|
Semana Santa Sexta-Feira da Paixão Este é o dia em que os cristãos lembramos a paixão, crucifixão, morte e sepultamento do Senhor. É, por isso, um dia de quietude, penitência, e na nossa Igreja é um dos dois únicos dias de jejum no ano (o outro é a Quarta-Feira de Cinzas). A observância especial deste dia remonta ao cristianismo primitivo, passou pela Idade Média e foi mantido, ainda que simplificado na Reforma de Cranmer no séc. XVI. Neste dia não se celebra a Santa Eucaristia e a base do culto é o da Liturgia da Palavra, com a leitura na íntegra do relato evangélico da Paixão, baseado no texto joanino, já que ele foi testemunha presencial dos fatos, coletas especiais em estilo diacônico e que preservam a antiqüíssima maneira de fazer as intercessões, leitura de salmos tidos como antecipações proféticas da Paixão e Morte de Jesus (Salmos.22, 40, 69). As leituras bíblicas são as mesmas para os anos A, B, C do lecionário trienal atualmente em uso. Ao fim da Liturgia da Palavra e do sermão, o culto pode ser encerrado, como acontece em algumas partes de nossa Comunhão, e como é uma das propostas da folheto dos Ritos Especiais de nossa Província. O folheto, porém dá também outras possibilidades, e assim anima a expandir a experiência litúrgica nesse dia. Para isso, apresenta um material para uma solene adoração de Cristo Crucificado e até acrescenta uma distribuição dos elementos consagrados remanescentes da celebração da Quinta-Feira Santa. A cor litúrgica a ser usada nos ritos da Sexta-Feira Santa é variável dentro do anglicanismo, dependendo dos países e das tradições litúrgicas existentes neles. E assim que são usados o vermelho (pela sua conexão simbólica com o sangue, sacrifício, testemunho) ou o roxo (penitencial, usado atualmente também em ocasiões de luto). O preto deixou de ser usado como cor litúrgica, mas aqueles clérigos que usam ainda o típete preto nos cultos, poderiam usar o mesmo no culto da Sexta-Feira Santa.
Fonte: O Pão da Vida, Comentários ao Lecionário Anglicano, Ano A, 2007, pág. 377, 378 - Revdo. Enrique Illarze, liturgista |