SANTOS DE
OUTUBRO
04 de
outubro:
São Francisco
de Assis, Frade, 1226.

São Francisco de Assis nascido
Francesco Bernardone (Assis, na Úmbria, Itália, 26 de
setembro de 1181 - 3 de Outubro de 1226), foi um Santo vindo de
uma família de comerciantes. Sua mãe talvez fosse francesa, o
pai chamava-se Pedro Bernadone. Em Assis ficou conhecido como
Francisco, ou seja o "pequeno francês".
O nome de batismo inicial era
Giovane di Bernardone (João Bernardone), dado pela mãe
provavelmente em homenagem a João Batista, que o pai, Pedro
Bernardone, altera para Francesco Bernardone. Por razões ainda
muito controversas, acredita-se que o nome seria em homenagem à
França, país com quem mantinha relações comerciais; outra
hipótese fala que teria sido terra natal de sua mulher; outra
ainda que se tratava de um apelido dado pelos amigos pelo fato
de o santo usar muito a língua francesa.
Renunciou ao mundo em 1206,
fez penitência durante dois anos e lançou-se a pregar em
linguagem simples e ardorosa. Tem-se dito, que, imitando a
cavalaria, Francisco também teve a sua dama, Madonna Povertà, a
Senhora Pobreza, que ele serviu e cantou com grande entusiasmo.
Em 1209 formou, com doze discípulos, a família dos doze irmãos
menores. Os Clunicenses de Assis cederam-lhes um pouco de
terreno, a porciúncula, e os Franciscanos construíram ali as
suas choças. Adotaram vestuário dos humildes: túnica grossa de
lã, com uma corda na cinta, e sandálias. A sua missão consistia
em praticar e pregar simplicidade e amor a Deus e a caridade
cristã. Esteve em Espanha e África, onde se juntou aos cruzados
do Nilo. Fundou a Ordem dos Frades Menores em 16 de Abril de
1209. Em 1212 recolhe junto de si Clara d'Offreducci e algumas
companheiras, que, perseguindo o mesmo ideal de pobreza, funda a
Ordem das Clarissas.
Francisco tornou-se um árduo
defensor da não-violência, não apenas em relação aos seres
humanos, mas a toda natureza. Assim, amava e respeitava todas as
pessoas, ao mesmo tempo, que protegia animais e plantas aos
quais chamava, carinhosamente, de irmãos. Para ele, também a
chuva, o vento e o fogo deveriam ser reverenciados e respeitados
como irmãos. Nunca consumia mais que o mínimo necessário para
viver e incentivava a todas as pessoas a fazerem o mesmo. São
Francisco é respeitado por várias religiões pela sua mensagem de
paz. Ficou famosa uma oração atribuída a ele que começa com os
dizeres "Senhor, fazei-me instrumento de Vossa paz...". Embora
não haja certeza de sua autoria, ela reflete mais que qualquer
outra os ensinamentos e a vida desse grande homem, reconhecido
como santo no mundo todo e adotado como patrono da Ecologia e,
porque não, da paz.
É dele a "Carta aos
Governantes dos Povos": A todos os podestás, cônsules, juizes e
regentes no mundo inteiro, e a todos quantos receberem esta
carta, Frei Francisco, mísero e pequenino servo no Senhor,
deseja saúde e paz. Considerai e vede que "se aproxima o dia da
morte"(Gn 47,29). Peço-vos, pois, com todo o respeito de que sou
capaz que, no meio dos cuidados e solicitudes que tendes neste
século, não esqueçais o Senhor nem vos afastes dos seus
mandamentos. Pois todos aqueles que o deixam cair no
esquecimento e "se afastam dos seus mandamentos" são
amaldiçoados (Sl 118,21) e serão por Ele "entregues ao
esquecimento" (Ez 33,13). E quando chegar o dia da morte, "tudo
o que entendiam possuir ser-lhe-á tirado" (Lc 8,18). E quanto
mais sábios e poderosos houverem sido neste mundo, tanto maiores
"tormentos padecerão no inferno" (Sb 6,7). Por isso
aconselho-vos encarecidamente, meus senhores, que deixeis de
lado todos os cuidados e solicitudes e recebais com amor o
santíssimo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por ocasião de
sua santa memória. Diante do povo que vos foi confiado, prestai
ao Senhor este testemunho público de veneração: todas as tardes
mandai proclamar por um pregoeiro, ou anunciai por algum sinal,
que todo povo deverá render graças e louvores ao Senhor Deus
Todo-Poderoso. E se não o fizerdes, sabei que havei de dar conta
perante vosso Senhor Jesus Cristo no dia do juízo. Os que
levarem consigo este escrito e o observarem saibam que serão
abençoados por Deus nosso Senhor.
Vida e Obra de São Francisco
de Assis
Este Santo homem, pequeno e
frágil, não vivia para si mesmo, mas para aquele que morreu por
todos nós. Enchia a terra com o Evangelho de Cristo e em um dia
percorria 4 ou 5 povoados anunciando o Reino de Deus, a
Salvação, a Penitência e a Oração. Não sabia favorecer a vida
dos pecadores e os repreendia pacientemente. Seus maiores
milagres sempre foram através da Oração. São Francisco era como
um rio caudaloso de graça celeste que alimentava os corações com
sua palavra e exemplo, propunha uma nova forma de vida, o
caminho da salvação, o amor a Deus. Estava sempre preocupado com
a construção espiritual de seus filhos, o caminho das virtudes,
a pobreza, obediência, a castidade e sobretudo com a renúncia.
São Francisco tinha o rosto alegre, de olhar simples, afeto
sincero e com o abraço fraterno colhia os desamparados. Amava
tanto a Deus que lutava constantemente pela salvação das almas,
seu amor ao próximo era tão intenso que quando não podia mais
andar e quase cego, percorria as terras montado em um jumento
para levar a benção do Senhor. Em seu amor a Deus sempre
repetia: "Senhor! Minha alma tem sede de Vós e meu corpo mais
ainda". Veio ao mundo com assinalado e luminoso destino, filho
de pais abastados, nasceu em Assis velha cidade da Itália,
situada na região da Úmbria em 26 de Setembro de 1182 e foi
criado no luxo e na vaidade. Seu pai Pedro Bernardone, rico
comerciante de tecidos, sonhava fazê-lo homem de negócios e de
fortuna, mas Francisco, de gênio alegre e cavalheiresco pensava
mais nas glorias do mundo do que nos negócios. Em 1202, com 20
anos, foi a guerra entre sua cidade natal e Perúgia, ao partir,
jurou voltar consagrado cavaleiro. Caiu prisioneiro, ficando um
ano na prisão. Comportou-se com serenidade, levantou a moral dos
seus companheiros, transmitindo confiança e alegria. É resgatado
pelo pai, por estar muito doente. Permanece um tempo em Assis
para sua recuperação. Após uma mensagem em sonhos quis
alistar-se novamente, mais ainda debilitado e doente, desiste e
aceita os desígnios de Deus.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Assis
06 DE OUTUBRO:
WILLIAM TYNDALE,
PRESBÍTERO, 1536
O pai da Bíblia Inglesa

Foto:http://www.satucket.com/lectionary/William_Tyndale.htm
William Tyndale nasceu aproximadamente em 1483, na vila de North Nibley.
Ordenado ao sacerdócio em 1502, ele se distinguiu em Oxford recebendo o seu de
Bacharel em Artes, em 1515. Mais tarde ele se transferiu para Cambridge, onde se
tornou familiarizado com Erasmo e o seu Novo Testamento Grego. Enquanto
atravessava esse tempo de reflexão, Tyndale experimentou uma iluminação
espiritual semelhante à de Lutero.
Quanto mais ele estudava esse tesouro recém descoberto, mais acentuada se
tornava a sua preocupação no sentido de que os seus companheiros ingleses dele
compartilhassem. Foi durante esse período de formação que aconteceu a clássica
discussão de Tyndale com um papista fanático. Antagonizado pela sua incapacidade
de refutar a racionalização bíblica de Tyndale, o exasperado sacerdote gritou:
"seria melhor que ficássemos sem as leis de Deus do que sem as leis do papa",
ao que Tyndale retorquiu indignado:
Desafio o papa e todas as suas leis; e se Deus me poupar a vida por muitos
anos, levarei um garoto que conduz o arado a conhecer mais a Escritura do que
vós.
Com essas audaciosas palavras representando a motivação de toda a sua vida,
Tyndale decidiu resgatar os seus iletrados patrícios da desesperança e
infelicidade do Romanismo, declarando:
Essa causa apenas me conduziu a traduzir o Novo Testamento. Porque eu havia
percebido, por experiência, como seria impossível levar o povo leigo à verdade,
a não ser que as Escrituras fossem claramente colocadas diante dos seus olhos na
língua mãe.
O pedido de Tyndale para se alojar com o renomado Cuthbert Tonstal, Bispo de
Londres. recebeu uma fria negativa. Do mesmo modo como o estalajadeiro de Belém
negou abrigo à "Palavra Viva" o prelado indiferente fez o mesmo ouvido surdo à
"Palavra Escrita", nenhum deles reconhecendo o tempo de sua visitação.
O Senhor compensou essa humilhação, enviando Tyndale até um comerciante
simpático, o qual não apenas abriu sua residência em Londres, para o Reformador,
como ainda lhe deu dez libras de presente, pedindo-lhe que orasse por "seu pai,
sua mãe, suas alma e todas as almas cristãs". Contudo seis meses depois do
início da tradução, Tyndale detectou uma crescente hostilidade dos oficiais
lacaios contra o seu projeto. Grande parte dessa pressão foi atribuída às pazes
de Henrique VIII com Roma, a respeito do controvertido pedido de anulação do seu
casamento com a "estéril" rainha Catarina. Tyndale conclui com tristeza:
A partir daí, percebi que não apenas no palácio do bispo de Londres, mas em
toda a Inglaterra, não havia lugar onde eu pudesse tentar uma tradução das
Escrituras.
Em face dessas condições inaceitáveis, Tyndale transferiu-se para a Alemanha, em
1524, sem imaginar que jamais colocaria os pés novamente em solo inglês
(Contudo, Foxe chamou Tyndale de "o Apóstolo da Inglaterra").
Tendo garantido alojamento em Hamburgo, o fugitivo fez uma peregrinação imediata
até Wittenberg. O patrocínio negado a Tyndale por Tonstal foi mais do que
compensado pelo audacioso Lutero, que iria declarar sem timidez: "Nasci para
a guerra e a luta contra as facções e os demônios" .
O Dr. J. R. Green captou o espírito contagiante de Lutero com a narrativa da
visita deste a Tyndale:
Encontramo-lo em seu caminho para a cidadezinha que havia repentinamente se
tornado a cidade sagrada da Reforma. Estudantes de todas as nações ali se
reuniam com um entusiasmo que lembrava aquele dos cruzados. "Quando vinham para
ver a cidade", conta-nos um contemporâneo, "retornavam graças a Deus com as mãos
preparadas para de Wittenberg, como a partir de Jerusalém fosse a luz da verdade
do evangelho espalhada até aos confins da terra". Foi por insistência de Lutero
que Tyndale ali traduziu os evangelhos e as epístolas.
Tyndale receberia muita coragem para suas futuras experiências da parte do
austero alemão, cuja visão pessoal sobre os perturbadores era essa: "você não
pode enfrentar um rebelde com a razão. Sua melhor resposta é esmurrá-lo no rosto
até que ele sangre pelo nariz".
Com o coração reanimado, Tyndale iniciou o seu esforço pioneiro de produzir a
Bíblia Inglesa traduzida diretamente das línguas originais. Partiu dele uma
excepcional concessão para uma tão grandiosa ventura. O professor Herman
Buschais descreveu Tyndale para Spalatin como:
Um homem tão versado nas sete línguas: Hebraico, Grego, Latim, Italiano,
Espanhol, Inglês e Francês, que qualquer uma que ele falasse poderia dar a
impressão de ser a sua língua nativa.
Esta erudição foi confirmada no comparecimento de Tyndale diante dos editores de
Colônia, Quental e Byrschmann, antes de completar um ano. Embora desconhecido a
Tyndale, o arqui-nimigo de Lutero, o teólogo católico John Cochlaeus, Deão da
Igreja da Bendita Virgem em Frankfurt, seguiu direto em suas pegadas. Quando viu
os católicos na Alemanha preparados com Bíblias até às orelhas, Cochlaeus se
queixou:
O Novo Testamento de Lutero se multiplicou e espalhou de tal maneira através
dos editores que até mesmo alfaiates e sapateiros, sim, até mesmo as mulheres e
as pessoas ignorantes, que aceitaram esse novo evangelho luterano e podiam ler
um pouco de alemão, estudavam-no, com a maior avidez, como sendo a fonte de toda
a verdade. Alguns o memorizaram, carregando-o no íntimo. Em poucos meses esse
povo ficou tão letrado que não se envergonhava de debater sobre a fé e o
evangelho, não apenas com os leigos católicos, mas até mesmo com os padres e
monges e doutores em divindades.
Cochlaeus não podia permitir que esse pesadelo alcançasse a Inglaterra. Certo
dia ele escutou por acaso alguns tipógrafos discutindo a respeito da obra de
Tyndale. Embriagando-os com uma certa quantidade de vinho, ele ficou perplexo ao
descobrir que o Novo Testamento Inglês já estava sendo impresso. Depois de ver
apenas dez folhas completadas, Tyndale foi advertido da chegada de magistrados.
Auxiliado pelo seu amanuense, William Roye, ele pôde transferir os preciosos
documentos para Worms, deixando ao chão um padre frustrado.
Com a comparativa segurança da "retaguarda" oferecida por Lutero, as primeiras
três mil cópias do Novo Testamento de Tyndale foram completadas em 1525 pelo
editor de Worms - Schoeffer – e contrabandeadas para a Inglaterra, em barris,
pilhas de roupa e sacos de farinha. Ao contrário da tradução dos manuscritos
latinos de Wycliff, a obra de Tyndale foi diretamente traduzida do Grego e, mais
que isso, do Textus Receptus da segunda e terceira edições de Erasmo. (Erasmo
havia rejeitado as leituras Alfa e Beta da Vulgata, pavimentando, assim, a
estrada para centenas de mártires em Smithfield, os quais iriam morrer por causa
do Texto Majoritário).
Tendo sido alertado por Cochlaeus da "importação pendente de perniciosa
mercadoria", o clero inglês ficou de sobreaviso nos portos. Muitas Bíblias foram
interceptadas e queimadas em cerimônias, na Saint Paul Cross em Londres, pelo
bispo Tonstal, que as chamava de "uma oferta queimada ao Deus Todo Poderoso".
Esse bispo enfatuado afirmava ter encontrado 2.000 erros na mesma. Sir Thomas
More acrescentou: "tentar encontra erros no livro de Tyndale foi o mesmo que
tentar água no mar". More seria degolado mais tarde, como um traidor da pátria.
Sem se intimidar, Tyndale exclamou no espírito do seu mentor alemão:Ao
queimar o Livro eles fizeram exatamente o que eu esperava; provavelmente eles
vão também me queimar, se for essa a vontade de Deus.
Contudo, apesar desse diabólico esforço, muitos dos volumes reprovados foram
dispersos pela terra (quase 50.000, segundo alguns cálculos. As dores sofridas
no sentido de proteger esses Novos Testamentos podem ser vislumbradas através do
que um sóbrio crente escreveu:
Guardas perigosos cheios de whisky,
que em vão buscavam essa coluna,
gozavam de clandestinidade
e esconderijo com sofrimento ansioso.
Enquanto tudo à volta era miséria e escuridão,
Este livros nos mostrava o beijo sem fronteira,
além da tumba,
libertos dos padres venais – do castigo feudal.
Ele permitiu ao sofredor
seus passos fatigados até Deus.
E quando essa sofrida maldição na terra aconteceu
Esta principal riqueza do seu filho desceu.
Que o poder do Novo Testamento de Tyndale foi causa de alarme entre os católicos
ficou evidenciado pela carta do bispo de Nikke ao seu superior, na qual se lia
em parte: "está além do meu poder, ou de qualquer homem espiritual, impedir
isso agora, e se assim continuar por muito tempo, ele a todos nos destruirá".
Com a cabeça erguida, Tyndale se mudou para Marburg, em 1528, onde ficou sob a
proteção de Philip, o Magnânimo, Conde de Hesse. Após ter trabalhado, por quase
um ano, no Pentateuco, ele embarcou para Hamburgo, porém sofreu um naufrágio na
viagem, perdendo o manuscrito de Deuteronômio recém concluído.
Após uma chegada com atraso em Hamburgo, ele foi residir com Margarete von
Emmerson, onde concluiu a tradução de Gênesis até Deuteronômio. Com o seu
aparecimento na cidade livre de Antuérpia (para conseguir a impressão desses
novos livros), Tyndale arquitetou um plano engenhoso para repor suas urgentes
carências financeiras. Já ficou conhecido que o arrogante bispo Tonstal, levado
ao desespero pela divulgação do Novo Testamento, havia tentado salvaguardar-se,
removendo-os do comércio através de uma compra ilegal. Contudo, sem que Tonstal
o soubesse, o comerciante intermediário do qual ele se aproximou, Augustine
Pakinghton, era um dos simpatizantes e mantenedores de Tyndale. Foxe o descreve
com esta maravilhosa narrativa poética de justiça:
Alguma semanas mais tarde, Pakinghton entrou no humilde alojamento de Tyndale,
cujas finanças ele sabia terem se esgotado.
Pakinghton – "Mestre Tyndale, encontrei para vós um bom comprador dos vossos
livros.
Tyndale – quem é?
Pakinghton – o senhor bispo de Londres.
Tyndale – mas se o bispo quer esses livros será apenas para queimá-los.
Pakinghton – bem... e então? O bispo os queimará de qualquer maneira e bom seria
que conseguíssemos dinheiro para imprimir mais.
Tyndale – ficarei contente por esses benefícios que advirão: vou receber o
dinheiro para me livrar dos débitos e o mundo inteiro vai gritar contra a queima
da Palavra de Deus. O restante do dinheiro me possibilitará corrigir o dito Novo
Testamento, e novamente imprimir o mesmo, confiando em que o segundo será bem
melhor do que o primeiro já impresso.
Depois disso, os Novos Testamentos reimpressos logo alcançaram a Inglaterra.
Então o bispo mandou procurar novamente Pakinghton indagando como era possível
que os livros fossem ainda tão abundantes? "Meu senhor", respondeu o
comerciante, "realmente eu acho que seria melhor que comprásseis também os
tipos pelos quais eles são impressos".
Que esse conselho não foi seguido, nem é preciso declarar.
Com o lucro do seu "mais novo cliente", Tyndale entregou o seu Pentateuco, em
1530, através da Casa publicadora Hans Luft, de Marburg, com a sua tradução de
Jonas sendo publicada na Antuérpia, no ano seguinte.
Por esse tempo a animosidade contra Tyndale havia aumentado consideravelmente.
Além das traduções desprezadas, seus diversos ataques verbais contra Roma não
estavam lhe angariando muitos amigos:
"A parábola do Maligno Mamom", 1528; "A Obediência de um Cristão"
e "Como os Governantes de Cristo Devem Governar", em 1530; e sua
"Prática de Prelados" , também em 1530. Numa de suas notas marginais em
Jonas ele comparou a Inglaterra com Nínive.
No ano de 1535, um crédulo Tyndale foi traído por um agente secreto católico,
Henry Phillips, o qual havia angariado a confiança do reformador. Depois de
tomar um empréstimo de última hora no valor de 40 shillings, de sua generosa
vítima, os dois homens seguiram para a pensão de Tyndale, a fim de jantar. O
traidor Phillips insistiu pretensiosamente como o seu "amigo", para ir na
frente. Logo que saiu, Phillips, no espírito de Judas Iscariotes, apontou na
direção dele pelas costas, como sinal combinado para identificá-lo aos oficiais.
O idoso santo foi depressa levado para o calabouço da fortaleza próxima de
Vilvorde, dezoito milhas ao norte de Antuérpia.
Como o julgamento do seu Mestre por Pilatos, o caráter de Tyndale era
inquestionável, impressionando até mesmo o promotor do Imperador que o levara a
considerá-lo "homo doctus, pius, et bonus" (homem sábio, piedoso e bom).
Durante os dezoito meses do seu encarceramento, Tyndale se manteve firme. Um dos
documentos mais tristes existentes em toda a história da igreja (tirado dos
arquivos do Concílio de Brabant) é uma carta escrita em Latim, pela própria mão
do reformador, para o governador de Vilvorde, talvez o Marquês Burgon:
Creio, cheio de legítima adoração, que não estarei despercebido do que pode
ter sido determinado com respeito a mim. Daí porque peço a Vossa Senhoria, e
isso pelo Senhor Jesus, que se devo permanecer aqui pelo inverno, Vossa Senhoria
diga ao comissário que faça a gentileza de enviar-me, dos meus pertences que
estão com ele, um boné contra o frio, visto como sinto muito frio na cabeça e
sou afligido pelo contínuo catarro, que aumentou muito nesta cela. Também uma
capa de inverno, pois a que tenho é muito fina; também uma peça de roupa para
agasalhar minhas pernas. Meu sobretudo está gasto; minhas camisas também estão
gastas. Ele tem uma camisa de lã e por favor, ma envie. Também tenho com ele
perneiras de pano grosso para usar por cima. Ele tem também toucas quentes de
dormir.
Peço que me seja permitido ter uma lâmpada à noite. É de fato aterrador ficar
sentado sozinho no escuro. Mas, antes de tudo, peço que ele gentilmente me
permita ter uma Bíblia hebraica, uma gramática hebraica e um dicionário
hebraico, para que eu aproveite o tempo estudando. Em compensação Vossa Senhoria
possa conseguir o que mais deseja, contanto que seja apenas para a salvação de
sua alma. Mas se qualquer outra decisão foi tomada a meu respeito para ser
executada antes do inverno, terei paciência, aceitando a vontade de Deus, para
glória da graça do meu Senhor Jesus Cristo, cujo Espírito eu oro que possa
dirigir sempre o vosso coração. Amém!
Assinado: W. Tyndale
De fato, foi a vontade de Deus que o seu servo passasse ali, não apenas aquele
inverno, mas a próxima primavera e também o verão. Temos confiança de que ele
conseguiu seus auxílios lingüísticos, visto como deixou atrás dele a tradução
completa de Josué até II Crônicas.
Com as folhas do outono de 1536 anunciando a aproximação certa de outro inverno,
o tempo da partida de Tyndale havia chegado. Condenado pelo decreto do
Imperador, na assembléia de Augsburg, a data de sua execução foi estabelecida
para 6 de outubro. Foxe nos transporta até essa cena sombria:
Trazido para o local da execução, ele foi atado à estaca, estrangulado por um
carrasco e depois consumido pelo fogo, na cidadezinha de Vilvorde em 1536 d.C.,
gritando na estaca, em alta voz com fervorosa preocupação: "Senhor, abre os
olhos do Rei da Inglaterra!
Quando o fiel Tyndale estava terminando a obra de sua vida, com uma última e
incompreensível oração pela iluminação do rei, ele não podia imaginar que a
resposta do céu já estava a caminho. McClure relata o miraculoso testemunho de
que:
O que foi mais estranho em tudo isso e inexplicável para aqueles dias é que
na hora exata em que Tyndale, por obtenção dos eclesiásticos ingleses e pelo
tácito consentimento do rei inglês, foi queimado em Vilvorde, uma edição
paginada de sua tradução era impressa em Londres, com o seu nome na página
titular e por Thomas Berthlet, com a própria patente de impressão do rei. Essa
foi a primeira cópia das Escrituras impressa em solo inglês.
Contudo, muito mais significativo do que esse misterioso rasgo da Providência
foi a sanção oficial dada pelo próprio Henrique de duas Bíblias Inglesas dentro
de um ano, a partir do martírio de Tyndale. A primeira destas foi a Bíblia
Coverdale, nomeada segundo o antigo revisor em Antuérpia, Miles Coverdale
(1488-1569).
A Bíblia Coverdale mantém a honra exclusiva de ser a primeira Bíblia Inglesa
completa já impressa. Como Wycliff, Coverdale era fraco nas língua originais, de
modo que sua obra consistiu do Novo Testamento e do Pentateuco, com os demais
livros do Velho Testamento sendo conseguidos, primeiramente da tradução alemã de
Lutero, com pequeno empréstimo da Vulgata Latina e da Bíblia Suíça de Zurique.
Embora Coverdale tivesse sido forçado a publicar sua primeira edição em Colônia
(1535), ele muito prudentemente dedicou-a ao rei da Inglaterra e também teve o
cuidado de excluir o estilo controverso das notas marginais associadas com a
Bíblia de Tyndale. Não é difícil entender a boa vontade de Henrique de
pessoalmente autorizar essa Bíblia (segunda edição da Coverdale de 1537), quando
a capa o apresentava sentado e coroado, empunhando uma espada na página
dedicatória, creditando-o como "defensor da fé". A diplomacia de Coverdale
coincidia com a recente quebra do controle de Roma sobre as igrejas inglesas.
Embora sem renunciar às doutrinas católicas o Ato de Supremacia aprovado pelo
Parlamento em 11/11/1534, foi certamente o passo mais importante em direção à
Reforma Inglesa.
A segunda Bíblia a receber sanção especial naquele ano foi outra aventura
discreta. Conhecida como a Bíblia de Mateus, essa tradução foi realmente feita
por John Rogers (1500-1555), o qual usou o pseudônimo de Thomas Matthews, em
vista de sua bem conhecida associação com Tyndale. O melhoramento fundamental da
Bíblia de Matthews foi a inclusão das obras de Tyndale "escritas no cárcere" –
Josué e 2 Crônicas. Com o Pentateuco de Tyndale e o Novo Testamento basicamente
intactos, a Bíblia Coverdale preencheu o vácuo, visto como Rogers assegurou
alguma assistência das versões francesas de Le Fevre e Olivertan. Como a Bíblia
Coverdale, a de Rogers foi também autorizada pelo rei, que tornou legal que a
mesma pudesse ser comprada, lida, reimpressa e vendida. Do lado mais claro, a
Bíblia de Mateus é algo referido como "a Bíblia do homem que bate da mulher",
por causa da nota, fora de época, em 1 Pedro 3:1, onde se lê:
"Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas aos vossos próprios maridos; para
que também, se alguns obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam
ganhos sem palavra".
Logo depois veio a Grande Bíblia de 1538, nomeada conforme o seu tamanho
especial (16" por 11"). Ela era basicamente uma revisão da Bíblia de Mateus
feita por Miles Coverdale, com pouca mudança, exceto pela remoção das notas
marginais controversas de Rogers. A Grande Bíblia teve a distinção de ser a
primeira Bíblia oficialmente autorizada para uso público nas igrejas da
Inglaterra, pelo que foi exigido que ela fosse literalmente acorrentada a uma
parte do mobiliário da igreja, onde os paroquianos tinham "acesso à mesma para
ler".
Com a obesidade de Henrique forçando-o provavelmente a pensar na eternidade
(tendo engordado tanto que precisava ser levantado com roldanas para montar no
cavalo), o rei sancionou oficialmente a Grande Bíblia com: "Em nome de Deus,
deixe-a partir para o estrangeiro, junto o nosso povo". Sem dúvida, Tyndale
teria dado uma risada, por razões óbvias. Em janeiro de 1547, o próprio Henrique
partiu desta terra.
Nota da tradutora:
Aqui tivemos um esboço da vida do pai da Bíblia inglesa, que se entregou à morte
por amor à Palavra de Deus, levando ao seu país uma grande renovação espiritual,
a qual aconteceria dentro de pouco anos.
Mary Schultze (maryschultze@uol.com.br)
Dados compilados do capítulo 9 do livro
"Final Authority", do Dr. William P. Grady, Th.D.
15 de
outubro - Santa
Teresa D’Ávila (1515-1582)

É a mãe e reformadora do
Carmelo. É ela quem, como mestra da oração, nos ensina o modo de viver o carisma
que Deus lhe deu. Nasceu em Ávila, no dia 28 de março de 1515. Ouvindo a leitura
dos santos, decidiu-se ir à terra dos mouros para ser "decaptada" por amor a
Cristo.
Fugiu da casa do pai com 20
anos para entrar no Carmelo da encarnação. O seu desejo de uma vida de maior
oração e perfeição levou-a a iniciar um novo estilo de vida carmelita: as monjas
descalças e depois, também, os frades.
A Igreja, ao proclamá-la
doutora, reconhece a grande importância da sua doutrina.
Escreveu obras importantes
de espiritualidade, entre as quais se destacam: Caminho de Perfeição,
Castelo Interior ou Moradas e Livro da Vida.
Santa Teresa é uma figura
amável, é uma profetiza da oração. Morreu no dia 4 de outubro de 1582.
Celebra-se sua festa no dia 15 de outubro.
"Que teu desejo seja ver
Deus; teu temor, perdê-lo; tua dor, não possuí-lo; tua alegria, aquilo que te
pode levar a Ele; e assim viverás em paz."
"A oração não é mais que um
íntimo relacionamento de amizade a sós com aquele de quem sabemos ser
amados.""Quem pede a perfeição é inundado de tantas graças a ponto de atingir
aquele elevado grau que é próprio dos que já a alcançaram."
" Por mais profunda que
seja, a verdadeira humildade nunca inquieta, nem agita, nem perturba a alma, mas
inunda de paz, de suavidade e de repouso."
"Deus distribui os seus
bens como quer, quando quer e a quem quer, sem fazer discriminação com ninguém."
"É tão grande o amor do
Senhor por nós que, em consequência àquele que nós tivermos pelo próximo, Deus
fará crescer em nós, mediante milhares de expedientes, também aquele que
nutrimos por Ele."
Amável cortesia da leitora Leonor
Santos, Portugal
15 de Outubro -
Samuel Isaac Joseph Schereschewsky, Bispo de Shangai, 1906

Samuel Isaac Joseph, nasceu na Lituânia russa, em 1831. Parte de
sua educação foi na Rússia, numa escola rabínica. Passou dois
anos na Universidade de Breslau, Alemanha. Na chegada aos
Estados Unidos, foi para o Seminário Teológico Presbiteriano de
Pittsburg, Pennsylvania, mas depois foi para o Seminário
Teológico Geral Episcopal, de Nova Iorque, ordenado Diácono e,
em seguida, Presbítero. Shangai, na China foi seu campo de
trabalho. Eleito Bispo Missionário para a China, em 1875,
recusou a posição. Eleito novamente, em 1877, aceitou. Recebeu o
grau de D.D. de Faculdade de Kenyon, Ohio, em 1876, e de S.T.D.
de Columbia, em 1877. Foi consagrado em Nova Iorque, em 31
Outubro de 1877. Os serviços de Schereschewsky eram
particularmente valiosos no trabalho de traduzir do hebreu as
escrituras do AT em mandarim e chinês. Participou da tradução do
NT grego, em Chinês e mandarim, e também para os mesmos idiomas
o LOC. Ele também traduziu o evangelho de Marcos em mongol, e
preparou um "Dicionário deste Idioma”. Fundou uma
universidade... Depois contraiu Parkinson, resignou como Bispo e
gastou o resto de seus dias em suas traduções e as últimas 2000
páginas ele as digitou com um dedo, porque era o único que podia
mover. Quatro anos antes da morte dele, em 1906, ele disse: "Eu
me sentei nesta cadeira durante mais de vinte anos. Parecia
muito duro no princípio. Mas Deus soube fazer o melhor. Ele me
manteve para o trabalho do qual eu estava melhor provido".
Fonte:http://www.dar.org.br/biblioteca/artigos_clerigos/artigos_clerigos_2004_001.htm
17
de Outubro - Santo Inácio de Antioquia

Patrístico do
período pré-nissênico foi o segundo bispo de Antióquia, assumindo a chefia desta
comunidade depois de Evódio. Alguns estudiosos o consideram o terceiro
bispo de Antioquia, pois consideram São Pedro (10 a. C. - 67) o
primeiro bispo, por este ter fundado esta comunidade. Também cognominado
Theoforos que significa carregado por Deus, por ser identificado como
a criança que Nosso Senhor Jesus Cristo tomou nos braços. Tornou-se célebre por
sua peregrinação forçada, em cadeias, de Antioquia a Roma (~100-107). Nas
paradas que fazia para descanso, escrevia à comunidades que o tinham recebido ou
que lhe enviara representantes. Condenado em Roma durante o reinado (98-117) de
Trajano (53-117) e, prestes a ser martirizado, a força de sua fé ficou
demonstrada em uma Carta aos Romanos: "... Deixem-me ser pasto das
feras, pelas quais chegarei a Deus. Sou o trigo de Deus, moído pelos dentes das
feras para tornar-me o pão duro de Cristo... Quando o mundo não puder mais ver
o meu corpo, serei verdadeiramente discípulo de Cristo.". Na Liturgia
Oriental sua memória é celebrada no dia 17 de outubro, enquanto que na Ocidental
é celebrado no dia 1º de Fevereiro.
OBS: A cidade de Antióquia foi fundada (300 a. C.) por Seleuco I
Nicátor (354-281 a. C.), general de Alexandre Magno (356-323
a. C.) e herdeiro da satrapia da Babilônia, com o nome de Antiokheia,
ou seja, cidade de Antíoco, em homenagem a seu pai e general de
Filipe II da Macedônia (382-336 a. C.), este pai de Alexandre, hoje
chamada de Antakya, na Turquia. Tornou-se a capital do império selêucida
e grande centro do Oriente helenístico. Conquistada pelos romanos (64 a. C.),
conservou seu estatuto de cidade livre e foi a terceira cidade do império depois
de Roma e Alexandria, chegando a abrigar 500 mil habitantes. Evangelizada pelos
apóstolos Pedro, Paulo e Barnabé, tornou-se uma metrópole
religiosa, sede de um patriarcado e centro de numerosas controvérsias, entre
elas o arianismo, o monofisismo e nestorianismo.
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias
18
de Outubro - São Lucas Evangelista
( ~10 - 70)

Evangelista do
cristão de formação grega nascido em Antióquia, na Síria, autor
do terceiro dos evangelhos sinóticos (os outros
são os Mateus e Marcos) e dos Atos dos
Apóstolos, e seus textos são os de maior expressão literária
do Novo Testamento. Por seu estilo literário, acredita-se que
pertencia a uma família culta e abastada e, de acordo com a
tradição, exercia a profissão de médico e tinha talento para a
pintura. Converteu-se ao cristianismo e tornou-se discípulo e
amigo de São Paulo, porém segundo seu próprio
relato, não chegou a conhecer pessoalmente Jesus Cristo.
São Paulo o chamava de colaborador e de médico amado
(Cl 4:14). Segundo o testemunho dos Atos dos Apóstolos e
das Cartas de São Paulo, que constituem os únicos dados
biográficos autênticos, acompanhou o apóstolo em sua segunda
viagem missionária de Trôade a Filipos (49-51), e ali permaneceu
nos seis anos seguintes. Depois novamente acompanhou São Paulo,
desta vez numa viagem de Filipos a Jerusalém (57-58)
. Também esteve presente na
prisão do apóstolo em Cesaréia e o acompanhou até Roma. Com a
execução do apóstolo e seu mestre (67), deixou Roma e, de acordo
com a tradição cristã, enquanto escrevia seu Evangelho, teria
sido apóstolo em Acaia, na Beócia ou também na Bitínia, onde
teria morrido (70). Porém existem várias versões sobre o local e
como morreu. Uma versão registra que foi martirizado em Patras
e, segundo outras, em Roma, ou ainda em Tebas. Comprometido com
a verdade histórica, registrou em seu evangelho o que ouvira
diretamente dos apóstolos e discípulos que testemunharam a vida
de Jesus. Uma tradição bizantina mais tardia (séc. VI), quase
com certeza apócrifa, considera que ele também se dedicava à
pintura e chegou a lhe atribuir alguns retratos de Maria,
mãe de Jesus. O exame do vocabulário de seu
Evangelho levou a crítica moderna a confirmar a antiga
tradição de que era um médico e excelente escritor. Seu símbolo
como evangelista é o touro e, na tradição litúrgica, seu
dia é comemorado em 18 de outubro.
http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/SaoLucas.html;
Figura
copiada do site ENCUENTRA.COM:
http://www.encuentra.com/
O
Evangelho de São Lucas
O
Evangelho de São Lucas é o terceiro dos quatro Evangelhos
canônicos do Novo Testamento, que narra a história da vida,
morte e ressurreição de Jesus Cristo. Possui 24 capítulos.
Embora o
texto não mencione o nome de seu autor, o consenso atual segue a
opinião tradicional de que este evangelho e os Atos dos
Apóstolos foram escritos pelo mesmo autor. A opinião tradicional
é que esse autor é o Lucas mencionado na Epístola a Filemon (Fl
1:24), um seguidor de Paulo.
Autoria e audiência
Os
tradicionalistas apontam para o fato de que o mais antigo
manuscrito que reteve sua página de abertura, o Papiro Bodmer
XIV (datado de cerca de 200 D.C.), proclama que aquele é o
euangelion kata Loukan, e a tradição subseqüente não foi
quebrada. A opinião crítica, expressa por Udo Schnelle, é que
"as numerosas concordâncias lingüísticas e teológicas e
referências cruzadas entre o Evangelho de São Lucas e os Atos
indicam que ambas obras derivam do mesmo autor" (em The
History and Theology of the New Testament Writings).
O
evangelista não afirma ter sido testemunha ocular da vida de
Jesus, mas assegura ter investigado tudo cuidadosamente e ter
escrito uma narrativa ordenada dos fatos (Lucas 1, 1-4).
Os autores
dos outros três Evangelhos, Mateus, Marcos e João, provavelmente
usaram fontes similares. De acordo com a hipótese das duas
fontes, que é a solução comumente mais aceita para o problema
dos sinóticos, as fontes de Lucas incluíram o Evangelho de São
Marcos e uma coleção de escritos perdidos, conhecida pelos
acadêmicos como Q, a Quelle ou "documento fonte".
O consenso
geral é que o Evangelho de Lucas foi escrito por um grego para
os cristãos gentios, ou seja, para os não-judeus. O Evangelho é
dirigido ao protetor do autor, o "excelentíssimo" Teófilo.
Data da
redação
A data da
redação deste Evangelho é incerta. Estimativas variam entre
cerca de 80 até 130 D.C.
Visão tradicional da data
Tradicionalmente, os cristãos acreditam que Lucas escreveu sob a
direção, se não sob o ditado de São Paulo. Isso o colocaria como
tendo sido escrito antes dos Atos, cuja data de composição é
geralmente fixada em cerca de 63 D.C. ou 64. Conseqüentemente, a
tradição é que este Evangelho foi escrito por volta de 60 ou 63,
quando Lucas pode ter estado em Cesaréia Marítima (costa norte
da Palestina, ao sul da atual Jafa) à espera de Paulo, que era
então prisioneiro. Se, por outro lado, a conjetura alternativa
estiver correta, de que o livro foi escrito em Roma, durante o
tempo de prisão de Paulo lá, então a data mais provável seria
entre os anos 40 e 60 D.C. Os cristãos evangélicos tendem a
favorecer essa opinião, mantendo a tradição de datar os
evangelhos bem nos primórdios do cristianismo.
Lucas
dedicou seu Evangelho ao "excelentíssimo Teófilo." Teófilo, que
em grego significa "Amigo de Deus", a expressão literária pode
estar referindo-se a alguém, a uma comunidade ou a todos que se
enquadrarem ao termo.
Infelizmente, em nenhum lugar do Evangelho de São Lucas
ou nos Actos há referência a que o autor seja Lucas, o
companheiro de Paulo; essa conexão só aparece no final do século
II. Além disso, o texto em si dá pistas de que não foi escrito
como um ditado de um único autor, mas que fez uso de múltiplas
fontes.
Perspectivas críticas da data
Em contraste com a opinião
tradicional, muitos acadêmicos contemporâneos consideram o
Evangelho de São Marcos como um texto fonte usado pelo autor do
Evangelho de Lucas. Dado que Marcos foi provavelmente escrito
depois da destruição do Templo de Jerusalém, por volta de 70,
Lucas não poderia ter sido escrito antes de 70. Baseado nesse
dado, acadêmicos tem sugerido datas para Lucas desde o ano 80
até tão tarde quanto 150, e os Atos um pouco depois, mas também
entre 80 e 150. A perda de ênfase da Parúsia e a universalização
da mensagem sugerem intensamente uma data muito mais tardia do
que os anos 60-70 atribuídos pela opinião tradicional.
O debate continua entre os
não-tradicionalistas sobre se Lucas escreveu antes ou depois do
final do primeiro século. Aqueles que preferem uma data mais
tardia argumentam que ele foi escrito em resposta a movimentos
heterodóxicos do início do segundo século. Já aqueles que tendem
por uma data mais antiga, assinalam as duas seguintes
considerações: Lucas desconhece o sistema episcopal, que se
desenvolveu no segundo século e uma data mais antiga preserva a
tradicional conexão do Evangelho com o Lucas que foi companheiro
de Paulo.
Manuscritos
Os manuscritos mais
antigos do Evangelho de Lucas são fragmentos de papiro do século
III, um contendo passagens dos quatro evangelhos (P45)
e três outros preservando apenas breves passagens (P4,
P69, P75). Essas cópias primitivas, assim
como as primeiras cópias dos Actos, são de data posterior
àquela em que o Evangelho foi separado dos Actos.
O Codex Bezae, na
Biblioteca da Universidade, Cambridge, contém um manuscrito do
século V ou VI que é o manuscrito completo mais antigo de Lucas,
nas versões grega e latina, em páginas lado a lado. A versão
grega parece ter origem em um ramo da tradição principal dos
manuscritos e desenvolve-se a partir de textos conhecidos, em
muitas passagens. Embora o texto apresente muitas correções
intencionais, amiúde para alinhá-lo com as textos correntes, o
Codex Bezae demonstra a latitude em manuscritos de
escrituras que ainda existiram muito tarde na tradição.
Acadêmicos bíblicos tem minimizado a importância do Codex,
citando-o geralmente apenas quando ele reforça os textos comuns.
Relacionamentos com os outros evangelhos
A maioria dos estudiosos
do Novo Testamento acredita que o autor do Evangelho de Lucas
confiou no texto de Marcos e na "Q" como suas fontes primárias.
De acordo com Farrar, "de
um total de 1151 versículos, Lucas tem 389 em comum com Mateus e
Marcos, 176 em comum apenas com Mateus, 41 em como com Marcos
somente, deixando 544 privativos para si próprio. Em muitas
instâncias, todos os três usam linguagem idêntica."
Há 17 parábolas próprias
desse Evangelho. Lucas também atribui a Jesus sete milagres que
não estão presentes nem em Mateus nem em Marcos. Os evangelhos
sinóticos estão relacionados um com o outro segundo o seguinte
esquema: se o conteúdo de cada evangelho é indexado em 100,
então quando se compara esse resultado se obtém: Marco tem 7
peculiaridades e 93 coincidências. Mateus tem 42 peculiaridades
e 58 coincidências. Lucas tem 59 peculiaridades e 41
coincidências. Isso é, 13/14 (treze quatorze avos) de Marcos,
4/7 de Mateus e 2/5 de Lucas descrevem os mesmos eventos em
linguagem similar. O estilo de Lucas é mais polido do que o de
Mateus e Marcos, com menos hebraismos. Lucas utiliza algumas
palavras latinas (q.v. Lucas 7,41; 8,30; 11,33; 12,6 e 19,20),
mas nada de termos em aramaico ou hebraico, exceto sikera,
uma bebida estimulante da natureza do vinho, mas não processada
de uvas (do hebraico shakar, "ele está intoxicado",
Levítico 10,9), provavelmente vinho de palmeira. Esse Evangelho
contém 28 referências distintas ao Antigo Testamento.
Muitas palavras e frases
são comuns ao Evangelho de Lucas e às cartas de Paulo,
comparando:
- Lucas 4,22 com
Colossenses 4,6.
- Lucas 4,32 com I
Coríntios 2,4.
- Lucas 6,36 com II
Coríntios 1,3.
- Lucas 6,39 com
Romanos 2,19.
- Lucas 9,56 com II
Coríntios 10,8.
- Lucas 10,8 com I
Coríntios 10,27.
- Lucas 11,41 com Tito
1,15.
- Lucas 18,1 com II
Tessalonicenses 1,11.
- Lucas 21,36 com
Efésios 6,18.
- Lucas 22,19-20 com I
Coríntios 11,23-29.
- Lucas 24,34 com I
Coríntios 15,5.
Testemunhos e avaliações
O Evangelho de Lucas tem
sido chamado "o Evangelho das nações, cheio de compaixão e
esperança, asseguradas ao mundo pelo amor de um Salvador
sofredor;" "o Evangelho da vida santa;" "o Evangelho para os
gregos; o Evangelho do futuro; o Evangelho da cristandade
progressista, da universalidade e graciosidade do evangelho; o
Evangelho histórico; o Evangelho de Jesus como o bom médico e o
Salvador da humanidade;" o "Evangelho da Fraternidade de Deus e
da irmandade do Homem;" "o Evangelho da condição feminina;" "o
Evangelho dos desfavorecidos, dos samaritanos, dos publicanos,
das prostituídas e dos pródigos;" "o Evangelho da tolerância."
A principal característica
deste Evangelho, como Farrar (Cambridge Bible, Lucas,
Introd.) observa, está expressa no lema "Quem andou por toda
parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados
pelo diabo" (Atos, 10, 38; comparar com Lucas 4,18). Lucas
escreveu para o "mundo helênico." Este Evangelho é em verdade
"rico e precioso."
19
DE OUTUBRO - HENRY MARTIN

Henry Martin nasceu
em 1781 e estudou em Cambridge, onde tornou-se especialista em matemática.
Tinha também facilidade em aprender línguas.
Incentivado
por Charles Simeon (ver 12 de novembro), foi para a Ìndia como Capelão, onde
chegou em 1806. Ainda em sua viagem para a Índia, no ano de 1805, o navio em
que viajava aportou durante 15 dias na Bahia onde manteve contato com os padres
católicos romanos, falando em francês e latim, ocasião em que escreveu no seu
diário: “Quem
será o ditoso missionário que irá trazer o nome de Cristo a esta região
ocidental? Quando será este país libertado da idolatria e do Cristianismo espúrio?
Cruzes há em abundância, mas quando será aqui anunciada a doutrina da
Cruz?”
Os
seis últimos anos de sua vida foram dedicados a traduzir o Novo Testamento para
o Hindi e Persa, revisado uma tradução Árabe do Novo Testamento, e traduzidos
os Salmos para o Persa e o Livro de Oração Comum para o Hindi. Em 1811 saiu da
India para a Pérsia, esperando fazer mais algumas traduções e melhorar as
existentes. Não concluiu os seus projetos, pois adoeceu e morreu em Tokat (Província
da Turquia) em 16 de outubro de 1812
(O Calendário Americano comemora em 19 outubro). Foi enterrado pela Igreja
Armeniana, com as honras reservadas ordinariamente para os seus
próprios bispos.
Seu
diário foi chamado “um dos mais preciosos tesouros
da devoção Anglicana”.
Pesquisa revjbs out 2006
23 de Outubro - SÃO TIAGO DE
JERUSALÉM, IRMÃO DO SENHOR, MÁRTIR, 62

Tiago, irmão do Senhor, Mt 13. 55; Mc 6. 3; Gl
1 1. 19, figura saliente na igreja de Jerusalém, nos tempos apostólicos, At 12.
17; 15. 13; 21. 18; 01 1. 19; 2. 9, 12. Este Tiago é mencionado nominalmente
duas vezes nos evangelhos, Mt 13. 55; Mc 6. 3, mas os traços gerais de sua vida,
só os poderemos encontrar nas relações com as noticias sobre “os irmãos do
Senhor” que constituem classe distinta, tanto em vida do Senhor, quando ainda
não criam nele, Jo 7. 5, como depois da sua ressurreição, quando se encontram no
meio dos discípulos em Jerusalém, At 1. 14. As exatas relações destes “irmãos”
com o Senhor Jesus, têm dado lugar a muita discussão. Alguns identificam--nos
com os filhos de Alfeu, seus primos irmãos. Pensam outros que estes irmãos do
Senhor vêm a ser filhos de José, por um primeiro casamento. Como eles aparecem
sempre em companhia de Maria, morando com ela e acompanhando-a em viagens e
mantendo relações tão intimas, não é para se duvidar que eles sejam realmente
seus filhos e verdadeiros irmãos de Jesus, Mt 12. 46, 47; Lc 8. 19; Jo. 2. 12.
Como o nome de Tiago é o primeiro que aparece na enumeração dos irmãos de Jesus,
é de supor que fosse ele o mais velho, Mt 13. 55; Mc 6. 3. É provável que ele
tenha participado da descrença de seus irmãos, Jo 7. 5, e sem dúvida também dos
cuidados pela segurança de sua vida, Mc 3. 31. Quando e de que modo se operou a
sua mudança em servo de Cristo, não sabemos, At 1. 14; Tg 1. 1, Quem sabe se ele
se converteu em virtude de uma revelação especial como foi a do apóstolo S.
Paulo!, 1 Co 15. 7. Desde o inicio da igreja de Jerusalém que o nome de Tiago
aparece à sua frente, At 12. 17; 15. 13; 21. 18; GI 1. 19; 2. 9, 12.
Quando, pelo ano 40, 5, Paulo visitou Jerusalém,
depois de convertido, declara haver estado com Tiago, sinal evidente de que ele
estava à testa da igreja, Gl 1. 19. Há uma referência em At 12. 17 e outra em
21. 18, pelas quais se vê que este discípulo continuava em destaque nos anos 44
e 58 respectivamente. A leitura do v. 6 do cap. 15 dá-nos a entender em que
consistia a sua preeminência. Não sendo apóstolo, é licito pensar que ele era o
presidente da corporação presbiterial da igreja de Jerusalém e pastor dela, O
seu nome aparece nesta qualidade, como se depreende das seguintes passagens: Gl
2. 12; At 12. 17; 15. 13; 21. 18. Os visitantes que iam a Jerusalém dirigiam-se
em primeiro lugar a ele, 12. 17; 21. 18; Gl 1. 19; 2. 9. A sua posição na igreja
serviu muito para facilitar a passagem dos judeus para o Cristianismo. Os
fundamentos de sua fé aliavam-se perfeitamente com as idéias de S. Paulo como se
evidencia pela leitura de Gl 2. 9; At 15. 13; 21. 20. Em ambas as passagens
citadas, ele fala também em favor da consciência cristã dos judeus convertidos.
Como S. Paulo, fazia-se tudo para todos, era judeu com os judeus para ganhar os
judeus, O emprego de seu nome pelos judaizantes, Gl 2. 12; Lit. Clementina, e a
admiração que havia por ele entre os judeus, a ponto de o apelidarem de “justo”,
tem explicação neste traço de seu caráter, Euzébio, H. E. 2. 23. A última vez
que o Novo Testamento se refere a ele, é em ,At 21. 18, onde se diz que o
apóstolo Paulo havia ido à sua casa em Jerusalém, A. D. 58. A história profana,
contudo, informa que ele sofreu o martírio por ocasião do motim dos judeus no
interregno entre a morte de Festo e a nomeação de seu sucessor, A. D. 62, Antig.
20. 9, 1; Euzébio, H. E. 2. 23.
Fonte: Dicionário da Bíblia,
John D. Davis.
28 de Outubro - São Simão

Simão foi um dos
discípulos de Jesus Cristo, conhecido como "Simão, o Cananeu" de
acordo com o Livro de Mateus e como "Simão, o Zelote" no Livro
de Lucas 6:15 e Atos 1:13.
A palavra grega Cananeu e a
palavra Zelote derivada do aramaico significam a mesma coisa:
"zeloso". Supõe-se por esse apelido que Simão pertencia à seita
judaica conhecida como zelotes.
O momento no qual se
ocorreu o chamamento de Simão para se unir aos apóstolos não é
muito claro na Bíblia. Sabe-se apenas que foi convidado ao mesmo
tempo que André, Pedro, Tiago, João, Judas Iscariotes e Tadeu
(Mateus 4:18-22).
Não se sabe ao certo qual
o ministério de Simão posteriormente
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia
livre.
28 de Outubro
- São Judas

São Judas é um santo
Cristão e um dos doze apóstolos de Jesus. Seus outros nomes são
Judas Tadeus e Judas Lebeus. Ele é também conhecido como São
Tadeu (Greco Θαδδαῖος), soletrado como "Thaddæus" ou "Thaddaeus"
em diferentes versãoes da Bíblia, e como São Matfiy (Фаддей, он
же Иуда Иаковлев или Леввей, em russo) na tradição ortodoxa
russa (junto com São Judas). Ele não deve ser confundido com
Judas Escariote que traiu Jesus e mais tarde (Segundo
Mateus) cometeu suicídio.
São Judas foi um irmão de
São James (Tiago) o Justo, e um parente de Jesus (veja também
Judas, irmão de Jesus). Marcos 6:3 declara sobre Jesus: “Não é
esse o carpinteiro? Não é esse o filho de Maria e o irmão de
James (Tiago), José, Judas e Simão? Não são essas suas irmãs
conosco?”
Nos Atos de Tomás, um dos
Novo Testamento, escrito na Síria no início do século 3, ele foi
identificado como Judas Tomás, que é o nome completo do apóstolo
Tomás, segundo a tradição síria. Judas, sendo São Judas, é
suposto na visao da Igreja Apostólica Armenia, ter levado o
Cristianismo à Armenia. Judas é o santo patrono das causas
desesperados de das causas perdidas na Igreja Católica Romana.
O símbolo de São Judas é
um machadinho. Ele é também geralmente apresentado em icons com
uma flama ao redor de sua cabeça. Essa flama representa a
presença do Pentecoste, quando ele recebeu o Espírito Santo,
junto com os outros apóstolos.
As vezes ele é
representado segurando um machado, por sua morte ter ocorrido
por essa arma. Em alguns casos ele é mostrado como um rolo ou
livro (seu epístolo) ou segurando uma régua de carpinteiro.
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia
livre.
31 DE OUTUBRO
- Dia
da Reforma Protestante

31 de Outubro de 1517_ Dia
da Reforma Protestante
(Dia em que Martinho Lutero
afixou as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg).
Gottfried Brakemeier (Pastor
Luterano)
Estimadas Senhoras e
Senhores, irmãos e irmãs!
Salvo raras exceções, o
"Dia da Reforma" não goza do privilégio de um feriado em nosso País. Afinal, ele
serve para quê? Para homenagear os protestantes? Para trazer à memória as
dolorosas divisões da Igreja, ocorridas no século XVI? Existem sensibilidades,
até mesmo embaraços com relação à comemoração do dia em que no remoto ano de
1517 Matim Lutero afixou suas afamadas 95 teses à porta da Igreja do Castelo em
Wittenberg. É verdade que foi alto o preço a pagar pela Reforma, infelizmente. E
no entanto, se a atenção se prender ao prejuízo tão-somente, ainda não se
percebeu a real importância do movimento desencadeado por Lutero e os demais
reformadores. Depois daquele 31 de outubro o mundo já não mais seria o mesmo
como antes.
Apesar dos questionamentos,
pois, a comunidade evangélica tem boas razões para não deixar passar em brancas
nuvens esta data. Apregoa ser a Reforma evento memorável para toda cristandade e
convida as Igrejas irmãs para a comemoração conjunta. Não nega a ambiguidade da
mesma. O retrospecto histórico faz ver, a um só tempo, a fidelidade de Deus e o
pecado humano, o ganho e a perda, avanços e fracassos. Justamente assim,
porém, o dia possui relevância ecumênica. Lembra um marco decisivo na
trajetória do povo de Deus, bem como uma vocação comum, altamente relevante no
século XXI. É o que tentarei mostrar em poucas e breves reflexões.
1. Temo que, em boa medida,
os aspectos incômodos, característicos do dia 31 de outubro, sejam decorrentes
do próprio termo "Reforma". Desde que "Reforma" ultrapasse o simples
conserto formal e persiga a meta de real renovação, costuma sofrer resistências.
Foi o que aconteceu no século XVI. Lutero queria mais do que colocar remendo em
roupa velha. Sintonizou, desse modo, com um profundo anseio popular da época,
insistindo em substancial reforma de Igreja e sociedade "da cabeça até aos pés".
Reforma, isto era sinônimo de "conversão", de mudança e de correção de percurso.
Tratava-se de projeto necessário, inadiável, urgente.
Ainda hoje ou novamente
o é. Necessitamos de reforma nas Igrejas. Aliás, Igreja luterana sabe ser
reforma jamais algo definitivo. É como a higiene do corpo. Deve ser permanente.
Ademais, reforma se exige como resposta a novos desafios e como adequação a
novas circunstâncias. Quem não muda em meio às transformações da história,
torna-se obsoleto, disfuncional. Não posso aprofundar o assunto. De qualquer
maneira, o dia da reforma lembra à cristandade um compromisso inalienável, hoje
não menos atual como antigamente. Igreja que resiste à reforma, estagna e coloca
em risco sua qualidade evangélica. Eis, porque o dia da Reforma é dia
ecumênico.
Arrisco dar mais outro
passo. Afirmo "reforma" como premente necessidade global. Não foram
apenas os acontecimentos no dia 11 de setembro último que disso lembraram. Há
outros fenômenos angustiantes, exigindo uma radical mudança de rumo. Sem
incisivas reformas na economia, na política, na mentalidade da era dita
pós-moderna está ameaçado o futuro da humanidade. Estamos em situação pior do
que no século XVI. Pois as ameaças são incomparavelmente mais graves. "Dia da
Reforma", isto significa "Dia da Penitência". Sem a disposição para rever
atitudes, procedimentos e leis não haverá saída dos impasses. O dia 31 de
outubro exige deste nosso mundo nada menos do que a radical reavaliação dos
valores e das estruturas que regem o convívio das pessoas e que conduziram a uma
situação de quase pânico geral. Clamamos por paz, clamamos por mudança. Como
alcançar o objetivo?
2. Também neste tocante a
comemoração da Reforma do século XVI oferece ajuda. Lutero, o que queria? Ora,
quis no fundo apenas isto: que os direitos de Deus voltassem a ser
respeitados. Ele se opôs à usurpação de autoridade divina em Igreja e
sociedade de seu tempo.
Paradoxalmente, o ser humano se desumaniza quando cultua seus próprios
interesses e despreza os interesses divinos. Colidem então as ambições
subjetivas, corporativistas, nacionalistas, mergulhando a sociedade em perigosos
conflitos. Diz a Bíblia ser o temor a Deus o início da sabedoria. Quando o ser
humano abole a fé em Deus ou a substitui pela fé em ídolos, transforma-se
naquela besta de que fala o capítulo 13 do livro de Apocalipse, simbolizando
tirania e perversão.
É tradição profética
insistir no direito divino como norma do humano. Sob esta perspectiva, a
Reforma do século XVI tem tido nitidamente natureza profética. Temer a Deus,
amá-lo e confiar nele acima de todas as coisas, isto é simplesmente vital para o
ser humano. Sem o respeito ao primeiro mandamento, a sociedade se inviabiliza.
Perde os parâmetros e afunda em idolatria e confusão. Nem tudo é relativo,
permitido, conveniente. O mundo de hoje se ressente da falta de critérios
básicos comuns, capazes de garantir a sociedade sustentável, de assegurar a paz
e de superar a tão falada crise de ética e mesmo de sentido. O "Dia da Reforma"
coloca em pauta não só a necessidade da penitência. Com a mesma insistência
reintroduz o tema "Deus" na luta dos interesses humanos, sejam eles
individuais, grupais, institucionais e mesmo culturais. A fé em Deus não é
nenhum supérfluo na vida humana. Ninguém o enfatizou como Lutero.
3. Mas dizer somente isto
não basta. Pois justamente em nome de Deus tem sido e continuam sendo
cometidos bárbaros crimes. Guerra é sempre um horror. Mas chega a seu ápice,
quando assume as características de guerra santa. A Reforma bem o sabia.
Combateu, por isto, o abuso do nome de Deus com o mesmo vigor com que insistia
nos direitos de Deus. Viu a necessidade da prestação de contas da imagem do
Deus a que o seu humano devota seu culto. Pois poderá ser um ídolo demoníaco,
devorando qualidade de vida e acobertando a violência e a injustiça. A Reforma
do século XVI pretendia ser evangélica, orientada no Deus que não
escraviza, antes liberta dos múltiplos cativeiros humanos. Para Lutero e seus
amigos Reforma não significava uma nova lei. Pelo contrário, consistia na
redescoberta do amor de Deus que acolhe o perdido, o desesperado, o culpado, que
justifica por graça e por fé.
O Deus do evangelho é o
Deus que não se vingou nos seus inimigos, quando tramaram atentado contra seu
filho. À crucificação de Jesus Cristo, Deus responde não com demonstração de
força, de raiva e de retaliação, e, sim com o seu perdão. Por isto mesmo a lei
máxima deste Deus é a do amor, loucura aos olhos do mundo, e não obstante a
máxima sabedoria. Justiça humana evidentemente não pode abrir mão da penalização
do crime. Impunidade é chaga no corpo social. Não se confunda justiça com
vingança. Esta é o que se proíbe. Vai tão somente acelerar a espiral da
violência e, à dessemelhança da justiça, é incapaz do perdão. Permanece verdade
que perdoar é mais sábio do que vingar-se, distribuir mais sábio do que
acumular, integrar mais sábio do que excluir. O Deus da Bíblia é o Deus da
sabedoria. Nem sempre a cristandade tem sido fiel a este Deus. Assim como o
apóstolo Pedro, assim também ela por demais vezes traiu o seu Mestre. Precisa de
penitência também ela. Entretanto, vive da certeza de que infidelidade humana
não seja capaz de invalidar o amor que Deus mesmo é e que demonstra à sua
criatura.
São os direitos deste Deus
com que a Reforma se sabe comprometida. Igreja evangélica e cristã está
consciente da variedade de imagens do divino neste mundo. Não quer impor a sua "teovisão"
às religiões não cristãs. Qualquer pressão ou violência nessa direção seria
incompatível com o Deus de Abraão, Isaque e Jacó que é também o Pai de Jesus
Cristo. E no entanto, Igreja cristã jamais poderá conformar-se com a idéia de um
Deus inclemente, impiedoso, brutal. Tal Deus que não ama e cuja "lei" maior por
isto mesmo não consiste no amor, dificilmente vai proporcionar salvação à
espécie humana e a este mundo. Não é o Deus de Jesus Cristo. Costuma-se
considerar a fé um assunto particular. Nada mais errado do que isto. Fé é
assunto público da mais alta relevância. Precisamos conversar a respeito,
portanto. Pois o Deus em que o ser humano crê, é literalmente assunto de vida e
morte, de paz ou de guerra, de bem estar social ou de ruína.
4. A Reforma do século XVI
desenvolveu dinâmica pelo decidido recurso à Bíblia, respectivamente ao
evangelho. Resultam daí um compromisso e um convite.
- O
compromisso é o da gratidão a Deus. Nós sabemos que o desenrolar da Reforma
se deu em meio a fortes conflitos, alguns mesmo sangrentos. Nem sempre as
causas eram de ordem religiosa. Fatores políticos, econômicos, religiosos,
"humanos" se misturaram. Ainda assim. A Reforma brindou a Igreja de Jesus
Cristo e por extensão também a humanidade com precisosos dons. É
extremamente rica a herança espiritual que nos legou. Incentivou o estudo da
Bíblia e o levantamento de seus tesouros. Cravou um espinho na carne da
cristandade, lembrando-lhe a tarefa da reforma como inerente ao próprio
evangelho. Acarretou liberdades individuais e grupais. Não preciso ser
exaustivo. Seríamos cegos, se não enxergássemos a mão de Deus, escrevendo
reto em linhas tortas também neste caso. Na Reforma o Espírito Santo soprou
mais forte do que a obstinação humana e sua resistência à auto-correção,
motivo para um profundo "Graças a Deus". A Igreja toda foi beneficiada.
- O
convite é duplo. Dirije-se em primeiro lugar às Igrejas irmãs. A Reforma não
criou Igreja nova. Igreja cristã tem sua origem em Jerusalém, não em
Wittenberg, nem em Roma, nem em Londres ou qualquer outra parte do mundo.
Somos uma Igreja só, vivendo de uma só fonte que é o evangelho. Por isto
façamos nova reforma juntos. E veremos que, se tivermos a coragem para
tanto, vamos chegar bem próximos uns dos outros. Não vamos nivelar as nossas
diferenças. Isto não é possível nem exigido. Mas vamos viver como pessoas e
instituições reconciliadas por Cristo, oferecendo à sociedade um modelo de
paz evangélica. Exatamente por isto, o convite vai para além das Igrejas. É
extensivo à sociedade brasileira, às culturas, aos povos, aos segmentos
sociais, às insituições políticas. Claro, "reforma" nestes horizontes vai se
processar em termos diferentes, peculiares. Mas insistimos em que deixe de
ser palavra temida e passe a ser projeto prioritário com critérios
orientados no bem da criação. Isto em todos os níveis. Reforma é o
pressuposto da paz que almejamos.
"Dia da Reforma" – um dia
supérfluo? Igreja evangélica sustenta que não, e pede explicação de quem afirma
o contrário. É um dia comemorativo, sim. Há uma história a lembrar que,
em toda a sua ambiguidade, possui aspectos instrutivos e não deixa de ser motivo
de gratidão. Simultaneamente, porém, "Dia da Reforma" é um dia programático,
lembrando uma urgência atual. Conclama à ação. Para tanto nos dirigimos a Deus.
Queira conceder-nos o seu Espírito renovador, assim como já o fez no passado,
que o faça hoje.
Mensagem proferida em 31 de dezembro de 2001 por
ocasião da celebração conjunta IELB e IECLB, Comunidade Evangélica de Porto
Alegre e Distrito Portoalegrense.
As
95 Teses de Lutero
1ª Tese - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus
Cristo: "Arrependei-vos", certamente quer que toda a vida dos seus crentes na
terra seja contínuo arrependimento.
2ª Tese - E esta expressão não pode e não deve
ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à
confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.
3ª Tese - Todavia não quer que apenas se entenda
o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento
quando não produz toda sorte de modificações da carne.
4ª Tese - Assim sendo, o arrependimento e o
pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar
de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.
5ª Tese - O papa não quer e não pode dispensar
outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que
são estatutos papais.
6ª Tese - O papa não pode perdoar divida senão
declarar e confirmar aquilo que já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos
que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser
em absoluto anulada ou perdoada.
7ª Tese - Deus a ninguém perdoa a dívida sem que
ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.
8ª Tese - Canones poenitendiales, que não as
ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas as
Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito
aos moribundos.
9ª Tese - Eis porque o Espírito Santo nos faz bem
mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da
morte e da necessidade suprema
10ª Tese - Procedem desajuizadamente e mal os
sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou
penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese - Este joio, que é o de se transformar a
penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou
penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo.
12ª Tese - Outrora canonicae poenae, ou sejam
penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas
antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento
e do pesar.
13ª Tese - Os moribundos tudo satisfazem com a
sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados,
com justiça, de sua imposição.
14ª Tese - Piedade ou amor Imperfeitos da parte
daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor;
logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese - Este temor e espanto em si tão só, sem
falar de outras cousas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório,
pois que se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese - Inferno, purgatório e céu parecem ser
tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou
quase desespero e certeza.
17ª Tese - Parece que assim como no purgatório
diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar
o amor.
18ª Tese - Bem assim parece não ter sido provado,
nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram
fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese - Ainda parece não ter sido provado que
todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por
ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.
20ª Tese - Por isso o papa não quer dizer e nem
compreende com as palavras "perdão plenário de todas as penas" que todo o
tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.
21ª Tese - Eis porque erram os apregoadores de
indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo
mediante a indulgência do papa.
22ª Tese - Pensa com efeito, o papa nenhuma pena
dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter
expiado e pago na presente vida.
23ª Tese - Verdade é que se houver qualquer
perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são
muito poucos.
24ª Tese - Assim sendo, a maioria do povo é
ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o
homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese - Exatamente o mesmo poder geral, que o
papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d’almas o tem no seu bispado
e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
26ª Tese - O papa faz muito bem em não conceder
às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela
ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese - Pregam futilidades humanas quantos
alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do
purgatório.
28ª Tese - Certo é que no momento em que a moeda
soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém,
ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese - E quem sabe, se todas as almas do
purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo
Severino e Pascoal.
30ª Tese - Ninguém tem certeza da suficiência do
seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver
alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese - Tão raro como existe alguém que possui
arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que
verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese - Irão para o diabo juntamente com os
seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de
indulgência.
33ª Tese - Há que acautelasse muito e ter cuidado
daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça
ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese - Tanto assim que a graça da indulgência
apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.
35ª Tese - Ensinam de maneira ímpia quantos
alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de
confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese - Todo e qualquer cristão que se
arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem
pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve
de indulgência.
37ª Tese - Todo e qualquer cristão verdadeiro,
vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de
Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese - Entretanto se não deve desprezar o
perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão
constitui uma declaração do perdão divino.
39ª Tese - É extremamente difícil, mesmo para os
mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da
indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese - O verdadeiro arrependimento e pesar
buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com
que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.
41ª Tese - É necessário pregar cautelosamente
sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a
indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, não ser
pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira
possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos proceder
melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram
indulgências.
44ª Tese - Ê que pela obra de caridade cresce o
amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não
se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que
aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro
com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.
46ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se
não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o
esbanjem com indulgências.
47ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, ser a
compra de indulgências livre e não ordenada
48ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se o
papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa
do que de dinheiro.
49ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, serem
muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito
prejudiciais quando, em conseqüência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se o
papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências,
preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com
a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que o
papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são
despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se
necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.
52º Tese - Comete-se injustiça contra a Palavra
de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência
do que à pregação da Palavra do Senhor.
53ª Tese - São inimigos de Cristo e do papa
quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas
demais igrejas.
54ª Tese - Esperar ser salvo mediante breves de
indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se
o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
55ª Tese - A intenção do papa não pode ser outra
do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma
cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado
mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese - Os tesouros da Igreja, dos quais o
papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem
suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.
57ª Tese - Que não são bens temporais, é
evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade,
antes os ajuntam.
58ª Tese - Tão pouco são os merecimentos de
Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente
do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o
homem exterior.
59ª Tese - São Lourenço aos pobres chamava
tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese - Afirmamos com boa razão, sem
temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado
pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese - Evidente é que para o perdão de penas
e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.
62ª Tese - O verdadeiro tesouro da Igreja é o
santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese - Este tesouro, porém, é muito
desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese - Enquanto isso o tesouro das
indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos
sejam os primeiros.
65ª Tese - Por essa razão os tesouros evangélicos
outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese - Os tesouros das indulgências, porém,
são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese - As indulgências apregoadas pelos seus
vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes
trazem grandes proventos.
68ª Tese - Nem por isso semelhante indigência não
deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da
cruz.
69ª Tese - Os bispos e os sacerdotes são
obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a
reverência.
70ª Tese - Entretanto têm muito maior dever de
conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de
cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.
71ª Tese - Aquele, porém, que se insurgir contra
as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja
abençoado.
72ª Tese - Quem levanta a sua voz contra a
verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
73ª Tese - Da mesma maneira em que o papa usa de
justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de
indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese - Muito mais deseja atingir com o
desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem
a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.
75ª Tese - Considerar as indulgências do papa tão
poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa
impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.
76ª Tese - Bem ao contrario, afirmamos que a
indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz
respeito à culpa que constitui.
77ª Tese - Dizer que mesmo São Pedro, se agora
fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S.
Pedro e o papa.
78ª Tese - Em contrario dizemos que o atual papa,
e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o
Evangelho. as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios
12.
79ª Tese - Afirmar ter a cruz de indulgências
adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria
cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese - Os bispos, padres e teólogos que
consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste
procedimento.
81ª Tese - Semelhante pregação, a enaltecer
atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é
difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes
objeções dos leigos.
82ª Tese - Eis um exemplo: Por que o papa não
tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e
em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssirno motivo
para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S.
Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?
83ª Tese - Outrossim: Por que continuam as
exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o
dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo
os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto
continuar a rezar pelos já resgatados?
84ª Tese - Ainda: Que nova piedade de Deus e dó
papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e
agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e
querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?
85ª Tese - Ainda: Por que os cânones de
penitência, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a
ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem
bem vivos e em vigor?
86ª Tese - Ainda: Por que o papa, cuja fortuna
hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a
catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de
fiéis pobres?
87ª Tese - Ainda: Quê ou que parte concede o papa
do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste
o direito à indulgência plenária?
88ª Tese - Afinal: Que maior bem poderia receber
a Igreja, se o papa, como Já o faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel
semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.
89ª Tese - Visto o papa visar mais a salvação das
almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele
concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?
90ª Tese - Refutar estes argumentos sagazes dos
leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar
a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese - Se a Indulgência fosse apregoada
segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente
desfeitos, nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese - Fora, pois, com todos estes profetas
que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz.
93ª Tese - Abençoados sejam, porém, todos os
profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.
94ª Tese - Admoestem-se os cristãos a que se
empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.
95ª Tese - E assim esperem mais entrar no Reino
dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações
infundadas