábios .e santos.
Em julho de 1914, num Concílio realizado na Trindade em Porto Alegre, Brown
despediu-se dos brasileiros para aceitar o
oficio de Bispo Coadjutor da Diocese de Virgínia, Estados Unidos. Anteriormente
havia recusado duas eleições ao
Episcopado, uma para Porto Rico e outra para Cuba, na
América Central. Faleceu em
Londres, em 1927.
Obs.
Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA
EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo
Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988
5 de junho - JOHN GAW MEEM
Nasceu
em 2 de agosto de 1864, em Lousiana, filho de John Gaw Meem e de Nancy Meem. Em
1884 completou o curso da Academia Militar de Virginia, atingindo o posto de
Capitão, sendo nomeado professor assistente na mesma Academia. Continuando seus
estudos formou-se em Engenharia Civil. Descobrindo sua vocação religiosa,
matriculou-se no Seminário de Virginia em 1889, onde foi considerado aluno
exemplar. Atendendo ao apelo missionário de Morris e Kinsolving para trabalhar
no Brasil, apresentou-se como voluntário. Já conhecia algo sobre o Brasil, pois
seu pai foi um dos engenheiros construtores da estrada de ferro Rio - São Paulo.
Em companhia de William Brown, foi ordenado em diácono na Capela do Seminário em
28 de junho de 1891, e a 2 de agosto do mesmo ano foram elevados ao
presbiterado. Em setembro de 1891, em companhia_de Brown e esposa, partiram para
o Brasil. Com eles veio também a diaconisa Mary Packard. Chegando ao
Brasil, foi encarregado de abrir uma Missão da Igreja na cidade de Pelotas,
auxiliado pelo catequista Fraga. E o fez em outubro de 1892. Enquanto ocupavam
uma sala como Capela, ele confeccionou uma planta e supervisionou a construção
em 1909 do bonito templo de nossa Igreja do Redentor, no Centro da cidade de
Pelotas, RS. O Rev. Dr. Meem contraiu núpcias em Pelotas com a brasileira Srta.
Elza Krischke, neta do cônsul americano em Rio Grande. Em Pelotas, o Rev. Dr.
Meem foi também prof. da Escola de Agronomia. Residindo em Pelotas, foi
professor e Reitor do Seminário em Rio Grande, de 1906 a 1909. Tal foi o
crescimento da única Igreja não Romana na cidade que já em janeiro de 1896
hospedou o 3º Concílio ou Convocação. Em 1912 o Rev. Meem passou a direção da
Paróquia do Redentor ao Rev. José Severo da Silva, depois de haver servido ali
durante 20 anos. Com a eleição do Rev. Dr. Brown para Bispo da Diocese de
Virginia, o Rev. Dr. Meem assume a direção da Paróquia do Redentor, no Rio de
Janeiro. O terreno da atual paróquia no Rio foi adquirido por ele. Foi ele o
primeiro na Igreja no Brasil a desfraldar a Bandeira Nacional no santuário da
Igreja. Após melindrosa cirurgia, faleceu em 20 de novembro de 1921 no hospital
dos Estrangeiros, no Rio. Seus restos mortais repousam no cemitério São
Francisco Xavier da mesma cidade.
Revendo dados biográficos dos quatro missionários considerados fundadores da
Igreja Episcopal no Brasil, comove-nos pensar que aqueles moços deixaram Pátria,
famílias, comodidade em que viviam, para virem enfrentar um povo estranho,
língua estranha, costumes estranhos, sendo hostilizados, caluniados e até
apedrejados por aqueles que não compreendiam a sua missão. Foi necessária muita
fibra, muita fé e a certeza de que Deus estava com eles, e por isso, não
fracassaram. Resta-nos agradecer a Deus e nos fazermos dignos do legado que eles
nos deixaram.
Obs.
Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA
EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo
Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988
6 de junho - AMÉRICO VESPUCIO CABRAL
Nasceu
na Vila Santa Isabel, município de Arroio Grande, a 27 de maio de 1870. Filho do
Prof: João Francisco de Freitas Cabral e da Dona Floriana da Costa Cabral. Em
1871 mudaram-se para Porto Alegre. Cursou o Colégio São Pedro. Em 1887 foi
obrigado a abandonar os estudos para trabalhar no comércio. Aos 17 anos de idade
era um entusiasta dos ideais republicanos, usando seus dotes tribunícios nos
comícios. Conhecendo sua capacidade como orador, um amigo da família o convidou
para, como companheiro de seu filho, fazerem o Curso de Direito na Bahia, com as
despesas pagas. Nessa altura, porém, já havia falecido seu pai que antes
confiara a ele o cuidado de sua mãe e de uma irmã menor. Diante disso ele não
aceitou o convite.
Em
1890, Cabral com um amigo passaram, num domingo, pela “Casa da Missão”, na rua
Voluntários da Pátria. Ouvindo o cântico de um hino resolveram entrar. Era um
oficio religioso dirigido pelos missionários Morris e Kinsolving. Sairam
impressionados com o que viram e ouviram. No domingo seguinte lá estava de novo
Cabral assistindo ao oficio. Daquele dia em diante, convidava os amigos dizendo:
“Venham ouvir o que e belo e bom”. Abraçou definitivamente o Evangelho pela
Igreja Episcopal, tornando-se catequista. Em 1893 foi ordenado ao diaconato pelo
Bispo Peterkin que visitava a Igreja no Brasil. Dizia ele que na solenidade
cantaram o hino 136 do antigo “Salmos e Hinos” e nas palavras: “Vai! Publica a
todo o mundo: em Jesus há salvação!” Kinsolving lhe dirigiu um olhar cheio de
entusiasmo. E esse olhar se lhe tornou inesquecível. O novo diácono foi
trabalhar com o Rev. Dr. Brown. Em 1894 casou com a Srta. Guilhermina Fraga. Em
l895 Cabral abriu uma Missão da Igreja em Viamão. Em 1897 foi elevado ao
presbiterado pelo Bispo Anglicano das Malvinas, Revmo. Sterling. Em 1898 assumiu
a reitoria da Igreja da Trindade, ainda funcionando no salão próximo à hoje
Catedral da Santísima Trindade, na rua dos Andradas. Lecionou por algum tempo no
Colégio Júlio de Castilhos e num colégio alemão, hoje colégio Farroupilha. Nesse
tempo iniciou Missões que se tornaram mais tarde a Missão do Nordeste. Em 1919
transmitiu a reitoria da Trindade ao Rev. George Krischke, da qual ele foi
pároco 20 anos. Depois de algumas viagens para o Brasil e até pelo estrangeiro,
fixou residência em Viamão consagrando-se à Igreja local e a Missão Nordeste
(São Francisco de Paula, Santo Antonio da Patrulha e Praria Grande,SC). A maior
parte de suas viagens era feita a cavalo, dormindo_em barracas ou galpões. Desde
1935 era vereador na Câmara de Viamão. Com o Rev. Dr. Brown fez a primeira
tradução do L.O.C. para a Igreja no Brasil. Cabral manejava mais ou menos bem o
inglês e conhecia o grego, língua que aprendera com os missionários,
particularmente com o Rev. Brown. Achando-se adoentado, dia 17 de outubro de
1937, era um domingo tarde, pediu que lesse a Coleta, a Epístola e o Evangelho
do dia, convidando a todos para uma oração silenciosa. Depois da qual
disse:”Amanhã Jesus me dará uma bênção”, e entrou em agonia falecendo na manhã
seguinte. O prefeito de Viamão decretou três dias de luto. Viamão lhe homenageou
dando seu nome à Avenida de entrada na cidade. Seus restos mortais repousam no
cemitério de Viamão. Na Catedral da SS. Trindade, a Igreja o homenageou com uma
placa com a sua efígie junto ao púlpito que tanto honrou. Cabral era abstêmio e
de caráter impoluto. Estatura agigantada, passos firmes e resolutos, olhar
penetrante, gestos decididos, voz forte, com palavra fácil e persuasiva, era um
perfeito varão de Deus e cidadão integro.
O
Bispo Kinsolving, certa ocasião declarou: “Cabral era o pregador mais eloqüente
que jamais ouvi em qualquer língua”.
Obs.
Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA
EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo
Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988
7 de junho - ANTÔNIO MACHADO DE FRAGA
Da
família dos Fragas de Santa Rita do Rio dos Sinos, converteu-se na “Casa da
Missão” e fez parte da primeira turma dos quatro catequistas e candidatos ao
ministério: Brande, Cabral, Boaventura e Fraga. Como catequista foi auxiliar do
Rev. Dr. Meem no estabelecimento da Igreja em Pelotas, lá chegando com essa
finalidade em 15 de setembro de 1892. Já a 9 de outubro, realizavam, em sala
alugada, o primeiro ofício público da Igreja naquela cidade. A primeiro de
setembro de 1893 na mesma Capela foi confirmado e depois ordenado ao diaconato
pelo Revmo. Peterkin. Em 1895 foi transferido para Santa Rita, ficando
encarregado do trabalho ali. Em 13 de maio de 1897, na Capela do Bom Pastor,
hoje Catedral da SS, Trindade, foi elevado ao presbiterado pelo Revmo. Sterling.
Foi o fundador do trabalho em Montenegro onde pastoreou a Igreja ali até 1920.
Fundou também o trabalho em São Leopoldo. De 1921. a 1934 voltou novamente a
dirigir a Paróquia do Calvário em Santa Rita do Rio dos Sinos. Aposentou-se em
1934 e faleceu a 23 de setembro do mesmo ano. A Prefeitura de Canoas, a cujo
município pertence Santa Rita, deu o seu nome à rua onde fica a Paróquia do
Calvário, da qual ele fora fundador, e que foi o primeiro templo de nossa Igreja
construído no Brasil.
Obs.
Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA
EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo
Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988
8 de junho - VICENTE BRANDE
De
origem presbiteriana, vindo de São Paulo. Era diretor e professor de uma escola
mista das imediações da hoje Beneficência Portuguesa, na Av. Independência. Em
21 de abril de 1890 ele recebia amavelmente os missionários Reverendo Morris,
Kinsolvíng, o Sr. Boaventura e esposa Dona Inês. Eles traziam uma carta de
apresentação do Revdo. Eduardo Carlos Pereira, da Igreja Presbiteriana em São
Paulo. Os missionários pediram ao Sr. Brande que descobrisse uma casa para
alugar. Dois dias depois ele informava a existência de um prédio para ser
alugado na rua Voluntários da Pátria nº 387, mais ou menos onde fica hoje a casa
comercial Fracalanza, A casa era de propriedade do Sr, Zeferino Fraga,
fazendeiro em Santa Rita do Rio dos Sinos, Nela eles adaptaram uma sala que
passou a ser a ‘Casa da Missão”. Foi ali o berço da Igreja Episcopal do
Brasil. Algum tempo depois, em 3 de fevereiro de 1891, os missionários fundaram
uma escola na “Casa da Missão” com o nome de Escola Americana. À qual
aglutinaram a escola do Prof. Brande e os três passaram a lecionar na mesma. O
Prof Brande resolve apresentar-se como candidato às Sagradas Ordens. Foi ele
então apresentado como catequista no trabalho da Igreja. Em 9 de agosto de 1891
o Rev. Morris e o Sr. Brande foram a Rio Grande receber a congregação
presbiteriana que se transferiu para a Igreja Episcopal. A referida congregação
foi fundada em 1876 pelo missionário Presbiteriano Emanuel Van Orden. Em 28 de
agosto de 1893 na Paróquia do Salvador em Rio Grande, pelo Bispo Peterkin, e
ordenado ao diaconato o Sr. Vicente Brande com 33 anos de idade. Foi a
primeira ordenação da Igreja Episcopal do Brasil. Na época o meio de transporte
era o navio e para nós o acesso era o porto de Rio Grande. Em Porto Alegre, o
Rev. Brande foi o fundador da Igreja do Redentor, na rua Jose do Patrocínio, da
qual foi muito anos pároco. Em 1898, na visita do bispo Sterling, foram elevados
ao presbiterado Brande, Cabral e Fraga, O Rev. Brande também foi o fundador da
Igreja em Jaguarão, em 1898. Era poeta meio repentista. Cuidava da saúde
das almas de seus paroquianos e também da saúde do corpo, pois manipulava
medicamentos de plantas medicinais e ofertava aos enfermos que a ele recorriam.
Brande foi uma das primíias da Igreja Episcopal do Brasil. Faleceu em 1940, em
Porto Alegre.
Obs.
Dados biográficos retirados do livro DADOS BIOGRÁFICOS DO CLERO DA IGREJA
EPISCOPAL DO BRASIL de autoria do Rev. Marçal Lopes de Oliveira, Editado pelo
Depto. de Comunicação da Secretaria Geral da IEAB, 1988
12 de
junho: São BARNABÉ, Apóstolo (transferido do dia 11/06)

BARNABÉ, Filho da profecia,
especialmente da profecia que tem a forma de exortação ou consolação.
Sobrenome de José, levita de Chipre,
convertido ao Cristianismo, possuidor de um campo que vendeu e pôs o seu preço
aos pés dos apóstolos, em Jerusalém, Atos 4. 36, 37. Quando os cristãos de
Jerusalém receavam a vinda de Paulo, recentemente convertido ao Cristianismo,
Barnabé falou em seu favor, removendo as apreensões que havia contra ele, 9. 27.
Quando chegou ao conhecimento dos crentes de Jerusalém que o Evangelho havia
sido proclamado com grande êxito aos gregos e aos judeus em Antioquia da Síria,
a Igreja enviou a Barnabé para ajudar o trabalho ali, 11. 19-24. De Antioquia
foi para Tarso, de onde levou Paulo, 11. 22-26. Mais tarde, os dois foram
enviados a levar socorros aos irmãos em Jerusalém que estavam sofrendo fome,
27-30. Voltando com João Marcos a Antioquia, 12. 25, foram enviados pela Igreja
aos gentios, 13. 2; visitaram Chipre e dali seguiram para Perge, Antioquia,
Icônio, Listra e Derbe. Em Listra, onde residia um homem leso dos pés, coxo
desde o ventre de sua mãe, foi este curado, pelo que o povo da cidade,
levantando a sua voz, dizia em língua licaônica: “Estes são deuses que baixaram
a nós em figura de homens. E chamavam a Barnabé Júpiter, e a Paulo, Mercúrio”,
At 13. 3 até cap 14. 28. Havendo voltado à Síria, foram eles, Paulo e Barnabé,
enviados pela Igreja de Antioquia a Jerusalém. Ambos falaram no concílio que se
reuniu ali discutindo a questão referente à circuncisão dos gentios convertidos,
At 15. 1, 2. 12. Terminados os trabalhos, foram eles portadores dos decretos
para as igrejas da Síria e da Ásia Menor, 22-31. O trabalho continuou em
Antioquia, e Paulo propôs uma segunda viagem missionária. Barnabé desejou levar
consigo seu parente João Marcos, Cl 4. 10. Paulo recusou a companhia de João
Marcos por causa de não querer acompanhá-lo na primeira viagem. Depois de tal
desavença, os dois evangelistas separaram-se, tomando diferentes caminhos.
Barnabé e Marcos foram para Chipre, e Paulo partiu para a Ásia Menor, 36. 41.
Esta divergência não alterou a sua mútua amizade. Paulo, em suas epístolas,
refere-se a Barnabé em termos muito cordiais, 1
Co 9. 6; Gl 2. 1,
9, 13; Cl 4. 10, bem como a João Marcos, 2 Tm 4. 11.
Fonte: Dicionário da Bíblia, John D.
Davis
14 de junho:
São Basílio Magno – Bispo de Cesaréia, 379
São Basílio (329 - 379) - Padre da
Igreja, teólogo e escritor cristão do século IV.
A família e a formação
Basílio nasceu em Cesaréia, capital da
Capadócia, Ásia Menor no seio de uma família profundamente cristã. Estudou em
Constantinopla e Atenas. Entre seus nove irmãos figuraram: São Gregório de Nissa,
Santa Macrina a jovem e São Pedro de Sevaste. Seu pai era São Basílio o velho, e
sua mãe, Santa Emélia. Como seus colegas de estudo teve o futuro imperador
apóstata, Juliano, e São Gregório Nazianzeno, também capadócio e seu amigo
inseparável, que escreveu sobre os dois: "conhecíamos apenas duas ruas na
cidade: a que conduzia à Igreja e a que nos levava à escola".
A etapa do monaquismo
Terminando seus estudos, Basílio
retornou à Cesarea, sendo batizado e se determinando a seguir a pobreza
evangélica. Visitou os e estudou nos mosteiros do Egito, Palestina Síria e
Mesopotâmia. Em seguida morou em uma estalagem na região do Ponto, perto do rio
Íris, entregando-se a uma vida solitária de oração e estudo, e formando o
primeiro mosteiro da Ásia Menor.
As controvérsias teológicas
A heresia ariana naquela época estava
no ápice, sendo que os ortodoxos eram perseguidos pelos hereges. Basílio foi
ordenado diácono e sacerdote na Cesaréa em 363, mas se retirou para o Ponto para
evitar conflitos com o arcebisto Eusébio. Em 365 seu amigo Gregório Nazianzo
retirou Basílio de seu retiro, e em 370, quando o arcebispo Eusébio morreu,
deixando vaga a sede arcebispal, Basílio foi eleito para ocupá-la. Com a morte
de Santo Anastácio, pouco depois, Basílio passou a ser o último defensor da
ortodoxia no oriente, morrendo em 1o de Janeiro de 379, aos 49 anos.
Dedicou as suas maiores energias a
defender a doutrina católica sobre a consustancialidade do Verbo, definida
solenemente no Concilio de Nicéa (325). Por este motivo sofreu muitos ataques
dirigidos pelos arianos e palas autoridades imperiais, que queria, impor a
doutrina de Arío. Com São Gregório Nazianzo e São Gregorio de Nissa contribuiu
de maneira decisiva na tarefa de precisão conceptual dos termos com os quais a
Igreja viria a expor o dogma trinitário, preparando, desta maneira, o Primeiro
Concílio de Constantinopla (381), que enunciou de forma definitiva a doutrina
sobre a Santíssima Trindade.
A sua produção literária compreende
trabalhos dogmáticos, ascéticos, pedagógicos e litúrgicos. A ele se deve a
fixação definitiva de uma das mais conhecidas liturgias orientais, que comporta,
precisamente, o seu nome. Junto com São Gregório Nazianzo, escreveu duas Regras
(Vida de São Bento e Parta Pastoral) que tiveram um influxo decisivo na vida
monástica do Oriente cristão.
Foto:
www.catolicismo.com.br;
Texto: Wikipédia,
a enciclopédia livre.
18 de
junho - Bernard Mizeki - Catequista e Mártir no Zimbabwe, 1861 a 1896
Anglicano do Zimbabwe.
Quando tinha aproximadamente doze anos, Bernard Mizeki saiu de Moçambique para
Capetown, África do Sul, onde permaneceu por dez anos como trabalhador.
Matriculou-se em uma escola noturna Anglicana para pretos. Era abstêmico quanto
ao uso do álcool. Aprendeu o Inglês, o Alemão, o Francês e oito línguas
africanas. Isto o conduziu a trabalhar como tradutor da Bíblia para as
línguas indígenas. Converteu-se em seguida ao cristianismo. Mizeki foi
preparado para o batismo em 1886 por membros da sociedade de São João
Evangelista. Foi Catequista no Zimbabwe, onde fundou uma Missão, tendo como
rotina os Ofícios diários, o estudo de línguas, e a conhecer os moradores da
aldeia. Abriu uma escola na localidade denominada Nhowe que teve bastante
prosperidade entre 1891 e 1896, com um número bastante expressivo de
convertidos. Desentendimentos com os líderes religiosos politeístas locais
motivados pela derrubada de árvores no bosque sagrado e durante uma rebelião
civil em 1896 foi advertido a fugir pois os cristãos naquela região estavam
sendo considerados como agentes do imperialismo europeu. Consciente
de suas responsabilidades e convicções cristãs, resolveu não fugir da
comunidade. Em 18 de junho foi assassinado a golpes de lança. Sua esposa e
uma outra pessoa ao saírem do local onde o corpo foi encontrado para tomarem
outras providências, ao retornarem não mais encontraram-no. O lugar de sua morte
tornou-se um local de peregrinação de pessoas de muitas partes da África do Sul
a cada 18 de junho. A Oração de Bernardo Mizeki foi incorporada no LOC da
África do Sul: Ó Deus Todo-poderoso, cuja glória é comemorada na vida
de Bernardo Mizeki, nós te agradecemos por tê-lo como Teu ministro entre os
povos da África do Sul como missionário, catequista e mártir. Com o exemplo
desta coragem destemida mesmo diante da morte, pode Tua igreja ser chamada à fé
renovada em Ti, Grande Pastor de todos os povos.
Amém.
Fonte:
Frederick Quinn, livre tradução e interpretação do Revdo. JBS/IEAB/TSSF/BAHIA/BRASIL
22 de
junho: Santo Albano, 1º Mártir da Grã-Bretanha, 304 (ou 305)
+ Inglaterra, 304. Destacado
habitante de Verulamium (hoje Santo Albano), escondeu em sua casa um sacerdote
durante a perseguição de Diocleciano. Convertido, ficou tão tocado pela doutrina
católica, que trocou de vestes com o sacerdote, sendo preso em seu lugar.
Negando-se a oferecer incenso aos ídolos, foi açoitado, cruelmente torturado, e
finalmente teve a cabeça decepada. Fonte:www.catolicismo.com.br
Transcrevemos abaixo, parte da
História
eclesiástica das gentes dos anglos, Livro I, do Venerável
Beda (673/735), numa tradução
da Profa. Assunção Medeiros e Revisão do Prof. Dr. Ricardo da Costa (Ufes), que muito bem nos informa sobre a vida de Santo Albano:
VI - O reino de
Diocleciano e como ele perseguiu os cristãos
No Ano da
Encarnação de Nosso Senhor de 286, Diocleciano, trigésimo terceiro desde
Augusto e escolhido imperador pelo exército, reinou vinte anos, e tornou
Maximiano, chamado de Herculius, seu colega no império. Em seu tempo, certo
Carausius, de muito baixa origem, mas um soldado habilidoso e capaz, tendo sido
indicado para guardar os litorais, naquele tempo infestados pelos francos e
saxões, agiu mais para o prejuízo que para a vantagem do estado. Pelo fato de
não ter devolvido aos seus donos a pilhagem recuperada dos ladrões, mantendo-a
toda para si, suspeitou-se que fora por negligência intencional que deixara o
inimigo infestar as fronteiras. Sabendo, portanto, que uma ordem havia sido
enviada por Maximiano para que fosse executado, ele tomou para si os mantos
imperiais e a posse da Bretanha, e depois de ter com galhardia mantido sua posse
pelo espaço de sete anos, foi finalmente executado através da traição de um
associado seu, Alectus. O usurpador, tendo desta forma tomado a ilha de
Carausius, manteve a posse dela por três anos, e foi então exterminado por
Asclepiodotus, capitão da guarda pretoriana, que feito isso, ao fim de dez anos,
restaurou a Bretanha ao Império Romano.
Entrementes,
Diocleciano no Oriente e Maximiano Herculius no Ocidente ordenaram que as
igrejas fossem destruídas e que os cristãos fossem assassinados. Esta
perseguição era a décima desde o reinado de Nero, e foi mais duradoura e
sangrenta que todas as que a precederam, pois deu-se ininterruptamente por um
período de dez anos, com a queima de igrejas, a marginalização de pessoas
inocentes e o abate dos mártires. Após certo tempo, ela alcançou também a
Bretanha, e muitas pessoas, com a constância dos mártires, morreram por
professar sua fé.
VII - A paixão de Santo Albano e seus companheiros, que naquele tempo
derramaram seu sangue por Nosso Senhor [305 d. C.]
Naquele
tempo sofreu santo Albano, de quem o padre Fortunato, em seu “Louvor às
Virgens”, onde menciona os abençoados mártires que chegaram ao Senhor de todas
as partes do mundo, diz: “Na ilha da Bretanha nasceu o santificado Albano. Este
Albano, sendo ainda pagão, no tempo em que as crueldades de príncipes malvados
assolavam os cristãos, ofereceu hospitalidade em sua casa a um certo homem do
clero, que fugia de seus perseguidores. Ele observou que este homem estava em
estado de prece contínua, em vigília noite e dia. Então, repentinamente, a Graça
Divina brilhou sobre ele, que pôs-se a imitar o exemplo de fé e pia atitude que
havia sido posta à sua frente.
Assim, sendo
gradualmente instruído pelas salutares admoestações deste padre, ele lançou
longe a escuridão da idolatria e tornou-se cristão, com toda a sinceridade de
seu coração. Estando o já mencionado padre hospedado por alguns dias com ele,
chegou aos ouvidos do malvado príncipe que este santo confessor de Cristo, cuja
hora do martírio ainda não havia chegado, estava escondido na casa de Albano. E
foi então que ele enviou alguns soldados para fazer uma severa busca. Quando
chegaram à casa do mártir, santo Albano imediatamente se apresentou aos
soldados, ao invés do seu convidado e mestre, no hábito ou comprido casaco que
aquele usava, e foi levado amarrado perante o juiz.
Aconteceu
que este juiz, na hora em que Albano foi trazido à sua frente, estava em pé em
frente ao altar, oferecendo sacrifício aos demônios. Quando viu Albano,
enraivecendo-se muito pelo fato de que ele havia daquela forma, de vontade
própria, colocado a si mesmo nas mãos dos soldados e incorrido em tamanho perigo
no lugar do seu convidado, ele comandou que este fosse arrastado até as imagens
dos demônios, diante das quais ele estava, dizendo, “Por teres escolhido
esconder uma pessoa rebelde e sacrílega ao invés de entregá-lo aos soldados,
para que seu desprezo pelos deuses encontrasse o castigo merecido por tal
blasfêmia, tu sofrerás toda a punição reservada a ele se não abandonares a
crença da tua religião.”
Mas santo
Albano, tendo-se voluntariamente declarado um cristão aos perseguidores da fé,
não estava sequer amedrontado pelas ameaças do príncipe, pelo contrário,
vestindo a armadura da guerra espiritual, publicamente declarou que não
obedeceria aquela ordem. Então disse o juiz, “De que família ou raça tu és?”
Respondeu Albano: “- No que isto concerne a ti, de onde fui gerado? Se você
deseja saber a verdade de minha religião, que seja dado a conhecer a você que eu
sou agora um cristão, e preso pelas obrigações cristãs.” “ Eu pergunto o seu
nome,” disse o juiz, “diga-o imediatamente.” Ele replicou: “- Eu sou chamado de
Albano por meus pais, e venero e adoro o verdadeiro Deus vivo, que criou todas
as coisas.” Então o juiz, inflamado por sua ira, disse: “- Se você deseja
usufruir da felicidade da vida eterna, não hesite em oferecer sacrifício aos
grandes deuses.” Albano retrucou: “- De nada adiantam estes sacrifícios que você
oferece aos demônios; eles não podem atender os pedidos e desejos daqueles que
enviam as suas súplicas. Pelo contrário, aquele que oferecer sacrifício a estas
imagens receberá as infinitas dores do inferno como recompensa.”
Ao ouvir
estas palavras, e irado ao extremo, o juiz ordenou que este santo confessor de
Deus fosse chicoteado pelos algozes, acreditando que pelas tiras do chicote
poderia abalar a constância daquele coração, sobre o qual palavras não
prevaleceram. Este, sendo muito cruelmente torturado, suportou a tortura
pacientemente, ou mesmo alegremente, por Nosso Senhor. Quando o juiz percebeu
que ele não seria conquistado por torturas ou afastado do exercício da religião
cristã, ordenou que fosse morto. Sendo levado até sua execução, ele chegou a um
rio, que corria entre a muralha da cidade e a arena onde seria executado com uma
correnteza bastante forte.
Neste lugar
ele viu uma multidão de pessoas de ambos os sexos e de diversas idades e
condições sociais, que indubitavelmente estavam ali congregadas por instinto
divino para assistir o abençoado confessor e mártir, e tinham de tal forma
tomado a ponte sobre o rio que ele não podia passar para o outro lado naquela
noite. Em suma, quase todos tinham saído, de forma que o juiz permaneceu na
cidade sem acompanhantes. Santo Albano, portanto, tomado por um ardente e devoto
desejo de chegar rapidamente ao martírio, aproximou-se do riacho, e ao levantar
seus olhos para o céu, o canal imediatamente secou, e ele percebeu que a água
havia partido e feito um caminho para que ele passasse. Entre os outros, o
executor que devia causar sua morte observou isto e, movido por inspiração
divina, correu ao encontro dele no seu local de execução e, lançando longe a
espada que já carregava desembainhada, caiu a seus pés, rogando sofrer com o
mártir que ele havia recebido ordem de executar, ou, se possível, no lugar
deste.
Enquanto
este, de perseguidor se tornava companheiro de fé, e os outros algozes hesitavam
tomar a espada que estava caída no chão, o reverendo confessor, acompanhado pela
multidão, subiu uma colina, a aproximadamente 500 passos do lugar e adornada, ou
melhor, vestida com todos os tipos de flores, tendo seus lados nem
perpendiculares, nem em forma de penhasco, mas possuidores de uma suave
inclinação que terminava em uma muito bela planície, merecedora pela sua bela
aparência de ser o cenário dos sofrimentos de um mártir. No topo desta colina,
santo Albano orou para que Deus lhe desse água, e imediatamente uma fonte viva
brotou diante de seus pés, com seu curso confinado, para que todos os homens
percebessem que o rio também havia secado em consequência da presença do mártir.
Nem era provável que o mártir, que não havia deixado que permanecesse água no
rio, quisesse alguma no topo da colina, a não ser que achasse tal coisa
apropriada à ocasião.
O rio, tendo
executado seu sagrado serviço, retornou ao seu curso natural, deixando um
testemunho de sua obediência. Neste lugar, portanto, a cabeça do tão corajoso
mártir foi cortada, e ali ele recebeu a coroa da vida, que Deus prometeu àqueles
que O amam. Mas aquele que deu o golpe maldoso não foi permitido regozijar a
morte do falecido, pois seus olhos caíram ao chão junto com a cabeça do
abençoado mártir.
Naquele
mesmo instante o soldado que através da admoestação divina recusou dar o golpe
mortal no santo confessor foi decapitado. Está claro que apesar de não ter sido
regenerado pelo batismo ele foi limpo belo banho em seu próprio sangue, e
tornou-se merecedor de entrar no reino dos céus. Então o juiz, assombrado com a
nova de tantos milagres do céu, ordenou que cessasse imediatamente a
perseguição, começando a honrar a morte dos santos, através da qual ele antes
achara que estes pudessem ser afastados da fé cristã. O abençoado Albano sofreu
a morte no vigésimo segundo dia de junho, próximo à cidade de Verulano, hoje
chamada pelas gentes dos anglos de Verlamacestir, ou Varlingacestir, onde
depois, quando foram restaurados os tempos de paz cristã, uma igreja de
maravilhoso artesanato e apropriada ao seu martírio foi erigida. Neste lugar não
cessa até hoje a cura de pessoas doentes, e a freqüente sucessão de maravilhas.
Ao mesmo
tempo sofreram Aarão e Júlio, cidadãos de Chester, e muitos outros de ambos os
sexos em diversas localidades, que, após terem suportado tormentos vários, e
terem seus membros arrancados de uma maneira nunca antes vista, entregaram suas
almas para o alto, para gozar na cidade celeste a recompensa dos sofrimentos
pelos quais tinham passado.
Fonte:www.ricardocosta.com/textos/beda.htm
24 de junho – Natividade de São João Batista
A relevância do papel de
São João Batista reside no fato de ter sido o "precursor" de Cristo, a voz que
clamava no deserto e anunciava a chegada do Messias, insistindo para que os
judeus se preparassem, pela penitência, para essa vinda.
Já no Antigo Testamento
encontramos passagens que se referem a João Batista. Ele é anunciado por
Malaquias e principalmente por Isaías. Os outros profetas são um prenúncio do
Batista e é com ele que a missão profética atingiu sua plenitude. Ele é assim,
um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.
Segundo o Evangelho de
Lucas, João, mais tarde chamado o Batista, nasceu numa cidade do reino de Judá,
filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, parenta próxima de Maria, mãe de Jesus.
Lucas narra as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento do
menino. Isabel, estéril e já idosa, viu sua vontade de ter filhos satisfeita,
quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que a esposa lhe daria um filho, que
devia se chamar João. Depois disso, Maria foi visitar Isabel. "Ora quando Isabel
ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou
repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre
as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre ! Donde me vem que a mãe do meu
Senhor me visite ?'" (Lc 1:41-43). Todas essas circunstâncias realçam o papel
que se atribui a João Batista como precursor de Cristo.
Ao atingir a maturidade, o
Batista se encaminhou para o deserto e, nesse ambiente, preparou-se, através da
oração e da penitência - que significa mudança de atitude, para cumprir sua
missão. Através de uma vida extremamente coerente, não cessava jamais de chamar
os homens à conversão, advertindo: " Arrependei-vos e convertei-vos, pois o
reino de Deus está próximo". João Batista passou a ser conhecido como profeta.
Alertava o povo para a proximidade da vinda do Messias e praticava um ritual de
purificação corporal por meio de imersão dos fiéis na água, para simbolizar uma
mudança interior de vida.
A vaidade, o orgulho, ou
até mesmo, a soberba, jamais estiveram presentes em São João Batista e podemos
comprová-lo pelos relatos evangélicos. Por sua austeridade e fidelidade cristã,
ele é confundido com o próprio Cristo, mas, imediatamente, retruca: "Eu não sou
o Cristo" (Jo 3, 28) e " não sou digno de desatar a correia de sua sandália". (Jo
1,27). Quando seus discípulos hesitavam, sem saber a quem seguir, ele apontava
em direção ao único caminho, demonstrando o Rumo Certo, ao exclamar: "Eis o
cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". (Jo 1,29).
João batizou Jesus, embora
não quisesse fazê-lo, dizendo: "Eu é que tenho necessidade de ser batizado por
ti e tu vens a mim ?" (Mt 3:14). Mais tarde, João foi preso e degolado por
Herodes Antipas, por denunciar a vida imoral do governante. Marcos relata, em
seu evangelho (6:14-29), a execução: Salomé, filha de Herodíades, mulher de
Herodes, pediu a este, por ordem da mãe, a cabeça do profeta, que lhe foi
servida numa bandeja. O corpo de João foi, segundo Marcos, enterrado por seus
discípulos.
Fonte:
www.culturabrasil.pro.br
29 de junho - São
Pedro
Origem: Wikipédia, a enciclopédia
livre.

São Pedro por El
Greco
São Pedro (segundo a tradição
teria morrido em 67 d.C.) foi um dos doze Apóstolos de Jesus
Cristo, como está escrito no Novo Testamento e, mais
especificamente, nos quatro Evangelhos. O seu nome original não
era Pedro, mas sim Simão. Nos livros dos "Actos dos
Apóstolos" e na "Segunda Epístola de Pedro", aparece ainda uma
variante grega do seu nome original: Simeão. Cristo
apelidou-o de Petros - Pedro, nome grego, masculino,
derivado da palavra "petra", que significa "Pedra" ou "rocha". O
Apóstolo São Paulo designava-o pelo nome de Cephas, Kephas,
Kepha ou Cefas que em aramaico significa o mesmo - note-se,
aliás, que, provavelmente, Cristo falava principalmente
aramaico, logo terá sido essa a designação dada a Simão (e não a
versão grega que ficou para a posteridade).
Pedro tem uma importância central na
teologia católico-romana. É considerado o príncipe dos
apóstolos e o fundador, junto com São Paulo, da Igreja de
Roma (a Santa Sé), sendo-lhe reconhecido ainda o título de
primeiro Papa (um tanto anacronicamente, posto que a designação
Papa só começaria a ser usada alguns séculos mais tarde – Pedro
foi apenas bispo de Roma); essa circunstância é invocada pela
Igreja Católica para que o Papa detenha uma posição de
supremacia sobre toda a Igreja Católica. Para as outras
denominações cristãs, Pedro também recebe uma grande
importância, por causa de suas epístolas canônicas, porém não
recebe o mesmo tipo de tratamento da Igreja Católica.
Dados biográficos

Antes de se tornar um dos doze
discípulos de Cristo, Simão Pedro era pescador. Teria nascido em
Betsaida e morava em Cafarnaum. Segundo o relato no Evangelho de
São Lucas 5:1-11, Pedro terá conhecido Jesus quando este lhe
pediu que utilizasse uma das suas barcas, de forma a poder
pregar a uma multidão de gente que o queria ouvir. Pedro, que
estava a lavar redes com São Tiago e João, seus sócios,
concedeu-lhe o lugar na barca que foi afastada um pouco da
margem. No final da pregação, Jesus disse a Simão Pedro que
fosse pescar de novo com as redes em águas mais profundas. Pedro
diz-lhe que tentara em vão pescar durante toda a noite e nada
conseguira mas, em atenção ao seu pedido, fá-lo-ia. O resultado
foi uma pescaria de tal monta que as redes iam rebentando, sendo
necessária a ajuda da barca dos seus dois sócios, que também
quase se afundava puxando os peixes. Numa atitude de humildade e
espanto Pedro prostra-se perante Jesus e diz para que se afaste
dele, já que é um pecador. Jesus encoraja-o, então, a segui-lo,
dizendo que o tornará "pescador de homens".
De acordo com os Evangelhos, Simão foi
o primeiro dos discípulos a professar a fé de que Jesus era o
filho de Deus. É esse acontecimento que leva Jesus a chamá-lo de
Pedro - a pedra basilar da nova crença. Encontramos o relato do
evento no Evangelho de São Mateus 16:13-23: Jesus terá
perguntado aos seus discípulos (depois de se informar do que
sobre ele corria entre o povo): "E vós, quem pensais que sou
eu?"; ao que Pedro respondeu "És o Cristo, Filho de Deus
vivo". Jesus ter-lhe-á dito, então: "Simão, filho de
Jonas, és um homem abençoado! Pois isso não te foi revelado por
nenhum homem, mas pelo meu Pai, que está no céu. Por isso te
digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja,
e o poder da morte não poderá mais vencê-la. Dar-te-ei as chaves
do Reino do Céu, e o que ligares na terra será ligado no céu, e
o que desligares na terra será desligado no céu". É por esta
razão que São Pedro é, geralmente representado com chaves na mão
e a tradição apresenta-o como porteiro do Paraíso.
Os evangelhos referem-no muitas vezes
(mais que a qualquer outro dos discípulos). Conta-se no
Evangelho de São Mateus 26:30-35 que Jesus, no Monte das
Oliveiras, antes de ser preso, nessa noite, revelou que os seus
discípulos seriam dispersados, abandonando-o. Pedro assegura que
nunca o abandonaria. Jesus declara-lhe: "Garanto-te que esta
noite, antes que o galo cante, me negarás três vezes". Pedro
insiste na sua fidelidade. Mais tarde, segundo o mesmo
Evangelho, 26:69-75, Pedro, que observava de longe o julgamento
de Jesus no átrio do sumo sacerdote Caifás, ao ser apontado como
um dos seguidores de Cristo por várias pessoas, nega Cristo por
três vezes, tal como fora predito. Quando o galo canta, Pedro
lembra-se do que lhe fora profetizado por Jesus e chora de
arrependimento.
No capítulo 21 do Evangelho de São
João, é relatado que Cristo, ressuscitado, depois de perguntar
repetidas vezes a Pedro se este o ama, lhe diz: "Cuida da
minhas ovelhas. Em verdade te digo: quando eras mais novo,
cingias o cinto e ias para onde querias. Quando fores mais
velho, estenderás as mãos e será outro a cingir-te o cinto,
levando-te para onde não queres.", o que indica que terá
sido martirizado pela crucificação. Clemente de Roma, cerca de
95 d. C., refere que terá morrido durante o reinado de Nero. A
tradição conta que, sendo o primeiro bispo de Roma, e de acordo
com a personalidade vacilante que já aparece nos evangelhos,
Pedro, ao decidir fugir de Roma, onde os cristãos eram
perseguidos e executados na arena, encontra Jesus Cristo (na
forma de uma criança, segundo o romance de Henryk Sienkiewicz, "Quo
Vadis?"). Ao perguntar a Jesus "onde vais, Senhor?" ("Quo
Vadis, Domine?"), este responde-lhe que vai para Roma, para ser
martirizado com as suas ovelhas que foram abandonadas. Pedro,
arrependido, volta para Roma e entrega-se às autoridades que o
crucificam. Diz a tradição que exigiu que fosse crucificado de
pernas para o ar, já que não se considerava digno de morrer da
mesma forma que Cristo.
Henryk Sienkiewicz
Os seus textos
O Novo testamento inclui duas epístolas
(cartas) cuja autoria é atribuída a Pedro: A "Primeira epístola
de São Pedro e a Segunda epístola de São Pedro. Alguns
acadêmicos duvidam que Pedro tivesse conhecimentos de grego tão
aprofundados que lhe permitissem escrever as cartas com aquele
estilo e qualidade linguística (o que, em termos de pura fé,
seria perfeitamente normal já que durante o Pentecostes, como é
referido nos "Atos dos Apóstolos", o Espírito Santo teria dado
aos apóstolos a faculdade de "falar línguas"). Entretanto há
quem opine que terão sido escritas por um secretário ("amanuensis"),
enquanto outros dizem que terá sido um seu discípulo, após a sua
morte.
São Pedro, segundo o catolicismo
Na tradição tardia, católica, Pedro é
referido como o primeiro bispo de Antioquia e, mais tarde, bispo
de Roma. A religião católica defende a primazia do Papa - ou
seja, do Bispo de Roma, como sumo pontífice da Igreja Católica,
de acordo com a interpretação das palavras de Jesus que referem
Pedro como sendo a pedra sobre a qual construiria a sua Igreja.
Ou seja: Pedro - e, por extensão, o bispo de Roma - seria o
primeiro líder espiritual da Igreja. Os bispos de Roma que o
sucedessem seriam os papas seguintes. Foi seguido por São Lino
(67-76 d. C.).
29 de
junho - Paulo de Tarso - São Paulo
Origem: Wikipédia,
a enciclopédia livre.
Paulo
Paulo de Tarso
(nome original - Saulo) ou São Paulo, o
apóstolo, (cerca de 3 – c. 66) é considerado por
muitos cristãos como o mais importante discípulo
de Jesus e, depois de Jesus, a figura mais
importante no desenvolvimento do Cristianismo
nascente. Paulo de Tarso é um apóstolo diferente
dos demais. Primeiro porque ao contrário dos
outros, Paulo não conheceu Jesus pessoalmente.
Por outro lado, Paulo era um homem culto,
frequentou uma escola em Jerusalém, tinha feito
uma carreira no Templo (era Fariseu), onde foi
sacerdote. Destaca-se dos outros apóstolos pela
sua cultura. A maioria dos outros apóstolos eram
pescadores, analfabetos.
A língua materna de
Paulo era o grego. É provável que também
dominasse o aramaico.
Educado em duas
culturas (grega e judaica), Paulo fez muito pela
difusão do Cristianismo entre os gentios e é
considerado uma das principais fontes da
doutrina da Igreja. As suas Epístolas formam uma
secção fundamental do Novo Testamento. Alguns
afirmam que ele foi quem verdadeiramente
transformou o cristianismo numa nova religião, e
não mais uma seita do Judaísmo.
Foi a mas destacada
figura cristã a favorecer a abolição da
necessidade da circuncisão e dos estritos
hábitos alimentares tradicionais judaicos. Esta
opção teve a princípio a oposição de outros
líderes cristãos, mas, em conseqüência desta
revolução, a adoção do cristianismo pelos povos
gentios tornou-se mais viável, ao passo que os
Judeus mais conservadores, muitos deles vivendo
na Europa, permaneceram fiéis à sua tradição,
que não tem um móbil missionário.
Biografia
Infância
Paulo nasceu em Tarso,
na Cilícia, que atualmente pertence à Turquia,
numa família judaica da Diáspora (na altura já
havia uma diáspora de judeus que viviam
espalhados pelo mundo, sobretudo na Pérsia, mas
também em torno do Mediterrâneo, em Alexandria e
no norte de África, na Turquia, Grécia e outras
partes do Império Romano, incluindo a atual
Espanha). Nasceu numa data desconhecida mas "sem
dúvida antes do ano 10 da nossa era" (Étienne
Trocme). Seu pai, em circunstâncias que se
desconhece adquiriu a cidadania romana mantendo
a fé judaica, educou-o na tradição judaica. Como
era tradicional nas famílias judaicas na
diáspora, a criança recebeu dois nomes: um
bíblico (Saulo) e o outro romano (Paulo). Como
ele próprio diz, foi circuncidado ao oitavo dia
e mantém-se sempre na lei mosaica. Diz-se mesmo
um Fariseu.
A sua formação primária
foi feita numa escola de cultura grega, como
atestam as suas cartas. Mas ele afirma também
que recebeu também o ensino por parte de
rabinos.
Jerusalém
Em determinada altura
Paulo deverá ter ido viver para Jerusalém. Os
Atos dos apóstolos afirmam que ele foi aluno do
rabino Gamaliel em Jerusalém. Não há dúvida de
que passou uma parte importante da juventude em
Jerusalém.
Foi em Jerusalém que
Paulo participou no apedrejamento daquele que
ficaria conhecido como Santo Estêvão, um líder
do grupo mais radical dos seguidores de Jesus,
que é formado por Gregos. Este é o chamado grupo
dos helenistas. Paulo foi um perseguidor destes
helenistas, núcleo de cristãos de cultura grega
que procuravam difundir a nova fé entre os
judeus de cultura grega em Jerusalém.
O argumento de Paulo na
sua perseguição aos helenistas era a defesa da
"tradição dos pais" e da lei mosaica, que ele
via como ameaçada pelos helenistas. Alguns
autores chegam mesmo a colocar a hipótese de
Paulo ter sido um zelote, dado o seu fervor
religioso. Também o fato de sua vida ter sido
colocada em perigo após ter tomado partido pelos
cristãos leva Étienne Trocmé a dizer que isso
"corresponde bem ao pouco que sabemos sobre a
organização do partido zelote".
Em determinado momento,
Paulo de Tarso sai do mundo judaico e vai para
Atenas pregar, os relatos contam que na sua
estadia na Acrópolis, ele consegue converter
apenas Dionisio Ariopaseta, desistindo então e
indo para Corinto.
Missão de Damasco
Saulo este fervoroso
defensor da tradição judaica (e por isso talvez
mesmo um zelote) foi enviado a Damasco para
fazer face à agitação dos helenistas, que
contestavam o Templo e anunciavam a sua
destruição (Atos).
Será durante esta
missão a Damasco que Saulo vai tomar o partido
da seita que perseguia anteriormente. A esta
mudança de partido ele faz corresponder uma
mudança de nome. Abandona o Saulo e pretende
agora fazer-se conhecer como Paulo.
Aspecto físico
Não temos qualquer
relato confiável do aspecto físico de Paulo. Os
únicos relatos que possuímos são dos finais do
século II e não são mais do que a projeção dos
ideais estéticos a uma figura lendária.
Pelo contrário temos
vários indícios de que Paulo tinha problemas de
saúde, padecendo de uma doença crônica e
dolorosa, da qual ignoramos a natureza, mas que
lhe terá sido um obstáculo à sua atividade
normal. Por volta dos anos 58-60 ele
descrevia-se a si próprio como um velho (Filemon).
Em uma missão que Deus preparou para Impactá-lo.
Epístolas escritas por
Paulo
Paulo escreveu várias
epístolas para as comunidades que visitara,
pregando e ensinando as máximas cristãs. As
cartas relacionadas a seguir (conhecidas como
Corpus Paulinum) são aquelas que
tradicionalmente são atribuídas a Paulo:
- Romanos
- I Coríntios
- II Coríntios
- Gálatas
- Efésios
- Filipenses
- Colossenses
- I Tessalonicenses
- II Tessalonicenses
- I Timóteo
- II Timóteo
- Tito
- Filémon
- Hebreus, anônima,
mas tradicionalmente atribuída a Paulo.